ceifa de luz

CEIFA DE LUZ – EMMANUEL CHICO XAVIER

CEIFA DE LUZ EMMANUEL CHICO XAVIER
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Ceifa de luz Emmanuel – Chico Xavier

 

3. PRECE POR LUZ Senhor!…

 

No limiar deste livro, estamos em oração, rogando-te mais luz por acréscimo de misericórdia. Clareia-nos o entendimento, a fim de que conheçamos em suas conseqüências os caminhos já trilhados por nós; entretanto, faze-nos essa concessão mais particularmente para descobrirmos, sem enganos, onde as estradas mais retas que nos conduzem à integração com os teus depósitos. Alteia-nos o pensamento, não somente para identificarmos a essência de nossos próprios desejos, mas sobretudo para que aprendamos a saber quais os planos que traçaste a nosso respeito. Ilumina-nos a memória, não só de modo a recordarmos com segurança as lições de ontem, e sim, mais especialmente, a fim de que nos detenhamos no dia de hoje, aproveitando-lhe as bênçãos em trabalho e renovação. Auxilia-nos a reconhecer as nossas disponibilidades; todavia, concede-nos semelhante amparo, a fim de que saibamos realizar com ele o melhor ao nosso alcance. Inspira-nos, ensinando-nos a valorizar os amigos que nos enviaste; no entanto, mais notadamente, ajuda-nos a aceitá-los como são, sem exigir-lhes espetáculos de grandeza ou impostos de reconhecimento. Amplia-nos a visão para que vejamos em nossos entes queridos não apenas pessoas capazes de auxiliar-nos, fornecendo-nos apoio e companhia, mas, acima de tudo, na condição de criaturas que nos confiaste ao amor, para que venhamos a encaminhá-los na direção do bem. Ensina-nos a encontrar a paz na luta construtiva, o repouso no trabalho edificante, o socorro na dificuldade e o bem nos supostos males da vida. Senhor!… Abençoa-nos e estende-nos as mãos compassivas, em tua infinita bondade, para que te possamos perceber em espírito na realidade das nossas tarefas e experiências de cada dia, hoje e sempre.
Assim seja.
Uberaba, 29 de Agosto de 1972 Emmanuel

4. 1 – CARIDADE DO ENTENDIMENTO

“Agora, pois, permanecem estas três, a fé, a esperança e a caridade; porém, a maior destas é a caridade”. – PAULO (I Corintíos, 13:13.)
Na sustentação do progresso espiritual precisamos tanto da caridade quanto do ar que nos assegura o equilíbrio orgânico. Lembra-te de que a interdependência é o regime instituído por Deus para a estabilidade de todo o Universo e não olvides a compreensão que devemos as todas as criaturas. Compreensão que se exprima, através de tolerância e bondade incessantes, na sadia convicção de que ajudando aos outros é que poderemos encontrar o auxílio indispensável à própria segurança. À frente de qualquer problema complexo naqueles que te rodeiam, recorda que não seria justa a imposição de teus pontos de vista para que se orientem na estrada que lhes é própria O criador não dá cópias e cada coração obedece a sistema particular de impulsos evolutivos. Só o amor é o clima adequado ao entrelaçamento de todos os seres da Criação e somente através dele integrar-nos-emos na sintonia excelsa da vida. Guarda, em todas as fases do caminho, a caridade que identifica a presença do Senhor nos caminhos alheios, respeitando-lhes a configuração com que se apresentam. Não te esqueças de que ninguém é ignorante porque o deseje e, estendendo fraternos braços aos que respiram atribulados na sombra, diminuirás a penúria que se extinguirá, por fim, no mundo, quando cada consciência ajustar-se à obrigação de servir sem mágoa e sem reclamar é que permaneceremos felizes na ascensão para Deus.

5. 2 – DESCULPAR

“Jesus lhe disse: Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete” (Mateus, 18:22.)
Atende ao dever da desculpa infatigável diante de todas as vitimas do mal para que a vitória do bem não se faça tardia. Decerto que o mal contará com os empreiteiros que a Lei do Senhor julgará no momento oportuno, entretanto, em nossa feição de criaturas igualmente imperfeitas, suscetíveis de acolher-lhe a influência, vale perdoar sem condição e sem preço, para que o poder de semelhantes intérpretes da sombra se reduza até a integral extinção. Recorda que acima da crueldade encontramos, junto de nós a ignorância e o infortúnio que nos cabe socorrer cada dia. Quem poderá, com os olhos do corpo físico, medir a extensão da treva sobre as mãos que se envolvem no espinheiral do crime? Quem, na sombra terrestre, distinguirá toda a percentagem de dor e necessidade que produz o desespero e a revolta. Dispõe-te a desculpar hoje, infinitamente, para que amanhã sejas também desculpado. Observa o quadro em que respiras e reconhecerás que a natureza é pródiga de lições no capítulo da bondade. O sol releva, generoso, o monturo que o injuria, convertendo-o sem alarde em recurso fertilizante. O odor miasmático do pântano, para aquele que entende as angústias da gleba, não será mensagem de podridão, mas sim rogativa comovente, para que se lhe dê a benção do reajuste, de modo a transformar-se em terra produtiva. Tudo na vida roga entendimento e caridade para que a caridade e o entendimento nos orientem as horas. Não olvides que a própria noite na terra uma pausa de esquecimento para que aprendemos a ciência do recomeço, em cada alvorada nova. “Faze a outrem aquilo que desejas te seja feito” – advertiu-nos o Amigo Excelso. E somente na desculpa incessante de nossas faltas recíprocas, com o amparo do silêncio e com a força de humildade, é que atingiremos, em passo definitivo, o reino do eterno bem com a ausência de todo mal.

6. 3 – NO MUNDO AFETIVO

“Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos amar uns aos outros”.
– JOÃO (I João, 4:11.)
Reprovamos a violência e clamamos contra a violência; no entanto, na vida de relação, muito raramente nos acomodamos sem ela, quando se trate de nossos caprichos. Muito comum, principalmente quando amamos alguém, exigimos que esse alguém se nos condicione ao modo de ser. Se os entes queridos não nos compartilham gostos e opiniões, eis-nos irritadiços ou estomagados, reclamando contra a vida; todavia, a paz da alma requisita compreensão e a compreensão conhecem que cada um de nós tem a sua área própria de interesse e de ideais. A Natureza é um mostruário dos recursos polimórficos com que a Sabedoria Divina plasmou a Criação. Todas as flores são flores, mas o gerânio não tem as características do cravo e nem a rosa as da violeta. Todos os frutos são frutos, mas a laranja não guarda semelhança com a pêra. Além disso, cada flor tem o seu perfume original, tanto quanto cada fruto não amadurece fora da época prevista. Assim, também, as criaturas. Cada pessoa respira em faixa diversa de evolução. Junto nos detenhamos na companhia daqueles que sentem e pensam como nós, usufruindo os valores da afinidade: entretanto, sempre que amarmos alguém que comunga a onda de nossas idéias e emoções, abstenhamo-nos de lhe violentar a cabeça com os moldes em que se nos padroniza a vida espiritual. Deus não dá cópias. Cada criatura vive em determinado plano da criação, segundo as leis do criador. Amparemos-nos para que em nosso setor de ação pessoal venhamos a ser nós mesmos.
Respeitemo-nos mutuamente e ajudemo-nos a ser uns para os outros o que o Supremo Senhor espera que nós sejamos: – uma benção.

7. 4 – SERES AMADOS

“Aquele que ama a seu irmão permanece na luz e nele não há nenhum tropeço”. (I João 2:10.)
Os seres que amamos!… Com que enternecimento desejaríamos situá-los nos mais elevados planos do mundo!… Se possível, obteríamos para cada um deles um nicho de santidade ou um título de herói!… Entretanto, qual ocorre a nós mesmos, são eles seres humanos, matriculados no educandário da vida. E nos círculos das experiências em que se debatem, como nos acontece, erram e acertam, avançam na estrada ou se interrompem para pensar, solicitando- nos apoio e compreensão. Assim como estamos em luta a fim de sermos, um dia o que devemos ser, aprendamos a amá-los como são, na certeza de que precisam, tanto quanto nós, de auxílio e encorajamento para a necessária ascensão espiritual. Todos somos viajores do Universo com encontro marcado numa só estação de destino – a perfeição, na imortalidade. A face disso, e levando em consideração que nos achamos individualmente em marcos diferentes da estrada, se queremos auxiliar aqueles a quem amamos, e abençoá-los com nosso afeto, cultivemos, à frente deles, a coragem de compreender e a paciência de esperar.

8. 5 – A LIÇÃO DA ESPADA

 

“Não cuideis que vim trazer a paz à terra…” – JESUS. (Mateus, 10:34.)
“Não vim trazer a paz, mas a espada” – disse-nos o Senhor. E muitos aprendizes prevalecem-se da feição literal de Sua palavra, para entender a sombra e a perturbação. Valendo-se-lhe do conceito, companheiros inúmeros consagram-se ao azedume no lar, conturbando os próprios familiares, em razão de lhes imporem modos de crer e pontos de vista, vergastando-lhes o entendimento, ao invés de ajudá-los na plantação da fé viva quando não se desmandam em discussões e conflitos, polemizando sem proveito ou acusando indebitamente a todos aqueles que lhes não comunguem a cartilha de violência e de crueldade. O mundo, até a época do Cristo, legalizara a prepotência do ódio e da ignorância, mantendo-lhe a terrível dominação, através da espada mortífera da guerra e do cativeiro, em sanguinolentas devastações. A realeza do homem era a tirania revestida de ouro, arruinando e oprimindo onde estendesse as garras destruidoras. Com Jesus, no entanto, a espada é diferente. Voltada para o seio da terra, representa a cruz em que Ele mesmo prestou o testemunho supremo do sacrifício e da morte pelo bem de todos. É por isso que seu exemplo não justifica os instintos desenfreados de quantos pretendem ferir ou guerrear em Seu nome. A disciplina e a humildade, o amor e a renúncia marcam-lhe as atitudes em todos os passos da senda. Flagelado e esquecido, entre o escárnio e a calúnia, o perdão espontâneo flui-lhe, incessante, da alma, para somente retribuir benção por maldição, luz por treva, bem por mal. Assim, se recebeste a espada simbólica que o Mestre nos trouxe à vida, lembra-te de que a batalha instituída pela lição do Senhor permanece viva e rija, dentro de nós, a fim de que, ensarilhando sobre o pretérito a espada de nossa antiga insensatez, venhamos a convertê- la na cruz redentora, em que combateremos os inimigos de nossa paz, ocultos em nosso próprio “eu”, em forma de orgulho e intemperança, egoísmo e animalidade, consumindo-se ao preço de nossa própria consagração à felicidade dos outros, única estrada suscetível de conduzir-nos ao império definitivo da Grande Luz.

9. 6 – EM TI PRÓPRIO

 

“De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus”. PAULO. (Romanos, 14:12.)
Escutarás muita gente a falar de compreensão e talvez que, sob o reflexo condicionado, repetirás os belos conceitos que ouviste, através de preleções que te angariarão simpatia e respeito. Entretanto, se não colocares o assunto nas entranhas da alma, situando-te no lugar daqueles que precisam de entendimento, quase nada saberás de compreensão, além da certeza de que temos nela preciosa virtude. Falarás de paciência e assinalarás muitas vozes, em torno de ti, referindo-se, no entanto, se no imo do próprio ser não tens necessidade de sofrer por algum entre amado, muito pouco perceberás acerca de calma e tolerância. Exaltarás o amor, a bondade, a paz e a união, mas se nas profundezas do espírito não sentires, algum dia, o sofrimento a ensinar-te o valor da nota de consolação sobre a dor de que te lamentas; a significação da migalha de socorro que outrem te estenda em teus dias de carência material; a importância da desculpa de alguém a essa ou àquela falta que cometeste e o poder do gesto de pacificação da parte de algum amigo que te restituiu a harmonia, em tuas próprias vivências, ignorarás realmente o que sejam entendimento e generosidade, perdão e segurança íntima. Seja qual a dificuldade em que te vejas, abstém de carregar o fardo das aflições e das perguntas sem remédio. Penetra no silêncio da própria alma, escuta os pensamentos que te nascem do próprio ser e reconhecerás que a solução da vida surgirá de ti mesmo.

10. 7 – LEGENDAS DO LITERATO ESPÍRITA

“… Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede de Deus.” – JESUS (Mateus, 4:4.)
Optar, como deseje, por essa ou aquela escola literária respeitável, mas vincular a própria obra aos ensinamentos de Jesus. Emitir com dignidade os conceitos que espose; no entanto, afeiçoar-se quanto possível, ao hábito da prece, buscando a inspiração dos Planos Superiores. Exaltar o ideal, integrando-se, porém com a realidade. Cultivar os primores do estilo, considerando, em todo tempo, a responsabilidade da palavra. Enunciar o que pense; entretanto, abster-se de segregação nos pontos de vista pessoais, em detrimento da verdade. Aperfeiçoar os valores artísticos; todavia, evitar o hermetismo que obstrua os canais de comunicação com os outros. Entesourar os recursos da inteligência, mas reconhecer que a cultura intelectual, só por si, nem sempre é fundamento absoluto na obra da sublimação do espírito. Devotar-se à firmeza na exposição dos princípios que abraça, sem fomentar a discórdia. Valorizar os amigos, agradecendo-lhes o concurso; no entanto, nunca desprezar os adversários ou subestimar-lhes a importância. Conservar a certeza do que ensina, mas estudar sempre, a fim de ouvir com equilíbrio, ver com segurança, analisar com proveito e servir mais.

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11. 8 – LEGENDAS DO TRIBUNO ESPÍRITA

“… Porque pelas tuas palavras serás justificado…” JESUS. (Mateus, 12:37.).
Cultuar a beleza verbalista nas alocuções ou explicações que profira, alicerçando, porém, a palavra nas lições de Jesus. Confiar na segurança própria, mas atrair a inspiração de ordem superior, através da prece. Atualizar-se constantemente, examinando, todavia, as novidades antes de veiculá-las. Reverenciar a verdade, contudo; buscar o “lado bom” das situações e das pessoas, para o destaque preciso. Formar observações próprias, conduzindo, porém, as opiniões para o bem de todos. Aprender com as experiências passadas, estimulando, simultaneamente, as iniciativas edificantes na direção do futuro. Enaltecer idéias e emoções, sem desprezar a linguagem compreensível e simples. Instruir o cérebro dos ouvintes, acordando neles, ao mesmo tempo, o desejo de cooperar no levantamento do bem. Falar construtivamente, mas ouvir os outros, a fim de lhes entender os problemas.

12. 9 – A PERDA IRREMEDIÁVEL

 

“Portanto, vede como andais…” – Paulo. (Efésios, 5:15)
Aprende a ver com o Cristo as dificuldades e as dores que te rodeiam, a fim de não empobreceres o próprio coração à frente dos tesouros com que o Senhor nos enriquece a vida. Muitas vezes, a calúnia que te persegue é a força que te renova à resistência para a vitória no bem e, quase sempre, a provação que te sitia no cárcere do infortúnio é apenas o aprendizado benéfico a soerguer-te das trevas para a luz. Em muitas ocasiões, a mão que te nega o alimento transforma-se em apelo ao trabalho santificante através do qual encontrarás o pão abençoado pelo suor do próprio rosto e, por vezes numerosas, o obstáculo que te visita,impiedoso, é simples medida da esperança e da fé, concitando-te a superar as próprias fraquezas. O ouro, na maioria dos casos, é pesada cruz de aflição nos ombros daqueles que o amealham e a evidência no mundo, freqüentemente, não passa de ergástulo em que a alma padece de angustiosa solidão. Descerra a própria alma à riqueza divina, esparsa em todos os ângulos do campo em que se te desdobra à existência e incorporemo-la aos nossos sentimentos e idéias, palavras e ações, para que todos os que nos palmilham a senda se sintam ricos de paz e confiança, trabalho e alegria. Lembra-te de que a morte, por meirinho celeste, tomará contas a cada um. Recorda que os mordomos da fortuna material, tanto quanto as vítimas da carência de recursos terrestres, sábios e ignorantes, sãos e doentes, felizes e infelizes comparecerão ao acerto com a justiça indefectível, e guarda contigo a certeza de que a única flagelação irremediável é aquela do tempo inútil, na caminhada humana, porque afetos e haveres, oportunidades e valores, lições e talentos voltam, de algum modo, às nossas mãos, através das reencarnações incessantes, mas a hora perdida é um dom de Deus que não mais voltará.

13. 10 – DOENTES EM CASA

“E a paz de Deus domina em vossos corações para a qual também fostes chamados em um corpo, e sede agradecidos”.- PAULO (Colossenses, 3:15.).
Se abordasses agora o Plano Espiritual, para lá da morte física, e aí encontrasses criaturas queridas em dificuldades, que farias? Aqui, talvez surpreendesses um coração paterno em frustração, mais além abraçarias um companheiro ou um associado, um filho ou um irmão, carregando o resultado infeliz de certas ações vividas na terra… Que comportamento adotarias se as Leis Divinas te outorgassem livre passaporte para as Esferas Superiores facultando-te, porém, a possibilidade de permanecer com os seres inesquecíveis, em tarefas de amor? Decerto, estarias a decidir-te pela opção insopitável. Não desejarias compartilhar os Céus com a dor de haver abandonado corações inolvidáveis à sombra transitória a que se empenham com os próprios erros. Reconhecê-los-ias por doentes reclamando proteção. Demorar-te-ias junto deles, na prestação do auxílio necessário. Referimo-nos à imagem para considerar que os parentes enfermos ou difíceis são criaturas, às quais, antes do berço em que te refizeste no Plano Físico, prometeste amparo e dedicação. Nascem no grupo familiar, realmente convidados por ti mesmo ao teu convívio, para que possas assisti-los no devido refazimento. Entendemos no assunto que existem casos para os quais a segregação hospitalar demorada e distante é a medida que não se pode evitar, mas se tens contigo alguém a quem ames, ergues-se por teste permanente de compreensão e paciência, no instituto doméstico, não afastes esse alguém do clima afetivo em que te encontres, sob o pretexto de asserenar a família ou beneficiá-la. Guarda em tua própria casa, tanto quanto puderes, os parentes portadores de provações e não lhes decretes o exílio, ainda mesmo a preço de ouro. Apóia-os, qual se mostrem as necessidades e lutas que lhes marcam a existência, na certeza de que todos eles são tesouros de Deus, em tarefas sob a tua responsabilidade, ante a assistência e a supervisão dos Mensageiros de Deus.

14. 11 – A RIQUEZA REAL

“Porque o meu Deus, Segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades…” PAULO. (Filipenses, 4:19.).
Cada criatura transporta em si mesma os valores que amealha na vida. Os sábios, por onde transitam, conduzem no espírito os tesouros do conhecimento. Os bons, onde estiverem, guardam na própria alma a riqueza da alegria. Os homens de boa-vontade carreiam consigo os talentos da simpatia. As pessoas sinceras ocultam na própria personalidade a beleza espiritual. Os filhos da boa-fé cultivam as flores da esperança. Os companheiros da coragem irradiam de si mesmos a energia do bom ânimo. As almas resignadas e valorosas se enriquecem com os dons da experiência. Os obreiros da caridade são intérpretes da vida Superior. A riqueza real é atributo da alma eterna e permanece incorrutível que a conquistou. Por isso mesmo reconhecemos que o ouro, a fama, o poder e a autoridade entre os homens são meras expressões de destaque efêmero, valendo por instrumentos de serviço da alma, no estágio das reencarnações. Desassisado será sempre aquele que indisciplinadamente disputa as aflições da posse material, olvidando que há mil caminhos sem sombras para buscarmos, com o próprio coração e com as próprias mãos, a felicidade imperecível. A responsabilidade deve ser recebida, não provocada. Muitos ricos da fortuna aparente da terra funcionaram na posição de verdugos do Cristo, sentenciado à morte entre malfeitores, entretanto, o Divino Mestre, com as simples e duras traves da Cruz, produziu, usando o amor e a humildade, o tesouro crescente da vida espiritual para os povos do mundo inteiro.

15. 12 – A SENDA ESTREITA

“Porfiai por entrar pela porta estreita…” – JESUS (Lucas, 13:24.).
Não te aconselhes com a facilidade humana para a solução dos problemas que te inquietam a alma. Realização pede trabalho. Vitória exige luta. Muitos jornadeiam no mundo na larga avenida dos prazeres efêmeros e esbarram no cipoal do tédio ou da intemperança, quando não sucumbem sob as farpas do crime. Muitos preferem a estrada agradável dos caprichos pessoais atendidos e caem, desavisados, nos fojos de tenebrosos enganos, quando não se despenham nos precipícios de tardio arrependimento. Seja qual for a experiência em que te situas, na terra, lembra-te de que ninguém recebe um berço entre homens para acomodar-se com a inércia, no desprezo deliberado às leis que regem a vida. Nosso dever é a nossa escola. Por isso mesmo, a senda estreita a que se refere Jesus é a fidelidade que nos cabe manter limpa e constante, no culto às obrigações assumidas diante do Bem Eterno. Para sustentá-la, é imprescindível sacrificar no santuário do coração tudo aquilo que constitua bagagem de sombra no campo de nossas aspirações e desejos. Adaptamos-nos à disciplina do próprio espírito na garantia da felicidade geral é estabelecer em nós próprios o caminho para o Céu que almejamos. Não te detenhas no círculo das vantagens que se apagam em fulguração passageira, de vez que a ociosidade compra, em desfavor de si mesma, as chagas da penúria e as trevas da ignorância. Porfia na renuncia que eleva e edifica, enobrece e ilumina. Não desdenhas a provação e o trabalho, a abnegação e o suor. E, em todas as circunstâncias, recorda sempre que a “porta larga” é a paixão desregrada do “eu” e a “porta estreita” é sempre o amor intraduzível e incomensurável de Deus.

16. 13 – NA GLEBA DO MUNDO

“Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um”. – JESUS. (Mateus, 13:23.).
Efetivamente, a vida é comparável ao trato de solo que nos é concedido cultivar. Ergue-te, cada dia, e ampara o teu campo de serviço, a fim de que te incumbes. O terreno é o próximo que te propicia colheita. Lavrar o talhão é dar de nós sem pensar em nós. Basta plantes o bem para que o bem te responda. Para isso, no entanto, é imperioso agir e perseverar no trabalho. Nunca esmorecer. Qual ocorre na lavoura comum, é preciso contar com aguaceiro e canícula, granizo e vento, praga e detrito. Não valem reclamações. Remova a dificuldade e prossegue firme. Acima de tudo, importa o rendimento da produção para o benefício de todos. Se alguém te despreza, menoscabando a suposta singeleza do encargo que te coube, esquece a incompreensão alheia e continua plantando para abastança geral. Muita gente não se recorda de que o pão alvo sobe à mesa à custa do suor de quantos mergulham as mãos no barro da gleba, a fim de que a semente possa frutificar. Quando essa ou aquela pessoa te requisite a descanso, sem que a tua consciência acuse fadiga, não acredites nessa ilusão. A ferrugem do ócio consome o arado muito mais que a movimentação no serviço. Trabalha e confia, na certeza de que o Senhor da Obra te observa e segue vigilante. Não duvides, nem temas. Dá o melhor de ti mesmo a Seara da vida, e o Divino Lavrador, sem que percebas, pendurará nas frondes do teu ideal a floração da esperança e a messe do triunfo.

17. 14 – INDICAÇÃO FRATERNA

“Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu…” -PEDRO. (I Pedro, 4:10.)
Este o caminho para o necessário burilamento: trabalhar, aprender, sofrer, dar presença e colaboração na Causa do Bem. O amor encerra em si as leis do Universo e tudo o que fizermos contra o amor é algo que criamos contra nós mesmos. Aceita, desse modo, no sacrifício a mais alta norma de ação. Não fujas dos encargos que a Sabedoria da Vida te entregou. Acima de tudo, promove-te, servindo mais. O suor do trabalho confere experiência. A lágrima da aflição acende a luz espiritual. Quando a dor te visite, reflete-lhe a mensagem. Não há sofrimento sem significação. Não fosse a prova e ninguém conseguiria entesourar compreensão e discernimento. Nos dias de desacerto, ainda quando te reconheças na sombra do fracasso, levanta-te, reinicia a tarefa e contempla, de novo, a benção do Sol, na convicção de que o erro superado nos ensina indulgência, amolecendo-nos o coração, a fim de que venhamos a entender e desculpar as faltas possíveis dos semelhantes. Mesmo nas crises que te estrangulam a sensibilidade, sê fiel ao ideal de servir e não esmoreças. Não espere por descanso eterno, quando não tiveres a paz dentro de ti. Haja o que houver, não te interrompas, na tarefa da execução, para ouvir sarcasmo ou censura. Oferece o melhor de ti aos que te compartilham a estrada, e, conservando a consciência tranquila, trabalha sempre, lembrando, a cada momento, que, assim como o fruto fala da árvore, o serviço é a testemunha do servidor.

18. 15 – CONQUISTA DA COMPAIXÃO

“Exercita-te pessoalmente na piedade”.- PAULO. (I Timóteo, 4:7.).
Não se conhece Nenhuma conquista que chegasse ao espírito sem apoio na prática. Um grande intérprete da música não se manteria nessa definição, sem longos exercícios com base na disciplina. Um campeão nas lides esportivas não consegue destacar-se simplesmente sonhando com vitórias. Nos dons espirituais, os princípios que nos regem as aquisições são os mesmos. Se quisermos que a piedade nos ilumine, é imperioso exercitar a compreensão. E compreensão não vem a nós sem que façamos esforço para isso. Aceitemos, assim, as nossas dificuldades por ocasiões preciosas de ensino, sobretudo, no relacionamento uns com os outros. Nesse sentido, os que nos contrariam se nos mostram como sendo os melhores instrutores. Se alguém comete uma falta, reflitamos na doença mental que lhe terá ditado o comportamento. Se um amigo nos abandona, imaginemos quanto haverá sofrido no processo de incompreensão que o levou a se afastar. Pensa na insatisfação enfermiça dos que se fazem perseguidores ou na dor dos que se entregam a esse ou àquele tipo de culpa. Compaixão é a porta que se nos abre no sentimento para a luz do verdadeiro amor, entretanto, notemos: ninguém adquire a piedade sem construí-la.

19. 16 – ASSUNTO DE LIBERDADE

“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais de novo a jugo de servidão. ” – Paulo. (Gálatas, 5:1)
Importante pensar como terá Jesus promovido a nossa libertação. O divino Mestre não nos conclamou a qualquer reação contra os padrões administrativos na movimentação da comunidade, nem desfraldou qualquer bandeira de reivindicações exteriores. Jesus unicamente obedeceu às Leis Divinas, fazendo o melhor da própria vida e do tempo de que dispunha, em benefício de todos. Terá tido lutas e conflitos no âmbito pessoal das próprias atividades. Afeições incompreensíveis, companheiros frágeis, adversários e perseguidores não lhe faltaram; nada disso, porém, fê-lo voltar-se contra a hierarquia ou contra a segurança da vida comunitária. Por fim, a aceitação da cruz lhe assinalou a obediência suprema às Leis de Deus. Pensa nisto e compreendamos que o Cristo nos ensinou o caminho da libertação de nós mesmos. Dever observado e cumprido mede o nosso direito de agir com independência. Não existe liberdade e respeito sem obrigação e desempenho. Meditemos na lição para não cairmos de novo sob o antigo e pesado jugo de nossas próprias paixões.

20. 17 – EM TORNO DA HUMILDADE

“Toda boa dádiva a todo Dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”. – TIAGO. (Tiago, 1:17.).
Afinal, que possuímos que não devemos a Deus? A própria vida de que dispomos se reveste de tanta grandeza e de tanta complexidade, que só a loucura ou a ignorância não reconhecem a Divina Sabedoria em seus fundamentos. Para a consideração disso, basta que o homem reflita no usufruto inegável de que se vale na mobilização dos bens que o felicitam no mundo. O corpo que lhe serve de transitória moradia é uma doação dos Poderes Superiores, por intermédio do santuário genético das criaturas. Os familiares se lhe erigem como sendo apoios de empréstimo. A inteligência se lhe condiciona a determinados fatores de expressão. O ar que respira é patrimônio de todos. As conquistas da ciência, sobre as quais baseia o progresso, são realizações corretas, mas provisórias, porquanto se ampliam consideravelmente, de século para século. Os seus elementos de trabalho são alteráveis de tempo a tempo. A saúde física é uma dádiva em regime de comodato. A fortuna é um depósito a título precário. A autoridade é uma delegação de competência, obviamente transferível. Os amigos são mutáveis na troca incessante de posições, pela qual são frequentemente chamados a prestação de serviço, segundo os ditames que os princípios de aperfeiçoamento ou de evolução lhes indiquem. Os próprios adversários, a quem devemos preciosos avisos, são substituídos periodicamente. Os mais queridos objetos de uso pessoal passam de mão em mão. Em qualquer plano ou condição de existência, estamos subordinados à lei da renovação. À vista disso, sempre que nos vejamos inclinados a envaidecer-nos por alguma coisa, recordemos que nos achamos inelutavelmente ligados à Vida de Deus que, a benefício de nossa própria vida, ainda hoje tudo pode rearticular, refundir, refazer ou modificar.

21. 18 – EM TORNO DO PORVIR

“Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura”. – JESUS. (Marcos, 16:15.).
Toda realização nobre demanda preparo criterioso. O homem, na terra: – edifica-se com instrução para frustar os perigos da ignorância, seja entrando no conhecimento comum ou garantindo a competência profissional; – assegura o equilibrio orgânico com agentes imunológicos, preservando-se contra certas doenças arrasadoras; – paga tributos compreensíveis e justos a instituições securitárias e assistenciais, a fim de que lhe não falhe o apoio de ordem material nas horas difíceis; – organiza tarefas vastíssimas na gleba vulgar para que não falte o auxílio da sementeira, tanto a benefício próprio quanto na sustentação da comunidade; – institui recursos no trânsito, com sinalização especial, de modo a prevenir desastres e definir responsabilidades nas ocorrências infelizes da vida pública; – despende fortunas enormes com o exclusivo propósito de salvaguardar o êxito em determinadas realizações científicas. Prossigamos, assim, atentos na construção da Doutrina Espírita sobre os princípios os princípios de Jesus, porquanto, seja hoje, amanhã, depois de amanhã ou no grande futuro, todas as criaturas da terra, uma por uma, se aproximarão da escola do amor e da verdade, a fim de encontrarem a felicidade real, não só no campo da inteligência, mas também – e acima de tudo – nos domínios do coração.

22. 19 – NO ERGUIMENTO DA PAZ

“Bem-aventurados os pacificadores porque serão chamados filhos de Deus”. – JESUS. (Mateus, 5:9.).
Efetivamente, precisamos dos artífices da inteligência, habilitados a orientar o progresso das ciências no planeta. Necessitamos, porém, e talvez mais ainda, dos obreiros do bem, capazes de assegurar a paz no mundo. Não somente daqueles que asseguram o equilíbrio coletivo na cúpula das nações, mas de quantos se consagram ao cultivo da paz no cotidiano: – dos que saibam ouvir assuntos graves, substituindo-lhe os ingredientes vinagrosos pelo bálsamo do entendimento fraterno; – dos que percebem a existência do erro e se dispõem a saná-lo, sem alargar-lhe a extensão com críticas destrutivas; – dos que enxergam problemas, procurando solucioná-los, em silêncio, sem conturbar o ânimo alheio; – dos que recolhem confidências aflitivas, sem passá-la adiante; – dos que identificam que identificam os conflitos dos outros, ajudando-os sem referências amargas; – dos que desculpam ofensas, lançando-as no esquecimento; – dos que pronunciam palavras de consolo e esperança, edificando fortaleza e tranqüilidade onde estejam; – dos que apagam o fogo da rebeldia ou da crueldade, com exemplos de tolerância; – dos que socorrem os vencidos da existência, sem acusar os chamados vencedores; – dos que trabalham sem criar dificuldades para os irmãos do caminho; – dos que servem sem queixa; – dos que tomam sobre os próprios ombros toda a carga de trabalho que podem suportar no levantamento do bem de todos, sem exigir a cooperação do próximo para que o bem de todos prevaleça. Paz no coração e paz no caminho. Bem-aventurados os pacificadores – disse-nos Jesus -, de vez que todos eles agem na vida, reconhecendo-se na condição de fiéis e valorosos filhos de Deus.

23. 20 – PRESCRIÇÕES DE PAZ

“Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados…” – JESUS. (Mateus, 6:34.).
Na garantia do próprio equilíbrio, alinhemos algumas indicações de paz, destinadas a imunizar-nos contra a influência de aflições e tensões, nas quais, tanta vez imprevidentemente arruinamos tempo e vida: – corrigir em nós as deficiências suscetíveis de conserto, e aceitar-nos, nas falhas cuja supressão não depende ainda de nós, fazendo de nossa presença o melhor que pudermos, no erguimento da felicidade e do progresso de todos: – tolerar os obstáculos com que somos atingidos, ante os impositivos do aperfeiçoamento moral, e entender que os outros carregam igualmente os deles; – observar ofensas como retratos dos ofensores, sem traçar-nos a obrigação de recolher semelhantes clichês de sombra; – abolir inquietações ao redor de calamidades anunciadas para o futuro, que provavelmente nunca virão a sobrevir; – admitir os pensamentos de culpa que tenhamos adquirido, mas buscando extinguir-lhes os focos de vibrações em desequilíbrio, através de reajustamento e trabalho; – nem desprezar os entes queridos, nem prejudicá-los com a chamada superproteção tendente a escravizá-los ao nosso modo de ser; – não exigir do próximo aquilo que o próximo ainda não consegue fazer; – nada pedir sem dar de nós mesmos; – respeitar os pontos de vista alheios, ainda quando se patenteiam contra nós, convencidos quanto devemos estar de que pontos de vista são maneiras, crenças, opiniões e afirmações peculiares a cada um; – não ignorar as crises do mundo; entretanto, reconhecer que, se reequilibrarmos o nosso próprio mundo por dentro – esculpindo-lhe a tranqüilidade e a segurança em alicerces de compreensão e atividade, discernimento e serviço – perceberemos, de pronto, que as crises externas são fenômenos necessários ao burilamento da vida, para que a vida não se tresmalhe da rota que as Leis do Universo lhe assinalam no rumo da perfeição.

24. 21 – O MELHOR PARA NÓS

“Porque se perdoares aos homens as suas ofensas, também vosso Pai Celeste vos perdoará.” – JESUS. (Mateus, 6:14.)
Muito e sempre importante para nós o esquecimento de todos aqueles que assumam para conosco essa ou aquela atitude desagradável. Ninguém possui medida bastante capaz, a fim de avaliar as dificuldades alheias. Aquele que, a nosso ver, nos terá ferido, estaria varando esfogueado obstáculo quando nos deu a impressão disso. E, em superando semelhante empeço, haverá deixado cair sobre nós alguma ponta de seus próprios constrangimentos, transformando-se nos muito mais em credor de apoio que em devedor de atenção. Em muitos episódios da vida, aqueles que nos prejudicam, ou nos magoam, freqüentemente se encontram de tal modo jungidos à tribulação que, no fundo, sofrem muito mais, pelo fato de nos criarem problemas, que nós mesmos, quando nos supomos vitimadas deles. Quem saberia enumerar as ocasiões em que determinado companheiro terá sustado a própria queda, sob a força compulsiva da tentação, até que viesse a escorregar no caminho? Quem disporá de meios para reconhecer se o perseguidor está realmente lúcido ou conturbado, obsesso ou doente? Quem poderá desentranhar a verdade da mentira, nas crises de perturbação ou desordem? e quando a nuvem do crime se abate sobre a comunidade, que pessoa deterá tanta percuciência para conhecer o ponto exato em que se haverá originado o fio tenebroso da culpa? A vista disso, compreendamos que o esquecimento dos males que nos assediam é defesa de nosso próprio equilíbrio, e que, nos dias em que a injúria nos bata em rosto, o perdão, muito mais que uma benção para os nossos supostos ofensores, é e será sempre o melhor para nós.

25. 22 – RENOVAÇÃO EM AMOR

“E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem”. – PAULO (II Tessalonicenses, 3:13.).
Quando as crises te visitem, ante os problemas humanos, é justo medites nos princípios de causa e efeito, tanto quanto é natural reflitas no impositivo de burilamento espiritual, com que somos defrontados, entretanto, pensa igualmente na lei de renovação, capaz de trazer-nos prodígios de paz e vitória sobre nós mesmos, se nos decidimos a aceitar, construtivamente, as experiências que se nos façam precisas. Se atingiste a integração profunda com as bênçãos da vida, considera a tarefa que a Divina Providência te confiou. Deus não nos envia problemas de que não estejamos necessitados. Aceitação e paciência, sem fuga ao trabalho, são quase sempre a metade do êxito em qualquer teste a que estejamos submetidos, em nosso proveito próprio. Se qualquer tempo é suscetível de ser ocasião para resgate e reajuste, todo dia é também oportunidade de recomeçar, reaprender, instruir ou reerguer. O amor que estejamos acrescentando à obrigação que nos cabe cumprir, é sempre plantação de felicidade para nós mesmos. Onde estiveres e como estiveres, nas áreas da dificuldade, dá-te à serenidade e ao espírito de serviço e entenderás, com facilidade, que o amor cobre realmente a multidão de nossas faltas, apressando, em nosso favor, a desejada conquista de paz e libertação.

26. 23 – SEGUINDO À FRENTE

“Assim que se alguém está em Cristo nova criatura é…” Paulo. (II Coríntios, 5:17.)
Dificuldades, fracassos, conflitos e frustrações… Possivelmente, faceaste tudo isso restando te unicamente largo rescaldo de pessimismo. Apesar de tudo, a vida te busca a novas empresas de trabalho e renovação. O sol brilha, o mar de oxigênio te refaz energias, o progresso trabalha, o chão produz e parece que a noite se te abriga no ser. Ergue-te em espírito e empreende a jornada nova. Uma estrada se continua em outra estrada, uma fonte associa-se à outra. Tens contigo a riqueza do tempo a esperar-te na aplicação dela própria, a fim de que a felicidade te favoreça. Varre os escaninhos da alma, expurgando-te lembranças amargas e deixa que a luz do presente consiga alcançar-te por dentro das próprias forças. Renova-te e segue adiante, trabalhando e servindo. E à medida que avances, caminho afora, entre a bênção de compreender e o contentamento de ser útil, perceberás que todos os obstáculos e sombras de ontem se fizerem lições e experiências, enriquecendo-te o coração de segurança e de alegria para que sigas em paz, no rumo de conquistas imperecíveis, ante o novo amanhecer.

27. 24 – MAIS ALTO

“Se amais somente os que vos amam, qual é a vossa recompensa?” – JESUS. (Lucas, 6:32.).
Evidentemente, é sempre fácil estimar os que nos amam, valorizar os que nos servem, apoiar os que nos aplaudem, alegrarmo-nos com aqueles que se nos regozijam com a presença, solidarizarmo-nos com os que nos seguem, louvar os que nos reverenciam, ajudar companheiros agradecidos e trabalhar com os que se afinam conosco. Em Jesus, porém, a vida nos impele a diretrizes mais altas. É preciso desculpar os ofensores e orar por eles, compreender os que nos desajudem, respeitar os que nos desaprovam, abençoar quantos nos criem problemas, prestigiar as causas do bem de todos, ainda quando partam daqueles que não nos comunguem os pontos de vista, admirar os opositores naquilo que demonstrem de útil, auxiliar os irmãos indiferentes ou incompreensivos e contribuir nas boas obras, junto daqueles que nos desconsiderem ou hostilizem. Como é fácil de anotar, tudo agrada quando se trate de agir, segundo os padrões de vivência que nos lisonjeiem a personalidade; entretanto, para servir com o Cristo, é necessário colaborar na construção do Reino do Amor, com a obrigação de erguer-nos mais alto, para esquecer o próprio egoísmo e realizar algo diferente.

28. 25 – LEI E VIDA

“Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, vim para cumprir” JESUS. (Mateus, 5:17.).
“Não matarás”, diz a lei. O texto não se refere, porém, unicamente, à vida dos semelhantes. Não frustrarás a tarefa dos outros, porque a suponhas inadequada, de vez que toda tarefa promove quem a executa, sempre que nobremente cumprida. Não dilapidarás a esperança de ninguém, porquanto a felicidade, no fundo, não é a mesma na experiência de cada um. Não destruirás a coragem daqueles que sonham ou trabalham em teu caminho, considerando que, de criatura para criatura, difere a face do êxito. Não aniquilarás com inutilidades o tempo de teus irmãos, porque toda hora é agente sagrado nos valores da Criação. Não extinguirás a afeição na alma alheia, porquanto ignoramos, todos nós, com que instrumento de amor a Sabedoria Divina pretende mover os corações que nos partilham a marcha. Não exterminarás a fé no espírito dos companheiros que renteiam contigo, observando-se que as estradas para Deus obedecem a estruturas e direções que variam ao infinito. Reflitamos no bem do próximo, respeitando-lhe a forma e a vida. A lei não traça especificações ou condições dentro do assunto; preceitua, simplesmente: “não matarás”.

29. 26 – EM NOSSAS MÃOS

“Venha a nós o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus”. – JESUS. (Mateus, 6:10.).
Convence-te de que as Leis da Divina Sabedoria não se enganariam. Situando-te na terra, por tempo determinado, com vistas ao próprio burilamento que te cabe realizar, trazes contigo as faculdades que o senhor te concedeu por instrumentos de trabalho. Encontras-te no lugar certo em que te habilitas a desempenhar os encargos próprios. Tens contigo as criaturas mais adequadas a te impulsionarem nos caminhos à frente. Passas pelas experiências de que não prescindes para a conquista da sublimação que demandas. Recebes os parentes e afeições de que mais necessitas para resgatar as dívidas do passado ou renovar-te nos impulsos de elevação. Vives na condição certa na qual te compete efetuar as melhores aquisições de espírito. Sofres lutas compatíveis com as tuas necessidades de conhecimento superior. Vários acontecimentos dos quais não se te faz possível a desejada liberação, a fim de que adquiras autocontrole. Atravessas circunstâncias, por vezes difíceis, de modo a conheceres o sabor da vitória sobre ti mesmo. E em qualquer posição, na qual te vejas, dispões sempre de certa faixa de tempo a fim de fazer o bem aos outros, tanto quanto queiras, como julgues melhor, da maneira que te pareça mais justa e na extensão que desejas, para que, auxiliando aos outros, recebas dos outros mais amplo auxílio, no instante oportuno. Segundo é fácil de observar, estás na Terra, de alma condicionada às leis de espaço e tempo, conforme o impositivo de auto-aperfeiçoamento, em que todos nos achamos, no mundo físico ou fora dele, mas sempre com vastas possibilidades de exercer o bem e estendê-lo aos semelhantes, porque melhorar-nos e elevar-nos, educar-nos e, sobretudo, servir, são sempre medidas preciosas, invariavelmente em nossas próprias mãos.

30. 27 – AFLIÇÃO E TRANQUILIDADE

“Bem-aventurados os que choram…” – JESUS. (Mateus, 5:4.).
“Bem-aventurados os que choram” – disse-nos o Senhor -, contudo, é importante lembrar que, se existe aflição gerando tranqüilidade, há muita tranqüilidade gerando aflição. No liminar do berço pede a alma dificuldades e chagas, amargores e cicatrizes, entretanto, recapitulando de novos as próprias experiências no plano físico, torna à concha obscura do egoísmo e da vaidade, enquistando-se na mentira e na delinqüência. Aprendiz recusando a lição ou doente abominando o remédio, em quase todas as circunstâncias, o homem persegue a fuga que lhe adiará indefinidamente as realizações planejadas. É por isso que na escola da luta vulgar vemos tantas criaturas em trincheiras de ouro, cavando abismos de insânia e flagelação, nos quais se desempenham, além do campo material, e tantas inteligências primorosas engodadas na auréola fugaz do poder humano, erguendo para si próprias masmorras de pranto e envilecimento, que as esperam, inflexíveis, transposto o limite traçado na morte. E é por essa razão que vemos tantos lares, fugindo à bênção do trabalho e do sacrifício, à feição de oásis sedutores de imaginária alegria para se converterem amanhã em cubículos de desespero e desilusão, aprisionando os descuidados companheiros que os povoam em teias de loucura e desequilíbrio, na Vida Espiritual. Valoriza a aflição de hoje, aprendendo com ela a crescer para o bem, que nos burila para a união com Deus, porque o Mestre que te propões a escutar e seguir, ao invés de facilidades no imediatismo da terra, preferiu, para ensinar-nos a verdadeira ascensão, a humildade da Manjedoura, o imposto constante do serviço aos necessitados, a incompreensão dos contemporâneos, a indiferença dos corações mais queridos e o supremo testemunho do amor em plena cruz da morte.

31. 28 – ESTADO MENTAL “…

E vos renova no espírito do vosso sentido…” – PAULO. (Efésios, 4:23.).
A carga de condições menos felizes que trazemos de vidas passadas pode, comumente, acarretar-nos difíceis provações e privações, de caráter negativo, quando de nossa permanência na terra. Provavelmente, não teremos a equipe familiar tão unida como desejaríamos e nem contamos ainda com ideais de elevação, em todos os seres queridos, segundo as nossas aspirações. A atividade profissional, com muita frequência, não é aquela que mais se nos harmoniza com o modo de ser, porquanto, em muitos lances da experiência, somos forçados à execução de tarefas menos agradáveis, para a regeneração de nossos impulsos inferiores. A situação social, bastas vezes, não é a que sonhamos, de vez que múltiplas circunstâncias nos impelem a realizar cursos de paciência e de humildade no anonimato educativo. Obstáculos de ordem econômica, em muitos casos, se erigem como sendo cárceres de contratempos incessantes, nos quais devemos praticar o respeito aos bens da vida, aprendendo a usá-los sem abuso e sem desperdício. Às vezes, não possuímos, no mundo, nem mesmo o corpo físico que nos corresponda à estrutura psicológica, a fim de que saibamos trabalhar, com vistas aos nossos próprios interesses para a Vida Superior. Indiscutivelmente, nem sempre conseguimos eleger as ocorrências que nos favoreçam os melhores desejos, mas podemos, em qualquer posição, escolher o estado mental justo para aceitá-las com a possibilidade de convertê-las, em trilhas de acesso ao infinito Bem; e, depois de aceitá-las, construtivamente, verificamos que a Bondade de Deus nos concede a bênção do trabalho, na qual ser-nos-á possível ajudar-nos para que o Céu nos ajude, abreviando qualquer período de prova, renovando o campo íntimo, sublimando a existência e acendendo a luz inapagável do espírito, em nosso próprio destino, para a edificação do futuro melhor.

32. 29 – COMPREENSÃO

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine”.- PAULO. (I Coríntios, 13:1.).
Parafraseando o Apóstolo Paulo, ser-nos-á lícito afirmar, ante as lutas renovadoras do dia- a-dia: – se falo nos variados idiomas do mundo e até mesmo na linguagem do Plano Espiritual, a fim de comunicar-me com os irmãos da terra, e não tiver compreensão dosa meus semelhantes, serei qual gongo que soa vazio ou qual martelo que bate inutilmente; – se cobrir-me de dons espirituais e adquirir fé, a ponto de transplantar montanhas, se não tiver compreensão das necessidades do próximo, nada sou; – e se vier a distribuir todos os bens que acaso possua, a benefício dos companheiros em dificuldades maiores que as nossas, ou entregar-me à fogueira em louvor de minhas próprias convicções, e não demonstrar compreensão, em auxílio dos que me cercam, isso de nada me aproveitaria. A compreensão é tolerante, prestimosa, não sente inveja, não se precipita e não se ensoberbece em coisa alguma. Não se desvaira em ambição, não se apaixona pelos interesses próprios, não se irrita, nem suspeita mal. Tudo suporta, crê no bem, espera o melhor e sofre sem reclamar. Não se regozija com a injustiça e, sim, procura ser útil, em espírito e verdade. De todos as virtudes, permanecem por maiores a fé, a esperança e a caridade; e a caridade, evidentemente, é a maior de todo, entretanto, urge observar que, se fora da caridade não há salvação, sem compreensão a caridade falha sempre em seus propósitos, sem completar-se para ninguém.

33. 30 – A ESMOLA MAIOR

“Amados, amemo-nos uns aos outros, porque a caridade é de Deus”. JOÃO. (I João, 4:7.).
No estudo da caridade, não olvides a esmola maior que o dinheiro não consegue realizar. Ela é o próprio coração a derramar-se, irradiando o amor por sol envolvente da vida. No lar, ela surge no sacrifício silencioso da mulher que sabe exercer o perdão sem alarde para com as faltas do companheiro; na renúncia materno do coração que se oculta, aprendendo a morrer cada dia, para que a paz e a segurança imperem no santuário doméstico; no homem reto que desculpa as defecções da esposa enganada sem cobrar-lhe tributos de aflição; nos filhos laboriosos e afáveis que procuram retribuir em ternura incessante para com os pais sofredores as dívidas do berço que todo ouro da terra não conseguiria jamais resgatar. No ambiente profissional é o esquecimento espontâneo das ofensas entre os que dirigem e os que obedecem, tanto quanto o concurso desinteressado e fraterno dos companheiros que sabem sorrir nas horas graves ofertando cooperação e bondade para que o estímulo ao bem seja o clima de quantos lhes comungam a experiência. No campo social é a desistência da pergunta maliciosa; a abstenção dos pensamentos indignos; o respeito sincero e constante; a frase amiga e generosa; e o gesto de compreensão que se exprime sem paga. Na via pública é a gentileza que ninguém pede; a simplicidade que não magoa; a saudação de simpatia ainda mesmo inarticulada e a colaboração imprevista que o necessitado espera de nós muita vez sem coragem de endereçar-nos qualquer apelo. Acima de tudo, lembra-te da esmola maior de todas, da esmola santa que pacifica o ambiente em que o Senhor situa, que nos honra os familiares e enriquece de bênçãos o ânimo dos amigos, a esmola de nosso dever cumprido, porquanto, no dia em que todos nos consagrarmos ao fiel desempenho das próprias obrigações o anjo da caridade não precisará desfalecer de angústia nos cárceres das provações terrenas, de vez que a fraternidade estará reinando conosco na exaltação da perfeita alegria.

34. 31 – AFLIÇÃO

“Olhai por vós mesmos”.- JOÃO (II João, 1:8.).
Cada criatura retorna à terra com a aflição que lhe diz respeito às lides regeneradoras. Aflição que nos expressa o passado renascente ou nos define o débito atuante na Contabilidade Divina. Aqui, é a enfermidade, que o tempo trará inevitável, quando precisa, ao campo de nossos impulsos inferiores. Ali, é a condição social, repleta de espinhos, em que se nos ajustarão as diretrizes e os pensamentos. Acolá, é o templo doméstico, transformado em cadinho de angustiosos padecimentos, caldeando-nos emoções e idéias, para que a simplicidade nos retome a existência. Além, é a tarefa representativa em que o estandarte do bem comum exige de nós os mais largos testemunhos de compreensão e renúncia, reclamando-nos integral ajustamento à felicidade dos outros, antes de cogitar de nossa própria felicidade. Em toda parte, encontra a criatura a aflição quando vista por ensinamento bendito, propondo-lhe as mais belas conquistas espirituais para a Esfera Superior. Entretanto, se o caminho terreno é a nossa prova salvadora, somos em nós o grande problema da vida, de vez que estamos sempre interessados na deserção do trabalho difícil que nos conferirá o tesouro da experiência. Trânsfugas do dever, nas menores modalidades, achamo-nos sempre à caça de consolação e reconforto, disputando escusas e moratórias, com o que apenas adiamos indefinidamente a execução dos serviços indispensáveis à restauração de nós mesmos. Saibamos valorizar a nossa oportunidade de crescimento para o Mundo Maior, abraçando na aflição construtiva da jornada o medicamento capaz de operar-nos a própria cura ou o recurso suscetível de arrojar-nos a mais altos níveis de evolução. Não bastará sofrer. É preciso aproveitar o concurso da dor, convertendo-a em roteiro de luz. Colocados, desse modo, entre as provações que nos assinalam a senda de cada dia, usemos constantemente a chave do sacrifício próprio, em favor da paz e da alegria dos que nos cercam, porque somente diminuindo as provações alheias é que conseguiremos converter as nossas em talentos de amor para as Bem-aventuranças Imperecíveis.

35. 32 – A MESTRA DIVINA

“Estai, pois, firmes…” – PAULO (Efésios, 6:14.).
Arrancando-nos ao reduto da delinquência, e arrebatando-nos ao inferno da culpa, a que descemos pelo desvario da própria vontade, concede-nos o Senhor a mestra divina, que, apoiada no tempo, se converte na enfermeira de nossos males e no anjo infatigável que nos ampara o destino. Paciente e imperturbável, devolve-nos todos os golpes com que dilaceramos o corpo da vida, para que não persistamos na grade do erro ou nos cárceres do remorso. Aqui, modela berços entre chagas atrozes com que nos restaura os desequilíbrios do sentimento, ali traça programas reparadoras entre os quais padecemos no próprio corpo as feridas que abrimos no peito dos semelhantes. Agora, reúne laços do mesmo sangue ferrenhos adversários que se digladiavam no ódio para que se reconciliem por intermédio de prementes obrigações, segundo os ditames da natureza; depois constrange à carência aflitiva, no lar empobrecido e doente, quantos se desmandaram nos abusos da avareza e da ambição sem limites, a fim de que retornem ao culto da verdadeira fraternidade. Hoje, refaz a inteligência transviada nas sombras, pelo calvário da idiotia, amanhã, recompõe com o buril de moléstias ingratas a beleza do espírito que os nossos desregramentos no corpo transformam tantas vezes em fealdade e ruína. Aqui corrige, adiante esclarece, além reajusta, mais além aprimora. Incansável na marcha, cria e destrói, para reconstruir ante as metas do bem eterno, usando aflição e desgosto, desencanto e amargura, para que a paz e a esperança, a alegria e a vitória nos felicitem mais tarde, no santuário da experiência. Semelhante gênio invariável e amigo é a dor benemérita, cujo precioso poder sana todos os desequilíbrios e problemas do mal. Recordemos: no recinto doméstico ou na estrada maior, ante os amigos e os desafetos, na jornada de cada dia quando visitados pela provação que nos imponha suor e lágrimas, asserenemos o próprio espírito e, sorrindo para o trabalho com que a dor nos favorece, agradecemos a dificuldade, aceitando a lição.

36. 33 – ANTE A BENÇÃO DO CORPO

“Ora, vós sois o corpo de Cristo…” – PAULO. (II Coríntios, 12:27)
A pretexto de atingir a virtude não menosprezes o corpo que te auxilia a conquistá-la. O veículo orgânico para o espírito reencarnado é a máquina preciosa, capaz de ofertar-lhe às mãos de operário da Vida Imperecível o rendimento da evolução. Há quem lhe condene as peças enobrecidas à ferrugem destruidora. São os irmãos que se deixam vencer pelas teias da inércia ou pelo bolor do desânimo. Conhecemos aqueles que lhe relegam a engrenagem à perturbação e à desordem. São os companheiros que preferem o desequilíbrio e a intemperança para conselheiros de cada dia. Observamos freqüentemente os que lhe arrojam as possibilidades ao fogo devorador. São os amigos, voluntariamente entregues a furiosas paixões que lhes devastam a mente. Anotamos, ainda, aqueles que lhe cedem a direção a malfeitores confessos. Temos nessa imagem todos aqueles que se comprazem com os empreiteiros da delinqüência, a desenvolverem lamentáveis processos de obsessão. Reserva o teu corpo à feição do trabalhador responsável e consciente que protege o instrumento de serviço que a vida lhe confiou. Foge ao tormento do excesso, ao azinhavre da preguiça e à excitação da imprudência. Bendizendo o templo de recursos físicos em que te situas passarás sobre a Terra, abençoando e servindo, convertendo as cordas de tua alma em harpa divina para que o Senhor, através delas, possa desferir para o mundo as melodias da beleza, os cânticos do progresso e os poemas do amor, em celeste exaltação da Alegria

37. 34 – ALTERAÇÕES NA FÉ

“Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem”. – PAULO (Romanos, 12:21).
Ante as questões de vivência no cotidiano, se consegues manter a fé em Deus e na imortalidade da alma, acima dos obstáculos em que se nos apuram as faculdades no campo da vida, pensa compadecidamente nos irmãos alterados, em matéria de fé. Especialmente naqueles que não puderam suportar o clima de trabalho e burilamento, em que te encontras e que se bandearam não só para a indiferença mas também para a negação. Provavelmente, alguns deles se fazem passíveis dessa ou daquela observação, tendente a interromper-lhes, por algum tempo, a capacidade de influenciação no ânimo alheio, entretanto, em maioria, são companheiros em graves transformações na vida íntima. Esse terá visto crises e tribulações no instituto doméstico e se vê traumatizado como quem se vê à beira do colapso nervoso. Aquele terá concordado com sugestões deprimentes e haverá caído nos labirintos da obsessão. Outro sofreu a deserção de pessoas queridas e não conseguiu furtar-se a profundo ressentimento. Outro ainda varou desafios e testemunhos que lhe impuseram enfermidade e cansaço, estirando-se em desânimo ou ao desalento. Diante dos irmãos alterados na fé por essa ou aquela circunstância, usa discrição e caridade em qualquer pronunciamento. Não lhes agraves as inquietações, propondo-lhes problemas novos e nem lhes agites as feridas da alma com apontamentos infelizes. Quando possível, entrega-lhes o pão do otimismo e a luz da esperança, sem reproches desnecessários, ao reerguer-lhes a confiança, reconhecendo que a Divina Providencia, com justiça e misericórdia, vela por nós todos e que os companheiros de Jesus são por ele chamados para construir e reconstruir.

38. 35 – AO SOL DA VERDADE

“Mas quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade…” – JESUS. (João, 16:13).
De que maneira vencerá o Espiritismo os obstáculos que se lhe agigantam a frente? Há companheiros que indagam:- “Devemos disputar saliência política ou dominar a fortuna terrestre?” Enquanto isso, outros enfatizam a ilusória necessidade da guerra verbal a greis ou pessoas. Dentro do assunto, no entanto, transcrevemos a Questão nº 799, de “O Livro dos Espíritos”. Prudente e claro, Kardec formulou, aos orientadores espirituais de sua obra, a seguinte interrogação: “De que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso?” E, na lógica de sempre, eis que eles responderam: “Destruindo o materialismo que é uma das chagas da sociedade, ele faz que os homens compreendam onde se encontram seus verdadeiros interesses.” Deixando a vida futura de estar velada pela dúvida, o homem perceberá melhor que, por meio do presente, lhe é dado preparar o seu futuro. Abolindo os prejuízos de seitas, castas e cores, ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir como irmãos.” Não nos iludamos, com respeito às nossas tarefas. Somos todos chamados pela Bênção do Cristo a fazer luz no mundo das consciências – a começar de nós mesmos -, dissipando as trevas do materialismo ao clarão da Verdade, não pelo espírito da força, mas pela força do espírito, a expressar-se em serviço, fraterno, entendimento e educação.

39. 36 – CIVILIZAÇÃO E REINO DE DEUS

“Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com aparências exteriores.” (Lucas, 17:20).
A terra de hoje reúne povos de vanguarda na esfera da inteligência. Cidades enormes são usadas, à feição de ninhos gigantescos de cimento e aço, por agrupamentos de milhões de pessoas. A energia elétrica assegura a circulação da força necessária à manutenção do trabalho e do conforto doméstico. A Ciência garante a higiene. O automóvel ganha tempo e encurta distâncias. A imprensa e a radiotelevisão interligam milhares de criaturas, num só instante, na mesma faixa de pensamento. A escola abrilhanta o cérebro. A técnica orienta a industria. Os institutos sociais patrocinam os assuntos de previdência e segurança. O comércio, sabiamente dirigido, atende ao consumo com precisão. Entretanto, estaremos diante de civilização impecável? À frente desses empórios resplendentes de cultura e progresso material, recordemos a palavra dos instrutores de Allan Kardec, nas bases da codificação do espiritismo. Perguntando a eles “por que indícios se pode reconhecer uma civilização completa”, através da Questão nº 793, constante de “O Livro dos Espíritos”, deles recolheu a seguinte resposta: “Reconhecê-la-eis pelo desenvolvimento moral. Credes que estais muito adiantados, porque tendes feito grandes descobertas e obtidas maravilhosas invenções; porque vos alojais e vestis melhor do que os selvagens. Todavia, não tereis verdadeiramente o direito de dizer-vos civilizados, senão quando de vossa sociedade houverdes banido os vícios que a desonram e quando viverdes, como irmãos, praticando a caridade cristã. Até então, sereis apenas povos esclarecidos, que hão percorrido a primeira fase da civilização.” Espíritas, irmãos! Rememoremos a advertência do Cristo, quando nos afirma que o reino de Deus não vem até nós com aparências exteriores; para edificá-lo, não nos esqueçamos de que a Doutrina Espírita é a luz em nossas mãos. Reflitamos nisso.

40. 37 – SUPERCULTURA E CALAMIDADES MORAIS

“Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado para quem será?” – JESUS. (Lucas, 12:20).
Não basta ajuntar valores materiais para garantia de felicidade. A supercultura consegue atualmente na Terra feitos prodigiosos, em todos os reinos da Natureza física, desde o controle das forças atômicas às realizações da Astronáutica. No entanto, entre os povos mais adiantados do Planeta, avançam duas calamidades morais do materialismo, corrompendo-lhes as forças: o suicídio e a loucura, ou, mais propriamente a angustia e a obsessão. É que o homem não se aprovisiona de reservas espirituais à custa de máquinas. Para suportar os atritos necessários à evolução e aos conflitos resultantes da luta regenerativa, precisa alimentar-se com recursos da alma e apoiar-se neles. Nesse sentido, vale recordar o sensato comentário de Allan Kardec, no item 14, do Capítulo V, de “O Evangelho segundo o espiritismo”, sob a epígrafe “O Suicídio e a Loucura”: “A calma e a resignação hauridas da maneira de considerar a vida terrestre e da confiança no futuro dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio. Com efeito, é certo que a maioria dos casos de loucura se devem à comoção produzida pelas vicissitudes que o homem não tem a coragem de suportar. Ora, se encarando as coisas deste mundo, da maneira por que o Espiritismo faz que ele as considere, o homem recebe com indiferença, mesmo com alegria, os reveses e as decepções que o houveram desesperado noutras circunstâncias, evidente se torna que essa força, que o coloca acima dos acontecimentos, lhe preserva de abalos a razão, os quais, se não fora isso, o conturbariam”. Espíritas, amigos! Atendamos à caridade que suprime a penúria do corpo, mas não menosprezemos o socorro às necessidades da alma! Divulguemos a luz da Doutrina Espírita! Auxiliemos o próximo a discernir e pensar.

41. 38 – FÉ E CULTURA

“Acolhei o que é débil na fé, não, porém,para discutir opiniões”. PAULO (Romanos, 14:1).
Indubitavelmente, nem sempre a fé acompanha a expansão da cultura, tanto quanto nem sempre a cultura consegue altear-se ao nível da fé. Um cérebro vigoroso pode elevar-se a prodígios de cálculo ou destacar-se nos mais entranhados campos da emoção, portas adentro dos valores artísticos, sem entender bagatela de resistência moral diante da tentação ou do sofrimento. De análogo modo, um coração fervoroso é suscetível das mais nobres demonstrações de heroísmo perante a dor ou da mais alta reação contra o mal, patenteando manifesta incapacidade para aceitar os imperativos da perquirição ou dos requisitos do progresso. A Ciência investiga. A Religião crê. Se não é justo que a Ciência imponha diretrizes à Religião, incompatíveis com as suas necessidades do sentimento, não é razoável que a Religião obrigue a Ciência à adoção normas inconciliáveis com as suas exigências do raciocínio. Equilíbrio ser-nos-á o clima de entendimento, em todos os assuntos que se relacionem à fé e à Cultura, ou estaremos sempre ameaçados pelo deserto da descrença ou pelo charco do fanatismo. Auxiliemo-nos mutuamente. Na sementeira da fé aprendamos a ouvir com serenidade para falar com acerto. Diz o Apóstolo Paulo: “ Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões.” É que para chegar à cultura, filha do trabalho e da verdade, o homem é naturalmente compelido a indagar, examinar, experimentar e teorizar, mas, para atingir a fé viva, filha da compreensão e do amor, é forçoso servir. E servir é fazer luz.

42. 39 – COMPROMISSO PESSOAL

“Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus.” – PAULO. (I Coríntios, 3:6)
Nada de personalismo dissolvente na lavoura do espírito. Qual ocorre em qualquer campo terrestre, cultivador algum, na gleba da alma, pode jactar- se de tudo fazer nos domínios da sementeira ou da colheita. Após o esforço de quem planta, há quem sega o vegetal nascente, quem o auxilie, quem o corrija, quem o proteja. Pensando, porém, no impositivo da descentralização, no serviço espiritual, muitos companheiros fogem à iniciativa nas construções de ordem moral que nos competem. Muitos deles, convidados a compromissos edificantes, nesse ou naquele setor de trabalho, afirmam- se inaptos para a tarefa, como se nunca devêssemos iniciar o aprendizado do aprimoramento íntimo, enquanto que outros asseveram, quase sempre com ironia , que não nasceram para lideres. Os que assim procedem costumam relegar para Deus comezinhas obrigações no que tange à elevação, progresso, acrisolamento ou melhoria, mas as leis do Criador não isentam a criatura do dever de colaborar na edificação do bem e da verdade, em favor de si mesma. Vejamos a palavra do Apóstolo Paulo, quando já conhecia os problemas do auto- aperfeiçoamento, em nos referindo à evangelização: “Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus.” A Necessidade do devotamento individual à causa da Verdade transparece, clara, de semelhante conceituação. Sabemos que a essência de toda atividade, numa lavra agrícola, procede, originalmente, da Providência Divina. De Deus vêm a semente, o solo, o clima, a seiva e a orientação para o desenvolvimento da árvore, como também dimanam de Deus a inteligência, a saúde, a coragem e o discernimento do cultivador, mas somos obrigados a reconhecer que alguém deve plantar.

43. 40 – ENCARGOS

“A manifestação do Espírito é concedida a cada um, visando a um fim proveitoso.” – PAULO. (Coríntios, 12:7).
Cada individualidade encontra na reencarnação um quadro de valores potenciais de trabalho, análogos àqueles que a pessoa recebe quando é favorecida por um cargo determinado. Assim como o obreiro é indicado para integrar a tabela nominativa de certa repartição, com atribuições específicas, também nós, quando nos dirigimos para a esfera física, recolhemos semelhante designação; somos como que nomeados para servir em determinado setor de atividade e conseqüentemente, colocados na equipe de familiares e companheiros que nos possibilitam a execução da tarefa. Mas, se a obtenção do cargo resulta de concessão ou de ordem do Plano Superior, o aproveitamento do encargo depende do interesse em desenvolver ou consolidar os próprios méritos.À face disso precisamos considerar que todos possuímos o talento da capacidade para investir na edificação do bem, onde estivermos. Ninguém está órfão de oportunidade. Em toda parte, há serviço que prestar e o melhor que fazer. Observa em torno de ti e ouvirás múltiplos chamamentos à obra do progresso geral. Ninguém está privado do ensejo de auxiliar o próximo, elevar, consolar, instruir, renovar. Não te detenhas. O amparo do Senhor é concedido a cada ser humano, visando ao proveito de todos. Considera a indicação que recebeste para servir, segundo as possibilidades que te enriquecem o coração e as mãos. O cargo vem à nossa esfera de ação, por efeito da Providencia Divina, mas a valorização do encargo parte de nós.

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44. 41 – RECURSOS

“Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza, porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.” – JESUS (Lucas, 12:15.)
Frequentemente, quando nos referimos à propriedade, recordamos, de imediato, posses e haveres de expressão material e reconstituímos na lembrança a imagem dos nossos amigos que carregam compromissos coma fortuna terrestre, como se eles fossem os únicos responsáveis pelo equilíbrio do mundo. Entretanto, assim agindo, escorregamos inconscientemente para a fuga de nossos próprios deveres, sem que isso nos isente das obrigações assumidas. Simbolicamente, todos retemos capitais a movimentar, de vez que, em cada estância regeneradora ou evolutiva em que nos encontraremos, somos acompanhados por valiosos créditos de tempo, através dos quais a Divina Providência nos considera iguais pela necessidade e, simultaneamente, nos diferencia uns dos outros pela aplicação individual que fazemos deles. Somos todos, desse modo, convocados não apenas a empregar dinheiro, mas também saúde, condição, profissão, habilidade, entendimento, cultura, relações e possibilidades outras de que sejamos detentores, em favor dos outros, porquanto pelas nossas próprias ações somos valorizados ou depreciados, enriquecidos ou podados em nossos recursos pela Contabilidade da Eterna Justiça. Permaneçamos, assim, atentos às menores oportunidades de ajudar que se nos ofereçam, na experiência cotidiana, aproveitando-as, quanto possível, porque, se as nossas reservas de tempo estão sendo realmente depositadas no Fundo de Serviço ao Próximo, no Banco da Vida, a Carteira do Suprimento Espontâneo nos enviará, estejamos onde estivermos, os dividendos de auxílio e felicidade a que tenhamos direito, sem que haja, de nossa parte, nem mesmo a preocupação de sacar.

45. 42 – NO TRATO COMUM

“… Nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe e, por meio dela, muitos sejam contaminados.” – PAULO. (Hebreus, 12:15.)
É razoável estejamos sempre cautelosos a fim de não estendermos o mal ao caminho alheio. Os outros colhemos frutos de nossas ações e oferecem-nos, de volta, as reações consequentes. Daí, o cuidado instintivo em não ferirmos a própria consciência, seja policiando atitudes ou selecionando palavras, para que vivamos em paz à frente dos semelhantes, assegurando tranquilidade a nós mesmos. Em muitas circunstâncias, contudo, não nos imunizamos contra os agentes tóxicos da queixa. Superestimamos nossos problemas, supomos nossas dores maiores e mais complexas que as dos vizinhos e, amimalhando o próprio egoísmo, cultivamos indesejável raiz de amargura no solo do coração. Daí brotam espinheiros mentais, suscetíveis de golpear quantos renteiam conosco, na atividade cotidiana, envenenando-lhes a vida. Quantas sugestões infelizes teremos coagulado no cérebro dos entes amados, predispondo-os à enfermidade ou à delinqüência com as nossas frases irrefletidas! Quantos gestos lamentáveis terão vindo à luz, arrancados da sombra por nossas observações vinagrosas! Precatemo-nos contra semelhantes calamidades que se nos instalam nas tarefas do dia-a- dia, quase sempre sem que venhamos a perceber. Esqueçamos ofensas, discórdias, angústias e trevas, para que a raiz da amargura não encontre clima propício no campo em que atuamos. Todos necessitamos de felicidade e paz; entretanto, felicidade e paz solicitam amor e renovação, tanto quanto o progresso e a vida pedem trabalho harmonioso e benção de sol.

46. 43 – NO EXAME RECÍPROCO

 

“Consideremo-nos também uns aos outros para nos estimularmos ao amor e às boas obras.” – PAULO. (Hebreus 10:24.)
Algumas vezes somos constrangidos a examinar as diretrizes dos nossos companheiros de experiência, nas horas em que se mostram em atitude menos edificante. Vimos determinados amigos em lances perigosos do caminho, até ontem. E até ontem terão eles: entrado em negócios escusos; caído em lastimáveis enganos; perpetrado delitos; descido a precipícios de sombra; causado prejuízo a outrem, lesando a si mesmos; fugido a deveres respeitáveis desprezado valiosas oportunidades no erguimento do bem; renegado a fé que lhes servia de âncora; adotado companhias que lhes danificaram a existência; abraçado a irresponsabilidade por norma de ação. Momentos existem nos quais é impossível desconhecer as nossas falhas; entretanto, tenhamos a devida prudência de situar o mal no passado. Teremos tido comportamento menos feliz até ontem. Hoje, porém, é novo dia. Auxiliemo-nos reciprocamente, acendendo luz que nos dissipe a sombra. Padronizemos o sentimento em ponto alto, pensemos coma força abençoada do otimismo, falemos para o bem e realizemos o melhor ao nosso alcance, no terreno da ação. Recordemos o ensinamento do Apóstolo, considerando-nos uns aos outros, não em sentido negativo, e sim com a fraternidade operante, para que tenhamos o necessário estímulo à prática do amor puro, superando as nossas próprias fraquezas, em caminho para a Vida Maior.

47. 44 – ORAREMOS

“E esta é a confiança que temos para ele, que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.” – JOÃO. (I João, 5:14.)
Exporemos em prece ao Senhor os nossos obstáculos, pedindo as providências que se nos façam necessárias à paz e à execução dos encargos que a vida nos delegou; entretanto, suplicaremos também a ele nos ilumine o entendimento, para que lhes saibamos receber dignamente as decisões. Não nos esquecemos de que a nossa capacidade visual abrange, mais ou menos, unicamente o curto espaço dos sessenta segundos de um minuto, enquanto que o Senhor, que nos acompanhou as numerosas existências passadas – existências que conservas, agora, na Terra, temporariamente esquecidas , nos conhece o montante das necessidades de hoje e de amanhã. Tenhamos suficiente gratidão para não suprimir-lhe a benção. A Providência Divina possui os recursos e caminhos que lhe são próprios para alcançar nos. Quando encarnados no plano físico, se na posição de enfermos, costumamos implorar do Céu a dádiva da saúde corpórea, na expectativa de obter um milagre e, às vezes, o Céu nos responde com a imposição de um bisturi, que nos rasgue as entranhas, de maneira a reconstituir-nos o equilíbrio orgânico. Simbolicamente, ocorrem circunstâncias idênticas no quadro espiritual de nossa vida cotidiana. Rogamos a Deus a presença da felicidade em nossos dias, segundo a concepção com que a imaginamos, mas somos, via de regra, portadores de certos defeitos, que nos impediriam acolhê-la, sem agravar as próprias dívidas, e Deus, em muitos casos, nos envia primeiramente o espinho da provação, que nos faculte a experiência precisa para recebê-la em momento oportuno, como determina o recurso operatório para o corpo doente, antes que se lhe restaure a saúde. Oraremos, sim; no entanto, é imperioso, em matéria de petição, rogar isso ou aquilo ao Senhor, sempre de acordo com a Sua Vontade, porque a Vontade do Senhor inclui, invariavelmente, a harmonia e a felicidade de nossa vida.

48. 45 – APELO DE SEMPRE

 

“… Prossigo para o alvo…” – PAULO. (Filipenses, 3:14.)
Nas horas de aguaceiro, reflete na colheita que virá. Nos instantes difíceis, age pensando na soma de alegrias que nascerão do dever cumprido. Não te detenhas em recordações amargas do pretérito. A derrota sofrida terá sido preciosa lição para melhor aproveitamento das horas de hoje; a lágrima vertida foi talvez o colírio da verdade, ensinando-te a ver; a provação experimentada revelou-te o caminho da paciência; as afeições que desertaram se te erguem presentemente na memória por instruções da vida, impulsionando-te do genuíno amor. Para a frente – é o apelo de mais alto. O passado é capaz de auxiliar, mas tão-só por recurso de informação. Se duvidas disso, reflete no automóvel de que te serves comumente: o retrovisor colabora apenas para que te esclareças, quanto às advertências da retaguarda, de vez que necessitas permanecer de atenção concentrada no caminho à frente, como quem se vê inevitavelmente chamado para o futuro.

49. 46 – CASO GRAVE

“… Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado para quem será?” -Jesus (Lucas 15:20)
Dentre os nossos companheiros de experiência humana, aquele: que apenas enxerga as suas necessidades, sem consideração para com as necessidades de seus vizinhos; que jamais se afastou da casa farta, nem mesmo por momentos, para levar um pão à choupana que a penúria vigia; que nunca se lembrou de oferecer migalha dos recursos que lhe são próprios, nas obras da solidariedade; que vê exclusivamente as exigências dos próprios filhos, laureando-os de abastança e carinho, sem tentar, nem mesmo ao de leve, minorar o suplício das crianças abandonadas; que se iluminou com facho da ciência e se trancafiou em bibliotecas valiosas, sem estender a mais ligeira réstia de luz aos ignorantes; que se enriqueceu de tributos afetivos no lar tranqüilo, sem acender, em tempo algum, o menor raio de esperança ou de alegria para a viuvez em desamparo; que unicamente sabe desfrutar vantagens pessoais, sem alongar braço amigo na direção dos que anseiam por singela oportunidade das muitas oportunidades de elevação e progresso que lhe favorecem a vida; que vai, existência fora, no carro da saúde física, cerrando os ouvidos para não escutar o choro e a súplica dos doentes que lhe rogam proteção e consolo; é, de todos os irmãos prejudicados pelo egoísmo, um caso dos mais graves e dos que mais carecem de piedade, com direito a ser internado com urgência em nosso pronto-socorro da oração.

50. 47 – AUTOPROTEÇÃO

“Pois com o critério que julgardes sereis julgados; e com a medida com que tiverdes medido vos medirão também”– JESUS. (Mateus, 7:2.)
A gentileza deve ser examinada, não apenas por chave de ajuste nas relações humanas, mas igualmente em sua função protetora para aqueles que a cultivam. Não falamos aqui do sorriso de indiferença que paira, indefinido, na face, quando o sentimento está longe de colori-lo. Reportamo-nos à compreensão e, conseqüentemente, à tolerância e ao respeito com que somos todos chamados à garantia da paz recíproca. De quando em quando, destaquemos uma faixa de tempo para considerar quantas afeições e oportunidades preciosas temos perdido, unicamente por desatenção pequenina ou pela impaciência de um simples gesto. Quantas horas gastas com arrependimentos tardios e quantas agressões vibratórias adquiridas à custa de nossas próprias observações, censuras, perguntas e respostas malconduzidas!. . . O que fizermos a outrem, fará outrem a nós e por nós. Reflitamos nos temas da autoproteção. A fim de nutrir-nos ou aquecer-nos, outros não se alimentam e nem se agasalham em nosso lugar e, por mais nos ame, não consegue alguém substituir-nos na medicação de que estejamos necessitados. Nas questões da alma, igualmente, os reflexos da bondade e as respostas da simpatia hão de ser plantados por nós, se aspiramos à paz em nós.

51. 48 – IMUNIZAÇÃO ESPIRITUAL

“Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem…” – JESUS. (Mateus, 5:44.)
Temos, efetivamente, duas classes de adversários, aqueles que não concordam conosco e aqueles outros que suscitamos com a nossa própria cultura de intolerância. Os primeiros são inevitáveis. Repontam da área de todas as existências, mormente quando a criatura se encaminha para diante nas trilhas de elevação. Nem Jesus viveu ou vive sem eles. Os segundos, porém, são aqueles cujo aparecimento podemos e devemos evitar. Para isso, enumeremos alguns dos prejuízos que angariaremos, na certa, criando aversões em nosso caminho: focos de vibrações contundentes; centros de oposição sistemática; ameaças silenciosas; portas fechadas ao concurso espontâneo; opiniões quase sempre tendenciosas, a nosso respeito; suspeitas injustificáveis; propósitos de desforço; antipatias gratuitas; prevenções e sarcasmos; aborrecimentos; sombras de espírito. Qualquer das parcelas relacionadas nesta lista de desvantagens bastaria para amargurar larga faixa de nossa vida, aniquilando-nos possibilidades preciosas ou reduzindo-nos eficiência, tranqüilidade, realização e alegria de viver. Fácil inferir que apenas lesamos a nós mesmos, fazendo adversários, tanto quanto é muito importante saber tolerá-los e respeitá-los, sempre que surjam contra nós. Compreendemos, assim, que quando Jesus nos recomendou amar os inimigos estava muito longe de induzir-nos à conivência com o mal, e sim nos entregava a fórmula ideal do equilíbrio com a paz da imunização.

52. 49 – ANTE OFENSAS

“Porque vos digo que se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus,jamais entrareis no Reino dos Céus.” – JESUS. (Mateus, 5:20.)
A fim de atender à recomendação de Jesus – “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, não te colocarás tão-somente no lugar do irmão necessitado de socorro material para que lhe compreendas a indigência com segurança; situar-teás também na posição daquele que te ofende para que lhe percebas a penúria da alma, de modo a que lhe estendas o concurso possível. Habitualmente aquele que te fere pode estar nos mais diversos graus de dificuldades e perturbação. Talvez esteja: no clima de enganos lastimáveis dos quais se retirará, mais tarde, em penosas condições de arrependimento; sofrendo a pressão de constrangedores processos obsessivos; carregando moléstias ocultas; evidenciando propósitos infelizes sob a hipnose da ambição desregrada, de que se afastará, um dia, sob os desencantos da culpa; agindo com a irresponsabilidade decorrente da ignorância; satisfazendo a compulsões da loucura ou procedendo sem autocrítica, em aflitivo momento de provação. Por isso mesmo, exortou-nos Jesus a amar os inimigos e a orar pelos que nos perseguem e caluniam. Isso porque somos inconseqüentes toda vez que passamos recibo a insultos e provocações com os quais nada temos que ver. Se temos o espírito pacificado no dever cumprido, a que título deixar a estrada real do bem, a fim de ouvir as sugestões das trevas nos despenhadeiros do mal? Além disso, se estamos em paz, à frente de irmãos nossos envolvidos em sombra ou desespero, não seria justo nem humano agravar-lhes o desequilíbrio com reações impensadas, quando os sãos, perante Jesus, são chamados a socorrer os doentes, com a sincera disposição de compreender e servir, aliviar e auxiliar.

53. 50 – ANTE O DIVINO SEMEADOR

“Ouvi: eis que saiu o semeador a semear. . . “ – JESUS. (Marcos. 4:3.)
Jesus é o Semeador da Terra e a Humanidade é a Lavoura de Deus em Suas Mãos. Lembremo-nos da renúncia exigida à semente chamada à produção que se destina ao celeiro para que não venhamos a sucumbir em nossas próprias tarefas. Atirada ao ninho escuro da gleba em que lhe cabe desabrochar, sofre extremo abandono, sufocada ao peso do chão que lhe esmaga o envoltório. Sozinha e oprimida, desenfaixa-se das forças inferiores que a constringem, a fim de que os seus princípios germinativos consigam receber a bênção do céu. Contudo, mal se desenvolve, habitualmente padece o assalto de vermes que lhe maculam o seio, quando não experimenta a avalancha de lama, por força dos temporais. Ainda assim, obscura e modesta, a planta nascida crê instintivamente na sabedoria da natureza que lhe plasmou a existência e cresce para o brilho solar, vestindo-se de frondes tenras e florindo em melodias de perfume e beleza para frutificar, mais tarde, nos recursos que sustentam a vida. A frente do semeador sublime, não esmoreças ante os pesares da incompreensão e do isolamento, das tentações e das provas aflitivas e rudes. Crê no Poder Divino que te criou para a imortalidade e, no silêncio do trabalho incessante no bem a que foste trazido, ergue-te para a Luz Soberana, na certeza de que, através da integração com o amor que nos rege os destinos, chegarás sob a generosa proteção do Celeste Pomicultor, à frutificação da verdadeira felicidade.

54. 51 – OPORTUNIDADE E NÓS

“Procura apresentar-te a Deus aprovado como obreiro que não tem de que se envergonhar…” – PAULO. (II Timóteo,2:15.)
Não admitas que o bem se processe a distância de esforço paciente que o concretize. O criador estabelece árvore na semente. A criatura pode protegê-la e aperfeiçoá-la. Recebes da Divina Providência o tesouro das horas, o apoio do conhecimento, a possibilidade de agir, o benefício do relacionamento, mas a formação da oportunidade para que te realize nas próprias esperanças depende de ti. Não há confiança profissional sem o devido certificado de competência. Não disporás efetivamente da máquina sem conhecer-lhe a engrenagem com a respectiva função. Nas áreas do espírito, as leis são as mesmas. Esforçar-te-ás em adquirir entendimento; praticarás o respeito aos semelhantes; acentuarás, quanto possível, as tuas prestações de serviço em apoio dos outros e angariarás a simpatia de que necessitas no próximo, a fim de que o próximo te auxilie na edificação dos teus ideais. Então, credenciarás a ti mesmo, para que a oportunidade te valorize. Em qualquer tarefa de melhoria e elevação, em que esperemos novas aquisições de paz e alegria, felicidade e segurança, não nos esqueçamos de que a possibilidade nasce de Deus e que o trabalho vem de nós.

55. 52 – EM FAMÍLIA ESPIRITUAL

“Por que vês o argueiro no olho de teu irmão, sem notar a trave que está no teu próprio?” – JESUS. (Mateus, 7:3)
Quanto mais nos adentramos no conhecimento de nós mesmos, mais se nos impõe a obrigação de compreender e desculpar, na sustentação do equilíbrio em nós e em torno de nós. Daí a necessidade da convivência, em que nos espelhamos uns nos outros, não para criticar-nos, mas para entender-nos, através de bendita reciprocidade, nos vários cursos de tolerância, em que a vida nos situa, no clima da evolução terrestre. Assim é que, no educandário da existência, aquele companheiro: que somente identifica o lado imperfeito dos seus irmãos, sem observar-lhes a boa parte; que jamais se vê disposto a esquecer as ofensas de que haja sido objeto; que apenas se lembra dos adversários com o propósito de arrasá-los, sem reconhecer-lhes as dificuldades e os sofrimentos; que não analisa as razões dos outros, a fixar-se unicamente nos direitos que julga pertencer-lhe; que não se enxerga passível de censura ou de advertência, em momento algum; que se considera invulnerável nas opiniões que emita ou conduta que espose; que não reconhece as próprias falhas e vigia incessantemente as faltas alheias; que não dispõe a pronunciar uma só frase de consolação e esperança, em favor dos caídos na penúria moral; que se utiliza da verdade exclusivamente para ameaçar ou ferir. . . Será talvez de todos nós aquele que mais exija entendimento e ternura, de vez que, desajustado na intolerância, se mostra sempre desvalido de paz e necessitado de amor.

56. 53 – CONFIANDO

“…Tende fé em Deus.” – JESUS. (Marcos, 11:22.)
Tendo fé nas descobertas e nas observações conjugadas de físicos, astrônomos e matemáticos, o homem construiu o foguete com que explora vitoriosamente o espaço cósmico; tendo fé nas ondas eletromagnéticas, formou as bases da televisão que hoje transmite a palavra e a imagem a longas distâncias, simultaneamente, em todas as direções; tendo fé nos processos imunológicos, iniciados e desenvolvidos por ele mesmo, criou a vacina, liquidando o problema das moléstias contagiosas que, de tempos a tempos, dizimavam milhares de existências no mundo; tendo fé na escola, dividiu-a em setores múltiplos e estabeleceu cursos específicos, de modo a servir às criaturas, da infância à madureza, afastando a Humanidade dos prejuízos da insipiência e do flagelo da ignorância; tendo no motor, inventou o automóvel em que se transporta, a vontade, de região para região, atendendo aos próprios interesses com inestimável ganho de tempo. Assim também, confiando nos ensinamentos do Cristo e praticando-os como se faz necessário, a criatura edificará a sua própria felicidade; entretanto, qual acontece ao foguete, á televisão, á vacina, à escola e ao automóvel, que funcionam, seguindo os princípios em que se baseiam, a fim de oferecerem os frutos preciosos, no auxílio ao homem, a fé nas lições de Jesus só vale se for usada.

57. 54 – NA CULTURA DA PAZ

“Bem-aventurados os pacificadores porque serão chamados filhos de Deus.” – JESUS. (Mateus, 5:9.)
Na cultura da paz, saibamos sempre: respeitar as opiniões alheias como desejamos seja mantido o respeito dos outros para com as nossas; colocar-nos na posição dos companheiros em dificuldades, a fim de que lhes saibamos ser úteis; calar referências impróprias ou destrutivas; reconhecer que as nossas dores e provações não são diferentes daqueles que visitam o coração do próximo; consagrar-nos ao cumprimento das próprias obrigações; fazer de cada ocasião a melhor oportunidade de cooperar a benefício dos semelhantes; melhorar-nos, através do trabalho e do estudo, seja onde for; cultivar o prazer de servir; semear o amor, por toda parte, entre amigos e inimigos; jamais duvidar da vitória do bem. Buscando a consideração de pacificadores, guardaremos a certeza de que a paz verdadeira não surge, espontânea, de vez que é e será sempre fruto do esforço de cada um.

58. 55 – NO BURILAMENTO ÍNTIMO

“Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim.” – JESUS. (Mateus, 24:46)
Suspiramos por burilamento pessoal; entretanto, para atingi-lo, urge não esquecer as disciplinas que lhe antecedem a formação. Á vista disso, recordemos que a essência da educação reside nas diretrizes de vida superior que adotamos para nós mesmos. Daí, o impositivo de cultivar-se o hábito: De ser fiel ao desempenho dos próprios deveres; de fazer o melhor que pudermos, no setor de ação em que a vida nos situe; de auxiliar a outrem, sem expectativa de recompensa; de aperfeiçoar as palavras que nos escapem da boca; de desculpar incondicionalmente quaisquer ofensas; de buscar a “boa parte” das situações e das pessoas, olvidando tudo o que tome a feição de calamidade ou de sombra; de procurar o bem com a disposição de realizá-lo; de nunca desesperar; de que os outros, sejam quais forem, são nossos irmãos e filhos de Deus, constituindo conosco a família da Humanidade. Para isso, é forçoso lembrar, sobretudo, que a alavanca da sustentação dos hábitos enobrecedores está em nós e somente vale se manejada por nós.

59. 56 – TEMAS DA PRECE

“Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles…” –JESUS. (Mateus 7:12.)
Roga a Deus te abençoe, mas concilia-te, cada manhã com todas as criaturas e com todas as coisas, agradecendo-lhes as dádivas ou lições que te ofertam. Pede saúde, evitando brechas para a doença. Solicita proteção, amparando os irmãos de experiência cotidiana, dentro dos recursos que se te façam possíveis. Espera a felicidade, criando a alegria do próximo. Procura as luzes do saber, distribuindo-as no auxílio aos que te rodeiam. Busca melhorar o nível de conforto em tua existência material, apoiando os companheiros de Humanidade para que se elevem de condição. Aguarda tolerância para as falhas possíveis que venhas a cometer; entretanto, esquece igualmente as ofensas de que te faças objeto ou as dificuldades que alguém te imponha. Requisita a consideração e a simpatia dos semelhantes para que te harmonizes contigo mesmo; todavia, oferece aos outros a consideração e a simpatia de que carecem para que não lhes falhem o equilíbrio e a tranqüilidade. Suplica o auxílio do Senhor, na sustentação de tua paz; contudo, não sonegues auxílio ao Senhor para que haja sustentação na paz dos outros. A árvore se alimenta com os recursos do solo, produzindo fruto que não consome. A lâmpada gasta a força da usina, deitando luz, a benefício de todos, sem enceleirá-la. Entre a rogativa e a concessão está o proveito. Afirma-nos o Evangelho que para Deus nada existe impossível, mas decerto que Deus espera que cada um de nós faça o possível a nosso próprio favor.

 

CEIFA DE LUZ – EMMANUEL CHICO XAVIER

CEIFA DE LUZ EMMANUEL CHICO XAVIER