A ERA DO ESPÍRITO

A ERA DO ESPÍRITO – VISÃO ESPÍRITA

A ERA DO ESPÍRITO
A ERA DO ESPÍRITO

A ERA DO ESPÍRITO

 

Diferenças entre a justiça humana e a divina
O que seria o estado de justiça? Na sociedade, corresponde a uma situação de equidade, equilíbrio ou igualdade concebíveis entre todos os atos praticados pelo indivíduo – ou grupo de indivíduos – com relação a si mesmo, com relação ao seus semelhantes, e do coletivo para com esse mesmo indivíduo ou grupo.
Os atos são resultados de ações que nascem como impulsos mentais livremente criados pelo homem, ou oriundos da aplicação da lei como síntese das crenças, valores e sentimentos de justiça do coletivo. A existência de leis e de um sentimento de justiça não implicam, porém, que esse estado de justiça exista absolutamente. Dificilmente tal estado existe em qualquer lugar sobre a Terra ainda que momentaneamente.
A sociedade humana é composta de bilhões de indivíduos, de forma que uma ação sempre trará eventuais consequências negativas a qualquer um deles em certo momento de suas existências. Assim, esse estado ou condição de justiça é uma aspiração, um objetivo a ser perseguido, pois não dependente apenas de condições externas, materiais ou ambientais, mas principalmente da maneira como cada um se relaciona com seus semelhantes.
A justiça humana funciona como um processo semi-automático que deve restabelecer esse estado transitório de desequilíbrio (injustiça) por meio da aplicação de suas leis como um mecanismo de compensação. Entretanto, para que as leis sejam aplicadas é necessário validar a causa do desequilíbrio, que está no sujeito, indivíduo ou grupo responsável por ele. Dada a dificuldade e intempestividade em se remontar às causas, frequentemente uma situação de injustiça permanece por muito tempo, se não indefinidamente. Ainda que evidente, uma situação de injustiça leva tempo para ser devidamente compensada: dessa forma, a justiça humana tarda e talvez nunca se faça presente.
A que se deve isso? A causa última da precariedade da ação da justiça humana está na privacidade dos pensamentos ou intenções dos indivíduos. Em suas diligências, a justiça humana é obrigada a inferir as intenções com base em evidências ou rastros tangíveis deixados pelos responsáveis das ações. Os pensamentos, ideias, intenções, desejos e vontades dos criminosos estão sempre ocultos porque eles são frutos da atividade mental inacessível.
As circunstâncias que envolvem um crime podem ser tão complexas que até mesmo a falta de provas aparentes pode tornar-se uma evidência, e não deve passar despercebida a um bom perito. Como é impossível garantir sempre que existirão evidências ou provas de um crime, é impossível também garantir plenamente sua compensação: a justiça humana pode falhar e sua ação será parcial se o criminoso ou responsável não mais estiver entre nós.
Por maior que seja o primor do trabalho dos legisladores humanos, assim é resumidamente a justiça humana: restrita ao prescrito pelo costume e cultura de um povo, limitada em seu alcance no tempo, falível porque dependente do acesso a evidências, e cega das verdadeiras causas da injustiça. Sua força e duração depende da própria sociedade que estabelece e mantem seu funcionamento.
Admitamos, porém, que fosse possível ter acesso completo a registros de vontades e intenções anteriores dos indivíduos. Se o pensamento e os desejos próprios de uma alma se transformassem em objetos publicamente acessíveis. Então, não somente os atos concretos ou os traços tangíveis de um crime estariam a disposição, mas suas verdadeiras causas, a ponto dos primeiros tornarem-se dispensáveis. Admitamos ainda que os perpetradores de um crime, revelados por seus pensamentos e intenções, vivessem para sempre. As circunstâncias que suscitaram as vontades e desejos, materializadas em crimes, tornando-se registros tangíveis, para sempre emoldurados nas consciências dos que os praticaram…Como se aplicaria, então, a justiça?
É frequente imaginar a justiça divina como uma versão aprimorada da justiça humana. Porém, aspectos essenciais que distinguem imensamente uma da outra são completamente ignorados pela falta de uma visão além da vida do ser. Muitas comparações feitas no passado pelas religiões encontram eco na imagem material de um Deus legislador, cópia dos humanos, sentado em um trono a observar as ações humanas e a exercer sua justiça. O Espiritismo permite vislumbrar alguns dos novos aspectos da dinâmica de “causa e efeitos” para aprimorar nossa visão sobre como funcionaria esse processo de justiça espiritual.
Nele a sobrevivência do ser tem papel fundamental. O acesso a pensamentos e vontades do espírito são aspectos externos relevantes, porque a atividade mental se exterioriza e deixa rastros, tanto quanto eventuais registros da cena de um crime. Impossível será sempre a um criminoso deixar de registrar as marcas de seu crime porque ele principia exatamente nos pensamentos e desejos que levam finalmente a sua consumação.
A justiça divina funciona como um processo natural automático que tem como objetivo estabelecer um estado definitivo de equilíbrio ou justiça, cuja função última é o aprimoramento espiritual do ser. Não é função desse mecanismo natural punir, embora, para o espírito encarnado, as vicissitudes e provas pelas quais ele é obrigado a passar possam se assemelhar a punições.
Porque a maioria dos espíritos encarnados está em aprimoramento, é impossível ter na Terra um estado de justiça completo, que sempre dependerá das circunstâncias e maneiras como essa sociedade terrena está organizada. A justiça divina não tem empecilhos em sua ação porque age através da própria consciência dos envolvido e dispõem de múltiplas existências como mecanismo de “ação penal”.
Sem dúvida, ainda por muito tempo a lei será repressiva e castigará os culpados. Ainda não chegamos ao momento em que só a consciência da falta será o mais cruel castigo daquele que a cometeu. Mas, como vedes todos os dias, as penas se abrandam; tem-se em vista a moralização do ser; criam-se instituições para preparar a sua renovação moral; torna-se o seu abatimento útil a ele próprio e à sociedade. O criminoso não será mais a fera a ser expurgada do mundo a qualquer preço. Será a criança extraviada na qual deve ser corrigido o raciocínio falseado pelas más paixões e pela influência do meio perverso! (Instrução do Espírito do Sr. Bonnamy, pai. Revue Spirite, março de 1866. Médium:sr. Desliens.)
O aprimoramento do espírito é tão lento que a duração de uma existência humana não é suficiente para se reparar as faltas. Assim, existe um tempo entre o cometimento de uma ação criminosa e sua correção posterior. A justiça divina aguarda condições e circunstâncias propícias para que elementos naturais ajam, restabelecendo um ordenamento que tenha sido intencionalmente perdido. Esse ordenamento não visa senão a compensação por situações que eram, elas mesmas momentâneas. Dessa forma, direitos eventualmente violados serão restabelecidos de forma transitória porque em si mesmos nunca poderiam durar para sempre. No cômputo dos ganhos do espírito, tudo que for material desaparecerá, subsistindo apenas as vivências do espírito como ganhos que aperfeiçoam a personalidade eterna.
Frequentemente diz-se que a justiça divina é infalível. De fato é como podemos inferir a partir da lei de cause e efeito. Porém, ela não existe para satisfazer a noção humana de justiça. Ela não haje para punir ou satisfazer desejos de vingança – nesse sentido nem mesmo a lei humana tem esse objetivo. Seu fim último é a educação moral do ser que não pode ser destruído. A justiça divina visa, como dissemos, o restabelecimento de uma ordem provisória, mesmo que em contexto totalmente diferente daquele em que uma falta foi gerada.
Não se pode falar em um equivalente divino do que se concebe presentemente como “estado de justiça” meramente humano. Isso porque, com a evolução moral e intelectual do espírito, as ações praticadas nas coletividades também se aperfeiçoam a ponto de cessar qualquer condição, oportunidade ou circunstância para a injustiça. A lei de justiça entre os homens é incompleta porque deve ser substituída ou complementada por outra: a de amor e caridade. Para os homens dos dias de hoje, a meta maior é atingir um estado em cada um cumpra com suas obrigações legais, deixando de prejudicar os outros. Para a lei divina, a meta é o próprio aperfeiçoamento da justiça, o que só pode acontecer se, além de se respeitarem mutualmente, os homens passarem a se amar verdadeiramente. A aplicação da lei do amor e da caridade é ainda um capítulo recentemente aberto e, portanto, raramente reconhecido como uma necessidade dessa justiça maior. E no consiste esse amor?
Amar, no sentido profundo do termo, é o homem ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros o que queira que estes lhe façam; é procurar em torno de si o sentido íntimo de todas as dores que acabrunham seus irmãos, para suavizá-las; é considerar como sua a grande família humana, porque essa família todos a encontrareis, dentro de certo período, em mundos mais adiantados; e os Espíritos que a compõem são, como vós, filhos de Deus, marcados na fronte para se elevarem ao infinito. É por isso que não podeis recusar aos vossos irmãos o que Deus liberalmente vos outorgou, porquanto, de vossa parte, muito vos alegraria que vossos irmãos vos dessem aquilo de que necessitais. Para todos os sofrimentos, tende, pois, sempre uma palavra de esperança e de apoio, a fim de que sejais inteiramente amor e justiça. (Parágrafo 10 de “A Lei de Amor”, do Cap. XI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”)
Como lei universal, a lei de amor e caridade somente ela poderá transformar o mundo e sua justiça, porque deverá transformar cada indivíduo em um agente dessa justiça maior. Sem ela jamais será possível falar em estado de justiça verdadeiro, dado que cada um sempre agirá de acordo com seus próprios interesses e, fatalmente, o outro será prejudicado. E será sempre impossível ao Estado fiscalizar todas as ações humanas pelas razões que apresentamos acima. Para a lei humana, intensões e desejos maus, se não materializados em atos, não constituem crimes. Para a lei divina, uma má intensão, pensamento ou ato demonstra necessidade de correção sem o que é impossível ao indivíduo progredir em sua vida maior.
A incredulidade, o egoísmo e o cinismo poderão rir de nossas conclusões sobre as diferenças entre a justiça divina e a humana, considerando-as devaneios religiosos. Mas, felizmente, o incrédulo, o egoísta e o cínico morrerão milhares de vezes para renascer vezes sem conta a fim de aprender, no esquecimento, a lei de amor e caridade, que haverá de transformar a justiça humana para sempre.

 

Referências
A. Kardec. O Livro dos Espíritos, III Parte, Das leis morais, Cap. VIII. “Lei do progresso”.
A. Kardec. O Evangelho segundo o Espiritismo. Cap. XI, Instruções dos Espíritos: “A Lei de Amor”.

era do espírito

A Era do Espírito

 

Indubitavelmente vivemos a Era do Espírito. Os que tem olhos de ver e ouvidos de ouvir percebem claramente o espírito se derramando sobre toda a carne, como previu a própria Bíblia. O Espiritismo, embora não se dizendo o único caminho, e nem a única verdade, percebe mais claramente essa verdade, e antecipa de mais de um século o movimento Nova Era.
O Espiritismo tem uma força, um vigor extraordinário, e se lhe cerceiam a liberdade em algum lugar, ele contorna o obstáculo e aparece mais à frente.
Vejam o que escreveu Allan Kardec sobre a força do Espiritismo na Revista Espírita de novembro de 1861:
“A força do Espiritismo tem duas causas preponderantes. A primeira é a que torna felizes os que o conhecem, o compreendem e o praticam. Ora, como há muita gente infeliz, ele recruta um exército inumerável entre os que sofrem. Querem lhe tirar esse elemento de propagação? Que tornem os homens de tal modo felizes, moral e materialmente, que estes nada mais tenham a desejar, nem neste, nem no outro mundo. A segunda é que ele não repousa na cabeça de nenhum homem que possa ser derrubado; não tem um foco único que possa ser extinto; seu foco está em toda parte, porque em toda parte há médiuns que podem comunicar-se com os espíritos; não há família que não os possua em seu seio e que realizam essas palavras do Cristo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão e terão visões”.
Este pronunciamento feito em 1861 ainda é muito válido e nos mostra o caráter consolador e iluminador do Espiritismo. A felicidade é o objeto de procura constante da humanidade. O Espiritismo dá essa felicidade, mas não porque oferece bens e vitórias materiais, curas milagrosas, fenômenos chocantes que ensombram a razão, mas sim, porque revela ao homem a sua origem e seu destino. Ele não oferece riquezas, títulos, posses, mas conduz o homem para dentro de si mesmo.
Conhecendo o porquê da vida e a sua destinação, ele não torna o homem conformista, porém, tira-lhe a ansiedade e faz com que se desapegue das coisas materiais, para evoluir e conquistar as coisas transcendentais.
O espírita deixou de ser profano e místico para ser cósmico. Embora valendo-se das coisas do mundo, não se prende a elas, e fica livre para o seu vôo transcendental rumo às estrelas.
Embora a Doutrina seja dos espíritos, como afirmou Allan Kardec, ela é também humana, pois o próprio Kardec foi um dos seus elaboradores, e homens de bom senso, como Leon Denis, Delane, Geley, Bozzano, Carlos Imbassahy, Deolindo Amorim, Herculano Pires e muitos outros vem contribuindo para as formulações doutrinárias. Como disse o próprio Kardec, seu foco está por toda parte, porque, por toda parte existem médiuns e espíritos.
Temos grandes esperanças que o mundo entre pelos caminhos da paz, da justiça social, da solidariedade. O homem terá que perceber que precisa parar de destruir o meio-ambiente e canalizar as fortunas gastas em armamentos, para solucionar os graves problemas que afetam as nações pobres.
Guardemos a certeza de que, nos próximos anos, estaremos em plena construção de uma nova era de paz e realizações.

 

Autoria: Amilcar Del Chiaro Filho

o espírito

Ante a Era do Espírito

(Prefácio de Emmanuel)

Senhor Jesus!
Ante a Era do Espírito, clareia-nos a razão, a fim de compreendermos
a tua palavra em dimensões mais altas.
* * *
Agora que os homens erguem o facho da indagação, além dos
conhecimentos habituais, concede-nos os meios precisos para
caminhar com eles ao encontro da verdade em luz de amor que
lhes honorificará o futuro, segundo os teus ensinos.
* * *
A inteligência terrestre fixa hoje elevadas perspectivas na
conquista da Consciência Cósmica.
A cultura científica abre novas áreas de trabalho e perquirição.
A Psiquiatria, a Psicologia e a Análise examinam a vida extra-somática.
A Física Nuclear apresenta recursos destinados à elucidação
de muitas das ocorrências paranormais.
A Fotografia requinta processos de observação e consegue
deter imagens do corpo espiritual.
O motor encurta distâncias.
A Eletrônica altera a experiência comunitária e aperfeiçoa o
relacionamento entre os povos.
A Astronáutica cria engenhos que controlam a gravidade e
partem na direção de outros mundos.
* * *
Quando a era tecnológica exige consequentemente a Civilização do Espírito, ampara-nos o diálogo com os homens – nossos irmãos encarnados – de modo que nós todos, eles e nós, venhamos a responder construtivamente aos desafios dos tempos novos, sem que as pedras do exclusivismo, seja na Religião ou na Ciência, nos obstruam as sendas iluminadas à frente do progresso.
* * *
Livra-nos:
 da ignorância;
 do orgulho;
 do ilogismo;
 da divisão;
 do fanatismo;
 da vaidade;
 da intolerância;
 do ódio;
 do farisaísmo;
 da prepotência;
e consente, Senhor, que possamos humanizar-te as lições na Doutrina Espírita, a fim de que a imortalidade seja reconhecida na Terra, estabelecendo o teu reino de paz e amor nos homens, com os homens, pelos homens e para os homens, agora, hoje e sempre.

Assim seja.

Emmanuel – Uberaba, 21 de junho de 1973.

era do espírito

A NOVA ERA DO ESPÍRITO

Horizontes Espirituais

(Prefácio de J. Herculano Pires)
Céu e Terra se encontram no horizonte. Durante milênios os
homens acreditaram na realidade desse contato. Na Era Científica
essa realidade transformou-se em simples ilusão de ótica. Mas a
partir da Era Psicológica, aberta com as pesquisas espíritas de
Allan Kardec, tornou-se evidente para muitas criaturas a existência
real de uma linha divisória entre o finito e infinito. O horizonte
seria, assim, um dos muitos signos naturais que Deus semeou
na Terra para alertar os homens quanto à Realidade Maior que os
nossos sentidos físicos não percebem.
Na Era do Espírito, que agora se inicia, com o desenvolvimento
do Espiritismo arrastando a Psicologia além de si mesma, os
horizontes espirituais se abrem em todas as direções, desde o finito
do átomo até o infinito das galáxias. O mistério dos vírus desafia
a pesquisa biológica, traçando o horizonte da vida entre a matéria
orgânica e a inorgânica; a descoberta da antimatéria revela a
fímbria invisível no seio do próprio átomo; a investigação psicossomática
acentua as linhas de contato entre espírito e corpo;
eclosão mediúnica torna palpável a linha vibratória entre duas
humanidades, a visível e a invisível; a descoberta do corpo bioplástico
está liquidando as últimas esperanças do materialismo
soviético; as conquistas da Astronáutica deram-nos a imagem
viva da Terra azul engastada no Infinito; e a vitória da Parapsicologia
referendou, no veredicto das estatísticas, através do método
quantitativo de pesquisas, as perspectivas abertas pelo Espiritismo
em meados do século passado.
Diante dos múltiplos horizontes espirituais da atualidade, que
os dedos de todos os tomés podem tocar na realidade positiva das
Ciências, este novo livro mediúnico de Francisco Cândido Xavier
aparece como a continuidade natural de um trabalho paciente.
Desde a publicação de O Livro dos Espíritos, em 1857, a bibliografia
espírita vem se desenvolvendo na Terra com a naturalidade
dos trigais. Muito joio foi semeado na seara, mas o bom trigo continuou
a germinar por todo o mundo. Ervas e aves malignas tentaram destruí-la,
pragas numerosas a atacaram, mas os bons lavradores
continuaram a semear e a cultivar o bom trigo. Chico Xavier
tem sido um dos mais persistentes e este livro é mais uma prova
disso. De Pedro Leopoldo a Uberaba a sua rota é marcada por
mais de cento e vinte obras psicografadas que atingiram um total
de mais de três milhões de exemplares em nosso país, além das
várias traduções na Europa e na América do Norte. Mais de quinhentos
autores espirituais assinam esses textos, muitos deles
sendo figuras exponenciais das nossas letras.
Esses autores se
identificam de maneira evidente pelo estilo e a temática, e em
vários casos a identificação pôde ser comprovada também pela
caligrafia e pela assinatura, além de particulares motivos de identificação
em suas formas de apresentação ao médium, de episó-
dios desconhecidos de suas vidas revelados em conversações mediúnicas
com ele.
Neste volume há diversos casos dessa natureza, que procuramos
acentuar em nossos comentários. Com mais de sessenta anos
de idade e mais de quarenta anos de atividade psicográfica intensiva,
contando-se por milhares as mensagens particulares que não
figuram em livros, Chico Xavier vem cumprindo a sua missão
com inexcedível paciência evangélica.
Os tempos mudaram nestes
últimos vinte e cinco anos, e Chico Xavier é hoje uma personalidade
mediúnica reconhecida e admirada no Brasil e no mundo,
consagrada por homenagens oficiais que lhe vêm sendo prestadas
por casas legislativas de todo o país. Mas antes disso o seu
trabalho se desenvolveu sob apupos e calúnias, ameaças e perseguições.
Num período e noutro o seu ânimo não se modificou, a
sua paciência não se alterou, a sua firmeza não revelou jamais o
menor abalo, a sua linha de conduta espírita não se quebrou. Naturalidade
no cumprimento dos deveres mediúnicos, paciência
cristã na aceitação do martírio e da glória. E tudo isso sob o signo
do desinteresse, da abnegação perfeita, doando sistematicamente
os direitos autorais de toda a sua obra a instituições espíritas beneficentes,
sem delas auferir o menor proveito.
Chico Xavier é também, como homem, como vivência, como
exemplo, um dos horizontes espirituais que marcam a Era do Espírito.
É o protótipo do homem novo, é o interexistente, como
réplica viva ao conceito do existente criado pelas Filosofias da
Existência, ou seja, pelo Existencialismo. Existindo simultaneamente
em dois mundos, ele traça com a sua vida a linha divisória
entre as fases anteriores da evolução humana e a Era do Espírito.
A nova humanidade terrena começa com Chico Xavier em terras
brasileiras, confirmando a assertiva de que o Brasil é o coração do
novo mundo que alvorece no planeta, a nova pátria do Evangelho
em espírito e verdade.
J. Herculano Pires
São Paulo, 21 junho de 1973.
* * *

O ESPIRITISMO LUZ

Luz para todos

(Emmanuel)

Estariam os princípios espíritas endereçados à segregação para
uso exclusivo daqueles irmãos que carregam provas visíveis
no plano material?
Encontramos, com frequência, na Terra quem suponha deva
ser a Nova Revelação limitada ao trabalho em favor dos que sofrem
a penúria do corpo, sob pena de perder a própria simplicidade.
Entretanto, a fulguração solar será menos luz quando clareia
o recôncavo de um vale e o topo de um arranha-céu ao mesmo
tempo? E, acaso, a fonte se diminuirá em grandeza por deixar-se
canalizar em serviço à cidade grande, após haver saciado a sede
aos lares do campo?
* * *
Decerto, a mensagem da Vida Maior tem significação mais
imediata em auxílio a quantos se vejam no mundo em dificuldades
abertas, seja no chão das exigências primárias da natureza ou
na sombra das grandes tribulações em que a inconformidade os
compele a se tornarem francamente infelizes. Imperioso, porém,
pensar naqueles outros companheiros da humanidade que a vida
situou em outros setores.
Não é a face externa da criatura que lhe determina o grau da
necessidade espiritual.
Dói-nos ver as mãos que se nos estendem nas ruas, à cata de
pão; no entanto, será justo, igualmente, compreender os obstáculos
daqueles que se esfalfam em serviço para que haja pão, tanto
quanto possível, à mesa de todos.
Aflige-nos registrar os empeços do amigo em profissão singela,
cujo salário não lhe satisfaz a todos os requisitos da vida simples,
mas não nos será lícito esquecer os óbices daqueles que se
atormentam na orientação da oficina para que o trabalho não se
perturbe ou escasseie.
Magoa-nos surpreender irmãos diversos, acomodados nos palheiros
humildes que lhes servem de residência; contudo, não
podemos desconhecer os impedimentos daqueles outros que encanecem
nas administrações, construindo caminhos ao progresso
e traçando horizontes ao reconforto geral.
Sensibiliza-nos o martírio das mães que vagueiam nas vias
públicas à busca de socorro para filhinhos padecentes; entretanto,
seria injusto desconsiderar o sofrimento daquelas outras que
se aniquilam, pouco a pouco, dentro de casa, em posição de incessante
sacrifício, para sustentarem os descendentes, de modo a
que a dignidade humana possa honrosamente sobreviver.
* * *
Reflitamos no conjunto dos problemas humanos e a ninguém
deserdemos da verdade e do amor, de vez que em qualquer situa-
ção pertencemos todos a Deus e, segundo as nossas necessidades,
é natural que Deus nos atenda a cada um.

ERA DO ESPÍRITO

 

O homem no mundo

(J. Herculano Pires)

LUZ

O Espiritismo é um processo de integração do homem no
mundo e não de fuga. Todas as formas de isolamento social e de
segregação religiosa são condenadas pela doutrina. Os resíduos
do sectarismo religioso, alimentados em várias encarnações,
permanecem ainda bastante ativos em alguns adeptos, fazendoos
sonhar com um isolacionismo sectário que atenta contra a
própria essência dos ensinos espíritas. É o fermento velho a que
se referiu Jesus, como vemos no Evangelho.
O Cristianismo teve de enfrentar esse mesmo problema em
seu desenvolvimento. E, apesar da vitória das correntes cristãs
mais ativas, não foi possível evitar-se a criação de ordens e congregações
dedicadas à vida contemplativa, empenhadas na fuga
ao mundo para o encontro com Deus. Essa tendência à fuga é
característica das religiões orientais. Basta compararmos a vida
contemplativa e os ensinos disciplinares de Buda com a vida
ativa e os ensinos morais do Cristo, para vermos a diferença entre
o espírito oriental e o espírito ocidental nas religiões.
Na mensagem intitulada “O homem no mundo”, constante do
capítulo XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos
o seguinte trecho: “Não penseis que, ao vos exortar à
prece e à evocação mental, queiramos levar-vos a viver uma vida
mística que vos mantenha fora das leis da sociedade. Não. Vivei
com os homens do vosso tempo, como devem viver os homens.
Sacrificai-vos às necessidades e até mesmo às frivolidades de
cada dia, mas fazei-o com o sentimento de pureza que as possa
purificar”. E no capítulo “A Lei de Sociedade”, de O Livro dos
Espíritos, a afirmação é taxativa: “Os homens são feitos para
viver em sociedade”.
Os médiuns e doutrinadores espíritas têm uma missão eminentemente
social. Para bem cumprir essa missão devem servir-se
de todos os meios, os mais eficientes possíveis, de divulgação
da doutrina.
E foi o próprio Jesus quem ensinou que não devemos 
esconder a lâmpada embaixo da cama,
mas colocá-la no  alto, para que ilumine a todos.

A ERA DO ESPÍRITO DE JESUS