O ALICERCE DO CÉU

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CÉU E INFERNO

Dentro da visão espírita-cristã, céu, inferno
e purgatório começam dentro de nós mesmos.
A alegria do bem praticado é o alicerce do céu.
A má intenção já é um piso para o purgatório
e o mal devidamente efetuado, positivado,
já é o remorso que é o princípio do inferno.

Emmanuel/Chico Xavier

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Nos Limites do Céu

 

No extremo limite da Terra com o Céu, aportou um peregrino envolto em nevado manto. Irradiava pureza e brandura. A fronte denunciava-lhe a nobreza pelos raios diamantinos que emitia em todas as direções. Extenso halo de luz assinalava-lhe a presença.
Recebido pela entidade angélica, que presidia à importante passagem, apresentou sua aspiração máxima: ingressar definitivamente no paraíso, gozar-lhe o descanso beatífico.
O divino funcionário, embora admirado e reverente perante espírito tão puro, esboçou o gesto de quem notava alguma falha menos visível ao olhar inexperiente e considerou:
– Meu irmão, rendo homenagem à alvura de tuas vestes, entretanto, vejamos se já adquiriste a virtude perfeita.
Sorridente, feliz, o viajor vitorioso pôs-se à escuta.
– Conseguiste entesourar o amor sublime? perguntou o anjo, respeitoso.
– Graças a Deus! – informou o interpelado.
– Edificaste a humildade?
– Sim.
– Guardaste a esperança fiel? – Todos os dias.
– Seguiste o bem?
– Invariavelmente.
– Cultivaste e pureza?
– Com zelo extremado.
– Exemplificaste o trabalho construtivo?
– Diariamente.
– Sustentaste e fé?
– Confiei no Divino Poder, acima de tudo.
– Ensinaste a verdade e testemunhaste-a?
– Com todas as minhas forças.
– Conservaste a paciência?
– Sem perdê-la jamais.
– Combateste os vícios em ti mesmo, tais como a vaidade e o orgulho, o egoísmo e o ciúme, a teimosia e a discórdia?
– Esmeradamente.
– Guerreaste os males que assolam a vida, como sejam o ódio e a perversidade, a insensatez e a ignorância, a brutalidade e a estupidez?
– Sempre.
O anjo interrompeu-se, refletiu longos minutos, como se estivesse em face de grave enigma, e indagou:
– Meu amigo, já trabalhaste no inferno?
– Ah! isto não! – respondeu o peregrino, escandalizado. – Como haveria de ser?
O fiscal da celeste alfândega sorriu, a seu turno, e observou:
– Falta-te semelhante realização para subir mais alto.
– Oh! que contra-senso! – aventurou o interessado – como servir entre gênios satânicos, de olhos conturbados pela permanente malícia, de ouvidos atormentado pela gritaria, de mãos atadas pelos impedimentos do mal soberano, de pés cambaleantes sabre o terreno inseguro, com todas as potências da alma perturbadas pelas tentações?
– Sim – meu amigo – acentuou o preposto divino – o bem é para salvar o mal, o amor foi criado para que amemos, a sabedoria se destina em primeiro lugar, ao ignorante. A maior missão da virtude é eliminar o vício e amparar o viciado.
E, perante o assombro do ouvinte, rematou:
– Torne à Terra, desce ao inferno que o homem criou e serve ao Senhor Supremo, voltando depois… Então, cogitaremos da travessia. Lembra-te de que o Sol, situado cerca de cento e cinqüenta milhões de quilômetros além do teu mundo, larga raios luminosos e salvadores ao mais profundo abismo planetário…
Em seguida, o controlador da Porta Celestial cerrou a passagem ligeiramente entreaberta e o peregrino, de capa lirial, espantadiço e desapontado, sentou-se um pouco, a fim de meditar sobre as conquistas que havia feito.
XAVIER, Francisco Cândido. Luz Acima. Pelo Espírito Irmão X. FEB.

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