Dores Cada Um Tem as Suas

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Dores, cada um tem as suas…

 
” Dores, cada um tem as suas. Mas o que nos faz cultivá-las por décadas?
Creio que nos apegamos com desespero a elas por não ter o que colocar no lugar, caso a dor se vá.
E então se fica ruminando, alimentando a própria “má sorte”, num processo de vitimização que chega ao nível do absurdo. Por que fazemos isso conosco?

Amadurecer talvez seja descobrir que sofrer algumas perdas é inevitável, mas que não precisamos nos agarrar à dor para justificar nossa existência.”

Martha Medeiros

A BUSCA DO DIAMANTE SAGRADO

 
Há muitos séculos atrás, havia um homem que possuía um diamante extremamente precioso, que para ele era muito sagrado. Era um diamante belíssimo, de inestimável valor, que estava há várias gerações em sua família.
Certo dia, ele acordou e foi procurar o diamante, mas não o encontrou. Procurou em todos os cantos da casa, mas nada do diamante aparecer. Sua filha disse que alguém poderia ter entrado na casa à noite e roubado a pedra preciosa. O homem então decidiu sair e procurar o diamante em todos os lugares. Começou procurando em seu vilarejo, mas não encontrou. Saiu do vilarejo e foi buscar em outras regiões. Procurou muito, conversou com centenas de pessoas, ofereceu recompensas para quem o ajudasse, entrou na casa de alguns suspeitos, observou tudo e todos… mas não consegui encontrar.
Resolveu então que deveria viajar pelo mundo em busca do diamante. Viajou por vários dias, semanas, meses… Não encontrou. Percorreu regiões muito remotas da Terra, foi em países muito distantes, com diferentes línguas, outros costumes, conheceu milhões de pessoas diferentes, saboreou a comida dos recantos mais escondidos do mundo, mas não encontrou o seu diamante.
Deu a volta ao mundo e, sem sucesso, regressou a sua casa, desistindo de procurar o precioso diamante. Lá chegando, quis muito descansar. Tirou sua roupa… e para sua total surpresa, estarrecido percebeu que o diamante estava preso a um colar dentro de uma caixinha, que havia colocado em seu pescoço, mas esqueceu que ele mesmo o havia colocado lá.
O ser humano costuma perder sua vida buscando milhares de coisas, percorrendo o mundo para saciar seus desejos e sonhos, sem desconfiar que o diamante sagrado que ele tanto procura está nele mesmo. As pessoas buscam casar, ter filhos, ganhar dinheiro, ter saúde, ter os melhores cargos, boa reputação, elogios, prazer, conforto, estabilidade, tudo isso para encontrarem seu precioso diamante da paz e da felicidade. No entanto, a felicidade, a paz, o amor, a harmonia e todas as alegrias e bem-aventuranças que sonhamos e buscamos já estão aqui conosco, lá no fundo, escondidas em nosso interior… não estão fora de nós, mas estão dentro de nós… em todos os lugares e em lugar nenhum. Quanto tempo mais você vai perder percorrendo os quatro cantos do mundo procurando pelo “diamante” que já está com você?
O mesmo ocorre com a busca por Deus. Os homens buscam a Deus em todos os lugares, percorrem o mundo inteiro em busca do divino, mas não desconfiam que Deus está presente neles a todo momento. Não se pode buscar alguma coisa que já está conosco sempre, agora… e eternamente. Buscar algo pressupõe que haja algo fora que precisa ser encontrado. Mas se Deus está em todos os lugares e em nós mesmos a todo momento, qual o sentido da busca? O ponto de saída do início da busca é o mesmo ponto de chegada, o alfa e o ômega possuem a mesma essência. Quando desistimos de toda busca, não apenas por Deus, mas por qualquer coisa, só então encontramos o infinito e o eterno em nossa vida. Toda a riqueza inesgotável do divino está ao seu alcance, aqui e agora, nesse momento, na mais profunda simplicidade e naturalidade, para todo o sempre.
Basta abrir os olhos e se libertar desse sono da ilusão do mundo.
Hugo Lapa

Dissensão

Medra com facilidade por encontrar os elementos que lhe facultam o enriquecimento da vitalidade, multiplicando dissabores e contribuindo para a destruição dos mais elevados ideais.
A princípio tem o aspecto de melindre insano e logo se transforma em agastamento fomentador de inimigos cruéis e acirrados do espírito humano. Suas raízes, no entanto, se cravam com vigor no “eu” enfermo criador de condicionamentos infelizes, teimando por impor as diretrizes que acredita serem as melhores, porque partidas do seu querer.
Infelizmente, em todos os setores das atividades humanas, ocorrem dissensões e debates, alguns dos quais se fazem fatores de ordem e evolução.
Dissentir, porém, não é separar. Discordar de opinião, não significa provocar querela ou balbúrdia, divisão ou anarquia.
É lamentável considerar que a dissensão campeia porque os elementos constitutivos do grupo social se caracterizam por qualidades que supõem possuir mas que não se esforçam sequer por conquistar.
A maioria se acredita formada de “campeões da humildade”; grande parte se pressupõe “azes do dever retamente cumprido”; excessiva massa se nomeia como “líder do trabalho”, no entanto, raros desejam ser apenas “servidor”, o melhor título que se pode disputar, considerando que o Mestre Jesus outra coisa não fez que se tornar o servidor de todos por excelência.
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Diante dos dissidentes contumazes e dos que se adornam de melindres – enfermos habituais carecentes de compaixão por se alimentarem de venenos destruidores – mantém a serenidade e não te agastes com eles. Esquecem-se do “lado bom” que possuem e se aferram à natureza inferior que neles predomina. tornando-se algozes impiedosos de si mesmos.
Estão sempre contra.
Cultivam o amor próprio com esmero.
Uns ofendem com facilidade e se arrependem com precipitação. Outros se agarram aos revides que receberam e se pretextam no que lhes disseram, esquecidos do que disseram, para fugir espetacularmente ao serviço encetado.
Não vês com eles, nem os sigas mentalmente sequer. Aprenderão amanhã ou mais tarde com a vida ou por si próprios.
Quase sempre são falazes, inconvenientes. Ameaçam “tudo contar” e mentem, refugiando-Se na própria alucinação como se justificando o desequilíbrio que os aflige.
Dissensões – sempre houve, em todos os campos e por muito tempo as haverá.
Sê tu cordato, não, porém, subserviente; humilde, contudo, não vulgar; bondoso, sem a preocupação de conquistar afeição por esse meio. A amizade é o salário honroso que os socorridos podem tributar aos seus benfeitores. Se são ingratos, não poderás receber nem esperar outra coisa senão o ultraje.
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Considerar as dores que afligiam o Amigo Divino, ante as dissensões que dividiam os que o acompanhavam; escutar as querelas miúdas dos que disputavam a Terra, enquanto Ele, ao lado, ensinava o Reino; sentir os ciúmes mórbidos do desamor que apenas desejava aparecer, embora ele se apagasse para apresentar o Pai; atender aos exploradores que desejavam utilizar-se dos Seus recursos; conhecer as imperfeições dos companheiros convidados e, no entanto, amá-los, estimulando-os pelo lado bom de modo a se levantarem da inferioridade em que se compraziam para ascenderem aos cimos da paz que ele oferecia. Assim, também encontrarás no teu caminho as dissensões e fugas ao dever. Quem não puder seguir contigo, não poderás exigi-lo. Ajuda, portanto, e passa, prosseguindo no rumo da paz, apesar de todas as dissensões e ofensas que te chegarem na tarefa maior da tua redenção.
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“Havia dissensão entre eles”. João: capítulo 9º, versículo 16.
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“A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e provas, razão porque aí vive o homem a braços com tantas misérias”. Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo 3º – Item 4.
FRANCO, Divaldo Pereira. Florações Evangélicas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 10.

Nas Dores e Rudes Provações

“169. É invariável o número das encarnações para todos os Espíritos?
“Não; aquele que caminha depressa, a muitas provas se forra. Todavia, as encarnações sucessivas são sempre muito numerosas, porquanto o progresso é quase infinito.” O LIVRO DOS ESPÍRITOS
Levanta o espírito combalido e avança na direção do bem que te convida à felicidade.
Quantos se demoraram no exame dos insucessos, recolhendo reproche e coletando amarguras, estão na retaguarda, em dolorosas lamentações.
Aqueles que colocaram a lâmina cortante da intriga e da suspeita no coração, receosos de movimentos libertadores, continuam temerosos entre os que ficaram para trás.
Todos os que fizeram libações perigosas na taça do medo, encontram-se narcotizados, sem força para reagirem contra o mal, para seguirem intimoratos na direção da verdade.
Muitos que se ligaram à hipnose perturbadora da impiedade, que medra em vigorosas mentes desencarnadas, acumpliciaram-se com as hordas selvagens do Além-Túmulo, sucumbindo, inermes, sob tenazes rudes.
O medo como o arrependimento são ópio nefasto para a alma.
Como a censura é carro de cinza e lama, a tristeza e a taciturnidade são nimbos compactos ante o claro sol, dificultando a expansão da luz.
Não permitas que a névoa do cansaço ou a noite do desencanto povoem o país da tua alma com fantasmas que se desintegram ao contato da verdade.
Não os vitalizes, não os agasalhes.
O cristão decidido está entregue a Jesus, n’Ele confia, a Ele se dá. E se a dificuldade teima em persegui-lo, como se tomasse corpo e movimento, ele se arma com a oração e o amor, e avança.
Se a desordem reina, ele faz-se o equilíbrio de todos.
Se a dor impera, ele é a esperança de saúde para todos.
Se o desespero cresce ele é o porto de segurança onde todos se encontram.
Se o mal, em qualquer manifestação reponta, ele é o bem em representação atuante e vigorosa, ajudando e confiando sem temor nem cansaço até o fim.
Não te deixes, portanto, abater, nunca. Lembra-te de que Jesus, podendo ter vivido cercado de bajuladores e comparsas, guindado às altas esferas do mundo entre prazeres e facéias, no gozo ilusório do imediatismo carnal, escolheu os recintos onde se demorava a dor, e para companheiros homens simples e corações problematizados, amigos atormentados e perseguidos, perseguido Ele mesmo, para logo depois de julgamento arbitrário e cárcere humilhante, seguidos de ignominiosa crucificação e obscura morte, alçar-se às excelsas planuras da Imortalidade, vitorioso e sublime, continuando a esperar por nós, pelos séculos sem-fim, nos infinitos caminhos do tempo.
FRANCO, Divaldo Pereira. Espírito e Vida. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL.

Teoria e prática

O conhecimento liberta da ignorância.
Todavia, somente a sua aplicação liberta do sofrimento.
Há uma expressiva diferença entre a teoria e a prática, em todos os segmentos da Humanidade.
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A teoria ensina. Porém, a prática afere-lhe o valor.
Não basta saber. É imprescindível utilizar o que se conhece.
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O conhecimento, em verdade, amplia os horizontes do entendimento. Não obstante, a sua aplicação alarga as paisagens da vida.
A mente conhecedora deve movimentar as mãos no uso desses valiosos recursos.
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O conhecimento de importância é aquele que pode mover essas conquistas em favor do bem do seu possuidor, assim como do meio social onde este se encontra.
Nula é a informação que não produz bênçãos, nem multiplica as disposições da pessoa para a ação útil.
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Conhecendo, saberás que a tua renúncia auxilia a comunidade, sem que esperes a abnegação dos outros a teu benefício.
O conhecimento superior estimula à imediata atividade.
Acumular informações sem finalidade prática, transforma-se em erudição egoísta, que trabalha em benefício da presunção.
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Tens a obrigação de conhecer para viver. Simultaneamente, deves viver praticando os salutares esclarecimentos que armazenas, contribuindo para uma existência realizadora, humana e feliz.
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Quando leias, exercita a praticidade do contributo cultural que assimilas.
O tempo urge, e as oportunidades de aplicação constituem tuas chances de progresso como de paz.
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Conta-se que célebre monge budista, estudando algumas suras, descobriu que se não devia utilizar da pele de animais para conforto pessoal.
De imediato, levantou-se do catre e dali retirou o couro de um urso que lhe servia de apoio macio sobre as ripas da enxerga áspera.
Prosseguindo a leitura, porém, encontrou assinalado que, no entanto, se poderia usar a pele dos animais, quando se estivesse enfermo, esquálido ou envelhecido, a fim de ter diminuídas as penas e dores.
Ato contínuo, tomou da mesma com respeito, colocou-a no lugar de onde a retirara, sentou-se sobre ela e continuou a ler…
Conhecimento que se não transforma em utilidade, pode ser qual “sepulcro caiado por fora”, ocultando vermina e morte por dentro, responsáveis pelo bafio do orgulho e da ostentação.
FRANCO, Divaldo Pereira. Momentos de Felicidade. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 4.ed. LEAL, 2011. Capítulo 17.

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