A HUMANIDADE DEPOIS DE JESUS SOB A VISÃO DO AMOR

 

A HUMANIDADE DEPOIS DE JESUS SOB A VISÃO DO AMOR.

OBRA:
MEDIUNIDADE, DESAFIOS E BÊNÇÃOS (MANOEL P.MIRANDA)

COMENTÁRIO:
O estudo de hoje, é um relato quase poético que traz uma beleza poucas vezes vista, sobre o abandono que o amor sentiu após a passagem iluminada de Jesus sobre a terra.
O amor que houvera sonhado conquistar as almas humanas com as sublimes lições do Cristo,percebeu que a alma humana ainda dormiria por muito tempo na escuridão da indiferença.
Não deixem de ler amigos ! este texto é uma massagem de luz em nossos espíritos aprendizes.

fé viva pessoal andré luiz

TEXTO:
Quando o amor exausto, após a jornada cansativa pelos séculos, parou para proceder a um balanço das atividades desenvolvidas, constatou, entristecido, que após tantos e incessantes labores, poucos resultados positivos apresentavam as suas lides edificantes. O ser humano continuava odiando o outro, a fé religiosa promovia hecatombes e até mesmo a fraternidade, que se iniciara entre os filósofos como um grande ideal, transformara-se em expressivos caudais de sangue…
Em face das conjunturas e conclusões, não se pôde furtar às lágrimas abundantes que passou a verter, emocionadamente, dominado pela tristeza. Súbita aflição desencadeou-se-lhe no íntimo, e sem mais poder dominar a emoção, permaneceu em pranto, como decorrência do acurado exame retrospectivo das suas realizações. Desde a partida do Nazareno, brando e gentil, no cimo da cruz, saíra solitário pelos caminhos, recolhendo os desertores e os amedrontados discípulos, mantendo colóquios e usando a voz da saudade em evocações inesquecíveis das Suas lições.
Recordou-lhes os ensinos renovadores ouvidos junto às águas plácidas do mar da Galileia, em tardes e noites incomparáveis, sob as claridades do Sol ou o lucilar das estrelas, ou ainda nas louras manhãs adornadas de luz…
Reunira-os, concitando todos para a preparação da seara a que Ele se referira inúmeras vezes. Posteriormente, na inolvidável região Galileia, antes do crepúsculo, estivera na multidão agônica, despedindo-se também do Amigo incomum, disposto a ficar entre os homens e mulheres para dar continuidade às labutas ásperas do cotidiano das existências.
Desde então, palmilhara sendas difíceis, assinaladas por impedimentos de toda ordem, nunca se permitindo esfriar a ardente devoção pelas almas, cujas lágrimas enxugava, falando-lhes a linguagem do perdão, e a todos os perseguidos que clamavam por desforço ou justiça…
Durante três sucessivos séculos de intermináveis martírios para os seguidores do Crucificado, disfarçara-se, ora como tolerância que entende, noutros momentos como esperança que abençoa, como alegria que se exalta em perder, se disso depender a felicidade de outrem, sempre em forma de fraternidade que edifica…
Vencera desenfreadas refregas e nunca, uma vez sequer, desanimara nos objetivos essenciais, ante os campos juncados dos cadáveres daqueles abnegados servidores da fé, dos tutelados do seu programa, encarregados de alargar os céus do entendimento humano. Acompanhara a mensagem do Carpinteiro incompreendido liberar-se da arena sangrenta para galgar as escadarias palacianas, seguindo ao seu lado, fazendo parte do cortejo que então se adornava de pompa e de poder, sem que, todavia, fosse notado pelos exaltados triunfadores do momento…
Acompanhara homens verdadeiros e, lamentavelmente, depois das suas grandes vitórias nas aventuras políticas, fora expulso dos domínios conquistados, voltando a caminhar pelos escusos antros entre sombras atormentadas, tentando falar-lhes, mas aguardando a hora de poder retornar ao seu convívio… Na solidão a que fora relegado, longe do ouro e do luxo, somente de quando em quando podia visitar os tronos e falar aos tiranos, oculto nas vestes de artistas incompreendidos, desbravadores perseguidos e fiéis servidores da mensagem imortal, à hora dos julgamentos arbitrários e das mortes triunfantes, usando a linguagem silenciosa do heroísmo.
Sempre usara a voz da discrição aos homens arrebatados antes das guerras de religião, evocando o Pacificador esquecido, inutilmente, e quando conseguira ensejo, não lograra pronunciar mais do que expressões ligeiras em balbucios de alento e de olvido ao mal, junto aos ouvidos dos atormentados na fronteira da morte, banhados de suor e de lágrimas…
Nos movimentos de restauração da fé entre pensadores avançados correra pressuroso, mas logo verificara que a ardência do entusiasmo e a força dos cismas logo se transformavam em guerras fratricidas e em assassinatos legais, oferecendo seus recursos aos incinerados nas fogueiras e trucidados nos postes de martírio… Sem receio, deixara-se içar com as velas dos descobridores audaciosos em mares bravios e desconhecidos, visitando terras novas, carregando com renovado esforço e entusiasmo os tesouros das possibilidades de disseminar o afeto entre todos os povos recém-conquistados…
Todavia, em breve, sentira-se incompreendido, uma vez mais, quando o látego, em nome da civilização, lapidava os dorsos nus dos que foram feitos escravos sob o beneplácito da Lei e a proteção da cruz em que perecera o Todo misericordioso… Apesar disso, falara aos seres submissos, animando-os na inquietação e consolando-os na profunda saudade das longes pátrias e distantes famílias, voltando suas esperanças para o futuro, e dilatando-as, quando as lágrimas dos seus olhos cativos emocionavam os livres… (…) Olhando para trás só havia escombros e, entre ruínas, umas raras florações do seu hilário cantado pelo Poeta da vida no mandamento maior, derramando perfume alentador.
Aturdido ao peso de tantos desencantos, o amor prosseguiu chorando e, com a voz embargada, suplicou ao Compassivo coração atendimento ao seu relatório e urgente socorro, a fim de que o empreendimento que lhe fora confiado não descambasse para a morte e o esquecimento. Após demorada meditação entre anseios e preces, o amor escutou a voz inolvidável, como se retornasse do silêncio dos séculos a falar-lhe confiante e bondosa:
( Dar-te-ei alguém que de agora em diante cobrirá tuas
pegadas, por onde quer que vás, com o perfume da minha
ternura. Estará ao teu lado em todas as investiduras novas e falará
no teu silêncio com a poderosa voz da ação realizadora. Jamais
tornarás pelas sendas do serviço a sós. )
Calou-se a voz sublime.
Foi então que o amor, erguendo-se, fitou o céu… Dourado raio luminoso rasgou as distâncias e modelou no ar um flamejante coração que, após graciosos movimentos, desceu, fundindo-se no seu coração. Começava ali uma era nova para a fé. O Consolador abria agora a cortina de um novo mundo, inaugurando o reinado anunciado por Jesus-Cristo e, quando as trombetas anunciaram os tempos chegados, Allan Kardec, o escolhido pelo Mestre Jesus, colocava como enunciado máximo da doutrina que em breve iria iluminar a Terra, o grandioso mandamento: “Fora da Caridade não há salvação.” E hoje, em todo lugar onde brilha a luz clara e bendita do Espiritismo, encontramos o amor e a caridade, unidos, construindo o mundo cristão.
MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA
CONHEÇA A LITERATURA ESPÍRITA

A fé viva não é patrimônio transferível. É conquista pessoal.
André Luiz

Jesus e a Humanidade

Jesus-Homem é a lição de vida que haurimos no Evangelho como convite ao homem que se deve deificar. Não havendo criado qualquer doutrina ou sistema, Jesus tornou a Sua vida o modelo para que o homem se pudesse humanizar, adquirindo a expressão superior.
No Seu tempo, e ainda agora, o homem tem sido símbolo de violência, prepotência e presunção, dominador exterior, estorcegando-se, porém, na sua fragilidade, nos seus conflitos e perecibilidade.
Após os Seus exemplos surgiu um diferente homem: humilde, simples, submisso e forte na sua perenidade espiritual. Enquanto os grandes pensadores de todos os tempos estabeleceram métodos e sistemas de doutrinas, Ele sustentou, no amor, os pilotis da ética humanizada para a felicidade.
Não se utilizou de sofismas, nem de silogismos, jamais aplicando comportamentos excêntricos ou fórmulas complexas que exigissem altos níveis de inteligência ou de astúcia. Tudo aquilo a que se referiu é conhecido, embora as roupagens novas que o revestem.
Utilizou-se de um insignificante grão de mostarda, para lecionar sobre a fé; recorreu a redes de pesca e a peixes, para deixar imperecíveis exemplos de trabalho; a semente caindo em diferentes tipos de solos, para demonstrar a diversidade de sentimentos humanos ante o pólen de luz da Sua palavra.
O “Sermão da montanha” inverteu o convencional e aceito sem discussão, exaltando a vítima inocente ao invés do triunfador arbitrário; o esfaimado de justiça, de amor e de verdade, em desconsideração pelo farto e ocioso, dilapidador dos dons da vida.
Jesus é a personagem histórica mais identificada com o homem e com a humanidade. Todo o Seu ministério é feito de humanização, erguendo o ser do instinto para a razão e daí para a angelitude. Igualmente, é o Homem que mais se identifica com Deus.
Nunca se Lhe refere como se estivesse distante, ou fosse desconhecido, ou temível.
Apresenta-O em forma de Amor, amável e conhecido, próximo das necessidades humanas, compassivo e amigo. Reformula o conceito mosaico e atualiza-o em termos de conquista possível, aproximando os homens dEle pela razão simples de Ele estar sempre próximo dos indivíduos que se recusam a doar-se-Lhe em amor.
Referindo-se ao “reino”, não o adorna de quimeras nem o torna pavoroso; antes, desperta nos corações o anelo de consegui-lo na realidade da transcendência de que se reveste. Nega o mundo, sem o maldizer, abençoando-o nas maravilhosas paisagens nas quais atende a dor, e deixa-se mergulhar em meditações profundas sob o faiscar das estrelas luminosas do Infinito. Jesus, na humanidade, significa a luz que a aquece e a clareia. Se te deixaste fossilizar por doutrinas ortodoxas que pretendem nEle ter o seu fundador, renasce e busca-O, na multidão ou no silêncio da reflexão, fazendo uma nova leitura das Suas palavras, despidas das interpretações forjadas.
Se te decepcionaste com aqueles que se dizem seguidores d’Ele, mas não Lhe vivem os exemplos, olvida-os, seguindo-O na simplicidade dos convites que Ele te endereça até agora e estão no conteúdo das Suas mensagens, ainda avivas quão ignoradas. Se não Lhe sentiste o calor, rompe o frio da tua indiferença e faze-te um pouco imparcial, sem reações adrede estabelecidas, facultando-Lhe penetrar-te o coração e a mente.
Na tua condição humana necessitas dEle, a fim de cresceres, saindo dos eus limites para o infinito do Seu amor. Jesus veio ao homem para humanizá-lo, sem dúvida.
Cabe-te, agora, esquecer por momentos das tuas pequenezes e recebê-Lo, assim cristificando-te, no logro da tua realização plena e total.
FRANCO, Divaldo Pereira. Jesus e Atualidade. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Pensamento.

A Realeza de Jesus

Que não é deste mundo o reino de Jesus todos compreendem, mas, também na Terra não terá ele uma realeza? Nem sempre o título de rei implica o exercício do poder temporal. Dá-se esse título, por unânime consenso, a todo aquele que, pelo seu gênio, ascende à primeira plana numa ordem de idéias quaisquer, a todo aquele que domina o seu século e influi sobre o progresso da Humanidade. E nesse sentido que se costuma dizer: o rei ou príncipe dos filósofos, dos artistas, dos poetas, dos escritores, etc. Essa realeza, oriunda do mérito pessoal, consagrada pela posteridade, não revela, muitas vezes, preponderância bem maior do que a que cinge a coroa real? Imperecível é a primeira, enquanto esta outra é joguete das vicissitudes; as gerações que se sucedem à primeira sempre a bendizem, ao passo que, por vezes, amaldiçoam a outra. Esta, a terrestre, acaba com a vida; a realeza moral se prolonga e mantém o seu poder, governa, sobretudo, após a morte. Sob esse aspecto não é Jesus mais poderoso rei do que os potentados da Terra? Razão, pois, lhe assistia para dizer a Pilatos, conforme disse: “Sou rei, mas o meu reino não é deste mundo.”
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo 2.

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