REFORMA ÍNTIMA VIRTUDES E DEFEITOS VERDADE LUZ

PLANO ESPIRITUAL CONQUISTAS ESFORÇO E PAZ INDIVIDUAL

ESFORÇO PESSOAL

As grandes conquistas da Humanidade têm começo o esforço pessoal de cada um.
Disciplinando-se e vencendo-se a si mesmo, o homem consegue agigantar-se, logrando resultados expressivos e valiosos.
É possível que não consigas descobrir novas terras, a fim de te tornares célebre. Todavia, poderás desvelar-te interiormente para o bem, fazendo-te elemento preciosos no contexto social onde vives.
Certamente, não lograrás solucionar o problema da fome na Terra. Não obstante, poderás atender a algum esfaimado que defrontes, auxiliando a diminuir o problema geral.
Não terás como evitar os fenômenos sísmicos desastrosos que, periodicamente, abalam o planeta. Assim mesmo, dispões de recursos para que a onda de acidentes morais não dizime vidas preciosas ao teu lado.
De fato, não terás como impedir as enfermidades que ceifam as multidões que lhes tombam, inermes, ao contágio avassalador.
Apesar disso, tens condições de oferecer as terapias preventivas do otimismo, da coragem e da esperança.
Diante das ameaças de guerra, das lutas e do terrorismo existentes, que matam e mutilam milhões de homens, sentes-te sem recursos para fazê-los cessar, mudando-lhes o rumo para a paz. Entretanto, a tua conduta pacífica e os teus esforços de amor serão instrumentos para gerar alegria e tranquilidade onde estejas e entre aqueles com os quais compartes as tuas horas.
A violência urbana e a criminalidade reinantes não serão detidas ao preço dos teus mais sinceros desejos e tentativas honestas. Sem embargo, a tarefa de educação que desempenhes, modesta que seja, influenciará alguém em desalinho, evitando-lhe a queda no abismo da agressividade.
As sucessivas ondas de alienação mental e suicídios que aparvalham a sociedade, não cessarão de imediato sob a ação da tua vontade. Muito embora a tua paciência e bondade, a tua palavra de fé e de luz conseguirão apaziguar aquele que as receba, oferecendo-lhe reajuste e renovação.
Naturalmente o teu empenho máximo não alterará o rumo da Lei de Gravitação Universal. Mas, se o desejares, contribuirás para o teu e o equilíbrio do teu próximo, em torno do Sol de Primeira Grandeza que é Jesus.
Os problemas globais merecem respeito. Mas, os individuais, que se somam, produzindo volume, são factíveis de solução.
A inundação resulta da gota de água.
A avalanche se dá ante o deslocamento de pequenas partículas que se desarticulam.
A epidemia surge num vírus que venceu a imunização orgânica.
Desta forma, faze a tua parte, mínima que seja, e o mundo melhorará.
A sociedade, qual ocorre com o indivíduo, é o resultado de si mesma.
Reajustando-se o homem, melhora-se a comunidade.
E, partindo do teu empenho pessoal, para ser feliz, ampliando a área de bem-estar para outros, o mundo se fará mais ditoso e o mal baterá em retirada.
JOANNA DE ÂNGELIS
LIVRO: Momentos de Coragem
MÉDIUM: DIVALDO PEREIRA FRANCO

LUZ QUE ENTESOURA A ALMA 

Toda vez que nos desprendemos dos bens deste mundo, adquirimos tesouros do Alto, inacessíveis ao egoísmo e à ambição que devoram as energias terrestres. Convertei o supérfluo de vossas possibilidades financeiras em pão para os desgraçados. Vesti os nus, protegei os órfãozinhos! Todo o bem que fizermos ao desamparo constitui moeda de luz que o Senhor da Seara entesoura para nossa alma.
. Fala do Irmão Marinho a Helvídio Lúcius.
Livro: 50 Anos Depois, pelo Espírito Emmanuel/Psicografia Chico Xavier, capítulo 6: No Horto de Célia.

Exemplos modificam vidas

Dizem que as palavras convencem, mas os exemplos arrastam. Ou seja, os exemplos sempre falam mais alto e têm o condão de transformar vidas, arrebatar as pessoas.
Narra o médico e escritor escocês A. J. Cronin, em uma página solta na imprensa internacional, intitulada Porque eu creio em Deus, sua experiência pessoal.
Estudante de medicina na Universidade de Glasgow, durante a sua juventude, não era diferente dos seus colegas quanto à irreverência na crença no Ser Supremo.
Quando pensava na palavra Deus, um sorriso de mofa lhe aparecia nos lábios, transparecendo o desprezo por esse mito, desgastado pelo tempo.
Quando se formou e foi clinicar, ao sul do país de Gales, conheceu uma jovem enfermeira, cuja atuação lhe chamou muito a atenção.
Ela trabalhava sozinha, numa ronda de quinze quilômetros diários, montada numa bicicleta, para atender os seus pacientes.
Sua fisionomia revelava os traços de uma disposição, jovialidade e paciência dignas de admiração.
Mesmo depois de um dia estafante, se chegasse um chamado urgente, retornava à sua tarefa. E nunca estava tão ocupada que não pudesse pronunciar uma palavra de consolo e bom ânimo a quem precisasse.
Seu salário era irrisório e mal atendia as suas necessidades básicas. Mas, ela realizava o seu trabalho como se estivesse recebendo a maior remuneração de toda a classe médica.
Certa noite, depois de um dia particularmente trabalhoso, difícil, doutor Cronin se sentou ao lado dela, para saborear uma xícara de chá.
Observando-lhe o cansaço, o médico lhe perguntou: Enfermeira, por que você não exige que lhe paguem melhor? Você devia ganhar, pelo menos, o triplo do que ganha por semana. Você merece mesmo.
Um silêncio se fez, por alguns instantes. Depois, ela sorriu e seu olhar brilhou intensamente, surpreendendo o médico.
Então, com voz terna e modulada, ela respondeu:
Doutor, se Deus sabe que eu mereço, isso é tudo para mim.
Naquele momento, Cronin compreendeu que toda aquela existência de trabalho, em que se destacava o amor ao próximo, era um atestado evidente da sua maneira de adorar a Deus.
Percebeu, num lampejo, a riqueza da significação da vida daquela jovem. E, por outro lado, o vazio interior existente no seu próprio mundo íntimo, pela ausência da crença em Deus.
Aquilo o fez pensar e, depois de algum tempo, em que outros fatos se lhe alinharam à observação, ele se ergueu do pântano do cepticismo para a terra firme da adoração a Deus.
* * *
Sim, exemplos arrastam. Falam muito mais alto à razão e ao coração do que muitas palavras.
Por esse motivo, é que o sábio de Nazaré convocou os homens ao amor, prescrevendo: Amai-vos uns aos outros.
E, para acrescentar Como eu vos amei, abandonou as estrelas, tomou um corpo de carne e veio viver entre as Suas ovelhas, Pastor Celeste que é.
Durante pouco mais de três décadas, viveu a infância, a juventude e caminhou para a maturidade, servindo sempre, no lar, na carpintaria do pai, no mundo.
Finalmente, certo de que lhe seguiríamos a exemplificação nobre, afirmou: Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem.
Pensemos nisso. Vivamos e exemplifiquemos a sábia exortação.
Redação do Momento Espírita, com base no artigo
A lei de adoração, de José Couto Ferraz,
da Revista Internacional de Espiritismo,
outubro 2016.

EM FAVOR DOS ENFERMOS

Na grande área dos serviços fraternais de socorro ao próximo, demandando a ação da caridade, a cura das mazelas orgânicas, emocionais e mentais é de vital importância.
Certamente, mais delicado é o desafio da saúde moral, graças ao qual os fenômenos fisiopsíquicos assumem alta significação, apresentando-se como respostas inevitáveis.
O ideal, portanto, é trabalhar-se os valores íntimos do homem, de cuja harmonia deriva o bem-estar. Entretanto, na impossibilidade de conseguir-se a realização plena, no campo das causas, o empenho por minimizar-se os efeitos perniciosos assume significação relevante, por propiciar requisitos que facultam a instalação das fontes saudáveis na organização perispiritual.
Para que se logrem resultados favoráveis na terapia curativa, é indispensável que o agente possua condições mínimas que sejam, a saber: harmonia interior, que decorre de uma conduta sadia; sentimentos de amor, que propiciem vibrações positivas; espírito de abnegação; saúde física e mental, de modo que a bioenergia, que se deseje doar, carreie forças restauradores e atue nos centros vitais, gerando células sãs, portadoras de equipamentos harmônicos.
Ocorre, às vezes, que alguns instrumentos das curas contradizem esses itens mínimos, porém, eles próprios são pacientes, nos quais as enfermidades ainda não se manifestaram, apesar de já instaladas.
Toda e qualquer pessoa forrada de bons propósitos pode e deve auxiliar o seu próximo, quando enfermo.
Não é exigível que aplique está ou aquela técnica, sempre dispensável. Mas é essencial que se haja educado para o mister e procure, sinceramente, ajudar.
A irradiação da mente concentrada no bem, em favor de alguém, opera admiráveis resultados.
Unida à aplicação dessa energia, com as mãos distendidas, sem ruído ou ritual, a magnetização da água completa a operação socorrista, ao ser ingerida pelo paciente.
A sociedade, como um todo, necessita do equilíbrio e da saúde, no entanto, é no homem, como célula valiosa, que se deve iniciar o labor terapêutico.
É claro que muitos atletas, portadores de saúde física, são, por outro lado, expressões de conduta infeliz, perniciosa.
Os apologistas das raças superiores preocupam-se com os físicos ideais e portadores de linhas que expressem a procedência genética, despreocupados com os seus valores éticos e morais.
A saúde real é resultado da homeostase, vigente no homem, na qual o físico e o emocional se harmonizam perfeitamente.
Jesus curava e concedeu aos discípulos a faculdade de recuperar os enfermos.
Mantinha, no entanto, uma regra severa para a preservação da saúde, que era a recomendação em favor da conduta moral de modo que não lhes acontecesse nada pior.
A mente é fonte geradora de energias que esparze conforme as inclinações do espírito, sendo fator de infortúnio, como de felicidade, para si mesmo e para os demais.
Assim, orando, exercita os teus recursos latentes, canalizando-os em favor dos enfermos e recomendando-lhes mudanças de comportamento mental e moral para melhor, assim contribuindo para que a sociedade humana seja mais feliz.
JOANNA DE ÂNGELIS
LIVRO: Momentos de Felicidade
MÉDIUM: DIVALDO PEREIRA FRANCO

Exemplos…

Existem criaturas, na face da Terra, que nos parecem ter nascido no planeta para nos transmitirem, com sua vida, grandes lições.
São lições de incentivo, bom ânimo. Sobretudo nestes tempos em que a pandemia diminuiu a alegria de muitos de nós e alguns até nos encontramos a ponto de desanimar.
Um desses exemplos é o menino, nascido na Bósnia, Ismail Zulfic.
Ismail nasceu sem os braços, algo que podemos imaginar extremamente limitante, principalmente para uma criança, considerando que os movimentos básicos para se alimentar, brincar, se comunicar, requerem o uso dos braços.
Aos dez anos, seu exemplo de vida nos ajuda a compreender que os únicos limites, que existem em nossas vidas, são os que cada um define para si próprio.
E mais do que tudo, nos leva a compreender que quem comanda o corpo é o Espírito, a essência que somos.
Há cinco anos, ele começou a treinar natação, esporte que escolheu, na sociedade desportiva para pessoas com deficiência.
Além da limitação física, Ismail precisou enfrentar outro grave problema: vencer o medo da água, trauma que tinha desde bem novo por ter caído em uma piscina.
Nada o deteve. Ante qualquer desafio, jamais disse: Não posso. Não quero. Não vou fazer.
Hoje, ele acumula mais de quarenta medalhas recebidas em torneios esportivos em seu país.
Em 2020, conquistou o título de esportista do ano por sua incrível trajetória.
Ele se constitui em exemplo, de forma particular, para outras crianças portadoras de deficiências físicas.
* * *
Viver sem lutar, não é viver.
Estamos na Terra com o objetivo de aprender, fazer, construir, sempre mais, e amarmos aos nossos semelhantes.
A Terra, diferentemente do que possamos imaginar, é a nossa escola bendita de aperfeiçoamento espiritual onde aprimoramos nossos pendores e sentimentos.
É o hospital amigo que nos acolhe com os limites da alma e do corpo, nos mostrando que o remédio essencial é o exercício do amor, que cura as chagas que nos corroem, nos fazendo sofrer.
É a prisão que nos retém e impede de recairmos nos erros que ainda trazemos nas profundezas do ser e que barram nosso crescimento.
É o exílio temporário do Espírito comprometido que necessita transformar-se e progredir moralmente.
É o reduto educativo onde as almas necessitam, muitas vezes, da dor, para melhor se direcionar.
É o local onde nos encontramos reencarnados para ajustarmos nossos desacertos, aprendendo o respeito e o amor aos nossos irmãos em Humanidade.
Importante sermos gratos pelo corpo de que dispomos, tenha ele deficiências ou outros problemas quaisquer.
Que nos sirvamos desta experiência reencarnatória da melhor maneira possível, para que não percamos as oportunidades de progredir intelectual e moralmente.
Afinal, quando partirmos daqui não saberemos quando poderemos retornar, quando isso nos será permitido, dentro das leis estabelecidas por Deus.
Espelhemo-nos nos bons exemplos de superação, de luta, de vitórias.
E pensemos que se o outro pode, nós também podemos, bastando fazer bom uso da nossa vontade.
Guardemos essa certeza.
Redação do Momento Espírita, com
fatos da vida de Ismail Zulfic. Em 26.6.2021.
“Feliz é a alma que cultiva bons sentimentos e não se alonga em ressentimentos. Lindo mesmo é um coração sem mácula, Colorido, florido.
Além de enfeitar a vida transborda amor por onde passar.”
Lanna Borges

Prece

Estendei Vossa mão bondosa e pura,
Mãe querida dos fracos pecadores,
Aos corações dos pobres sofredores
Mergulhados nos prantos da amargura.
Derramai Vossa luz, toda esplendores,
Da imensidade, da radiosa altura,
Da região ditosa da ventura,
Sobre a sombra dos cárceres das dores!
Ó Mãe! Excelsa Mãe de anjos celestes,
Mais amor, desse amor que já nos destes,
Queremos nós em cada novo dia.
Vós que mudais em flores os espinhos,
Transformai toda a treva dos caminhos
Em clarões refulgentes de alegria.
Auta de Souza – livro À Luz da Oração – Chico Xavier

PAI!

Pai, celeste criador,
Fonte eterna de bondade,
Auxilia-nos Senhor,
A conquistar a verdade,
Abençoa o nosso esforço,
Para o Teu reino atingir,
Dá-nos Pai a luz que aclara,
Os caminhos do porvir,
És a glória deste mundo,
És a paz e a esperança,
És a luz que não se apaga,
És o amor que não se cansa,
Dá-nos forças para sermos,
Os arautos do Teu amor,
Testemunho verdadeiro,
Do evangelho redentor!
QUE ASSIM SEJA.

HOMENS VAZIOS

Em uma sociedade injusta, que é o fruto amargo da cultura materialista, o homem vê-se massificado, desconhecido, com a sua identidade desnaturada, sem objetivo.
Os esforços que empreende são dirigidos para metas que se caracterizam pelo imediatismo responsável pelas necessidades comuns, sem o apoio dos ideais compensadores, que iluminam a vida e dão-lhe significado.
Acomodando-se aos padrões absorventes do cotidiano, ele sente-se comprimido pela ansiedade que o aturde, sem encontrar solução para os estados conflitivos da personalidade que o assaltam.
Torna-se, em consequência, homem vazio, verdadeiro espectro que se movimenta no grupo social, que participa das atividades corriqueiras, sem que viva as emoções que dão beleza e significado à dignidade de ser senciente.
Em torno dele agrupam-se outros que sofrem a mesma enfermidade, que mal disfarçam as suas aflições, mediante conversas que primam pela banalidade dos temas ou derrapam nas conceituações da promiscuidade moral em voga.
Quando a conversação perde o tom do agradável e útil, o comentário proveitoso e sadio, o grupo social apresenta-se enfermo, em decomposição de sentido e de propostas.
A vida inteligente emerge dos objetivos que constituem a manutenção do corpo e a continuidade das suas sensações.
Pairam, em nível mais alto e mais ambicioso, os ideais de construção do bem, de criatividade nobre, de rendimento emocional dignificante, que se tornam essenciais na vida dos indivíduos. A ausência desses elementos responde pela impermanência da identidade psicológica de cada um, arrojando-o ao despenhadeiro do vazio íntimo.
O homem vazio não consegue amar, porque não aprendeu a viver essa faculdade, base do comportamento de ser livre. Adaptou-se a ser amado ou disputado, sem preocupação em retribuir.
Imaturo, antes reagia às expressões da emotividade nobre, preferindo o jogo arbitrário das sensações. Nele havia a preocupação de ser conhecido, de receber convites, de encontrar-se presente nas reuniões sociais, não porque estas lhe fizessem bem, porém, por medo da solidão, de ser esquecido…. Em tais reuniões, a convivência emprestava brilho ao seu ego, em face da tagarelice, do consumo de alcoólicos, do tabagismo, que significavam status elevados.
Assim, sem identidade, o homem vazio é uma pessoa morta.
Há muita gente sem previdência, que inveja as pessoas colunáveis, vazias.
Não que seja um mal participar da sociedade e preocupar-se com a projeção da personalidade no grupamento social. Só que, a maioria desses indivíduos-mitos é formada por solitários que se buscam, sem que se tornem solidários que se ajudam.
Disputam homenagens e guerreiam-se entre sorrisos, no desfile do luxo e do exibicionismo, nos quais escondem os conflitos, quando assim o fazem, e as profundas necessidades afetivas.
Tal conduta leva-os à melancolia e à depressão, ou a lamentáveis de irritabilidade, de mau humor que os tornam rudes, insuportáveis na intimidade, embora considerados sociáveis e educados.
Essa ambiguidade no comportamento culmina com a instalação de neuroses que se agravam, desestruturando-os a médio prazo.
O homem acumula vácuo, porque se sente impotente para alcançar a plenitude.
Acostumando-se à competição nos negócios, nos relacionamentos, espera ser o primeiro, o mais considerado. Se o logra, esvazia-se, de imediato. Quando não o consegue, frustra-se, perdendo-se da mesma forma.
Os conflitos se instalam e ele se desama, deixa de sentir, de viver. Transfere-se, emocionalmente, para a ribalta do desespero e da futilidade.
Este mecanismo de evasão mais o aturde, porque o desnatura.
Pode-se, de certo modo, afirmar que estes são dias de homens vazios, homens-sombra.
Se já travaste contato com as lições de Jesus, poderás insculpi-las no comportamento, transferindo-te do estado de vácuo para o de realizações.
Compreenderás o significado da tua existência e saltarás o abismo que te ameaça, preenchendo as tuas lacunas emocionais com o idealismo que deflui do amor, base da plenificação humana.
Viverás em sociedade sem conflitos íntimos e a elegerás por afinidade de propósitos e fins, começando a instalar aí e no coração o Reino de Deus, iluminando e pleno. E o farás porque terás por modelo e guia Jesus, o Homem-Luz de todos os tempos.
JOANNA DE ÂNGELIS
LIVRO: Momentos de Iluminação
MÉDIUM: DIVALDO PEREIRA FRANCO
POR BEZERRA DE MENEZES.
MEDIUM FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

AOS MÉDIUNS

Que a paz do Senhor nos felicite os corações.

Mediunidade com Jesus é serviço aos semelhantes. Desenvolver esse recurso é, sobretudo, aprender a servir.
Aqui, alguém fala em nome dos espíritos desencarnados; ali, um companheiro aplica energias curadoras; além, um cooperador ensina o roteiro da verdade; acolá, outrem enxuga as lágrimas do próximo, semeando consolações.
Contudo, é o mesmo poder que opera em todos. É a divina inspiração do Cristo, dinamizada através de mil modos diferentes por reerguer-nos na condição de inferioridade ou de sofrimento ao titulo de herdeiros do Eterno Pai.
E nessa movimentação bendita de socorro e esclarecimento, não se reclama o titulo convencional do mundo qualquer que seja, porque a mediunidade cristã, em si, não colide com nenhuma posição social, constituindo fonte do Céu a derramar benefícios na Terra, por intermédio dos corações de boa vontade.
Em razão disso, antes de qualquer sondagem das forças psíquicas, no sentido de se lhes apreciar o desdobramento, vale a consagração do trabalhador à caridade legítima, e cujo exercício todas as realizações sublimes da alma podem ser encontradas.
Quem desejar a verdadeira felicidade, há de improvisar a felicidade dos outros; quem procure a consolação, para encontrá-la, deverá reconfortar os mais desditosos da humana experiência.
Dar para receber.
Auxiliar para ser amparado.
Esclarecer para conquistar a sabedoria e devotar-se ao bem do próximo para alcançar a divindade do amor.
Eis a lei que impera igualmente no campo mediúnico, sem cuja observação, o colaborador da Nova Revelação não atravessa os pórticos das rudimentares noções de Vida Eterna.
Espírito algum construirá a escada de ascensão sem atender às determinações do auxilio mútuo.
Nesse terreno, portanto, há muito que fazer nos círculos da Doutrina Cristã rediviva, porque não basta ser médium para honrar-se alguém com as bênçãos da luz, tanto quanto não vale possuir uma charrua perfeita, sem a sua aplicação no esforço da sementeira.
A tarefa pede fortaleza no serviço com ternura no sentimento.
Sem um raciocínio amadurecido para superar a desaprovação provisória da ignorância e da incompreensão e sem as fibras harmoniosas do carinho fraterno, para socorrê-las, com espírito de solidariedade real, é quase impraticável a jornada para a frente.
Os golpes da sombra martelam o trabalho iluminativo da mente por todos os flancos e imprescindível se torna ao instrumento humano das Verdades Divinas armar-se convenientemente na fé viva e na boa vontade incessante, a fim de satisfazer aos imperativos do ministério a que foi convocado.
Age, assim, com isenção de ânimo, sem desalento e sem inquietação, em teu apostolado de curar.
Estende as tuas mãos sobre os doentes que te busquem o concurso de irmão dos infortunados convicto de que o Senhor é o Manancial de todas as Bênçãos.
O lavrador semeia, mas é a Bondade Divina que faz desabrochar a flor e preparar-se o fruto. É indispensável marchar de alma erguida para o Alto, vigiando, embora as serpentes e os espinhos que povoam o chão.
Diversos amigos se revelam interessados em tua tarefa de fraternidade e luz e não seria justo que a hesitação te paralisasse os impulsos mais nobres, tão somente porque a opinião do mundo te não entende os propósitos, nem os objetivos da esfera espiritual, de maneira imediata.
Não importa que o templo seja humilde e que os mensageiros compareçam na túnica de extrema simplicidade.
O Mestre Divino ensinava a verdade à frente de um lago e costumava administrar os dons celestiais sob um teto emprestado; além disso, encontrou os companheiros mais abençoados e fiéis entre pescadores anônimos, integrados na vida singela da natureza.
Não te apoquentes, meu irmão, e segue com serenidade.
Claro está que ainda não temos seguidores leais do Senhor sem a cruz do sacrifício.
Mediunidade é um madeiro de espinhos dilacerantes, mas com o avanço da subida, calvário acima, os acúleos se transformam em flores e os braços da cruz se convertem em asas de luz para a alma livre na Eternidade.
Não desprezes a tua oportunidade de servir e prossegue de esperança robusta.
A carne é uma estrada breve.
Aproveitemo-la sempre que possível na sublime sementeira da caridade perfeita.
Em suma, ser médium no roteiro cristão é dar de si mesmo em nome do Divino Mestre, e foi Ele que nos descerrou a realidade de que somente alcançam a vida verdadeira aqueles que sabem perder a existência em favor de todos os que se constituem seus tutelados e filhos de Deus na Terra.
Segue, assim, amando e servindo.
Não nos deve preocupar a ausência da alheia compreensão.
Antes de cogitarmos do problema de sermos amados, busquemos amar, conforme o Amigo Celeste nos ensinou,
Que Ele nos proteja, nos fortifique e abençoe.
Bezerra de Menezes, Médium: Francisco Cândido Xavier

Prece de Chico Xavier

Senhor! Nesta hora em que todos procuramos um caminho de paz e amor para viver e conviver e também para sobreviver às nossas próprias dificuldades,

Nós Te rogamos apoio.

Rogamos, Amado Jesus, que nos abençoe e conserva-nos na fé viva em Ti.

Não nos deixes o coração tresmalhado nas vacilações do caminho terrestre ou na agressividade exagerada que tantas vezes nos surpreendem depois da infância e da adolescência, nas quais aprendemos a pedir-Te a bênção no colo de nossas mães!

Disseste-nos que aqueles que não se fizerem crianças não serão dignos do Reino de Deus.

Faze-nos, pois, simples de coração!

Ajuda-nos a considerar que precisamos trabalhar uns pelos outros.

Que todos somos chamados para nos tolerarmos reciprocamente em nossas dificuldades e problemas, a fim de que a nossa vida possa produzir paz, luz, amor e alegria, no progresso a que estamos destinados por Ti, em nome do nosso Pai Supremo!

Ampara-nos! Que nossos templos dedicados à Tua memória, seja qual for a faixa de conhecimento e veneração em que nos expressemos, sejam preservados, agora e no futuro, a fim de que, por eles e com eles, venhamos a construir, na Terra, a nossa felicidade imortal.
(Chico Xavier / Livro: Preces e Orações)

Culto Individual do Evangelho

Nem sempre encontrarás a colaboração precisa ao culto do evangelho no templo familiar.
Por vezes, será necessário esperar o amadurecimento dos companheiros que se mostram semelhantes à folhagem viçosa nas robustas frondes da vida, incapazes de perceber a glória da frutificação no futuro.
Ainda assim, procura a intimidade do Mestre e, sozinho embora, sintoniza-te com Ele através da leitura divina.
Realmente, por agora, és parte integrante do grupo consanguíneo, mas, no fundo, és o irmão da Humanidade inteira, com obrigações de seguir para a frente.
Todos somos peregrinos da eternidade em trânsito para a Vida Superior.
Cada situação no círculo das formas, em que experimentamos e somos experimentados, é simples posição provisória.
Lembra-te de que o dia será a inevitável arena do testemunho e, ao longo das horas, encontrarás mil alvitres diferentes.
É a cólera pretendendo insinuar-se através do teu campo emotivo.
É a dor que tentará subtrair-te o ânimo.
É a ventania das provas, buscando apagar-te a fé vacilante e humilde.
É o verbo desvairado que te visitará nas bocas alheias, concitando-te esquecer as melhores conquistas espirituais.
É a revolta que projetará fel sobre a tua esperança.
É a insubmissão do próprio “eu” que te criarás dificuldades inúmeras.
É a vaidade que te repetirá velhas fantasias acerca de tua superioridade inexistente.
É o orgulho que te apartará da fraternidade legítima.
É a preguiça que te faz acreditar no poder da enfermidade sobre a saúde e do desalento improdutivo sobre alegria edificante.
É a maldade que te inclinará a palavra ao julgamento leviano ou apressado, no intuito de arrojar-te às trevas.
Recorda semelhantes inimigos que nos desafiam constantemente, na luta sem quartel da evolução e do aperfeiçoamento, e, no culto individual da Boa-Nova, grava em ti mesmo as observações do Mestre Divino, anotando-lhe os conselhos e avisos e tomando as armas da compreensão e do bem para lutar dignamente, cada dia, na abençoada conquista do futuro glorificado e sem fim.
Livro: Instrumentos do Tempo, pelo Espírito Emmanuel/Psicografia Chico Xavier. Ed. GEEM

Exclusividades do amor

Nós os conhecemos há algumas décadas. Casados, jovens, filhos caminhando para a adolescência.
Fomos convidados a adentrar a intimidade do seu lar. Chamou-nos a atenção as dimensões da casa, a que denominamos mansão, pela imponência da arquitetura.
E nos encantamos com os detalhes da decoração.
Coisas da esposa chinesa, delicada nos arranjos. Em cada nicho um bibelô, um raminho de flor confeccionado a capricho, um souvenir de uma viagem realizada em alguma época de suas vidas.
À mesa, porcelana fina, mesmo que fosse para o chá da companheira de atividade voluntária, que chegava para ajustar detalhes de alguma tarefa. Ou que viesse para o estudo de algum tópico específico da doutrina que abraçam.
Sempre nos perguntávamos como alguém pode ser tão criativa, colocando arte em cada detalhe. Um encanto em cada cômodo.
No transcorrer dos anos, ouvimos do casal, ora de um, ora de outro, as tantas histórias que os haviam unido. O primeiro encontro, o consórcio matrimonial, os filhos chegando, um a um.
Acostumamo-nos a vê-los juntos, nas atividades de toda ordem. Ele, o empresário ativo, também o trabalhador que se entregou a voluntariado com tenacidade.
Rolaram as décadas. Um dia, surpreendemo-nos ao encontrar o esposo alquebrado. Parecia ter sido atingido por um raio, que lhe fizesse dobrar a coluna e apagar itens valiosos da memória.
Mal pudemos crer que aquela mente ativa, sempre engendrando planos, dirigindo sua empresa, laborando na fundação em voluntariado pleno, parecesse ter quase tudo apagado da mente.
Médicos, terapias, tratamentos, e ele pareceu querer rebrotar. Flashes se apresentam e ele sorri, ao identificar um amigo, ao lembrar de algo.
Deixou as atividades que lhe tomavam os dias laboriosos. Agora, é somente um cuidar de si, atender às atividades estabelecidas para lhe melhorar a condição física.
Então, descobrimos como o amor faz a grande diferença.
Vemos a esposa sair a passeio, levando-o de carro, pelas ruas da cidade, no cair da tarde, quando o sol vai desmaiando, o ar se torna mais fresco e parece que todos saem a passear.
Ela o estimula a contar os cãezinhos, levados igualmente a passear, pelos seus donos, no final do dia. Um preto, um branco, um beagle, um labrador.
Cães de apartamento, cães de condomínio, cães de casas com jardim. Aqui um maior, bem peludo. É um Golden retriever.
Ela aponta um aqui, outro ali, enquanto dirige e vai chamando a atenção dele.
Querido, olhe: mais dois. Mais três.
Acho que perdemos a conta. Você lembra quantos já encontramos?
Quem, em sã consciência, aos oitenta anos, sai de casa para contar cachorros pela rua?
Somente o amor faz isso.
A casa, menor agora, está para atender tudo que ele precisa. Foram-se os muitos adereços, detalhes decorativos.
Ele coloca um objeto aqui, outro ali. Ela não os retira porque, se trocá-los de lugar, ele não os encontrará depois. E ficará inquieto, sentindo-se perdido.
Sim, somente o amor resiste ao tempo, ao desacelerar do corpo, às nuvens da mente que vai perdendo detalhes, nas esquinas do tempo.
O amor faz coisas incríveis.
Redação do Momento Espírita
Em 23.5.2025

PENSAMENTOS 

“Os maus pensamentos intoxicam a alma.

Atraem o pessimismo e as presenças doentias dos Espíritos perturbados e maus.

Mantém a tua mente presa às ideias positivas, iluminativas, aos programas de enobrecimento, de cuja conduta te advirão o bem-estar íntimo e a alegria de viver.

O que pensares com insistência, hoje ou mais tarde, se concretizará.

Os fatos se corporificam, de início, no campo mental, para depois se tornarem realidade no corpo físico.

Pensa no bem e banha-te com a luz do amor.”
Joanna de Ângelis
Livro: Vida Feliz
Médium: Divaldo Pereira Franco

75. Expliquemos

Reunião pública de 14/10/1960
Questão nº 301 Parágrafo 4º
Não desconheces que a Doutrina Espírita é a revivescência do Cristianismo em sua pureza.
Nos primeiros tempos do Evangelho, os apóstolos da ideia edificante eram os médiuns da Boa-Nova, espalhando-lhe os ensinos.
Hoje, o Espiritismo é a palavra que os complementa.
*
Disse Jesus: “Necessário vos é nascer de novo.”
Apontemos que o Mestre não se refere apenas ao renascimento simbólico pela atitude, valioso mas insuficiente, e, sim, à reencarnação, em que o Espírito se aprimora de corpo em corpo.
*
Disse Jesus: “Enquanto não vos tornardes quais crianças, não entrareis no Reino de Deus.”
Esclareçamos que o Mestre não aprova a inexperiência, e sim nos convida à simplicidade, a flui de que possamos viver sem tabus e sem artifícios.
*
Disse Jesus: “Considerai os lírios do campo que não fiam e nem tecem e, entretanto, Salomão, com toda a sua glória, jamais conseguiu vestir-se como um deles.”
Registremos que o Mestre não apóia a preguiça, em nome da fé, e, sim, dá ênfase justa ao dever cumprido, no qual ninguém precisa assaltar os recursos dos outros, a pretexto de garantir a própria felicidade, porquanto o lírio do campo, onde medre, atende à função que lhe cabe na economia da Natureza.
*
Disse Jesus: “Quem se humilhar será exaltado.”
Anotemos que o Mestre não encoraja os que se fazem de tolos para senhorear o melhor quinhão na mesa do oportunismo, e, sim, estimula os que se sustentam leais à reta consciência, prosseguindo, sem perturbar os próprios irmãos, no labor que a Providência Divina lhes concede realizar.
*
Disse Jesus: “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos fazem mal e orai pelos que vos perseguem e caluniam.”
Assinalemos que o Mestre não espera se transformem os discípulos em legião de louvaminheiros dos delinquentes importantes da Terra, e sim nos aconselha a respeitar os adversários pela sinceridade que demonstrem, dando-lhes
campo de ação para que façam, melhor que nós, a tarefa em que nos criticam, continuando, de nossa parte, na execução dos compromissos que nos competem, cultivando a paciência praticada por ele mesmo, quando ajudou aos próprios
perseguidores, através do exemplo silencioso, sem aplaudir-lhes a crueldade.
*
Disse Jesus: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo que meu Pai vos enviará em meu nome, vos esclarecerá em todas as coisas e vos fará Lembrar tudo quanto vos tenho dito.”
Mostremos que o Mestre não se reporta a acontecimento cósmico em desacordo com as leis naturais, e sim à Doutrina Espírita, pela qual os Espíritos santificados na evolução voltam ao mundo, aclarando as sendas da vida e reafirmando O que ele próprio nos ensinou.
*
Não faças de tua convicção incenso à idolatria.
Recorda que, em Doutrina Espírita, é preciso estudar e aprender, entender e explicar.
Emmanuel/ Francisco Cândido Xavier do livro Seara dos Médiuns

CAMINHANDO…

“Que Deus esteja te guiando e iluminando, livrando de teu caminho, toda inveja, peso, maldade, dor e travas que possam te impedir de ser feliz.

Que Ele, esteja te abençoando com leveza na alma, paz, sorrisos, saúde, força e coragem para lutar, por você, pelos seus, por uma vida mais digna, melhor.

Que você creia, que com aprendizado, força de vontade, um coração limpo e fé, a paz e o bem são possíveis sim!”
Rita Maidana

EM NOME DE DEUS

Em nome de Deus, os homens têm semeado a discórdia, o ódio, o crime, dizimando-se reciprocamente, sob alegação de ser cada qual o portador da verdade.
As guerras de religião ensanguentaram a Humanidade vezes sem conto, e ainda hoje dizimam tantas vítimas quanto as pestes descontroladas.
Dominado pelo egoísmo em que se encarcera, cada indivíduo se permite os direitos que nega aos seus irmãos.
Em face desse comportamento, o seu é o deus da verdade, e a sua é a única religião, ou filosofia, ou moral credora de respeito, porque respaldada pela sua “razão que jamais se equivoca”.
Deixando-se vencer pela inferioridade que deveria ser superada, em razão do que diz eleger de melhor, impõe a crença que esposa ou tenta fazê-lo, não trepidando em malsinar, perseguir, destruir tudo quanto encontra pela frente: valores, construções e vidas…
…E crê-se inspirado por Deus ao realizar os nefandos tentames.
Quanto mais fiel e afervorado à sua crença, mais tenaz e cruel tem sido o indivíduo.
Massacres inconcebíveis foram realizados em nome de Deus, no passado remoto e no próximo, estimulando a ferocidade e a alucinação.
A ardência da fé neles consome a piedade e a clemência, enquanto o combustível do fanatismo dá-lhes estímulo para a violência.

Gêngis Khan invadia as mesquitas montado no seu cavalo, transformando os livros ditos sagrados em cama para os animais. Ao mesmo tempo, para os humilhar, impunha que os presunçosos sacerdotes passassem a tratadores das animálias.
Tamerlão comprazia-se matando qualquer cristão que encontrasse, enquanto Balduíno decepava a cabeça de todo sarraceno que lhe caísse prisioneiro…
As Cruzadas deixaram um saldo macabro de mais de dois milhões de vidas…
O general Anhalt e os seus soldados cristãos treinavam pontaria com as baionetas, atirando para cima as crianças turcas que apanhavam no ar com as lâminas afiadas.
…Os hereges do Oriente foram liminarmente trucidados, e os indígenas das Américas, quando incapazes de compreender os ardis das religiões que lhes impunham, tinham as existências ceifadas de forma inclemente.
Todavia, guardadas as proporções, pouco tem mudado na paisagem religiosa e sofrida dos homens.
Ortodoxos gregos, maronitas, anglicanos, católicos e outros disputam-se primazia, apropriando-se da fé com desprezo por aqueles que consideram adversários detestáveis.
De Lutero a Calvino a John Wesley, os reformuladores da Reforma ampliaram as áreas das dissidências evangélicas, cada qual se atribuindo um maior quinhão da verdade que afirmava pertencer-lhe.
Árabes anatematizam judeus e vice-versa, e, mesmo na área da revelação maometana, as várias correntes em que se apresentam os interpretadores do Alcorão primam pela ojeriza que devotam aos opositores, em lamentável desconsideração por aquilo que pretendem espelhar a verdade.
É da natureza humana, ainda primitiva, a belicosidade, o separatismo, a presunção hegemonista…
Em nome de Deus, porém, sê tu dócil, compreensivo e afável.
Silencia as ofensas e age com fraternidade.
Compreende o opositor e trabalha em seu benefício.
Fomenta o bem e vive pelo bem.
Guarda-te na mansuetude e espalha a paz.
Onde estejas, reúne, unifica, harmoniza.
Se não te compreendem, tolera, por tua vez.
Se te perseguem, desculpa e prossegue.
“Deus é amor”, conforme acentuou o apóstolo, e somente pelo amor será compreendido e aceito.
JOANNA DE ÂNGELIS
LIVRO: Vigilância
MÉDIUM: DIVALDO PEREIRA FRANCO

QUEIXAS

“Toda queixa é dispensável na economia do equilíbrio psicossocial.

Quem se queixa, inferioriza-se ou espera compaixão.

O ser humano foi criado para amar e ser amado, nunca para reclamar, exigir, perder-se na autocomiseração.

Sorte e destino são elementos pessoais, que cada qual está a gerar ou a alterar a cada momento conforme a onda mental cultivada.

Herdeiro dos seus pensamentos e atos, são eles os responsáveis pelo que ocorre, alterando-se através do posicionamento íntimo que se lhes aplique.

Para uma colheita de bênçãos é sempre necessária uma árdua semeadura, às vezes entre espinhos, do que resultam sazonados frutos.

Assim também sucede com a conquista da tua paz. Ela exige refregas iniciais difíceis para poder implantar-se no país do teu coração.

Une-te ao esforço do Amor que tudo preenche, age pacientemente, lutando com afinco, e serás abençoado pela tranquilidade mais tarde.”
Joanna de Ângelis
Livro: Desperte e seja Feliz
Médium: Divaldo Pereira Franco

QUE PAZ ESTAMOS BUSCANDO?

Normalmente, pensamos que a paz é ausência de preocupação.
Em verdade, isso sinaliza apatia, ausência de dinamismo, paralisia.
Muitas vezes, um semblante sereno oculta uma existência assinalada por preocupações, angústias e desesperos vencidos com coragem e persistência.
A luta, sob qualquer aspecto, é mensageira da ordem que permite a conquista da harmonia interior.
Seria de nos perguntarmos por que desejamos, então, uma existência sem embates, sem desafios.
Que paz seria essa que buscamos, distante das virtudes que a proporcionam?
Por outro lado poderíamos questionar como lidar com tantos insucessos, tantas frustrações, e mesmo assim cultivar a paz.
A questão diz respeito à maneira como costumamos administrar a atividade que exige esforço, abnegação e persistência.
O nosso amadurecimento psicológico é fator decisivo para o comportamento edificante em quaisquer circunstâncias, que culmina nesse estado de equilíbrio, prenunciador de paz e plenitude.
Por isso, a postura saudável, diante de todas as situações, é essencial: paciência, perseverança e uma presença mental madura, de quem está em aprendizado com cada experiência.
Mesmo aquilo que fugiu ao nosso controle, o inesperado, o absurdo, mesmo a situação mais extrema, está sempre enquadrada em leis maiores.
Leis justas.
Nada está em descontrole absoluto.
Difícil, com certeza, nos é tentar entender tudo por enquanto.
Não podemos ter a pretensão de prever todos os acontecimentos, com risco de cairmos em frustração.
Cabe-nos agir corretamente, buscando o melhor para nós e para os demais.
Porém, sempre poderemos ser surpreendidos por algo que não imaginamos, não prevemos.
Importante que os obstáculos não nos desanimem, nem nos permitamos o receio do insucesso.
Sairemos sempre mais fortalecidos se soubermos observar com atenção.
Grandes geradores de paz são nossas ações.
A paz que procuramos está nas ações de amor e de misericórdia, que diluem as sombras da ignorância e da perversidade.
É a paz abraçando os sentimentos, que vão se modificando conforme nos abrimos ao amor, conforme nos colocamos em harmonia com as leis maiores do Universo.
Toda ação voltada ao amor, voltada a servir, naturalmente constrói alguma paz interior, uma paz que fica, como alicerce para uma próxima, mais alta, que poderá vir logo a seguir.
Quando se começar a pensar e agir em benefício do todo, quando nossas palavras e atos refletirem um pouco que seja da Bondade Divina, conseguiremos começar a mergulhar numa paz indescritível, uma paz que não se acaba.
Jesus falou dessa paz…
Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Não a dou como o mundo a dá.
Era a paz que Ele havia alcançado, a paz de uma alma que ama a todos, a paz de um Espírito perfeito, não a paz aparente do mundo.
Se desejamos essa paz, imitemos o Mestre sempre que nos seja possível.
Trata-se de um exercício.
A pouco e pouco, estaremos entesourando a paz que fará nos sentirmos como verdadeiros filhos de Deus.
Joanna de Ângelis

FILOSOFIA DE COMPREENSÃO

No transcurso de um dia, não faltam motivos para revides, agressões, quedas morais.
Uma pessoa desatenta choca-se contigo e não se desculpa.
Outra, irreverente, diz-te um doeste e segue, sorrindo.
Mais alguém, em desequilíbrio, não oculta a animosidade que lhe inspiras.
Outrem mais, de quem sabes que te censura, e, mentindo contra ti, acusa-te, levianamente…
Tens vontade de reagir.
Também sou humano – costumas pensar.
Somente que reações semelhantes àquelas não resolvem o problema.
Deves nivelar-te às pessoas, pelas suas conquistas e títulos de enobrecimento, numa linha superior, e não pela sua mesquinhez.
Ninguém passa, na Terra, sem provar a taça da incompreensão.
Cada qual julga os outros pelos próprios critérios, mediante a sua forma de ser, como é natural.
O que não se possui é desconhecido; portanto, difícil de identificado noutrem.

Não é necessário que se te despersonalizes, evitando apresentar-te conforme és.
Faz-se mister que te superes vencendo a parte negativa do teu caráter, aquela que censuras nos outros.
Lapidando as tuas arestas, tornar-te-ás melhor e mais feliz.
Aqueles que são exigentes, que gostam de aclarar tudo, resolver as situações que lhes surgem, padecem de distúrbios emocionais, sofrem ulcerações gástricas e duodenais, vivem indispostos.
Será que esses perturbadores e insolentes do caminho merecem que te desarmonizes?
Seguem em paz, durante todo o teu dia, e arrima-te na filosofia da compreensão e da solidariedade, ajudando-os, sem reagires contra eles.
Isto será melhor para ti e para todos.
JOANNA DE ÂNGELIS
LIVRO: Episódios Diários
MÉDIUM: DIVALDO PEREIRA FRANCO

CONCEITOS DE FELICIDADE

Nos dias atuais, temos conceitos sobre tudo. Os mais variados, os que se assemelham e os que se mostram totalmente diferenciados. O filósofo Platão alertava que não há nada pior do que os conceitos, as palavras esvaziadas, pois isso impede a transmissão do conhecimento.
Felicidade é um deles. O ser feliz de hoje parece desconsiderar todas as boas contribuições do conhecimento que já tivemos nesse sentido. Bons pensadores, grandes filósofos, almas missionárias nos deixaram legados valiosos. É ainda Platão quem nos fala da felicidade como resultado de uma vida e um conhecimento progressivo até atingir a ideia do bem.
Para Aristóteles, a felicidade está na virtude, na conquista desses valores do Espírito que nos colocam em contato com nossa essência. Para Epicteto, outro filósofo, a verdadeira felicidade é um verbo. É o desempenho contínuo, dinâmico e permanente de atos de valor.
Buscando essa vida em expansão, segundo ele, nossa alma amadurece, nossa vida tem utilidade para nós mesmos e para as pessoas que tocamos. Percebemos que todos eles, embora trazendo nuances distintas, apontam para o caminho de dentro do ser e nunca de fora.
Felicidade não depende de acontecimentos externos, não depende de circunstâncias nem dos outros ao nosso redor. Fica mais fácil entender que associar a felicidade à mera busca de satisfação de desejos ou prazeres momentâneos é diminuí-la, menosprezá-la, ou pelo menos confundi-la com sensações ou sentimentos.
Momentos de alegria, momentos de desfrute, de prazer, quando dignos, podem até compor parte da edificação de nossa felicidade, mas não são a felicidade em si. Assim, pode-se ser feliz vivendo momentos de alegria e de tristeza, momentos de lutas, de dor e instantes de júbilo.
São paisagens e cenários do caminho de todos. Felicidade é construção na alma e da alma. Quando Jesus traz a proposta do amor nas três grandes dimensões para nossa vida – a Deus, ao próximo e a nós mesmos – sintetiza o caminho para a construção do nosso ser feliz. Só é feliz aquele que cumpre os deveres para com Deus, para com o próximo e para consigo mesmo.
Entendendo aqui, não um cumprir deveres impositivo, de uma força externa que nos obrigue a realizar algo contra nossa vontade. Pelo contrário, dever no sentido de encontro com nossa essência, de buscar aquilo que nos pertence, que dá sentido à nossa vida.
Entendendo, por fim, a felicidade como construção diária, como edificação íntima, o que nos impede de vivê-la ainda hoje? Mesmo que seja um pouco, mesmo que seja tímida, mas alguma porção já pode ser desfrutada. Felicidade de quem é grato pela vida.
Felicidade de quem luta e faz a sua parte. Felicidade de quem se supera sempre que possível. Felicidade de quem está vencendo suas imperfeições. Felicidade de quem está se conhecendo, acolhendo-se como está e percebendo quanto ainda pode vir a ser. Felicidade de quem ama e que se ama. É tempo de ser feliz.
Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita

Comentários