ROSAS E ESPINHOS/WILLIAM SHAKESPEARE

ROSAS E ESPINHOS

Rosas têm Espinhos

Nem palavras duras, nem olhares severos devem afugentar quem ama:
as rosas têm espinhos e, no entanto, colhem-se.

 

WILLIAM SHAKESPEARE

As rosas do infinito

 

Em deslumbrante paisagem das Esferas Superiores do mundo espiritual, realizava-se singular exposição.
A paisagem exuberante fora carinhosamente preparada para a ocasião.
Flores de todos os tipos enfeitavam o ambiente numa festa de cores e perfumes.
Diversos mensageiros ali se apresentavam, trazendo os buquês de flores das suas virtudes para uma importante avaliação de méritos.
Os exemplares eram colocados, cada um a seu tempo, sobre uma toalha de linho translúcido para que pudesse se processar a análise das luzes que os coroavam.
O primeiro grupo se aproximou trazendo uma braçada de rosas, tecidas com as emoções do carinho materno que, lançadas sobre a toalha expediram suaves irradiações de azul indefinível, e os anjos abençoaram o devotamento das mães, que preservam os tesouros de Deus, na posição de heroínas desconhecidas.
Em seguida, alegre comissão juvenil trouxe para exame um delicado ramalhete de açucenas, estruturadas nos sonhos e esperanças dos jovens que sabem manter fidelidade ao Criador, e raios verdes de brilho intraduzível se projetaram em todas as direções.
Logo após, lindas crianças foram portadoras de formosa auréola de jasmins, nascidos da ternura infantil, e que, depostos sobre a toalha, emitiram alvíssima luz, semelhante a fios de aurora sobre a neve.
Depois, pequeno agrupamento de criaturas iluminadas trouxe bela grinalda de cravos rubros, colhidos na renunciação dos sábios e dos heróis, a serviço da Humanidade, que exteriorizaram filigranas de luz avermelhada, quais se fossem rubis etéreos.
Em último lugar, compareceu a mais humilde comissão da festa.
Quatro almas, revelando características de extrema simplicidade, surgiram com um ramo singelo e triste. Eram rosas mirradas, de cor arroxeada, mostrando manchas esbranquiçadas ao longo de hastes espinhosas.
Depostas sobre a toalha, inflamaram-se de luz brilhante, a irradiar-se do recinto até a imensidão dos céus.
Inesperada comoção encheu de lágrimas os olhos espantados da enorme assembleia.
E porque alguns dos presentes chorassem com interrogações imanifestas, o grande juiz da exposição esclareceu emocionado:
Estas flores são as rosas de amor que raros trabalhadores do bem cultivam nas sombras. São pérolas de sentimento puro, de fraternidade real, da suprema consagração à virtude, do amor incondicional ao próximo.
Somente as almas libertas de todo o egoísmo conseguem servir a Deus, em meio às trevas e ao desespero.
Os espinhos que se destacam nas hastes agressivas simbolizam as dificuldades superadas…
As pétalas roxas significam o arrependimento e a consolação dos que já se transferiram da desolação para a esperança…
E os pontos brancos expressam o pranto silencioso e aflitivo dos heróis anônimos que sabem cultivar flores de virtudes no pântano, e servir sem reclamar…
E, entre cânticos de alegria, as rosas luminosas das virtudes cultivadas em meio aos sofrimentos terrenos, subiram rutilantes ao infinito…
* * *
As flores mais sublimes para o céu nascem na Terra, e são plantadas por criaturas que sabem viver para a vitória do bem.
São cultivadas com o suor do trabalho incessante e com as lágrimas silenciosas do próprio sacrifício.

 

Redação do Momento Espírita com base no cap. 25 do livro
Contos e apólogos, pelo Espírito Irmão X, psicografia de
Francisco Cândido Xavier, ed. Feb. Em 07.12.2009.

infinito

Com Discernimento

 

Não somente os espinhos, mas as rosas também.
Não apenas os pedregulhos, igualmente a estrada.
Não exclusivamente as sombras, porém a claridade do dia.
Não só a enfermidade, também a saúde.
Não unicamente os desencantos, senão as esperanças e as alegrias.
*
O espinho que fere defende a rosa, e esta ignora que se evolando no leve ar da manhã aromatiza em derredor.
Os pedregulhos dilaceram os pés, entretanto, são parte da segurança na estrada, que oferece possibilidades de avanço na direção dos objetivos.
As sombras amedrontam, todavia, facultam, também, os recursos para o repouso, de modo a oferecerem forças para as atividades da luz.
A enfermidade que macera ajuda a valorizar a saúde e desperta o homem para a própria fragilidade orgânica, trabalhando pelo seu labor imortalista.
Os desencantos doem, enquanto convocam a mente e o sentimento para as esperanças e as alegrias da vida espiritual.
Todos os que deambulam no carro fisiológico, enganados momentaneamente pelas limitações da caminhada humana, gostariam de estar guindados aos tronos da vaidade, sob as luzes abundantes quão transitórias dos refletores da glória, que provocam inveja e trabalham pela loucura.
Afadigados sob o peso das ambições, aparecem de sorrisos largos os cultores da alegria efêmera e coração estilhaçado pela ansiedade. Profissionais do bom humor experimentam o travo insolvente do cansaço que não podem revelar, obrigados pela compulsória da bajulação popular a desvios da realidade até às alucinações odientas.
São afáveis por compromisso dos interesses imediatos, trabalhando para a insânia das vacuidades impreenchíveis, que o despertar próximo ou remoto transformará em travas de desesperação.
Invejados são também invejosas, sempre em guarda contra os outros que, segundo eles, são constante ameaça ao trono onde brilham e se desgastam.
Cercados por amores compulsórios, que os utilizam para suas próprias ambições, frustram-se, e experimentam soledade interior, malgrado as multidões que os ovacionam.
*
A rebeldia contra o sofrimento é minoridade espiritual.
O desespero face às lutas caracteriza as disposições inferiores do ser.
A ansiedade descabida pelo triunfo na Terra significa desequilíbrio da razão.
A acrimônia contumaz responde pelo primarismo de quem a cultiva.
As paixões de qualquer natureza vinculam o espírito às formas primeiras, impedindo-o de plainar acima das vicissitudes.
Considera que exame é teste de avaliação das conquistas.
Prova constitui técnica de valorização dos bens adquiridos nos empreendimentos do caminho humano.
Sofrimento, portanto, deste ou daquele matiz, também significa desgaste para mudança de tom vibratório, no ritmo da evolução.
Ninguém confia responsabilidades maiores àqueles que não se permitiram promover antes as inquirições selecionadoras dos tipos e das realizações conseguidas.
*
Não te facultes espezinhar, quando convidado aos testemunhos da vida, essas abençoadas oportunidades de superação de ti mesmo. O labor de qualquer natureza afere as resistências de quem se propõe a maiores realizações.
Em toda parte defrontarás a dor trabalhando silenciosamente os espíritos, mesmo quando rebelados, a fim de os alçar à felicidade que aspiram e não sabem como por ela esforçar-se.
Desse modo, ludibriado ou aparentemente vencido, perdendo o que se convencionou chamar “a oportunidade de gozar”, evita o desânimo e desatrela-te do carro da amargura.
Fortemente vinculado ao espírito da vida, que avança sem cessar e adorna tudo; inspirado pelo ideal do amor, que representa a Paternidade Divina no teu coração; e orando pelo pensamento e através dos atos, poderás alcançar a fortuna da paz interior e acumular os tesouros da alegria plena, que bastarão para a concretização da felicidade do teu espírito.
*
Nos espinhos está a segurança das rosas.
Nos pedregulhos o reforço da estrada.
Nas sombras a oportunidade da meditação.
Na enfermidade o convite à prece.
Nos desencantos a superação da forma física.
Reflete, assim, para discernimento na jornada do Rabi, em que não faltaram espinhos de ingratidão, pedregulhos de maldade, sombras de perseguição, enfermidades da inveja e desencantos da deserção dos companheiros mais queridos, enquanto Ele prosseguiu sem desfalecimentos até o fim, de modo a legar-nos a lição da resistência contra o mal, em qualquer lugar e em qualquer circunstância.
*
“Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu, e não podeis discernir os sinais dos tempos?” Mateus: capítulo 16º, versículo 3,
*
“A natureza do instrumento não está a indicar a que utilização deve prestar-se? A enxada que o jardineiro entrega a seu ajudante não mostra a este último que lhe cumpre cavar a Terra? Que diríeis, se esse ajudante, em vez de trabalhar, erguesse a enxada para ferir o seu patrão? Diríeis que é horrível e que ele merece ser expulso”.
Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo 7º – Item 13.
FRANCO, Divaldo Pereira. Florações Evangélicas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 32.

DEUS SUFICIENTE
RESULTADO

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