O ESPIRITISMO É UMA RELIGIÃO CRISTÃ ?

paternidade celeste

A Doutrina Espírita é uma religião cristã?

Somos Espíritas Cristãos

O termo “Cristão” foi inicialmente usado por Paulo, por sugestão de Lucas, para designar os seguidores dos ensinamentos do Mestre Jesus sem discriminação, uma vez que era assim que eles vinham sendo chamados pelo povo nas comunidades onde atuavam. Naquela época, o Cristianismo, com este nome, inexistia, pois os cristãos eram vistos pelos romanos como membros de uma nova seita oriunda do Judaísmo e, portanto, como Judeus.
Com a secularização da nova religião, a partir do primeiro Concílio Ecumênico, o estado romano não só declarou o Cristianismo como uma nova religião, como tomou a si o direito de decidir, direta ou indiretamente, qual seria a religião pura, religião essa que levou o nome de “Católica Apostólica Romana”. A intenção do império romano, como a de todo império, era manter o estado coeso e unido em torno de ideais comuns. Assim, todas as crenças cristãs discordantes da “pureza” determinada por força de sua autoridade foram consideradas desvios perigosos e, por isso, combatidas até o extermínio.
Examinemos um pouco os termos usados. “Católica” quer dizer “para todos”, “apostólica” significa “legada pelos apóstolos” e “romana” é o mesmo que “com sede em Roma” (por alegada escolha de Pedro, que teria sido o primeiro Papa). Tendo em vista o próprio significado da designação escolhida, um católico enxergava apenas a sua Igreja como pura, vendo nela um caminho ao qual todos podiam e deveriam aderir e todas as demais como desvios. No entanto, a Igreja dominante não considerava os desvios em relação à pureza por ela determinada como não cristãos, mesmo quando neles via uma ameaça à sua hegemonia e, por isso, os combatia a ferro e fogo. Chamava-os de heresias, isto é “doutrinas contrárias ao que foi definido pela Igreja em matéria de fé”.
Não só para o católico, como vimos, mas, também, para todos os estudiosos sérios de religião, há inúmeras igrejas cristãs, sendo as mais importantes, pelo número de seus seguidores, a Católica e a Protestante, também chamada de Evangélica, com suas diversas ramificações.
Se para eles, pois, o Espiritismo não é uma religião cristã, não é porque não aceitem como cristãos aqueles que não são católicos e, sim, porque desconhecem o Espiritismo, confundindo-o com uma miríade de filosofias e crenças espiritualistas que existem no mundo e que, estas sim, nada, ou pouco, têm de Cristianismo. No Brasil, por exemplo, a maioria dos irmãos católicos e evangélicos que criticam o Espiritismo confunde-o com a Umbanda, o Candomblé e até mesmo com a Macumba. Como tudo o mais que existe de errado em nosso orbe, portanto, tal confusão é filha da mãe Ignorância.
Voltando ao tema escolhido como título de nosso estudo, penso que poderíamos ver a questão “Espiritismo e Umbanda” sob uma ótica semelhante. Tendo em vista que a Umbanda ou bem derivou do Espiritismo nas terras brasileiras ou foi por este fortemente influenciada, poderíamos ver a Umbanda como uma seita Espírita com influência de religiões africanas e indígenas.
Vista a Umbanda sob esta ótica, nossos irmãos Umbandistas não estarão totalmente errados ao se dizer Espíritas. Se quisermos enfatizar a distinção entre o Espiritismo “puro” e outras crenças que dele derivaram ou que fazem uso de alguns de seus princípios doutrinários, faríamos melhor escolhendo para nós uma designação que nos identifique com precisão e que nos agrade mais que o termo “espírita kardecista”, visto que este não condiz com o que o Espiritismo realmente é, qual seja, a Doutrina dos Espíritos.
Como, no entanto, a Doutrina dos Espíritos foi-nos trazida pelo Espírito de Verdade, auxiliado por uma falange de Espíritos seus seguidores, a designação mais apropriada, a meu ver, é “Espiritismo Cristão”. Assim sendo, somos “Espíritas Cristãos”.
Quanto à Umbanda e a outras nobres crenças espiritualistas, apesar de elas seguirem ensinamentos espíritas, também seguem ensinamentos de teologias não-cristãs, tanto de origem africana como indígena. Desse modo, mesmo sendo aceitável, sob a ótica exposta, que nossos irmãos e irmãs de tais crenças se intitulem espíritas, espíritas cristãos, definitivamente, eles não são e não estarão sendo corretos se assim se intitularem.

Referências:

XAVIER, Francisco Cândido. Paulo e Estevão. Ditado pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 2002.
LOPE, Wladisnei. Porque não sou Espírita Kardecista. Revista Internacional de Espiritismo, Jan. 2002.
MONTANHOLE, Ednilsom. Porque sou Espírita Kardecista. Boletim GEAE 430, de 19 de fevereiro de 2002.
Que Deus abençoe a todos.

espírito

É o Espiritismo Cristão?

Américo Domingos Nunes Filho

Embora alguns irmãos espíritas pensem o contrário, podemos afirmar, com
segurança, baseado em Kardec, que a Doutrina Espírita é essencialmente
cristã.
Por que, então, a negação por parte de alguns companheiros de ideal? Será
que desconhecem a Codificação Kardeciana?
Lembramos, com detalhes, de reunião mediúnica, onde fomos incumbidos da
tarefa de doutrinar certa entidade que se dizia incrédula, descrente da
Divindade, fechada à compreensão da presença do Criador, como artífice
maior da Vida, o nosso Excelso Pai, amoroso e justo para todo o sempre.
Ficamos algumas horas em debate e, após o encerramento do assunto, sem
termos notado qualquer mudança de opinião por parte do irmão ateu, ele,
apresentando-se momentaneamente inseguro, declara, altíssimo que, se tudo
o que tínhamos dito era realidade, pediria, então, reencarnação em lar
espírita.
Ao mesmo tempo, invigilantes, pensamos: “Mais um ‘herege’ dentro do
Movimento do Consolador prometido por Jesus; mais uma voz a discordar do
aspecto religioso da Doutrina dos Espíritos; mais um irmão eivado com o ranço
materialista da negação do Cristo e do Seu Evangelho redentor; mais um apto
somente para o aspecto científico, em detrimento das outras duas escoras do
tripé: a filosófica e a religiosa.
Sabemos que Jesus disse que, em Sua época, não poderia ministrar outras
preciosas lições, desde que os homens ainda não estavam habilitados ao seu
entendimento. Devido ao atraso evolutivo, não se encontravam preparados
para granjear ensinos mais profundos.
O importante é que o Mestre nos deixou uma esperança: mandaria o Espírito
de Verdade, que relembraria as Suas valiosas informações e traria outras ainda
mais completas e sólidas, de melhor entendimento. (João 14:26)
Esse Consolador vem complementar o Cristianismo do Cristo, não deixando
mais órfã a Humanidade, aprisionada nas teias do Cristianismo dos homens,
onde a essência puríssima do ensino de Jesus foi maculada e adulterada por
mãos inescrupulosas, nas bolorentas dependências clericais.
O Espiritismo não surgiu somente para reviver a Doutrina Cristã dos tempos
primevos, ainda não corrompida pelo poder temporal ligado ao sacerdócio
organizado. A crença espírita vai mais longe: completa o ensino do Mestre
através da gloriosa presença do Espírito de Verdade entre nós, ministrando a
Kardec, por diversos médiuns, lições que podem, agora, ser suportadas (João
16:12), devido ao progresso científico hodierno.
O Mestre de Lyon afirma que o Espiritismo é a doutrina do Cristo de
acordo com o progresso das luzes atuais (“A Gênese”, edição FEB, pág.
324).
Através da Codificação Espírita, o Cristianismo sofre um processo de
libertação, não mais estagnado no tempo e no espaço, porquanto disse o
Mestre que, através do Espírito de Verdade, falaria abertamente sobre o Pai
(João 16:25), guiandonos a toda a verdade (João 16:13).
Léon Denis relata que: “depois de séculos de silêncio, o mundo invisível
se descerra; ilumina-se e agita-se até as suas maiores profundezas. “As
legiões do Cristo e o próprio Cristo estão em atividade. SOOU A HORA DA
NOVA DISPENSAÇÃO” (“Cristianismo e Espiritismo”, ed. FEB, pág. 260).
O Apocalipse relata a predição de uma nova era em que as boas novas
seriam proclamadas pela pregação do evangelho eterno (Apocalipse
14:6). Nós, espíritas, já estamos vislumbrando a alvorada dessa
afortunada época, porquanto, através de nossos próprios passos,
atingiremos essa meta.
Nós, seguidores de Jesus e de Kardec, fomos constituídos “ministros de
um novo testamento, não da letra que mata, mas do espírito que vivifica” (2
Coríntios 3:6). A partir da disseminação desse “Evangelho Eterno”, as leis de
Deus não serão apenas conhecidas, mas vivenciadas no coração dos
homens (Jeremias 31:33).
Então, estaremos diante da razão amalgamada com a fé, o conhecimento
científico dando sustento à religião, não mais uma crença alicerçada em
fundamentos míticos ou místicos e, sim, o verdadeiro “Religare”, a
profunda comunhão com Deus, sem hierarquias e sem dogmatismos,
conforme preconizou o Mestre, falando à mulher samaritana, junto à fonte
de Jacó:
“Deus é espírito; e importa que O adorem em espírito e em verdade” (João
4:24). Como é importante, querido leitor, o conhecimento das duas
revelações divinas à Humanidade que precederam o advento da Doutrina
Espírita!
Allan Kardec, em “A Gênese”, com muita propriedade e servindo como
reflexão para todos os seus adeptos, diz o seguinte: “A Bíblia guarda
grandes e belas coisas. A alegoria ocupa ali considerável espaço, ocultando
sob o véu sublimes verdades…” (pág. 87, Ed. FEB) Na mesma obra, o Mestre
francês nos ensina e tenta esclarecer alhures: “O Espiritismo, longe de negar
ou destruir o Evangelho, vem, ao contrário, confirmar, explicar e desenvolver,
pelas leis da Natureza que revela, tudo quanto o Cristo disse e fez; elucida os
pontos obscuros do ensino cristão, de tal sorte que aqueles para quem eram
ininteligíveis certas partes do Evangelho, ou pareciam inadmissíveis, as
compreendem e admitem sem dificuldade, com o auxílio desta doutrina; vêem
melhor o seu alcance e podem distinguir entre a realidade e a alegoria; o Cristo
lhes parece maior; já não é simplesmente um filósofo, é UM MESSIAS DIVINO”
(Retirado do Cap. I, n°41).

É O ESPIRITISMO CRISTÃO?

Inobstante o que já trouxemos até aqui de
subsídios favoráveis à tese de ser a Doutrina dos Espíritos uma crença
cristã, transcrevemos, agora, mais alguns ensinos comprobatórios,
Kardeciana:
1 – “Jesus é o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem para lhe
servir de guia e de modelo”. (Espíritos Superiores, “O Livro dos Espíritos”,
questão 625, pág. 308, FEB);
2 – “Estamos incumbidos de preparar o reino do bem que Jesus anunciou”
(Espíritos Superiores, “O Livro dos Espíritos”, questão 627, pág. 309,
FEB);
3 – “Todas as verdades se encontram no Cristianismo, os erros que nele se
enraizaram são de origem humana… (“O Espírito de Verdade” “O Evangelho
Segundo o Espiritismo”, cap. VI, n° 5, pág. 99, IDE);
4 – Aproxima-se a hora em que te será necessário apresentar o
Espiritismo qual ele é “mostrando a todos onde se encontra a verdadeira
doutrina ensinada pelo Cristo”. Aproxima-se a hora em que, à face do céu e
da Terra, terás de proclamar que “o Espiritismo é a única tradição
verdadeiramente cristã” e a única instituição verdadeiramente divina e
humana”. (Espíritos Superiores a Allan Kardec, “Obras Póstumas”, pág. 308,
FEB);
5 – “O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, é
consequência direta da sua doutrina” (Kardec, “A Gênese”, cap. I, n” 30,
pág. 28, FEB);
6 – “O Espiritismo é obra do Cristo que o preside…” Kardec, “O Evangelho
Segundo o Espiritismo”, pág. 36, IDE);
7 – “O ensino dos Espíritos é eminentemente cristão” (Kardec, comentário
da questão 222 de “O Livro dos Espíritos”, pág. 152, FEB:
8 – “O verdadeiro espírita como o verdadeiro cristão são a mesma coisa”
(Kardec, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, pág. 223, IDE);
9 – “O Espiritismo vem realizar no tempo certo as promessas do Cristo”
(Kardec, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XXIII, n° 17, pág. 281,
IDE);
10 – Não poderíamos deixar de veicular a afirmação de Kardec, retirada de “O
Livro dos Médiuns”: “A bandeira que desfraldamos, bem alto é a do
ESPIRITISMO CRISTÃO e humanitário…” , pág. 434, ED. FEB;
11 – Para finalizar, esta obra-prima que o Codificador não propagara por ser
um Espírito Superior já destituído das paixões inferiores, mas que foi publicada
após a sua desencarnação: “Conta conosco e conta sobretudo com a
grande alma do Mestre de todos nós, que TE PROTEGE DE MODO MUITO
PARTICULAR.
(Os grifos são nossos – “Obras Póstumas”, pág. 308, FEB).
(Artigo reproduzido do site da ADE-RJ com autorização do autor)

JESUS VERDADE