ANÁLISE DA BÍBLIA ORIGINAL SEGUNDO O ESPIRITISMO

ANÁLISE DA BÍBLIA ORIGINAL SEGUNDO O ESPIRITISMO

ANÁLISE DA BÍBLIA ORIGINAL SEGUNDO O ESPIRITISMO

biblia segundo espiritismo

O NOVO TESTAMENTO

 

SEVERINO CELESTINO DA SILVA

PROFESSOR, PESQUISADOR E ESCRITOR

 

 

O Dr Severino Celestino da Silva, estudioso de línguas antigas e profundo analista do livro mais lido pela humanidade, a Bíblia. O ilustre professor é graduado em Odontologia, com especialização em Periodontia, mestrado em Clínicas Odontológicas pela Universidade de São Paulo e doutorado em Odontologia Preventiva e Social pela Fundação de Ensino Superior de Pernambuco.
É Professor de Ensino Superior na Universidade Federal da Paraíba. Ex-seminarista,é pesquisador do hebraico e das religiões, principalmente o judaísmo, base de todas as religiões cristãs. Sempre estudou a essência e conteúdo divinos da Bíblia em sua língua original, o hebraico.
Espírita há mais de 20 anos, estudou toda a obra de Kardec e pesquisadores contemporâneos, relacionando o Espiritismo com a Bíblia, com respeito e conhecimento.
Escreveu o livro “Analisando as Traduções Bíblicas” e outro livro, mais recente, mas tão importante quanto o primeiro, analisa a sublime e consoladora mensagem de Jesus. É o livro “O Sermão do Monte”, naturalmente relativo ao famoso discurso proferido por Jesus aos ouvintes da Galiléia, da Judéia, de Jerusalém, de Decápolis e de além Jordão, trazendo os mesmos aspectos de tradução direta dos textos hebraico e grego, que o Dr Severino conhece tão bem. São livros que nos ligam ao pensamento de Jesus, e portanto, ao ideal do Bem, que sem dúvida nos concilia com o Cristo. Os direitos autorais dessas obras são revertidos para as obras assistenciais do Núcleo Espírita Bom Samaritano, em João Pessoa – Paraíba.
O professor Severino Celestino da Silva é ainda o apresentador do programa “Abrindo a Bíblia” pela Rede Boa Nova de Rádio. O professor Severino também apresenta o programa “Abrindo a Bíblia” na TV Mundo Maior.

 

 

ANALISANDO AS TRADUÇÕES BÍBLICAS

Refletindo a Essência da

Mensagem Bíblica

 

Agradecimentos

A Deus por ter criado este universo maravilhoso, permitindo, ainda que eu possa fazer parte dele.

 

Considerações Preliminares

Eu devo o meu conhecimento da língua hebraica a um homem extraordinário. Um mestre completo na expressão da palavra. Alguém que ensina por amor ao que faz sem se preocupar com o retorno material, mas apenas pelo prazer de colocar seus alunos em relação com um ”Mundo Novo”.
O meu contato com o professor Avraham Avdan foi mais espiritual do que material. A sua Cultura Judaica e o seu carisma em ensinar, despertaram a minha curiosidade e me levaram a penetrar no mundo da sua Cultura Oriental que muito veio enriquecer a minha atual visão do Espiritismo.
Tem me ensinado o professor Avraham tudo que se espera de um grande mestre: conhecimento, dedicação, respeito, sobretudo para com o princípio religioso dos outros, além de nos dar exemplos de como se amar indistintamente os que nos cercam.
Conheço a sua simplicidade e até sei que ele, com certeza, não gostará desta minha declaração, no entanto, acho que justiça é para ser feita.
Tudo que consta nesta obra, com relação ao Judaísmo, é fruto do que o professor Avraham conseguiu despertar em mim.
Nosso estudo analisa a tradução dos textos da Bíblia hebraica (Tanách), alguns textos gregos na Septuaginta e outros do Latim, na Vulgata, principalmente os textos considerados mais divergentes, com relação às bases da Doutrina Espírita. A tradução é analisada, partindo dos versículos da Bíblia hebraica e grega, em seu texto original, mostrando ao leitor onde estão as divergências de tradução e o verdadeiro significado e análise do texto, à luz da verdade neutra e ecumênica. Os textos do Antigo Testamento (Tanách) foram analisados, tendo, como base principal, a língua hebraica. Algumas passagens foram analisadas, mostrando as distorções que ocorreram a partir das traduções para as línguas grega e latina.
O Hebraico, língua materna de patriarcas, profetas e sábios, como Abraão, Isaac e Jacó, foi escolhido por Deus para que seus enviados trouxessem sua mensagem ao mundo, razão pela qual possui as marcas e a majestade do Criador dos Céus e da Terra. Foi ainda a língua escolhida na solidão dos desertos, através da qual Deus entregou os dez Mandamentos e o resto da Torá a seu povo.
Neste trabalho, utilizaremos essa língua, para esclarecer ao leitor a verdadeira mensagem divina dos textos bíblicos, bem como a inexistência de condenação ao Espiritismo nos mesmos.
Regras de Transliteração e de Pronúncia do Hebraico As regras utilizadas, para a transliteração dos textos, foram baseadas nas regras gerais estabelecidas pela Academia de Língua Hebraica em 1956 e 1957.
Em nosso trabalho, foram utilizados, para a transliteração dos textos em hebraico, os métodos de transliteração do prof. Avraham Avdan Ben-Avraham Corrêa, do Curso de Hebraico, ”Prof. David José Pérez”, Niterói-Rio de Janeiro e adaptações de outras regras de transliteração, como as regras das gramáticas de Gordon Chown, Guilherme Kerr, W. Hollenberg e do Sidur (Livro de Orações Judaicas) organizado por Jairo Fridlin.
A transliteração foi adaptada tanto para o hebraico quanto para a leitura em português. Na transliteração, foram consideradas as regras de acentuação da língua portuguesa.
Nos casos onde isto não foi possível, foram usados os acentos agudo e circunflexo para marcarem a sílaba tônica das palavras não paroxítonas (abrindo ou fechando o som das vogais).
Quando, no original hebraico, a palavra contém a letra ”áin” (V), de pronúncia gutural, usase o apóstrofo de separação.
A letra álef X) toma o som vocálico da vogal massorética que a acompanha.
A consoante Guímel (3) tem o som G, porém, diante das vogais ”e” e ”i”, soa como GUE e GUI.
Hêi ([) H, tanto no início como no meio da palavra, deve ser pronunciado aspiradamente como ”half’, em inglês.
Para a letra ”Hêth” (11) H, usamos o ”eh” com som forte aspirado na garganta como o eh alemão ou ”J” em espanhol.
A letra Káf (D) no começo da palavra soa como o ”K”, no meio e no fim da palavra, usa-se o som aspirado e simbolizamos com ”eh”, como ”rr” na palavra carro.
O Shin (52) é transhterado com ”sh” e deve ser lido como a letra ”x” na palavra xícara.
Sámech (D) e Sin (52) têm o som S, sempre que estiverem no início da palavra, precedidos ou seguidos de consoante, e o som SS, quando estiverem entre duas vogais.
Tsádic(X) = TS.
Em alguns casos, a shevá foi transliterada por E, embora não como sílaba tônica, e sim para facilitar a leitura.

 

 

Textos Bíblicos Referenciais

Todos os textos hebraicos, utilizados neste trabalho, foram extraídos do TANÁCH (Bíblia hebraica) da ”YAVNEH” Publishing House Ltd. -Head Office: 4, Mazeh St., Tel- Aviv Israel e foram digitados e massoretizados pelo autor, usando a fonte SIL EZRA.
Os textos gregos do Velho Testamento também foram digitados pelo autor e extraídos da
Septuaginta.
Os textos gregos do Novo Testamento tiveram, como base de’ pesquisa, a coleção de Champlin R. N. em 6 volumes e o Novo Testamento, em Grego, da United Bible Societies, 1989.

PREFÁCIO

“Toda pessoa vem ao mundo com uma meta específica que deve alcançar em sua vida. Se o homem não terminar sua missão, voltará em outra encarnação. Como não sabemos exatamente qual a meta de cada um, nos guiamos pelo objetivo comum a todos que é fazer o bem através de Torá e Mitsvôt. Esta é a missão que cabe a todos os Iehudim, e devemos nos esforçar ao máximo para cumpri-la da melhor forma.” Rabino Raphaet Shammah, ”Pensamentos”, pag. 1; Diretor da IechivaOr Israel College, Cotia (SP), 2000.
Pela primeira vez vejo uma obra na área cristã dedicada à Reencarnação na Bíblia, talvez até por desinformação minha, pois a impressão que me ficava do Espiritismo, através do que eu ouvia de muitos dos seus doutrinadores, era que os Espíritas tinham certa aversão ao texto do livro Sagrado, considerando-o mais como folclore, dedicando-se, por outro lado, quase Nota 1: Sempre que eu usar um termo hebraico no sentido judaico, deixo-o sociologicamente no original, quando uso no sentido ocidental, traduzo para a forma grecogênica usual no Ocidente Os judeus não gostam de usar termos traduzidos para o que é seu, sempre usando os termos originais.
Inteiramente aos livros de Allan Kardec e congêneres. Certamente eu estava muito mal informado. Do lado Protestante ou Católico é notória suas condenações a tudo que se refere à Reencarnação, incorporações, obsessões, chegando os primeiros a atribuir tudo ao demônio…
Muitos sabem que a Reencarnação faz parte das crenças Hinduísta, Budista e de outras religiões orientais ou antigas, o mesmo ocorrendo entre muitos ”povos primitivos”. Na Religião Drusa (que já está próxima do Judaísmo) a Reencarnação é crença fundamental.
Quando morre um druso, seus parentes deixam passar alguns anos na espera de sua reencarnação, depois começam a procurar um (a) jovem que, à base das ”memórias de sua vida anterior” possa ser a  reencarnação do parente desaparecido. Isto se torna verdadeira obsessão para os drusos que, quando identificam em alguém a reencarnação do falecido, passam a considerá-lo seu parente, membro de sua família. Isto, pelo menos, contribui para a coesão do grupo étnico-religioso druso numa grande família, o que é muito importante para a sobrevivência dos drusos, um grupo secularmente perseguido pelos muçulmanos (turcos e árabes) no Oriente Médio. Mas, quem conhece os drusos aqui no Ocidente?
Todavia, pouquíssimas pessoas sabem que a Reencarnação é, antes de tudo, crença judaica; e se está no Judaísmo teria que estar no Tanách2.
Essa insapiência do grande público não é de se admirar, considerando quão pouco o gentio (mesmo intelectual) sabe a respeito dos judeus e do Judaísmo. Eu aconselharia o leitor, na Nota 2: Não custa lembrar que nunca houve um só Judaísmo monolítico, nem no passado distante, nem hoje. Aqui nos referimos especialmente às correntes ortodoxas e cabalistas.
impossibilidade de ler o ” Zôhar” e outras obras cabalísticas, que pelo menos lesse ”O Dibuk” de An. Ski (Editora Perspectiva, São Paulo).
A iniciativa do Dr. Severino Celestino da Silva é importantíssima porquanto mostra que todas as Verdades estão no Tanách, bastando, para Vê-las, lê-lo no Hebraico original e com o espírito semítico em que foram escritos, jamais com a óptica Greco-romana.
Quando o Cristianismo, ainda como seita judaica3, se expandiu, era de se esperar que semitizasse, judaizasse, o mundo greco-romano. Mas não foi o que aconteceu. Na realidade, ao se traduzir o Tanách para o grego e depois para o latim, e depois ainda às línguas ocidentais, originando a Bíblia que o Ocidente conhece, conceitos semíticos incompreensíveis para gregos e romanos (hindo-europeus) ou até opostos às concepções helénicas, foram adaptados a conceitos heleno-latinos, nem sempre exatos, para que as sociedades neocristãs pudessem entendê-las, embora com o sacrifício do sentido original.
Hoje sabemos que termos sociológicos não se traduzem, porque refletem conceitos próprios desta ou daquela Cultura e sociedade, inexistentes naquela para a qual se está traduzindo.
Mas isto é um conceito moderno; não era assim que pensava um grego: tudo tinha que ser expresso em grego, ”traduzido” inteiramente ao pensamento grego, ao risco de a ”tradução” não conferir com o original (mas conferiria com a cabeça de um grego). Vamos dar um exemplo: Se eu estivesse traduzindo um texto japonês em que se falasse de ”Godzila”, se eu fosse um grego antigo raciocinaria: Um brasileiro comum não entenderá o que seja ”Godzila”; então eu ”traduziria” para ”mula sem cabeça”.
Nota 3: A palavra hebraica ”Dérech”, que foi traduzida em Atos, como ”caminho”, significa também interpretação”, ”seita”.

 

 

ANÁLISE DA BÍBLIA ORIGINAL SEGUNDO O ESPIRITISMO

O brasileiro comum entenderia a ”tradução”, mas isso seria qualquer coisa, mas não uma tradução fiel, seria uma ”traição ao original.
Assim, quando eu leio certos trechos na Bíblia, eles me soam estranhos, diferentes daquilo que, como judeu, semiticamente, leio no Tanách original. As palavras estão ali, mas o significado profundo é diferente (sem contar as omissões e interpolações que diferenciam o original hebraico do das traduções), porque no Tanách eu leio com cabeça judaica, semítica.
Vejamos alguns pontos, só para exemplificar:
a) Quando o Tanách fala em ”Adam”, no início do livro Bereshit, eu entendo que D”S fez o ”ser humano” (Adam ser humano), não importa quantos ou onde colocou cada um, jamais como nome próprio de um só homem. E na palavra ”Hava” eu entendo ”Vida”, jamais o nome próprio de uma mulher, o que semiticamente (Eva) não me faz sentido.
b) Quando o Tanách fala em ”Málach”-Anjo, a imagem que me vem semiticamente é a de um homem adulto, barbudo, vestido com roupas iguais as de qualquer homem da época (tanto que Avraham a princípio não os reconheceu como tais), jamais como um adolescente imberbe, com asas às costas, vestido de camisolão branco, como se acabasse de baixar do Olimpo, na imagem que o Ocidente preservou, absolutamente grega e nada judaica.
c) Quando um judeu fala em ”Shabat”, está falando de algo diferente do sábado, como as pessoas comuns entendem este termo.
d) Quando eu falo em ”Pêssach”, estou me referindo a uma Festa e cerimônia que nada têm a ver com a Páscoa, como os cristãos a entendem.
e) Quando falamos em ”Roshe haShaná”, estamos nos referindo a algo absolutamente diferente daquilo que o gentio entende por ”Ano Novo”, seja como data, seja como cerimonial, seja como significado,
E assim por diante.
Por tudo isto houve necessidade de esclarecer: ”Páscoa judaica”, Ano Novo judaico”, etc.
Ora, é no mínimo ilógico que se absolutize a cópia e adjetive o original.
O trabalho do Dr. Severino Celestino é mais relevante ainda porque não parte simplesmente de uma tradução eivada de defeitos, mas ele vai ao original de cada citação, sem preconceitos, transcrevendo o texto original em hebraico, sua transliteração (para quem não sabe hebraico, lê-lo), analisando palavra por palavra, para retirar o véu lançado pelas antigas e modernas ”traições” grecoromanóides, deixando à luz meridiana o sentido do texto hebraico.
É um trabalho original, de fôlego, com muita força analítica, que precisaria estar em todas as livrarias, ao alcance de todos os que querem conhecer o que o Tanách diz sobre a Reencarnação.

reencarnação lei divina

 

 

MINI-GLOSSÁRIO DO PREFÁCIO

1) ADAM. 2) BERESHIT. 3) CABALÁ: Ser humano. Em grego ”Gênese”, o Livro das origens. O ensinamento esotérico do Judaísmo, transmitido desde priscas eras, oralmente aos iniciados de geração em geração.
4) DIBUK. 5) HAVA. 6) IECHIVÁ. 7) IEHUDIM. 8) MÁLACH. 9) MITSVÔT. 10) TALMUDE: A palavra significa ” Encosto”, espírito obsessor. Viva, Vida. Seminário para formação de Rabinos. Judeus. Enviado divino. (Plural de Mitsvá) Boas ações, fazer o bem.
Conjunto dos Tratados do Direito Consuetudinário Judaico; são 63 Tratados originais e mais alguns acrescentados posteriormente. Há dois Talmudes: o de Jerusalém e o da babilônia. Cada um está dividido em duas partes: a Misná (Os Tratados de Direito, propriamente ditos) e a Guemará (as Jurisprudências).
11) TANACH: Nome hebraico da Bíblia como um todo. Há diferenças na forma de arrumar os livros e de classificá-los, se comparado com a Bíblia cristã.
12)TORÁ: Palavra hebraica para o que os cristãos chamam de Pentateuco.
13) ZÔHAR: Principal livro da doutrina cabalista; são 24 volumes enciclopédicos.

 

Esclarecimento

Nasci em uma família católica. Meus pais me introduziram logo cedo nos princípios religiosos apostólicos romanos.
Conheci a Bíblia pela primeira vez, em 1964, e o meu instrutor bíblico inicial foi o Padre Marcos Augusto Trindade, de quem recebi a primeira Bíblia e a quem dedico todo o meu respeito e gratidão. Durante 27 anos, fui ligado à igreja católica. No entanto, a mediunidade me fez abraçar a doutrina Espírita que ao mesmo tempo me ensinou a ser um averiguador das verdades divinas apresentadas pelos homens.
Ao longo desses anos, muitos questionamentos me foram feitos sobre o motivo pelo qual me tornei Espírita.
Após concluir meus estudos na carreira de magistério com os cursos de especialização, mestrado e doutorado, na área profissional, dediquei-me a este trabalho na área religiosa para responder a estes questionamentos.
Meu conhecimento da língua hebraica conduziu-me aos textos bíblicos hebraicos e o que descobri me deixou apreensivo e, de certa forma, perplexo.
Existiam tantas divergências entre os textos das Bíblias, em português, que pensava eu estar enganado. No entanto, à medida em que me aprofundava em minhas pesquisas, mais e mais divergências encontrava mais e mais discordâncias iam surgindo, encontrando-me assim diante de uma verdadeira ”Torre de Babel” provocada pelas traduções bíblicas existentes.
22
A falta de fidelidade encontrada nos textos traduzidos, para nossa língua, fez-me recordar a carta que São Jerônimo escreveu ao papa Dâmaso sobre a tradução da Bíblia do grego para o latim, tradução esta que passou a se chamar ”Vulgata”.
Eis o conteúdo da carta: ”Da velha obra me obrigais a fazer obra nova. Quereis que, de alguma sorte, me coloque como árbitro entre os exemplares das Escrituras que estão dispersos por todo o mundo, e, como diferem entre si, que eu distinga os que estão de acordo com o verdadeiro texto grego. É um piedoso trabalho, mas é também um perigoso arrojo, da parte de quem deve ser por todos julgado, julgar ele mesmo os outros, querer mudar a língua de um velho e conduzir à infância o mundo já envelhecido”.
”Qual, de fato, o sábio e mesmo o ignorante que, desde que tiver nas mãos um exemplar (novo), depois de o haver percorrido apenas uma vez, vendo que se acha em desacordo com o que está habituado a ler, não se ponha imediatamente a clamar que eu sou um sacrílego, um falsário, porque terei tido a audácia de acrescentar, substituir, corrigir alguma coisa nos antigos livros?”
”Um duplo motivo me consola desta acusação. O primeiro é que vós, que sois o soberano pontífice, me ordenais que o faça; o segundo é que a verdade não poderia existir em coisas que divergem, mesmo quando tivessem elas por si a aprovação dos maus.” (São Jerônimo tradutor da Vulgata – Bíblia em latim).
Logicamente meus motivos diferem dos de São Jerônimo, no entanto, concordo plenamente com ele quando afirma que ”a verdade não poderia existir em coisas que divergem”.
No entanto, São Jerônimo havia experimentado o mesmo que eu, ou seja, encontrou versões pouco literárias e muitas vezes inexatas.
Ele respondeu zombando aos partidários de uma tradição imutável ”Para o asno, a lira canta inutilmente” (Carta 27,1).
Eu não busco fazer uma nova tradução da Bíblia, no entanto, apresento uma verdade que espero, venha atender sem divergências às necessidades de todos.
Estou entregando portanto uma resposta àqueles que me cobraram essa posição, traduzindo, diretamente do hebraico, alguns textos bíblicos que julguei importantes.
Não exponho um exemplar novo, mas conceitos baseados no texto original, por isso sinto-me tranquilo ao apresentar meus achados pelos caminhos que me levaram à VERDADE. E se me chamarem de sacrílego eu não me posicionarei igualmente a São Jerônimo, afirmando que ”Para o asno, a lira canta inutilmente”, mas o convido a verificar estas novas verdades para que você descubra que a misericórdia divina existe para todos indistintamente.
Meu propósito não é provocar divergências nem confundir você, caro leitor.
O que ora realizo é fruto de uma busca incessante, movida apenas pela vontade de transmitir a realidade, descoberta nesses anos de pesquisa, aos sedentos da verdade.
”Analisando as Traduções Bíblicas” levará você a refletir e este é o maior objetivo dessa obra.

 

 

 

Introdução

A Bíblia é o livro mais lido no ocidente e um dos mais aceitos do mundo. Nós acreditamos, plenamente, nas verdades existentes em suas páginas, mas, não nas alterações que nela fizeram os homens. Muita coisa foi perdida em sua tradução e, por esta razão, precisa ser melhor analisada.
Sabemos que possui um conteúdo moral e sobretudo ecumênico, uma vez que aí não é citada nenhuma religião. Na Primeira Aliança, (Velho Testamento), predomina o Monoteísmo, condução do povo para um único Deus. Nos Evangelhos, (Segunda Aliança), encontramos Jesus ensinando os mais lógicos princípios de moral e espiritualismo sem, no entanto, evidenciar qualquer religião, a não ser afirmando que não viera destruir a Torá nem os Profetas, representação do Judaísmo, que era a sua religião.
Durante muito tempo, nós temos convivido com as informações dos textos bíblicos que nos são trazidas por tradutores ocidentais e sobretudo tradutores não espíritas. O resultado é que ficamos à mercê dos que nos transmitem conceitos, dentro de suas interpretações pessoais.
Temos ainda o desprazer de conviver com as informações tendenciosas que cada um coloca em suas traduções bíblicas, fazendo uma exegese puramente pessoal e informando, categoricamente, que a Bíblia condena o Espiritismo.
A Bíblia passou por muitas fases até chegar ao seu estágio atual. Desde a sua língua original até chegar ao Ocidente, passou do hebraico para o grego na famosa tradução dos Setenta (LXX Septuaginta), daí para o Latim com a Vulgata de São Jerônimo, depois para os diversos idiomas ocidentais e, finalmente, para o português até as nossas mãos.
O interessante, nisto tudo, é que são encontradas muitas diferenças de tradução entre elas. E por quê? O texto que as originou não foi o mesmo? Por que falta unanimidade em suas traduções?
E a única resposta encontrada é esta: a questão pessoal que cada corrente religiosa coloca em sua tradução.
Sempre nos surpreendemos ao ouvir pessoas afirmarem que a Bíblia condena o Espiritismo.
E gostaríamos de questionar com a seguinte pergunta: qual a Bíblia que condena o Espiritismo?
Não é difícil concluir que houve uma desnaturação dos conceitos mais evidentes da Bíblia, adulterando-se a sua verdadeira essência. Na verdade, a Bíblia, em sua língua original, não condena o Espiritismo, pois este nem existia na época em que os profetas receberam os seus livros sagrados…

biblia visão original

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