AS SUTILEZAS DAS OBSESSÕES – VISÃO ESPÍRITA

Obsessão de encarnado para encarnado

– Como ocorre?

Por – Joilson José Gonçalves Mendes
Em o Livro dos Médiuns, itens 237 a 254, Allan Kardec trata dos tipos de obsessão que são:

Obsessão simples:

quando um espírito malfazejo procura de todas as formas interferir na vida do médium, procurando enganá-lo de qualquer maneira.

Fascinação:

apresenta consequências mais graves, uma vez que o espírito obsessor cria uma ilusão na mente do médium, fazendo com que o mesmo perca, parcialmente, a sua capacidade de julgar as comunicações.

Subjugação:

produz a paralisação da vontade da vítima, o espírito obsessor tem a capacidade de fazer com que a pessoa passe a agir de maneira ridícula na presença de outras pessoas. Passa a ser praticamente um fantoche nas mãos do obsessor.
Para maiores esclarecimentos a respeito do assunto sugiro que estudem a referência supracitada. Sabemos que existe a obsessão de desencarnado para desencarnado, de desencarnado para encarnado, de encarnado para desencarnado e de encarnado para encarnado. É sobre este último tipo que iremos discorrer alguns comentários.

O que seria uma obsessão de encarnado para encarnado?

Podemos incluir aqui as invejas, sentimentos de mágoa, raiva, ódio, rancor, vingança, desejar o mal a outra pessoa, esses sentimentos que são próprios das almas sem elevação nem grandeza, como nos esclarece Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. X, item 4.

obsessão encarnados

Mas como podem estes sentimentos

se enquadrarem como

um processo obsessivo?

Em Mecanismos da Mediunidade, Cap IV, MATÉRIA MENTAL – itens Matéria Mental e Matéria Física; Indução Mental; e Formas Pensamentos, o espírito André Luiz dá explicações sobre a força mental que possuímos e que, naturalmente desperdiçamos devido à preguiça mental que ainda é pujante no ser humano. Recomendo a leitura desse capítulo.
Muito já foi escrito, falado e pesquisado sobre a força do pensamento, também disseminado nos livros de auto ajuda. E se nossos pensamentos interferem em nossa saúde física e mental, após a leitura do capítulo acima mencionado, chegarão à conclusão de que nossos pensamentos podem interferir na vida daqueles que nos cercam.
Apenas para citar um exemplo, a época em que estava na Faculdade de Parapsicologia, realizamos um experimento de Telepatia, que consistia em uma determinada pessoa (emissor) transmitir, mentalmente, a imagem de um vampiro para outra pessoa (receptor), que estava em sala distinta e não sabia qual seria a imagem a ser transmitida, pois tudo era selecionado no momento do experimento.
 
O experimento que deveria durar 20 minutos, não passou de 5 minutos. O receptor, que estava na outra sala começou a passar mal e foi preciso encerrar os trabalhos. Após a pessoa (receptor) ter se reestabelecido, foram mostradas a ela, 4 imagens diferentes e dentre elas estava a do vampiro. Quando olhou para imagem em questão, não teve dúvidas e apontou aquela como sendo a imagem do experimento, o que estava correto. Ao perguntarmos para o emissor o que ele tentou transmitir para o receptor, comentou que lembrou de tudo quanto foi filme de terror que havia assistido.
Este singelo experimento vem demonstrar que temos a capacidade de influenciar, pela ação do pensamento, o estado de ânimo de uma pessoa, seja de forma positiva ou negativa, para o bem ou para o mal, o que evidencia a obsessão de encarnado para encarnado.
Outra explicação sobre como ocorre o processo obsessivo de encarnado para encarnado está na Física Quântica, o chamado Emaranhamento/Entrelaçamento Quântico. Este experimento mostrou que duas ou mais partículas ao se correlacionarem, permanecerão ligadas, independente da distância que se encontram. Sempre que uma das partículas for alterada a outra imediatamente reagirá à alteração, podendo estar a um metro de distância ou a milhões de quilômetros no espaço.
Determinado pesquisador (sujeito 1) preparou um boneco de si mesmo, para representá-lo e solicitou que outro pesquisador (sujeito 2) levasse o boneco para uma sala eletromagneticamente protegida. O sujeito 1 permaneceu na sala ligado a aparelhos que pudessem medir alterações no sistema nervoso autônomo. Quando o sujeito 2 passava a mão pela face, ombros e cabelos do boneco, enviando pensamentos de cura, o sujeito 1 sentia os efeitos, pois os aparelhos acusavam as alterações. O boneco e o sujeito 1 estavam entrelaçados. Este experimento também explica a magia africana conhecida como VODU, em que alguém procura o feiticeiro para fazer mal a outrem, utilizando bonecos e alfinetes. Isto é obsessão de encarnado para encarnado.
Muitos experimentos foram realizados por físicos, PhD, pessoas preocupadas com a explicação científica dos fatos, no sentido de demonstrar a influência do pensamento sobre nós e sobre os outros, todos com resultados positivos. Hoje, vemos a Física Quântica esclarecer o que no passado era tido como algo sobrenatural.
Vários pesquisadores estão estudando a influência do CAMPO em nossas vidas, dizem que todos nós estamos interligados por Campos de Energia, que são denominados das mais diversas formas: Campos Morfogenéticos, Vácuo Quântico, Teida da Vida, Matriz Divina, Universo Holográfico, etc. Demonstrando que fazemos parte de um TODO, que nós religiosos o chamamos de Deus.
Talvez tenha sido isto que Jesus quis explicar ao dizer: “Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes”. (Mt 25, 40)
Uma vez que somos todos filhos do mesmo Pai, estamos entrelaçados desde o princípio da criação. Ao fazermos algo que prejudique o nosso semelhante é a nós mesmos que estamos prejudicando. Foi por esta razão que o Cristo tanto falou sobre a importância de aprendermos a perdoar e esquecer as faltas que nos cometem.
Os processos obsessivos continuarão a existir enquanto os seres humanos não compreenderem as leis universais que, por mais que já tenham sido ditas pelos filósofos e profetas, aos poucos estão sendo reveladas pela ciência. O maior exemplo que podemos citar é quando de braços abertos no madeiro disse: “Pai, perdoai-os porque eles não sabem o que fazem.” Lucas 23:34
Referêncial Bibliográfico
Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, itens 237 a 254.
Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap X, item 4.
Xavier, Francisco Candido. Mecanismos da mediunidade – Pelo espírito André Luiz.
Couto, Helio. Ressonância Harmônica – Você cria a sua própria realidade.

obsessão encarnado

OBSESSÃO DE ENCARNADO

PARA ENCARNADO

Francisco Cândido Xavier 

As Revelações da Revelação

Existem pessoas que se aproximam de nós com o espírito da maledicência; querem saber da nossa vida, não para nos auxiliar, mas para tornarem públicas as nossas feridas… Devemos tomar cuidado com esses nossos irmãos que adquiriram uma estranha viciação: querem crescer às custas da indigência alheia…
VIDA ALHEIA –  “-Deveríamos nos abster de opinar sobre a vida alheia. Não sabemos o que nos espera no passo seguinte. Quase todas as pessoas que observei recriminando os outros caíram naquilo que criticavam – caíram eles mesmos ou caíram através daqueles a quem devotavam extremado amor”.
FOME -“A fome no mundo é um convite, sim, à solidariedade, embora a maioria esteja numa prova voluntária. Algumas sementes num pedaço de chão fazem o milagre da multiplicação. Uma pequena hortaliça pode matar a fome de muita gente”.
DELINQUENTES – “-Quase todos os delinquentes que conheci, e com os quais pude conversar, sofreram maus tratos na infância. Foram abandonados pelos pais e cresceram sem receber afeto de ninguém”. NECESSIDADES
ARTIFICIAIS – “-O homem cria muitas necessidades artificiais e se torna prisioneiro delas. Hoje, o homem corre o dia inteiro atrás de dinheiro – dinheiro para sustentar uma vida repleta de ilusões!
VIOLÊNCIA –“Permitimo-nos uma contra pergunta: não será a violência o resultado de nosso pretendido afastamento da fé-religiosa, segundo o materialismo da inteligência deteriorada, que tenta convencer-nos de que não passamos de animais sadios ou doentes da Civilização? Esperemos que o amor se propague no mundo com mais força que a violência e a violência desaparecerá, à maneira da treva quando a luz se sobrepõe(…). Na prática exige a cooperação de nós todos”.
SEXO –“-O sexo, sem dúvida, está na base da maioria dos conflitos psicológicos das criaturas. Todos estão à procura de satisfação que, em essência se traduz pela realização de si mesmos. Agora, ninguém será feliz as custas da infelicidade alheia”.
VIBRAÇÕES NEGATIVAS – “-Quem pede a Deus pelos seus desafetos, vai quebrando as vibrações negativas daqueles com os quais não se afiniza e desarmando o Espírito para uma futura reconciliação – nem que seja na Outra Vida”.
CULPA ALÉM DA VIDA – “-Dos Espíritos desencarnados com os quais tenho tido a oportunidade de conversar, nenhum está satisfeito com o que pôde fazer sobre a Terra; todos acreditam que deveriam ter feito mais”.
PERDAS – “- Não existe sofrimento maior do que perder um filho. Não entendo os nossos irmãos que combatem esse tipo de intercâmbio com o Mundo Espiritual. Eles se esquecem de que os que partiram também desejam o contato. O médium, sem dúvida, pode, em certas circunstâncias, rastrear o Espírito, mas na maioria das vezes, é o Espírito que vem ao médium. O trabalho da Espiritualidade é intenso. Para que um filho desencarnado envie algumas palavras de conforto aos seus pais na Terra, muitos Espíritos se mobilizam. Isso não é uma evocação. Não raro, são os próprios filhos desencarnados que atraem seus pais aos Centros Espíritas. Desejam dizer que não morreram, que continuam vivos na Outra Dimensão, que os amam e que haverão de amá-los sempre.
POLÍTICOS – “-Devemos orar pelos políticos, pelos administradores da vida pública. A tentação do poder é muito grande. Eu não gostaria de estar no lugar de nenhum deles. A omissão de quem pode e não auxilia o povo é comparável a um crime que se pratica contra a comunidade inteira. Tenho visto muitos Espíritos dos que foram homens públicos na Terra em lastimável situação na Vida Espiritual”.
PACIÊNCIA – “-Precisamos estar preparados, compreendendo que a nossa dor não é maior do que a dos outros. Se não temos paciência com uma caneta quebrada, com o café, com o prato à mesa que não vem de acordo com a nossa predileção, como vamos ter paciência com as grandes coisas – se não temos com as pequeninas?”
FÉ – “-Às vezes, nos esfalfamos para conquistar um diploma, na história, no jornalismo, na administração, mas a única escola que temos para nos ensinar bondade natural, caridade dentro de casa, amor à família é a fé, porque, se não pusermos no nosso coração o ensino religioso, seja qual for, estaremos numa agressividade exagerada”.
HIPOCRISIA – Existem pessoas que se aproximam de nós com o espírito da maledicência; querem saber da nossa vida, não para nos auxiliar, mas para tornarem públicas as nossas feridas. Devemos tomar cuidado com esses nossos irmãos que adquiriram uma estranha viciação; querem crescer às custas da indigência alheia”.

obsessões

Obsessões

OBSESSÕES – Ideias Principais:

A palavra obsessão é, de certo modo, um termo genérico pelo qual se designa esta espécie de fenômeno, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.
Dá-se a obsessão simples, quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, se imiscui, a seu mau grado.
A fascinação tem conseqüências muito mais graves. É uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio.
A subjugação é uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. Numa palavra: o paciente fica sob um verdadeiro jugo.
A subjugação pode ser moral ou corporal.
Os principais tipos de obsessão são: de encarnado para encarnado, de desencarnado para desencarnado, de encarnado para desencarnado, de desencarnado para encarnado.

Síntese do Assunto:

Vimos que a obsessão pode ser entendida como o domínio que alguns Espíritos de natureza inferior podem exercer sobre certas pessoas. Esse domínio apresenta graus variáveis, resultando daí, efeitos também variáveis, em grau e em complexidade. As principais variedades de obsessão são a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.
No estudo da mediunidade, Kardec conceituou, como segue, as variedades de obsessão:
– Obsessão simples – verifica-se quando um Espírito moralmente inferior se impõe a um médium, intromete-se nas comunicações contra a vontade do médium, impede que este se comunique com outros Espíritos, e substitui os Espíritos que são evocados. Qualquer médium, principalmente quando lhe falta experiência, pode ser enganado por Espíritos mal intencionados. Entretanto, o que caracteriza a obsessão simples é a persistência de um Espírito em perturbar as comunicações, e a dificuldade que o médium encontra para livrar-se desse inconveniente.
– Fascinação – é entendida como uma ilusão criada diretamente pelo Espírito no pensamento do médium, e que inibe o seu discernimento ou a sua capacidade de julgar as comunicações. O médium fascinado não se considera enganado. O Espírito obsessor consegue impedi-lo de reconhecer o engano, mesmo quando a mistificação é grosseira e ridícula. As conseqüências da fascinação são mais graves, uma vez que o obsessor dirige a vítima, fazendo-a aceitar teorias e ideias as mais absurdas. Nos casos de fascinação, os Espíritos obsessores são, geralmente, bastante espertos e ardilosos.
– Subjugação – é um envolvimento que anula a vontade da pessoa fazendo-a agir de acordo com a vontade do obsessor. O obsidiado fica subordinado a um verdadeiro jugo. A subjugação pode ser moral ou corpórea. No primeiro caso, a pessoa é obrigada a tomar decisões quase sempre absurdas e comprometedoras; no segundo caso, o Espírito age sobre a organização física, provocando desde movimentos involuntários simples até lesões graves no corpo do encarnado.
Entendendo a obsessão como o domínio de uma mente sobre outra mente, ou seja, um processo de transmissão mental, compreender-se-á que ela pode apresentar outras características além daquela até aqui focalizada, ou seja, a atuação de um Espírito desencarnado sobre um encarnado. Existem, em grande número, pessoas obsidiando pessoas; caracterizam-se pela capacidade que têm de dominar mentalmente aqueles que elegem como vítimas. Este domínio mascara-se com os nomes de ciúme, inveja, paixão ou ânsia de poder, e é exercido, muitas vezes, de maneira tão sutil, que a pessoa dominada julga-se extremamente amada, e até mesmo protegida. É uma obsessão de encarnado para encarnado. O marido que subjuga a esposa, a esposa que tiraniza o marido, são expressões desse tipo de obsessão.
Espíritos desencarnados também obsidiam Espíritos desencarnados; o mesmo drama de domínio de uma mente sobre outra mente desenrola-se também no plano espiritual.
É a obsessão de desencarnado para desencarnado. Situações que ocorrem na erraticidade são, muitas vezes, reflexo daquelas que ocorrem na crosta terrestre, e vice-versa.
Embora possa parecer difícil, a obsessão também acontece de um Espírito encarnado para um desencarnado. É fato mais freqüente do que se pensa, pois muitas criaturas humanas vinculam-se, obstinadamente, aos entes amados que as precederam no túmulo. Expressões de amor egoísta e possessivo levam à fixação mental naqueles que desencarnaram, retendo-os às reminiscências da vida terrestre, não lhes permitindo o equilíbrio necessário para enfrentar a nova situação na vida espiritual. Idêntico processo verifica-se quando o sentimento que domina o encarnado é de ódio, revolta, etc.
Finalmente, a obsessão pode assumir ainda a expressão de obsessão recíproca. Assim como as almas afins e voltadas para o bem cultivam a convivência amiga e fraterna, assim também existem criaturas que permutam vibrações de natureza inferior, com as quais se comprazem. É uma espécie de obsessão recíproca, que tanto pode ocorrer entre encarnados, quanto entre desencarnados, ou ainda entre estes e aqueles.
Anexo: As várias expressões de um mesmo problema.

Encarnado para Encarnado

Pessoas obsidiando pessoas existem em grande número. Estão entre nós. Caracterizam-se pela capacidade que tem de dominar mentalmente aqueles que elegem como vítimas.
Este domínio mascara-se com os nomes de ciúme, inveja, paixão, desejo de poder, orgulho, ódio, e é exercido, às vezes, de maneira tão sutil que o dominado se julga extremamente amado. Até mesmo protegido.
Essas obsessões correm por conta de um amor que se torna tiranizante, demasiadamente possessivo, tolhendo e sufocando a liberdade do outro.
É, por exemplo, o marido que limita a liberdade da esposa, mantendo-a sob o jugo de sua vontade; é a mulher que tiraniza o companheiro, escravizando-o aos seus caprichos; são os pais que se julgam no direito de governar os filhos, cerceando-lhes toda e qualquer iniciativa; são aqueles que, em nome da amizade, influenciam o outro, mudando-lhe o modo de pensar, exercendo sempre a vontade mais forte, o domínio sobre a que se apresenta mais passiva.
São ainda as paixões escravizantes que, desequilibrando emocionalmente os seres, podem ocasionar dramas dolorosos, configurados em pactos de suicídio, assassínios, etc.
A dominação mental acontece não só no plano terrestre, isto é, nas ocorrências do dia-a-dia, mas prossegue principalmente durante o sono físico, quando os seres assim comprometidos se defrontam em corpo astral, parcialmente libertos do corpo carnal, dando curso em maior profundidade ao conúbio infeliz em que se permitiram enredar.
O mesmo sucede sob o império do ódio ou quaisquer outros sentimento de ordem inferior. Até mesmo dentro dos lares, na mesma família, onde se reencontram antigos desafetos, velhos companheiros do mal, comparsas de crimes nefandos, convocados pela Justiça Divina ao reajustamento. Entretanto, escravizados ao passado, deixam-se levar por antipatia e aversão recíprocas, que bem poucos conseguem superar de imediato. Surgem daí muitas das rixas familiares, já que esses Espíritos agora unidos pelos laços da consangüinidade, prosseguem imantados às paixões do pretérito, emitindo vibrações inferiores e obsidiando-se mutuamente.
São pais que recebem, como filhos, antigos obsessores. É o obsessor de ontem que acolhe nos braços, como rebento de sua carne, a vitima de antanho.
E esses seres se entrelaçam nos liames consanguíneos para que tenham a preciosa ensancha de modificar os próprios sentimentos, vencendo aversões, rancores e mágoas.
Reduzido, porém, ainda é o número dos que conseguem triunfar, conquistando o vero sentimento de fraternidade, tolerância e amor. Sem embargo, a experiência vivida, à custa de sacrifícios e lágrimas, será para todos o passo inicial da longa e bela escalada, em busca do Pai que nos aguarda em Sua Infinita Misericórdia.

Desencarnado para Desencarnado.

Espíritos que obsidiam Espíritos. Desencarnados que dominam outros desencarnados, são expressões de um mesmo drama que se desenrola tanto na Terra quanto no Plano Espiritual inferior.
As humanidades se entrelaçam: a dos seres incorpóreos e a dos que retomaram a carne. Situações que ocorrem na Crosta são, em grande parte, reflexos da odisséia que se desenvolve no Espaço. E vice-versa.
Os homens são os mesmos: carregam os seus vícios e paixões, as suas conquistas e experiências onde quer que estejam.
Por isso há no Além-Túmulo obsessões entre Espíritos. Por idênticos motivos das que ocorrem na face da Terra.
Em quase todos os processos obsessivos desencadeados pelo que já desencarnou, junto ao que ainda está preso ao veículo físico, o obsessor cioso da cobrança costuma, em geral, aliciar outros Espíritos para secundá-lo em sua vingança. Tais ajudantes são invariavelmente inferiores e de inteligência menos desenvolvida que a de seus chefes. A sujeição mental a que se submetem tem suas origens no temor ou até em compromissos ou dívidas existentes entre eles, havendo casos em que o chefe os mantém sob hipnose – processo análogo, aliás, ao utilizado com as vitimas encarnadas.
O jugo dos obsessores só é possível em razão da desarmonia vibratória de suas presas, que só alcançarão a liberdade quando modificarem a própria direção mental. Certamente recebem, tanto quanto os obsessores, vibrações amorosas e equilibradas dos Benfeitores Espirituais, que lhes aguardam a renovação. Espíritos endividados e compromissados entre si mesmos, através de associações tenebrosas, de idêntico padrão vibratório, se aglomeram em certas regiões do Espaço, obedecendo à sintonia e a lei de atração, formando hordas que erram sem destino ou se fixam temporariamente, em cidades, colônias, núcleos, enfim, de sombras e trevas. Tais núcleos têm dirigentes, que se proclamam juizes, julgadores, chamando a si a tarefa de distribuir justiça aos Espíritos igualmente culpados e também devotados ao mal, ou endurecidos pela revolta e pela descrença. Na obra Libertação, de André Luiz, encontramos a descrição de uma dessas cidades e no livro Nos Bastidores da Obsessão, de Manoel P. de Miranda, temos noticia também de um desses núcleos trevosos.
Aí, nesses redutos das sombras, comete-se toda sorte de atrocidades e os Espíritos aferrados ao mal são julgados e condenados por outros ainda em piores condições. Torturas inimagináveis, crueldades, atos nefandos são praticados por esses seres que se afastaram, deliberadamente, do bem. Esses agentes do mal, todavia, não estão abandonados pela misericórdia do Senhor, e sempre que ofereçam condições propícias são balsamizados pelas luzes divinas a ensejar-lhes a transformação. Um dia retornarão ao aprisco, porque nenhuma das ovelhas se perderá…

De encarnado para Desencarnado.

À primeira vista, a obsessão do encarnado sobre o desencarnado pode parecer difícil ou mais rara de acontecer. Mas, ao contrário, é fato comum, já que as criaturas humanas, em geral, por desconhecimento, vinculam-se obstinadamente aos entes que as precederam no túmulo.
Expressões de amor egoísta e possessivo, por parte dos que ainda estão na carne, redundam em fixação mental naqueles que desencarnaram, retendo-os às reminiscências da vida terrestre. Essas emissões mentais constantes, de dor, revolta, remorso e desequilíbrio terminam por imantar o recém-desencarnado aos que ficaram na Terra, não lhes permitindo alcançar o equilíbrio de que carecem para enfrentar a nova situação.
A inconformação e o desespero, pois, advindos da perda de um ente querido, podem transformar-se em obsessão que irá afligi-lo e atormentá-lo.
Idêntico processo se verifica quando o sentimento que domina o encarnado é o do ódio, da revolta, etc.
É bastante comum, também, que herdeiros insatisfeitos com a partilha dos bens determinada pelo morto se fixem mentalmente neste, com seus pensamentos de inconformação e rancor. As disputas de herança afetam dolorosamente os que já se desprenderam dos liames carnais, se estes ainda não conquistaram posição espiritual de equilíbrio. E, mesmo neste caso, a disputa entre os herdeiros em torno dos bens irá confrangê-los e preocupá-los.
Ah! Se os homens pensassem um pouco mais na vida além da vida transitória, se dedicassem mais atenção às coisas espirituais, se dessem mais valor aos bens eternos que constituem o verdadeiro tesouro, se relembrassem os sublimes ensinamentos do Cristo, certamente haveria menos corações infelizes a transitarem entre os dois planos, hesitando entre a espiritualidade que lhes acena com novas perspectivas e as solicitações inferiores que os atraem e os imantam à retaguarda.

educação das tendências

De desencarnado para Encarnado.

É a situação maléfica de um Espírito sobre um encarnado.
O processo obsessivo entre os seres invisíveis e os que estão encarnados parece ser o de maior incidência.
Evidentemente, por ser mais fácil ao desencarnado influenciar e dominar a mente daquele que está limitado pelo veículo somático.
Agindo nas sombras, o obsessor tem, a seu favor, o fato de não ser visível e nem sempre percebido ou pressentido pela sua vitima. Esta, incauta, imprevidente, desconhecendo até a possibilidade de sintonia entre os seres do Plano Espiritual e os da Esfera Terrestre, deixa-se induzir, sugestionar e dominar pelo perseguidor, que encontra em seu passado as tomadas mentais que facultarão a conexão. Estas tomadas são os fatores predisponentes, como a presença da culpa e do remorso. Nem sempre, contudo, o Espírito está consciente da sua influência negativa sobre o encarnado. Não raro, desconhecendo a sua situação, pode, sem o saber, aproximar-se de uma pessoa com a qual se afinize e assim prejudicá-la com suas vibrações. Outros o fazem intencionalmente, a maioria com o intuito de perseguir ou vingar-se, como veremos nos capítulos seguintes.

Obsessão Recíproca.

A obsessão pode assumir ainda, em qualquer de suas expressões até agora mencionadas, a característica de obsessão recíproca.
Na vida real é fácil encontrar casos que confirmem isto. Assim como as almas afins e voltadas para o bem cultivam a convivência amiga e fraterna, na qual buscam o enriquecimento espiritual que as possa nutrir e confortar, assim também, sob outro aspecto, as criaturas se procuram para locupletar-se das vibrações que permutam e nas quais se comprazem. Apenas, uma vez mais, uma questão de escolha.
André Luiz, observando o caso de Libório – que obsidiava a mulher por quem sentia paixão, vampirizando-lhe o corpo físico – esclarece a respeito: “O pensamento da irmã encarnada que o nosso amigo vampiriza está presente nele, atormentando-. Acham-se ambos sintonizados na mesma onda. É um caso de perseguição recíproca. Enquanto não lhes modificamos as disposições espirituais, jazem no regime da escravidão mutua, em que obsessores e obsidiados se nutrem das emanações uns dos outros”.
Essa característica de reciprocidade transforma-se em verdadeira simbiose, quando dois seres passam a viver em regime de comunhão de pensamentos e vibrações. Isto ocorre até mesmo entre os encarnados que se unem através do amor desequilibrado, mantendo um relacionamento enervante.
São as paixões avassaladoras que tornam os seres totalmente cegos a quaisquer outros acontecimentos e interesses, fechando-se ambos num egoísmo a dois, altamente perturbador. Esses relacionamentos, via de regra, terminam em tragédias se um dos parceiros modificar o seu comportamento em relação ao outro.
Não raro, encontramos em nossas reuniões casos de obsidiados que estão sendo tratados e que afirmam desejar livrar-se do jugo do obsessor. Quando este, entretanto, comunica-se, gaba-se de que o encarnado o chama insistentemente e diz precisar dele (obsessor), não se podendo separar, pois necessitam um do outro. Alguns chegam mesmo a proclamar que entre ambos existe paixão, razão pela qual têm de permanecer juntos.
Se o encarnado diz que pretende libertar-se, isto se deve ao fato de que fisicamente ele sofre com tal situação. No íntimo, tem prazer em situar-se como vitima. Durante o sono, por certo, busca a companhia do outro, comprazendo-se com a permuta de vibrações e sensações.

A Auto-Obsessão.

“O homem não raramente é o obsessor de si mesmo”, é o que assevera o Codificador.
Tal coisa, porém, bem poucos admitem. A grande maioria prefere lançar toda a culpa de seus tormentos e aflições aos Espíritos, livrando-se, segundo julgam, de maiores responsabilidades.
Kardec vai mais longe e explica: “Alguns estados doentios e certas aberrações que se lançam à conta de uma causa oculta, derivam do Espírito do próprio indivíduo”.
Tais pessoas estão ao nosso redor. São doentes da alma. Percorrem os consultórios médicos em busca do diagnóstico impossível para a medicina terrena. São obsessores de si mesmos, vivendo um passado do qual não conseguem fugir. No porão de suas recordações estão vivos os fantasmas de suas vitimas, ou se reencontram com os a quem se acumpliciaram e que, quase sempre, os requisitam para a manutenção do conúbio degradante de outrora.
Esses, os auto-obsidiados graves e que se apresentam também subjugados por obsessões lamentáveis. São os inimigos, as vitimas ou os comparsas a lhes baterem às portas da alma.
Mas existem também aqueles que portam auto-obsessão sutil, mais difícil de ser detectada. É, no entanto, moléstia que está grassando em larga escala atualmente.
Um médico espírita disse-nos, certa vez, que é incalculável o número de pessoas que comparecem aos consultórios, queixando-se dos mais diversos males – para os quais não existem medicamentos eficazes – e que são tipicamente portadores de auto-obsessão. Sal cultivadores de moléstias fantasmas. Vivem voltados para si mesmos, preocupando-se em excesso com a própria saúde (ou se descuidando dela), descobrindo sintomas, dramatizando as ocorrências mais corriqueiras do dia-a-dia, sofrendo por antecipação situações que jamais chegarão a se realizar, flagelando-se com o ciúme, a inveja, o egoísmo, o orgulho, o despotismo e transformando-se em doentes imaginários, vitimas de si próprios, atormentados por si mesmos.
Esse estado mental abre campo para os desencarnados menos felizes, que dele se aproveitam para se aproximarem, instalando-se, aí sim, o desequilíbrio por obsessão.

 

Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita
Baseado em Publicação da FEB

libertação

SUTILEZAS DA OBSESSÃO

Manoel Philomeno de Miranda (Espírito)
O ressumar das más inclinações pelos canais profundos do inconsciente, quando alcança a área da consciência atual, responde por incontáveis males que infelicitam a criatura humana. Nesse depósito de memórias estão arquivadas experiências multifárias, que jazem adormecidas ou veladas pela reencarnação, mas que, uma ou outra vez, ressurgem em forma de conflitos e tendências perigosas, que ameaçam a estrutura do equilíbrio emocional e psíquico do ser.
Do ponto de vista psicológico, trata-se da sombra ameaçadora, que segue o curso da existência desempenhando um papel de alta importância na construção da realidade pessoal.
Muitas ocorrências perturbadoras resultam da insensatez, do capricho egoísta, da fixação de ideias negativas que fustigam a mente humana e tornam-se realidades desagradáveis, tal a força do seu impulso.
O esforço para controlar os hábitos infelizes arraigados, que a educação moral pode corrigir, deve ser sempre a diretriz de segurança para um comportamento saudável.
Embora exista a pulsão contínua da sombra, em se considerando a interferência dos Espíritos na conduta humana, mais fácil se torna a de natureza inferior que procede daqueles que ainda permanecem na ignorância e na perversidade, que dão lugar a sutis processos obsessivos que campeiam à solta no organismo social, responsáveis por males incontáveis.
Confundindo-se com outros tipos de transtornos de conduta, a incidência da obsessão é muito maior do que se possa pensar, como resultado nefasto do intercâmbio entre as criaturas humanas, graças às suas imperfeições morais, com os desencarnados igualmente portadores de chagas devastadoras.
Tal ocorrência procede da afinidade de gostos e de sentimentos existentes entre aqueles que exploram as criaturas e as suas mazelas, facultando vampirismos lamentáveis no campo da sucção das suas energias.
Insistentes na maldade que os aturde, não abandonam com facilidade aqueles que se lhes podem transformar em vítimas potenciais, mais tarde inermes e submetidas.
A princípio, antes de ser estabelecido o vínculo dominador, acompanham aqueles a quem detestam, observam-lhes as fraquezas espirituais e, de maneira sutil, fixam matrizes para facilitar o intercâmbio telepático, aumentando as suas incursões, à medida que se apossam das diferentes áreas do raciocínio e da emoção, como plantas parasitas que intentam nutrir-se da vitalidade daquelas nas quais se acoplam, ferem-lhes a casca grosseira e terminam por alcançar-lhes a seiva benfazeja.
Implacáveis nos seus objetivos inspiram condutas perniciosas e a pouco e pouco isolam as suas vítimas do convívio social, passando a manter especial controle sobre a sua vontade e aspirações.
Usam o narcisismo do paciente para estimulá-lo à soberba e à presunção, utilizam-se dos conflitos que já o aturdem para ampliar-lhe as suspeitas e cultivar as mágoas, aumentam as ansiedades para estimulá-lo aos devaneios fora da realidade até lograrem a plena subjugação.
Mesmo na esfera do bem e dos ideais de elevação humanitária, conseguem espaço mental, quando produzem o fanatismo de qualquer natureza, a fim de desviar-lhe o pensamento para o egotismo, ao tempo em que insuflam ideias de falsa superioridade e grandeza…
Tornam a sua vítima grandemente presunçosa, como se fora incapaz de equivocar-se, numa postura privilegiada, podendo comportar-se de forma especial por ser possuidora de recursos e valores que escasseiam na sociedade.
A presunção a assenhoreia e lhe proporciona emoções doentias em que se compraz.
A ninguém permite interferência, abandona a lógica da razão e fixa-se no próprio raciocínio equivocado de que os outros, aqueles que pensam e agem diferente, estão errados ou a invejam pelos dons de que se faz portadora.
Encontra-se, esse enfermo da alma, em toda parte e faz-se destacar porque se exterioriza como dono da verdade, único a saber decidir, sem respeito pelos estatutos legais vigentes, que interpreta a seu modo ou os adapta à sua forma de ser, ou simplesmente não os considera, por sentir-se como relevante exceção. Igualmente desenvolve a indiferença pelo sofrimento alheio, a dureza de coração, não compartindo as dores daqueles que estão ao lado, enquanto se atribui méritos excessivos e créditos especiais.
Uns adquirem o comportamento paranoide, outros o depressivo, facilmente exaltados na maioria, alteram o comportamento fora da normalidade e se apresentam exóticos, inatingíveis, acima do bem e do mal.
A terapêutica preventiva como a curadora para o que poderemos denominar o mal do século, a obsessão, são a conscientização da própria fragilidade, o concurso da oração e do trabalho sério, seja mediante a conquista do pão diário ou o da solidariedade humana…
Concomitantemente, as leituras saudáveis com as consequentes reflexões constituem valioso recurso para a preservação da saúde ou em favor da sua recuperação quando já se haja instalado o distúrbio perturbador.
Pululam em volta dos seres humanos, como é compreensível, os Espíritos desencarnados, na sua grande maioria em desequilíbrio, por efeito da existência então encerrada.
É óbvio que as Entidades nobres e protetoras igualmente se acercam dos transeuntes carnais com devotamento que alcança superiores níveis de sacrifícios, intentando inspiração edificante para alcançar a plenitude, a fim de evitar as vinculações mórbidas, os estados de tribulação…
Desatentos para as questões iluminativas ou desinteressados pelos sentimentos de ordem e de harmonia, açulados pelos e para os prazeres desgastantes, mais facilmente se permitem as induções perversas e, muitas vezes, quando advertidos, rebelam-se e mais se atiram ao pantanal dos gozos que os exaurem sem os satisfazer.
A saúde espiritual merece os maiores investimentos por parte dos seres humanos, porque do seu equilíbrio advirão os estados de bem-estar, de harmonia, de plenitude.
Todo o empenho deve ser aplicado para interromper no início as sugestões viciosas, os pensamentos vulgares, os anseios perniciosos.
Direcionando-se o pensamento a Deus e vivenciando-se o amor até alcançar-lhe o patamar da caridade real, todas as máscaras e artimanhas do mal desaparecem para dar lugar ao reino dos Céus, instalado no coração.
[Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 1º de setembro de 2014, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.]

madalena pecadora

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