DISCIPLINA DISCIPLINA DISCIPLINA – EMMANUEL CHICO XAVIER

72 – Existem planetas de condições piores que as da Terra?

– Existem orbes que oferecem piores perspectivas de existência que o vosso e, no que se refere a perspectivas, a Terra é um plano alegre e formoso, de aprendizado. O único elemento que aí destoa da Natureza é justamente o homem, avassalado pelo egoísmo.
Conhecemos planetas onde os seres que os povoam são obrigados a um esforço contínuo e penoso para aliciar os elementos essenciais à vida; outros, ainda, onde numerosas criaturas se encontram em doloroso degredo. Entretanto, no vosso, sem que haja qualquer sacrifício de vossa parte, tendes gratuitamente céu azul, fontes fartas, abundância de oxigênio, árvores amigas, frutos e flores, cor e luz, em santas possibilidades de trabalho, que o homem há renegado em todos os tempos.
Livro O Consolador
Chico e Emmanuel(espírito)
Ed. FEB
Paz e Bem!
Graças a Deus!

Disciplina, somente para o quartel?

No início da missão de Chico Xavier, no primeiro encontro com Emmanuel, este lhe deu uma orientação básica para o trabalho que deveria desempenhar (1): “- Está você realmente disposto a trabalhar na mediunidade com o Evangelho de Jesus, perguntou Emmanuel?
– Sim, se os bons espíritos não me abandonarem… – respondeu o Médium. – Não será você desamparado, – disse-lhe Emmanuel – mas para isso é preciso que você trabalhe, estude e se esforce no bem. – E o senhor acha que eu estou em condições de aceitar o compromisso? – tornou o Chico. – Perfeitamente, desde que você procure respeitar os três pontos básicos para o serviço… Porque o protetor se calasse o rapaz perguntou: – Qual é o primeiro? A resposta veio firme: – Disciplina. – E o segundo? – Disciplina. – E o terceiro? – Disciplina”.
Sabe-se que Chico Xavier ao desencarnar, deixou uma obra literária psicografada de centenas de livros. O Brasil conhece a dimensão da tarefa desempenhada por ele. Agora nos perguntamos: se Emmanuel recomendou por três vezes a virtude da disciplina a Chico Xavier, Espírito que sabemos já bastante evoluído, será que também precisaríamos de disciplina no desempenho de nossas particulares missões?
Conta-se que durante uma apresentação de reunião pública em casa espírita, o expositor lembrou a disciplina como sendo importante virtude a ser exercitada nos trabalhos da instituição tanto quanto na condução da própria vida. Quase que imediatamente um dos ouvintes emitiu opinião de que centro espírita não é quartel! Conversaram mais um pouco sobre o tema, contudo o participante se mostrou irredutível em sua posição. Ah…, como é bom desfrutar de uma doutrina que incentiva e permite a liberdade de opinião, contudo, recordemos que respeitar o livre arbítrio alheio não quer dizer cooperar com a indisciplina.

Todavia, o que teria levado o participante a esta posição tão extremada, quando se sabe que sem disciplina nada se conquista, nada se consegue em longo prazo?
A literatura espírita é rica em chamamentos ao cultivo desta virtude, veja-se, por exemplo, algumas citações sob diversos aspectos nas referências (2) (3) (4) (5); então qual a razão de tanta resistência por parte do frequentador? Teria ele recebido educação muito repressora por parte de seus pais e agora via na virtude da disciplina algo prejudicial à sua vida? Teria ele talvez incorporado este jeito nosso de viver aqui na Terra do Cruzeiro, onde de modo geral, se presta pouca importância a esta virtude? Afinal, somos bastante indisciplinados no trânsito, no comer, na compra de remédios sem receita, nos atendimentos aos horários dos diversos compromissos da vida…
A disciplina verdadeira não é característica de personalidade que exija invariavelmente rigor, austeridade, sisudez, e nem tampouco é irmã do autoritarismo. Não é incompatível com a alegria e a descontração, nem tampouco com a liberdade de ação. O amor, virtude maior que todos nós buscamos aprender, só será plenamente desenvolvida, com muita disciplina. É claro que o centro espírita não é um quartel, local este onde a ordem e a disciplina, estas duas irmãs, filhas da obediência, assumem traços de maior rigor, pois a organização militar, de um modo geral, assim o exige e impõe.
Podemos imaginar Jesus indisciplinado na vivência de seus postulados de vida? Podemos imaginar Mahatma Gandhi sem disciplina na sua proposta de acabar com o domínio inglês sobre o seu País usando apenas as “armas” da bondade e a prática da não violência? Podemos imaginar Chico Xavier executar a sua grandiosa missão sem disciplina ao comer, ao dormir, ao acordar, no uso equilibrado de seu tempo?
Podemos esperar que um centro espírita atenda aos seus propósitos, sem a disciplina do horário, da pontualidade, da constância, da perseverança, da manutenção de suas reuniões, ou de pelo menos parte delas, independentemente de férias ou carnaval, entre outras tantas datas festivas, que nos convidam a fechar as portas da casa?
Nesta hora, em que se fala de disciplina em centro espírita, lembra-se o texto de Allan Kardec contido no capítulo XXIX, item 333, em O Livro dos Médiuns: “A exigência de pontualidade rigorosa é sinal de inferioridade, como tudo o que seja pueril”. Entretanto, não se defende que exista um relógio de precisão, na parede da casa, de modo que a reunião só comece no exato instante em que o ponteiro dos segundos alcance o dos minutos, na hora determinada, e termine igualmente desta forma na hora de encerramento. Isto sim seria pueril. Além disso, observa-se que esta frase foi escrita após Kardec fazer menção a Espíritos de ordem verdadeiramente superior, que não são meticulosos ao extremo, e também que a frase se refere a apenas um dos aspectos na questão da disciplina, quando Kardec aborda a questão da pontualidade em reuniões para evocação de Espíritos.
Lembre-se mais que, de modo geral, as reuniões que ocorrem em um centro, sejam elas quais forem, não são assistidas por Espíritos Superiores propriamente ditos, ou seja, aqueles que pertencem à segunda ordem e segunda classe, a que antecede a dos Espíritos puros, conforme item 111 em O Livro dos Espíritos. Além disso, os Espíritos desencarnados que assistem aos trabalhos não estão a nossa disposição, têm as suas particulares tarefas e ocupações. Ademais, inspecionando um pouco mais o item 333, Allan Kardec diz que há Espíritos que comparecem quando as reuniões se realizam em dias e horas fixos, existindo mesmo aqueles que levam a pontualidade ao excesso, ofendendo-se com um atraso de quinze minutos.
Pelo sim, pelo não, no desconhecimento do grau de evolução do Espírito evocado ou antecipadamente aguardado, cremos que o melhor seria ser pontual. Podemos também enxergar esta questão pelo outro lado: Qual seria a razão de cultivarmos a impontualidade? Seria apenas para satisfazer o nosso ego, e podermos dizer que a reunião inicia quando desejamos?
Esta virtude deveria ser exercitada regularmente nos diversos trabalhos da casa. Como entender que um frequentador entre regularmente ao final de exposição pública apenas para tomar passe sem qualquer justificativa! Que exemplo estamos dando e que ideia estará se formando na mente deste assistido sobre o que é uma casa espírita e o que é o Espiritismo? Se o frequentador não entende que o mais importante seria assistir ao estudo, pois este nos esclarece sobre as nossas dificuldades, representa a vara de pescar não é apenas o peixe dado gratuitamente; é nossa obrigação, seria mesmo um dever, orientá-lo sobre a realidade e incentivá-lo a comparecer no horário de início da reunião.

Gostamos de esperar uma pessoa que conosco agendou compromisso e não aparece na hora? Se a resposta for não, então não façamos aos outros – Espíritos desencarnados e encarnados – o que não gostaríamos que nos fosse feito. Ademais, os frequentadores da casa, que também possuem seus afazeres, não ficam satisfeitos sabendo que a reunião não tem hora para começar, tampouco para acabar.
A disciplina deve permanecer intrínseca em nossos atos e pensamentos se desejamos conquistar algo maior e duradouro, ou seja, os tesouros imortais que não são corroídos pela ferrugem nem destruídos pelas traças. Disciplina é virtude, contudo, é vista por muitos como um castigo. Esta virtude se torna pesada, dolorosa, tirânica, pois ainda somos muito imperfeitos, recomendável então que a pratiquemos exaustivamente, para torná-la suave, natural, espontânea. A disciplina visa educar e corrigir as nossas más tendências, por isso, para o iniciante no cultivo desta virtude, lhe parece que está vivendo em uma prisão.
Lembrando as prisões, por paradoxal que parece, a disciplina liberta. Liberta de nossos caprichos, de nossas vaidades, de nosso egoísmo, pois quando mantemos a indisciplina, mesmo cientes que não deveríamos, o que é mais grave, acreditando que esta virtude é para os outros e não para nós mesmos, estamos cedendo aos grilhões de nossos personalismos, portanto aprisionando-nos.
O que é o orai e vigiai, senão uma proposta disciplinadora do Espírito?
Quando em um centro espírita, falar-se da necessidade do cultivo desta virtude, reflitamos um pouco mais, antes de reagir instintivamente de modo contrário. Afinal, o centro espírita não é de fato um quartel material, mas é uma fortaleza espiritual. Fortim este onde aprendemos com a disciplina do amor e da tolerância, através das palestras, dos trabalhos e dos estudos, à luz dos ensinos da Doutrina Espírita, a confeccionar a nossa farda moral; e através das nossas pequenas, constantes e disciplinadas demonstrações de renúncia, humildade e bondade, a nos armarmos das virtudes necessárias e imprescindíveis a quem aspira servir Jesus incondicionalmente. E são exatamente estas duas conquistas: a vestimenta moral e as armas das virtudes, que nos permitirão travar o bom combate apregoado pelo apóstolo Paulo, quando disse: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” – 2 Timóteo 4:7.
Rogério Miguez
Referências Bibliográficas:
1 GAMA, Ramiro. Lindos Casos de Chico Xavier. 15. ed. São Paulo: LAKE, 1987. cap. 27.
2 FRANCO, Divaldo Pereira. Messe de Amor. Pelo Espírito de Joanna Ângelis. 8. ed. Salvador, BA: LEAL, 1964. 207 p.
3 ___. Leis Morais da Vida. Pelo Espírito de Joanna Ângelis. 2. ed. Salvador, BA: LEAL, 1976. 183 p.
4 XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Estude e Viva. Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. 12. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1965 231 p.
5 ___. O Espírito da Verdade. Autores Diversos. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1961 236 p.
Originalmente publicado pela Revista Internacional de Espiritismo em março de 2014.

“DOM DE CURAR”,

TANTOS MÉDIUNS DE CURA SEM TRABALHAR,

FIZESSEM O MÍNIMO,

QUANTA DOR PODERIA SER EVITADA

“Daí de Graça o que de Graça Recebestes”, disse Jesus aos seus discípulos, e por esse preceito estabelece que não se deve cobrar aquilo por que nada se pagou. Ora, o que eles haviam recebido de graça era a faculdade de curar os doentes e de expulsar os demônios, ou seja, os maus Espíritos. Esse dom lhe fora dado gratuitamente por Deus, para alívio dos que sofrem e para ajudar a propagação da fé. Ele lhes diz que não o transformem em objeto de comércio ou de especulação, nem em meio de vida.
Explicação nossa: ““(1) “Curai os Enfermos”, como Jesus continua dizendo: “Vocês são “Deuses” e poder as coisas que faço e muito mais”, quer dizer: “Podemos realizar verdadeiros “Prodígios”, ou “Milagres”, como é falado em outros Segmentos Religiosos”. Milagres não existem, o que há, chama-se “Merecimento”, ou seja, “ninguém recebe algo sem Merecer”. Vale para quem “Cura” e para quem “Recebe”.
(2) “Ressuscitai os Mortos”, quer dizer, conversa com os Espíritos Desencarnados, a fim de mostrar-lhe que a “Vida Continua”, que não existe “Morte”, como fazemos nos Trabalhos Mediúnicos da Mesa da Caridade, a fim de esclarecê-los, ou seja, o Trabalho de Doutrinação e Encaminhamento, como é conhecido na Doutrina Espírita”.
(3) “Limpai os Leprosos”, ou seja, Ajuda os Irmãos a Elevar seus Pensamentos, seu Padrão Vibratório, sua Sintonia”.
(4) “Expeli os Demônios”, ou seja, convida os Espíritos a continuar no Plano Espiritual, sua “Caminhada Evolutiva”, já que já não tem mais o Corpo Físico. A palavra “Daimon”, da qual se originou “Demônio”, não era tomada no mau sentido pela antiguidade, como entre os modernos. Não se aplicava essa palavra exclusivamente aos seres malfazejos, mas aos Espíritos em geral, entre os quais se distinguiam os Espíritos menos elevados, ou demônios propriamente ditos, que se comunicavam diretamente com os homens.
O Espiritismo ensina também que os Espíritos povoam o espaço; que Deus não se comunica com os homens senão por intermédio dos Espíritos puros, encarregados de nos transmitir a sua vontade; que os Espíritos se comunicam conosco durante o estado de vigília e durante o sono. Substitui a palavra demônio pela palavra Espírito, e tereis a doutrina espírita; ponde a palavra anjo, e tereis a doutrina cristã. (Doutrina de Sócrates).
Daemon (em grego δαίμων, transliteração daímôn, tradução “divindade”, “espírito”), no plural daemones (em grego δαίμονες) é um tipo de ser que em muito se assemelha aos gênios da mitologia árabe. … O nome em latim é daemon, que veio a dar o vocábulo em português demônio. (Wikipédia).
(5) “Dai de Graça o que de Graça recebestes”, ou seja, todos somos “Simples Instrumentos da Santa, Sábia e Soberana Vontade de Deus”, por isso, não podemos “Cobrar”, por aquilo que não fizemos.
Podemos crer que existam as pessoas magnéticas, aquelas que tocam as pessoas enfermas e por vezes as curam, mas, é bom analisar a vida dessas pessoas, não para divulgar o que for contrário à caridade, porém, para observar quais são, pela vida que levam, as suas companhias espirituais.
Toda operação curativa envolve a presença de Espíritos desencarnados, capazes de compreender essa ciência divina que parte do amor de Deus para com as criaturas humanas e espirituais. Se há enfermidades na Terra, elas igualmente existem no plano espiritual. A desencarnação não é passe de mágica. Se o Espírito deixa suas vestes carnais e não modificou seus sentimentos, continua levando o que possui no seu coração.
A meta de Jesus, e pela qual desceu à Terra, foi para curar as deficiências das almas, educando-as do modo que Deus Lhe ensinou no curso de bilhões de anos. Não devemos ser endurecidos no aprendizado; aproveitemos o tempo na educação e na instrução espiritual, que estão se espalhando por todo o mundo.
Se alguns têm o dom de curar, que aproveitem essa faculdade, curando os enfermos, mas, que não deixem de instruí-los.
Juntamente, trabalhem com a palavra. O Mestre nos deixou como herança divina o Evangelho, para nos mostrar as diretrizes que deveremos tomar, mesmo vivendo na carne, porque os primeiros passos para cima são dados na Terra, que ora nos serve de berço, onde acordamos para a Luz.
O companheiro Encarnado que tem o dom de curar e que já conhece a força da verdade, como sendo amor e caridade, cresce na direção do Cristo, despertando-O em seu coração, que deve pulsar no ritmo do universo.
Os médiuns curadores cheios de ilusões, que sofisticam seus gestos para impressionar os enfermos, que fogem à naturalidade, e que recebem recompensa em troca das curas que fazem são os falsos profetas, mencionados no Evangelho; não deves dar crédito a essas pessoas, que falam muito do Cristo, mas não seguem Seus passos, falam às vezes do amor, porém não amam, dizem coisas bonitas sobre a caridade, todavia não são benevolentes.

O toque de cura desses tipos são negativos; podem até aliviar os enfermos, pela fé dos mesmos, porém causando distúrbios maiores nas suas intimidades espirituais.
Esses irmãos devem ser instruídos na Doutrina que não vende seus dons e que não especula suas forças. Esses médiuns são dotados de força magnética, por provas e devem dar graças a Deus.
Para o seu sustento, o Senhor os dotou de certa inteligência, pernas e braços para trabalhar, para que vivam do suor do seu rosto.
Não deves entrar nas tentações de certas influências malfeitoras. Importa, igualmente, desconfiar das narrativas interesseiras, dos instrumentos de Espíritos levianos, sem as devidas responsabilidades para com o trabalho grandioso de Nosso Senhor Jesus Cristo. Todo conversador em demasia deixa escapar em suas narrações algo de inverdade, por não ter tempo de analisar o que fala.
A seleção, aí, fica para quem ouve. De qualquer maneira, quem escuta tem o dever de selecionar o que vem de fora. É para tanto que é dotado de raciocínio”.
Antonio Carlos Piesigilli

O BEM SEMPRE VENCE

O mal não tem vida própria, é apenas a ausência do bem. Onde o bem se faz presente, o mal bate em retirada. Já o amor é de essência divina e está presente nos corações de todos os homens, mesmo que em estado latente esperando a oportunidade de germinar, crescer e Florescer.
Divaldo Pereira Franco

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