ESQUECIMENTO DO PASSADO

rui barbosa

Esquecimento das Existências Passadas…

Se formos mesmo todos reencarnados, por que não nos lembramos das existências passadas?
 É uma questão intrigante, causa mesmo de dúvidas em muita gente.
 O esquecimento do passado (existências anteriores) indica a sabedoria de Deus.
A lembrança viva de episódios vividos anteriormente traria vários inconvenientes,
 entre os quais relacionamos: a) poderia humilhar-nos intensamente,
 pela lembrança desagradável de muitos deslizes morais, especialmente quando
 envolvendo terceiros; b) exaltação do orgulho e da prepotência,
 em virtude de posições de destaque no passado; c) danosos efeitos nas relações sociais,
 pois se tivéssemos as nossas lembranças, teríamos a dos outros também;
 d) traumas continuariam impedindo condições de felicidade e progresso;
 e) ódios e vinganças estariam minando os relacionamentos
 e provocando novos agravamentos.
Entre as inumeráveis vantagens, fruto da Sabedoria Divina – repetimos –,
 encontramos: a) oportunidade de recomeço, sem lembranças perturbadoras;
 b) o progresso efetuado permite-lhe, agora com mais lucidez,
 optar por novos aprendizados; c) reconciliação com antigos adversários sem que
 necessariamente haja o constrangimento das recordações que a poderiam impedir;
 d) superação de traumas passados em circunstâncias ora renovadas;
 e) novas vivências e aprendizados sem que o passado venha a importunar;
 f) aquisição de novas experiências sem qualquer ligação com o passado.
Os que desconhecem o processo alegam que o esquecimento seria impeditivo
 para a reconstrução do próprio caminho, quando na verdade este apagar
 das lembranças significa verdadeira benção. Deus nos beneficia com o esquecimento,
 colocando como que um véu em nossa memória para que os erros e equívocos
 do passado não sejam amarras ou pesos que nos impeçam de construir
 ou reconstruir a própria felicidade.
Por outro lado, se quisermos saber o que fomos ou fizemos antes desta existência,
 basta observar com atenção nossas tendências, habilidades, quedas morais,
 laços que nos ligam a certas pessoas e poderemos avaliar que tipo de procedimento
 ou vivência adotamos nas existências anteriores.
Esta análise íntima permite corrigir os caminhos atuais. Para conhecer mais,
 leitor, procure ler e estudar as questões 392 a 399 de
 O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
O assunto é empolgante, mas a Doutrina Espírita recomenda muito discernimento,
 evitando curiosidades desnecessárias. Essencial mesmo é o bom comportamento
 agora para construir um futuro melhor.

LIVRO DOS ESPÍRITOS- Allan Kardec.

Da Volta do Espírito a vida corporal. Parte Segunda.

Capítulo VII. Perguntas 392 a 399.

Tema: Esquecimento do passado.

VIII – Esquecimento do Passado
 392_ Por que o Espírito encarnado perde a lembrança do seu passado-?
— O homem nem pode nem deve saber tudo; Deus assim o quer na sua sabedoria.
Sem o véu que lhe encobre certas coisas, o homem ficaria ofuscado como 
aquele que passa sem transição da obscuridade para a luz Pelo esquecimento 
do passado, ele é mais ele mesmo(1)
393. Como pode o homem ser responsável por atos e resgatar faltas 
dos quais não se recorda? Como pode aproveitar-se da experiência 
adquiria em existências que caíram no esquecimento? 

Seria concebível que as tribulações da vida fossem para ele uma lição, 
se pudesse lembrar-se daquilo que as atraiu mas desde que não se recorda, 
cada existência é para ele como se fosse a primeira, e é assim 
que ele está sempre a recomeçar. 
Como conciliar isto com a justiça de Deus?
—A cada nova existência o homem tem mais inteligência e pode melhor 
distinguir o bem e o mal. Onde estaria o seu mérito se ele se 
recordasse de todo o passado? 

Quando o Espírito entra na sua vida de origem (a vida espírita) 
toda a sua vida passada se desenrola diante dele; vê as faltas 
cometidas e que são causa do seu sofrimento, bem como 
aquilo que poderia tê-lo impedido de cometê-las; compreende 
a justiça da posição que lhe é dada e procura então a existência 
necessária a reparara que acaba de escoar-se. Procura provas 
semelhantes àquelas por que passou, ou as lutas que acredita apropriadas 
ao seu adiantamento e pede a Espíritos que lhe são superiores para 
o ajudarem na nova tarefa a empreender, porque sabe que o Espírito 
que lhe será dado por guia nessa nova existência procurará fazê-lo 
reparar suas faltas, dando-lhe uma espécie de intuição das que ele 
cometeu. Essa mesma intuição é o pensamento, o desejo criminoso que 
freqüentemente vos assalta e ao qual resistis instintivamente, 
atribuindo a vossa resistência, na maioria das vezes, aos princípios 
que recebestes de vossos pais, enquanto é a voz da consciência que 
vos fala e essa voz e a recordação do passado, voz que vos adverte 
para não cairdes nas faltas anteriormente cometidas. Nessa nova 
existência, se o Espírito sofrer as suas provas com coragem e souber 
resistir, eleva-se a si próprio e ascenderá na hierarquia dos Espíritos, 
quando voltar para o meio deles.
Comentário de Kardec: Se não temos, durante a vida corpórea, 
uma lembrança precisa daquilo que fomos, e do que fizemos de 
bem ou de mal em nossas existências anteriores, temos,entretanto, 
a sua intuição. E as nossas tendências instintivas são uma 
reminiscência do nosso passado, as quais a nossa consciência, 
— que representa o desejo por nós concebido de não mais cometer 
as mesmas faltas — adverte que devemos resistir.
394. Nos mundos mais adiantados que o nosso, onde não existem todas 
as nossas necessidades físicas e as nossas enfermidades, os homens 
compreendem que são mais felizes do que nós? 

A felicidade, em geral, é relativa; sentimo-la por comparação 
com um estado menos feliz. Como, em suma, alguns desses mundos, 
embora melhores que o nosso, não chegaram ao estado de perfeição, 
os homens que os habitam devem ter motivos de aborrecimento a seu modo. 
Entre nós, o rico, ainda que não sofra a angústia das necessidades 
materiais, como o pobre, não está menos sujeito a tribulações 
que lhe amarguram a vida. 
Ora, pergunto se, na sua posição, os habitantes desses mundos não 
se sentem tão infelizes quanto nós e não lastimam a própria sorte, 
já que não têm a lembrança de uma existência inferior para comparação?
– A isto e preciso dar duas respostas diferentes. Há mundos, 
entre aqueles de que falas, em que os habitantes, situados, como dizes, 
em melhores condições que vós, nem por isso estão menos sujeitos 
a grandes desgostos, e mesmo a infelicidades. Estes não apreciam 
a sua felicidade pelo fato mesmo de não se lembrarem de um estado 
ainda mais infeliz. Se, entretanto não a apreciam como homens, 
o fazem como Espíritos.
Comentário de Kardec: Não há, no esquecimento dessas existências 
passadas sobretudo quando foram penosas, alguma coisa de providenciai, 
onde se revela a sabedoria divina?
É nos mundos superiores, quando a lembrança das existências infelizes 
não passa de um sonho mau que elas se apresentam à memória. 
Nos mundos inferiores as infelicidades presentes não seriam 
agravadas pela recordação de tudo aquilo que tivesse suportado?
Concluamos, portanto, que tudo quanto Deus fez é bem feito e 
que não nos cabe criticar as suas obras e dizer como ele deveria 
ter regulado o Universo.
A lembrança de nossas individualidades anteriores teria 
gravíssimos inconvenientes. Poderia em certos casos, humilhar-nos 
extraordinariamente; em outros, exaltar o nosso orgulho e por isso 
mesmo entravar o nosso livre-arbítrio Deus, nos deu para nos 
melhorarmos, justamente o que nos é necessário e suficiente; 
a voz da consciência e nossas tendências instintivas, tirando-nos 
aquilo que poderia prejudicar-nos. Acrescentemos ainda que, 
se tivéssemos a lembrança de nossos atos pessoais anteriores, 
teríamos a dos atos alheios, e esse conhecimento poderia ter os 
mais desagradáveis efeitos sobre as relações sociais. Não havendo 
sempre motivo para nos orgulharmos do nosso passado, é quase sempre 
uma felicidade que um véu seja lançado sobre ele. Isso concorda 
perfeitamente com a doutrina dos espíritos sobre os mundos superiores 
aos nossos. Nesses mundos, onde não reina senão o bem, a lembrança 
do passado nada tem de penosa; é por isso que neles se recorda 
com freqüência a existência precedente.como nos lembramos do que 
fizemos na véspera. Quanto á passagem que se possa ter tido 
por mundos inferiores, a sua lembrança nada mais é, 
como dissemos, que um sonho mau.
395. Podemos ter algumas revelações sobre as nossas existências anteriores?
— Nem sempre. Muitos sabem, entretanto, o que foram e o que fizeram; 
se lhes fosse permitido dizê-lo abertamente, fariam singulares 
revelações sobre o passado.
396. Algumas pessoas crêem ter a vaga lembrança de um passado 
desconhecido, vislumbrado como imagem fugitiva de um sonho, 
que em vão se procura deter. Essa ideia não seria uma ilusão?
— Algumas vezes é real; mas quase sempre é também uma ilusão, 
contra a qual se deve precaver, pois pode ser o efeito de uma 
imaginação superexcitada.
397. Nas existências corpóreas de natureza mais elevada que a nossa, 
a lembrança das existências anteriores é mais precisa?
— Sim, à medida que o corpo é menos material, recorda-se melhor. 
A lembrança do passado é mais clara para aqueles que habitam 
os mundos de uma ordem superior.
398. As tendências instintivas do homem, sendo uma reminiscência 
do seu passado, pelo estudo dessas tendências ele poderá conhecer 
as faltas que cometeu?
— Sem duvida, até certo ponto; mas é necessário ter em conta 
a melhora que se possa ter operado no Espírito e as resoluções 
que ele tomou no seu estado errante. A existência atual pode 
ser muito melhor que a precedente (1)
398 – a) Pode ela ser pior? Por outras palavras, pode o homem 
cometer numa existência faltas não cometidas na precedente?
— Isso depende do seu adiantamento. Se ele não souber resistir 
às provas, pode ser arrastado a novas faltas, que serão a conseqüência 
da posição por ele mesmo escolhida. Mas, em geral, essas faltas 
denunciam antes um estado estacionário do que retrógrado, 
porque o Espírito pode avançar ou se deter, mas não recuar.
399. Sendo as vicissitudes da vida corpórea ao mesmo tempo uma 
expiação das faltas passadas e provas para o futuro, segue-se que, 
da natureza dessas vicissitudes, possa induzir-se 
o gênero da existência anterior?
—Muito freqüentemente, pois cada um é punido naquilo em que pecou. 
Entretanto, não se deve tirar daí uma regra absoluta; as tendências 
instintivas são um índice mais seguro, porque as provas que um 
Espírito sofre, tanto se referem ao futuro quanto ao passado.
Comentário de Kardec: Chegado ao termo que a Providência marcou 
para a sua vida errante, o Espírito escolhe por ele mesmo as provas 
às quais deseja submeter-se, para apressar o seu adiantamento, 
ou seja, o gênero de existência que acredita mais apropriado 
a lhe fornecer os meios, e essas provas estão sempre em relação 
com as faltas que deve expiar. Se nelas triunfa, ele se eleva; 
se sucumbe, tem de recomeçar.
O Espírito goza sempre do seu livre-arbítrio. É em virtude dessa 
liberdade que, no estado de Espírito, escolhe as provas da vida 
corpórea e, no estado de encarnado,delibera o que fará ou não fará, 
escolhendo entre o bem e o mal. Negar ao homem o livre-arbítrio 
seria reduzi-lo à condição de máquina.
Integrado na vida corpórea, o Espírito perde momentaneamente 
a lembrança de suas existências anteriores, como se um véu as ocultasse. 
Não obstante, tem.,às vezes, uma vaga consciência, e elas podem 
mesmo lhe ser reveladas em certas circunstâncias. Mas isto não acontece 
senão pela vontade dos Espíritos superiores, que o fazem espontaneamente, 
com um fim útil e jamais para satisfazer uma curiosidade vã.
As existências futuras não podem ser reveladas em caso algum, 
por dependerem da maneira por que se cumpre a existência presente 
e da escolha ulterior do Espírito.
O esquecimento das faltas cometidas não é obstáculo à melhoria 
do Espírito porque, se ele não tem uma lembrança precisa, o 
conhecimento que delas teve no estado errante e o desejo que 
concebeu de as reparar guiam-no pela intuição e lhe dão o pensamento 
de resistir ao mal. Este pensamento é a voz da consciência, 
secundada pelos Espíritos que o assistem, se ele atende às boas 
inspirações que estes lhe sugerem.
Se o homem não conhece os próprios atos que cometeu em suas 
existências anteriores, pode sempre saber qual o gênero de faltas 
de que se tornou culpado e qual era o seu caráter dominante. 
Basta que se estude a si mesmo e poderá julgar o que foi, 
não pelo que é. mas pelas suas tendências.
As vicissitudes da vida corpórea são, ao mesmo tempo, uma expiação 
das faltas passadas e provas para o futuro. Elas nos depuram e 
nos elevam, se as sofremos com resignação e sem reclamações.
A natureza das vicissitudes e das provas que sofremos pode também 
esclarecer-nos sobre o que fomos e o que fizemos, como neste mundo 
julgamos os atos de um criminoso pelo castigo que a lei lhe inflige. 
Assim, este será castigado no seu orgulho pela humilhação de uma 
existência subalterna; o mau rico e avarento, pela miséria; aquele 
que foi duro para os outros, pelos tratamentos duros que sofrerá; 
o tirano, pela escravidão; o mau filho, pela ingratidão dos seus filhos; 
o preguiçoso, por um trabalho forçado etc.
(1) Algumas traduções dizem: “Esquecido de seu passado, ele é mais 
senhor de si” A frase francesa e a seguinte: “Par l ‘oubi du passe, 
i] est pius lui-même” O fato de “ser e é mesmo “a nova encarnação, 
parece-nos mais significativo do que ser “senhor de si” (N . do T)
(1) As pessoas que tanto se interessam por saber o que foram em vidas 
anteriores deve prestar atenção a estes itens. Pelo estudo de suas 
tendências atuais, não esquecendo o progresso que devem ter realizado, 
teriam uma idéia do que foram e do que fizeram. (N. do T.)
a) O homem perde a lembrança do passado pois não deve saber tudo. 
Sem o véu que lhe oculta certas coisas ficaria ofuscado. 
Esquecido de seu passado e mais senhor de si.
b) Em cada nova experiência o homem dispõem de mais meios de
 progredir, e seu mérito ficaria comprometido se recordasse
 de seu passado.
c) Há mundos em que os habitantes guardam lembranças claras
 e exatas de suas vidas passadas, mas nem todos os mundos são
 assim. (ver comentário de Kardec)
d) Nem sempre podemos ter revel ações de nossas vidas
 passadas, embora alguns sabem o que foram e o que faziam
e) As vagas recordações de um passado desconhecido, algumas
 vezes são impressões reais, mas frequentemente não passam de
 mera ilusão, contra quais o homem deve se precaver.
f) A medida que o corpo físico se torna menos material com
 mais exatidão se recorda o homem de seu passado.
g) De certa forma o estudo de nossas tendências pode levar
 ao homem o conhecimento da natureza das faltas que cometeu,
 embora as resoluções e melhoras que tenha tido na
 erraticidade devam ser levadas em conta. (ver comentário de
 Kardec à questão 399)
PERGUNTAS PARA ESTUDO E DEBATE VIRTUAL:
1 - Qual seria a utilidade de se lembrar de suas vidas
 passadas ?
2 - Porque Deus não faculta ao homem este conhecimento de
 suas vidas passadas ?
3 - As nossas tendências sempre revelam as naturezas de
 nossas faltas nas vidas passadas ?
4 - Quando no processo reencarnatório ocorre o esquecimento do passado ?
5 - Algumas pessoas podem ter este passado revelado ? 
Como entender a terapia de vidas passadas ?

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