EXISTE VIDA APÓS A MORTE?

vida após a vida

Após a morte

 Resumo de Allan Kardec

A libertação da alma e do corpo se opera gradualmente e com uma lentidão variável, segundo os indivíduos e as circunstâncias da morte. Os laços que unem a alma ao corpo não se rompem senão pouco a pouco, e tanto menos rapidamente quanto a vida foi mais material e mais sensual. (O Livro dos Espíritos, nº 155)
____No momento da morte, primeiro_tudo_é_confuso; a alma precisa de algum tempo para se reconhecer, porque está meio atordoada, e no estado de um homem saindo de sono profundo e que procura inteirar-se da sua situação. A lucidez das ideias e a memória_do_passado lhe retornam à medida que se desfaz a influência da matéria da qual acaba de se libertar, e que se dissipa a espécie de bruma que obscurece seus pensamentos.
____A duração da perturbação que se segue à morte é muito variável; pode ser de algumas horas somente, como de vários dias, de vários meses e mesmo de vários anos. Ela é menos longa naqueles que, durante a vida, se identificaram com seu estado futuro, porque compreendem imediatamente sua situação; é tanto mais longa quanto o homem tenha vivido mais materialmente.
____As sensações que a alma experimenta nesse momento são também muito variáveis; …
a perturbação que segue a morte nada tem de penosa para o homem_de_bem; ela é calma e em tudo semelhante à sensação que acompanha um despertar pacífico.
Para aquele cuja consciência não é pura e que está mais preso à vida corporal que à espiritual, ela é cheia de ansiedade e de angústias que aumentam à medida que ela se reconhece; porque então ela está tomada de medo e de uma espécie de terror em presença daquilo que vê, e sobretudo daquilo que entrevê.
____A sensação que se poderia chamar física é a de um grande alívio e de um imenso bem-estar; sente-se como livre de um fardo, e se está muito feliz por não sentir mais as dores corporais que se sentia poucos instantes antes de se sentir livre, desligado e alerta como quem viesse a ser libertado de pesadas correntes.
____Na sua nova situação, a alma vê e ouve o que via e ouvia antes da morte, mas vê e ouve outras coisas que escapam à grosseria dos órgãos corporais; ela tem sensações e percepções que nos são desconhecidas (Revista Espírita, 1859, página 224: Morte de um espírita – Idem, 1860, página 332: O sonho do Espírito – Idem, 1862, página 129 e 171: Funerais de M. Sanson).
Nota: Estas respostas, e todas aquelas relativas à situação da alma depois da morte ou durante a vida, não são o resultado de uma teoriaou de um sistema, mas de estudos diretos feitos sobre milhares de indivíduos observados em todas as fases e em todos os períodos da sua existência espiritual, desde o mais baixo até o mais alto grau da escala, segundo seus hábitos durante a vida terrestre, o gênero de morte, etc. Diz-se, freqüentemente, falando da vida espiritual, que não se sabe o que lá se passa porque pessoa alguma dela retornou; é um erro, uma vez que são precisamente os que lá se encontram que vêm dela nos instruir, e Deus o permite hoje mais que em nenhuma outra época, como última advertência dada à incredulidade e ao materialismo.
____As faculdades perceptivas da alma são proporcionais à sua depuração; não é dado senão às almas de elite gozar da presença de Deus.
____Deus está por toda parte porque ele irradia por toda parte, e pode-se dizer que o Universo está mergulhado na divindade, como nós estamos mergulhados na luz solar. Mas os Espíritos atrasados são rodeados de uma espécie de neblina que o oculta aos seus olhos, e que não se dissipa senão à medida que eles se depuram e se desmaterializam. Os Espíritos_inferiores são, pela vista, com relação a Deus, o que os encarnados são com relação aos Espíritos: verdadeiros cegos.
____Se as almas não tivessem mais individualidade depois da morte, seria para elas, e para nós, como se não existissem, e as conseqüências morais seriam exatamente as mesmas. Elas não teriam nenhum caráter distintivo, e a do criminoso estaria no mesmo plano da do homem debem, do que resultaria que não se teria nenhum interesse em fazer o bem.
____A individualidade da alma foi posta a descoberto de uma maneira, por assim dizer, material, nas manifestações_espíritas, pela linguagem e as qualidades próprias de cada uma; uma vez que elas pensam e agem de uma maneira diferente, que umas são boas e outras más, umas sábias e outras ignorantes, umas querem o que outras não querem, isso é a prova evidente de que elas não_estão_confundidas_num_todo_homogêneo, sem falar das provas patentes que nos dão de terem animado tal ou tal indivíduo sobre a Terra. Graças ao Espiritismo experimental, a individualidade da alma não é mais uma coisa vaga, porém um resultado da observação.
____A própria alma constata sua individualidade, porque tem pensamento e vontade próprios, distintos das outras; ela a constata, ainda, pelo seu envoltório_fluídico ou perispírito, espécie de corpo limitado que faz dela ser à parte.
Nota: Certas pessoas crêem fugir à censura de materialismo admitindo um princípio_inteligente universal do qual absorvemos uma parte ao nascer, o que constitui a alma, para devolvê-la depois da morte à massa comum onde ela se confunde como as gotas d’agua no Oceano. Esse sistema, espécie de transação, não merece o nome de espiritualismo, comum do todo universal equivaleria ao nada, uma vez que aí não haveria mais individualidades. (Ver: Metempsicose)
____O estado da alma varia consideravelmente segundo o gênero de morte, mas, sobretudo, segundo a natureza dos hábitos que teve durante a vida.
Na morte natural, o desligamento se opera gradualmente e sem abalo; freqüentemente, ele começa mesmo antes que a vida se extinga.
Na morte_violenta por suplício, suicídio ou acidente, os laços se rompem bruscamente; o Espírito, surpreendido pelo imprevisto, fica como atordoado pela mudança que nele se opera e não compreende sua situação.
____Um fenômeno mais ou menos constante, em semelhante caso, é a persuasão em que se acha de não estar morto, e essa ilusão pode durar vários meses e mesmo vários anos. Nesse estado, vai, vem e crê aplicar-se aos seus trabalhos, como se fosse ainda deste mundo, muito espantado que não respondem quando ele fala. Essa ilusão não é exclusivamente dos casos de mortes violentas; é encontrada nos indivíduos cuja vida foi absorvida pelos gozos e interesses materiais.
(O Livro dos Espíritos, nº 165 – Revista Espírita, 1858, página 166: O suicida da Samaritaine – Idem, 1858, página 326: Um espírito no enterro do seu corpo – Idem, 1859, página 184: O Zuavo de Magenta – Idem, 1859, página 319: Um Espírito que não se crê morto – Idem, 1863, página 97: François Simon Louvet).

saida do corpo

A ALMA SOBREVIVE ?

____A Alma não se perde na imensidade do Infinito, como geralmente se figura; ela erra_no_espaço e, o mais frequentemente, no meio daqueles que conheceu, e sobretudo daqueles que amou, podendo se transportar instantaneamente a distâncias imensas.
____Ela conserva todas as afeições morais; não esquece senão as afeições materiais que não são mais da sua essência. Por isso, vem com alegria rever seus parentes e seus amigos, e é feliz por dela se lembrarem (Revista Espírita, 1860, página 202: Os amigos não nos esquecem no outro mundo. 11 – Idem, 1862, página 132).
____Dependendo da sua elevação e da natureza dos seus trabalhos, a alma conserva a lembrança do que fez sobre a Terra, se interessa pelos trabalhos que deixou inacabados. Os Espíritos desmaterializados pouco se preocupam com as coisas materiais, das quais são felizes de estarem livres. Quanto aos trabalhos que começaram, segundo a sua importância e a sua utilidade, eles inspiram, algumas vezes a outros o pensamento de terminá-los.
____A alma não somente reencontra, no mundo dos Espíritos, os parentes e amigos que a precederam, mas reencontra aí muitos outros que havia conhecido nas suas precedentes existências. Geralmente, aqueles que por ela mais se afeiçoam vêm recebê-la na sua chegada ao mundo_dos_
Espíritos, e a ajudam a se libertar dos laços terrestres. Entretanto, a privação do reencontro com as almas mais queridas, algumas vezes, é uma punição para as almas culpadas.
____O desenvolvimento incompleto dos órgãos da criança_morta_em_tenra_idade não permitiu ao Espírito se manifestar completamente; liberto desse envoltório, suas faculdades são as que tinha antes da sua encarnação. O Espírito não tendo passado senão alguns instantes na vida, suas faculdades não puderam se modificar.
____Nota: Nas comunicações_espíritas, o Espírito de uma criança pode, pois, falar como o de um adulto, porque pode ser um Espírito muito avançado. Se toma, algumas vezes, a linguagem infantil é para não tirar da mãe o encanto de um ser frágil e delicado e enfeitado com as graças da inocência. (Revista Espírita, 1858, página 17: Mãe! eu estou aí).
____A mesma pergunta podendo ser feita sobre o estado intelectual da alma dos cretinos, dos_idiotas_e_dos_loucos, depois da morte, encontra sua solução na precedente.
____A questão da sorte das crianças que morrem em tenra idade é uma das que provam melhor a justiça e a necessidade da pluralidade_das_existências.
Uma alma que não tivesse vivido senão alguns instantes, não tendo feito nem bem nem mal, não mereceria nem recompensa nem punição.
Segundo a máxima do Cristo, de que cada um é punido ou recompensado segundo suas obras, seria, tanto ilógico como contrário à justiça de Deus admitir-se que, sem trabalho, ela fosse chamada a gozar da felicidade perfeita dos anjos, ou que pudesse disso ser privada, e, todavia, ela deve ter uma sorte qualquer; um estado misto, pela eternidade, seria também injusto.
Interrompida uma existência desde o seu princípio, não podendo ter, pois, nenhuma conseqüência para a alma, sua sorte atual é a que merecia na sua precedente existência, e sua sorte futura aquela que merecerá nas suas existências ulteriores.
____As_almas_progridem_intelectual_e_moralmente, depois da morte, mais ou menos segundo sua vontade, e algumas progridem muito, mas têm necessidade de porem em prática, durante a vida corporal, o que adquiriram em ciência e em moralidade. Aquelas que estão estacionárias retomam uma existência análoga à que deixaram; as que progrediram merecem uma encarnação de uma ordem mais elevada.
____O progresso, sendo proporcional à vontade do Espírito, há os que conservam por longo tempo os gostos e as tendências que tinham durante a vida, e que perseguem as mesmas ideias. (Revista Espírita, 1858, página 82: A rainha de Oude – Idem, página 145: O Espírito e os herdeiros – Idem, página 186: O tambor da Béresina – Idem, 1859, pág 344: Um antigo carreteiro – Idem, 1860, página 325: Progresso dos Espíritos – Idem, 1861, página 126: Progresso de um Espírito perverso).
____Se a almas não se ocupassem senão de si mesmas durante a eternidade, isso seria egoísmo, e Deus, que condena o egoísmo, não aprovaria na vida espiritual o que pune na vida corporal. As almas ou Espíritos têm ocupações de acordo com seu grau de adiantamento, ao mesmo tempo que procuram se instruírem e melhorarem. (O Livro dos Espíritos, nº 558: Ocupações e missões dos Espíritos).
____A fixação irrevogável da sorte do homem depois da morte seria a negação absoluta da justiça e da bondade de Deus, porque há muitos que não dependeram de si mesmos para se esclarecerem suficientemente, sem falar dos idiotas, dos cretinos e dos selvagens, e das inumeráveis crianças_que morrem antes de terem entrevisto a vida.
Mesmo entre as pessoas esclarecidas, há muitas que puderam crer-se bastante perfeitas para estarem dispensadas de fazer mais, e isso não é uma prova manifesta que Deus dá da sua bondade, permitindo ao homem fazer no dia seguinte o que não fez na véspera?
____(Ver: Reencarnação)
Se a sorte está irrevogavelmente fixada, por que os homens morrem em idades tão diferentes, e por que Deus, na sua justiça, não deixa a todos o tempo para fazerem o maior bem possível ou reparar o mal que fizeram?
Quem sabe se o culpado que morreu aos trinta anos, não estaria arrependido, não teria se tornado um homem de bem, se vivesse até os sessenta anos?
Por que Deus lhes tira esse meio enquanto dá a outros?
____Só o fato da diversidade da duração da vida, e do estado moral da grande maioria dos homens, prova a impossibilidade, se se admite a justiça de Deus, de que a sorte da alma seja irrevogavelmente fixada depois da morte.
____A Igreja, hoje, reconhece perfeitamente que o fogo do Inferno é um fogo moral e não um fogo material, todavia, não define a natureza_dos_sofrimentos. As comunicações espíritas os colocam sob nossos olhos; por esse meio, nós podemos apreciá-los e nos convencer de que, por não ser o resultado de um fogo material, que não poderia queimar, com efeito, almas imateriais, eles não são menos terríveis em certos casos. Essas_penas não são uniformes e variam ao infinito, segundo a natureza e o grau das faltas cometidas, e são, quase sempre, essas próprias faltas que servem ao castigo.
É assim que certos homicidas são constrangidos a permanecerem sobre o lugar do crime e a ter, sem cessar, suas vítimas sob seus olhos;
que o homem de gostos_sensuais e materiais conserva esses mesmos gostos, mas a impossibilidade de os satisfazer materialmente é para ele uma tortura;
que certos avarentos crêem sofrer o frio e as privações que suportaram durante a vida por avareza;
Outros permanecem perto dos tesouros que enterraram e estão em transe perpétuo pelo medo que os roubem;
não há uma falta, uma imperfeição moral, uma ação má que não tenha, no mundo_dos_Espíritos, sua contrapartida e suas conseqüências naturais; e, para isso não há necessidade de um lugar determinado e circunscrito: por toda parte em que se encontre, o Espírito perverso carrega seu inferno consigo.
____Além das penas_espirituais, há penas e provas materiais que o Espírito, que não está depurado, suporta nas novas_encarnações, onde é colocado numa posição para suportar o que fez os outros suportarem:
ser humilhado, se foi orgulhoso;
miserável, se foi mau rico;
infeliz por seu filho, se foi um mau filho, etc.
____A Terra, como dissemos, é um lugar de exílio e de expiação, um purgatório, para os Espíritos dessa natureza, e no qual depende de cada um não retornar, melhorando-se bastante para merecer ir a um mundo melhor (O Livro dos Espíritos, nº 237: Percepções, sensações e sofrimento dos Espíritos – Idem, livro Quarto: Esperanças e consolações; penas e gozos futuros – Revista Espírita, 1858, página 79: O assassino Lemaire – Idem, 1858, página 166: O suicida da Samaritaine – Idem, 1858, página 331: Sensações dos Espíritos – Idem, 1859, página 275: O pai Crépin – Idem, 1860, página 61: Estelle Régnier – Idem, 1860, página 247: O suicida da rua Quincampoix – Idem, 1860, página 316: O castigo – Idem, 1860, página 325: Entrada de um culpado no mundo dos Espíritos – Idem, 1860, página 384: Castigo do egoísta – Idem, 1861, página 53: Suicídio de um ateu – Idem, 1861, página 270: A pena de talião).
____A_prece é recomendada por todos os bons_Espíritos; por outro lado, ela é pedida pelos Espíritos_imperfeitos como um meio de aliviar seus sofrimentos. A alma pela qual se ora experimenta alívio, porque é um testemunho de interesse e o infeliz é sempre aliviado quando encontra corações caridosos que se compadecem de suas dores. Por outro lado, ainda pela prece, estimula-se ao arrependimento e ao desejo de fazer o que é preciso para ser feliz; é nesse sentido que se pode abreviar sua pena se, por sua vez, ela secunda pela sua boa vontade (O Livro dos Espíritos, nº 664 – Revista Espírita, 1859, página 315: Efeitos da prece sobre os Espíritos sofredores).
____A justiça quer que a recompensa seja proporcional ao mérito, como a punição à gravidade da falta; há, portanto, graus infinitos nos gozos da alma, desde o instante em que ela entra no caminho do bem, até que atinja a perfeição.
____A felicidade dos bons Espíritos consiste em …
conhecer todas as coisas,
não ter nem ódio,
nem ciúme e inveja,
nem ambição,
nem nenhuma das paixões que fazem a infelicidade dos homens.
____O amor que as une é, para elas, a fonte de uma suprema felicidade. Elas não experimentam nem as necessidades, nem os sofrimentos, nem as angústias da vida material. Um estado de contemplação perpétua seria uma felicidade estúpida e monótona, própria do egoísta, uma vez que sua existência seria uma inutilidade sem limites. A vida espiritual, ao contrário, é uma atividade incessante pelas missões que os Espíritos recebem do ser supremo, como sendo seus agentes no governo do Universo; missões que são proporcionais ao seu adiantamento e das quais são felizes, porque lhes fornecem ocasiões de se tornarem úteis e de fazerem o bem. (O Livro dos Espíritos, nº 558: Ocupações e missões dos Espíritos – Revista Espírita, 1860, página 321 e 322; Os Espíritos puros; a morada dos bem-aventurados – Idem, 1861, página 179: Madame Gourdon). Nota: Convidamos os adversários do Espiritismo e aqueles que não admitem a reencarnação, a darem aos problemas acima uma solução mais lógica, por qualquer outro princípio que o da pluralidade das existências.
____ Depois da morte, a diferença entre a alma do sábio e do ignorante, do selvagem e do homem civilizado, é a mesma diferença, aproximadamente, que existe entre eles durante a vida, porque a entrada no mundo dos Espíritos não dá à alma todos os conhecimentos que lhe faltavam sobre a Terra.

 

Allan Kardec

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