Espiritismo e Ecologia

Espiritismo e Ecologia

Espiritismo e Ecologia

O que o Espiritismo e a Ecologia têm em comum?

O leitor se surpreenderá com as muitas afinidades existentes entre essas duas áreas do conhecimento que surgiram na mesma região do planeta há aproximadamente 150 anos, e que hoje despertam interesse e curiosidade crescentes. Espíritas e ecologistas utilizam a visão sistêmica para defender a biodiversidade, o uso sustentável dos recursos naturais, o consumo consciente, a primazia dos projetos coletivos em detrimento do individualismo. São tantas as afinidades, que certas obras espíritas poderiam perfeitamente embasar alguns postulados ecológicos.Que esta obra continue inspirando novas ideias e atitudes.

Espiritismo e ecologia

Por Marco Antonio Negão
 
O livro, edição FEB (Federação Espírita Brasileira) é de autoria de André Trigueiro, espírita, jornalista de renome e editor-chefe do programa Cidades e Soluções – Globo News. Pós-graduado em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ, onde leciona a disciplina Geopolítica Ambiental, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC/RJ, autor de diversos livros que tratam da temática Ambiental (Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em transformação – ed. Globo, 2005; Mundo Sustentável 2 – Novos Rumos para um Planeta em Crise – ed. Globo, 2012;) coordenador editorial e um dos autores do livro Meio Ambiente no Século XXI – ed. Sextante, 2003).
A apresentação do autor se faz de importância a fim de demonstrar o embasamento teórico da obra.
É de nos indagarmos: O que o Espiritismo e a Ecologia têm em comum? O leitor se surpreenderá com as muitas afinidades existentes entre essas duas áreas do conhecimento, que surgiram na mesma região do planeta, há aproximadamente cento e cinquenta anos [Espiritismo em 1857, na França e Ecologia em 1866, na Alemanha], e que hoje despertam interesse e curiosidade crescentes.
Espíritas e ecologistas utilizam a visão sistêmica para defender a biodiversidade, o uso sustentável dos recursos naturais, o consumo consciente, a primazia dos projetos coletivos em detrimento do individualismo.
São tantas afinidades, que certas obras espíritas poderiam perfeitamente embasar alguns postulados ecológicos.
E, podemos afirmar que: Tanto o Espiritismo quanto a Ecologia oferecem ferramentas importantes para a compreensão da realidade que nos cerca.
Espíritas e ecologistas investigam, cada qual a seu modo, as relações que sustentam e emprestam sentido à vida. Defendem uma nova ética, mais comprometida com os interesses coletivos, e uma atenção maior ao planeta que nos acolhe.
Reconhecem a existência de forças que atuam positivamente em defesa do planeta, da manutenção da vida e da biodiversidade; as limitações desses agentes e o risco de desmancharmos o tabuleiro sobre o qual esses sistemas se mantêm estruturados.
Se a ciência ecológica oferece um amplo espectro de observação, interligando sistemas que variam do micro ao macrocosmo, o Espiritismo desdobra esse olhar na direção do plano invisível, alargando enormemente o campo de investigação.
De forma clara e objetiva, o livro instiga o leitor a perceber que as múltiplas crises que experimentamos na atualidade (econômica, ambiental, social, ética) demandam uma nova percepção da realidade e um nível de comprometimento maior com a vida em suas mais diversas manifestações.
Coerente à proposta, o livro foi impresso em papel cem por cento reciclado. – A reciclagem de papéis visa o aproveitamento de fibras celulósicas dos papéis e cartões usados para a produção de papéis novos, contribuindo para a conservação de recursos naturais e energéticos e para a proteção do ambiente.
São vinte capítulos, além da Introdução e um pequeno dicionário ambiental, com mais de cento e quarenta verbetes, que permitem ao leitor melhor entender a complexidade do tema e suas implicações no nosso mundo.
O autor também fornece caminhos para o o aprofundamento desse estudo, informando sites, nos quais podem ser obtidos dados mais precisos e completos. Tudo isso para, em formando conceitos e reflexões, permitir aos que se envolvam na leitura, concluir das prementes responsabilidades perante este tema tão necessário, no mundo atual.
No capítulo Lei de destruição, André reproduz a resposta da questão 728 de O livro dos Espíritos, passando ao comentário, logo em seguida: “Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamais de destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e a melhoria dos seres vivos.”
Importa reconhecer o gênero de destruição sobre o qual estamos falando. Um, de origem natural, conspira em favor da manutenção da vida; o outro,de origem antrópica [relativa à ação do homem], determina impactos negativos sobre os ciclos da Natureza, precipitando cenários de desconforto ambiental crescente.
O livro nos remete a reflexões sobre o nosso papel na preparação do Mundo de Regeneração, não somente no aspecto moral, mas também, sobre o que estamos fazendo hoje, pensando no futuro, em relação às condições ambientais. Lembra que seremos nós mesmos que retornaremos para habitá-lo, se assim nos for permitido pelas leis da vida, que regem as reencarnações.
Dando um aspecto prático ao conteúdo teórico, no capítulo Enquanto isso, nos centros espíritas… o autor sugere: […] Sem prejuízo de sua atividade-fim, cada centro espírita poderia realizar ações efetivas em favor da sustentabilidade, em benefício da coletividade e do planeta. […] E a partir daí elenca ações que podem ser implementadas nas nossas Casas Espíritas e que estarão contribuindo para que alcancemos a utopia de vivermos num mundo melhor e mais justo, um mundo sustentável.

Você cuida do Planeta em que vive?

Sabe que pode voltar a ele muitas vezes? O que você faz do Planeta, está fazendo pra você mesmo.
Quando se fala em cuidados com o meio ambiente geralmente se usa o argumento de que devemos preservá-lo para os nossos filhos e netos. É verdade, mas não é a verdade completa. Devemos cuidar do Planeta, antes de tudo, para nós mesmos. Pode me chamar de egoísta, mas é que sou reencarnacionista. Voltarei aqui, e quero reencontrar a casa o menos bagunçada possível.
A Terra está passando por um momento de transição
Permita-me dizer que você também voltará. Muitas vezes ainda. Não estamos com essa bola toda de carimbar o passaporte pra um planeta mais evoluído, sinto muito. E você sabe que a Terra está passando por um momento de transição. Está deixando de ser um planeta de provas e expiações para se tornar um planeta de regeneração. Isto significa que aqueles que não se ajustam moralmente com a nova categoria planetária terão que deixar a Terra… para um mundo inferior, onde terão que ajudar no desenvolvimento dos seres locais, muito atrasados em relação a nós.
Moro no sul da América do Sul Mas isso é assunto pra outra hora. Só citei a transição pra deixar claro que o que nos resta é nos esforçarmos pra permanecer aqui, na velha e boa Terra. Eu, particularmente, gosto muito daqui. Moro no sul da América do Sul, onde é um forno no verão e um freezer no inverno, mas gosto daqui. Tem geada, temporal, ventania, umidade, enchente, mas eu gosto daqui. Esse é o Planeta em que estamos evoluindo há muitos séculos, talvez muitos milênios.
Se analisarmos dessa forma, é muita falta de vergonha na cara não cuidarmos do Planeta. Muita burrice e imprevidência. Todo o estrago que produzimos hoje, se não colhermos os resultados funestos ainda nesta existência, colheremos na próxima!
Não estou dizendo que você deve se tornar um ativista ecológico, que deve mudar radicalmente seus hábitos. Estou sugerindo que não despreze as informações que chegam até você aconselhando pequenos cuidados no dia-a-dia; estou pedindo que seja grato à internet, por tudo o que ela nos oferece de informação, e procure descobrir uma ou duas coisas que possa fazer todos os dias sem que isso exija um grande esforço.
Fazemos o que podemos Nosso maior problema, talvez, seja achar que pequenas ações não vão adiantar nada. Realmente, as ações isoladas de cada um não acrescentam muito. Mas fazemos o que podemos. E o que podemos fazer é a nossa parte. Não se preocupe com os outros. Oriente-os, se puder. Mas o que importa é a sua parte. Não vou sugerir nenhuma dica específica. Nem vou colocar link nenhum. Mas é só digitar no Google qualquer coisa como “dicas ecológicas para o dia-a-dia” que aparecem dezenas de coisas viáveis para se colocar em prática sem muito esforço.
O espiritismo nos orienta incessantemente para que controlemos nossos pensamentos. Claro que não é só o espiritismo que recomenda o controle dos pensamentos, muitas outras correntes de pensamento também têm esse enfoque. Só que o Os nossos maus pensamentos e o umbral espiritismo vai além da simples recomendação e investiga os impactos que os miasmas astrais, as formas-pensamento, os “pensamentos poluídos”, de um modo geral, causam no plano astral. Você já ouviu falar de umbral, é claro. Valendo um café: O que você acha que é responsável pela existência e manutenção do umbral? Quem respondeu “os nossos maus pensamentos” acertou.
Mudei de assunto? Não. Apenas quis demonstrar que o espiritismo nos ensina a não poluirmos o “meio ambiente astral”, e a ecologia nos demonstra, cada vez mais, que não devemos poluir o meio ambiente material. Tudo está interligado. E somos nós os responsáveis por tudo. Você já se deu conta da responsabilidade que temos? Porque não vale colocar Deus na história. Nem Jesus, nem santo, nem anjo, nem espírito protetor. Deus criou o Planeta e nos emprestou. Nós devemos cuidar dele. Só nós. Você concorda? Por quê?
Morel Felipe Wilkon

Ecologia e Espiritismo

 

É urgente que o movimento espírita absorva e contextualize, à luz da doutrina, os sucessivos relatórios científicos que denunciam a destruição sem precedentes dos recursos naturais não renováveis, no maior desastre ecológico de origem antrópica da história do planeta. Os atuais meios de produção e de consumo precipitaram a humanidade na direção de um impasse civilizatório, onde a maximização dos lucros tem justificado o uso insustentável dos mananciais de água doce, a desertificação do solo, o aquecimento global, a monumental produção de lixo, entre outros efeitos colaterais de um modelo de desenvolvimento “ecologicamente predatório, socialmente perverso e politicamente injusto”.
Na pergunta 705 do Livro dos Espíritos, no capítulo que versa sobre a Lei de Conservação, Allan Kardec pergunta: “Porque nem sempre a terra produz bastante para fornecer ao homem o necessário?”, ao que a espiritualidade responde: “É que, ingrato, o homem a despreza! Ela, no entanto, é excelente mãe. Muitas vezes, também, ele acusa a Natureza do que só é resultado da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se” (…).
É evidente que em uma sociedade de consumo, nenhum de nós se contenta apenas com o necessário. A publicidade se encarrega de despertar apetites vorazes de consumo do não necessário – daquilo que é supérfluo, descartável, inessencial – renovando a cada nova campanha a promessa de felicidade que advém da posse de mais um objeto, seja um novo modelo de celular, um carro ou uma roupa. Para nós espíritas, é fundamental que o alerta contra o consumismo seja entendido como uma dupla proteção : ao meio ambiente – que não suporta as crescentes demandas de matéria-prima e energia da sociedade de consumo, onde a natureza é vista como um grande e inesgotável supermercado – e ao nosso espírito imortal, já que, segundo a doutrina espírita, uma das características predominantes dos mundos inferiores da Criação é justamente a atração pela matéria. Nesse sentido, não há distinção entre consumismo e materialismo, e nossa invigilância poderá custar caro ao projeto evolutivo que desejamos encetar . Essa questão é tão crucial para o Espiritismo, que na pergunta 799 do Livro dos Espíritos, quando Kardec pergunta “de que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso?”, a resposta é taxativa: “Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade.(…)”
Uma das mais prestigiadas organizações não governamentais do mundo, o Worldwatch Institute, com sede em Washington, divulga anualmente o relatório “Estado do Mundo”, uma grande compilação de dados e estudos científicos que revelam os estragos causados pelo atual modelo de desenvolvimento. Na última versão do relatório, referente ao ano de 2004, afirma-se que “o consumismo desenfreado é a maior ameaça à humanidade”. Os pesquisadores do Worldwatch denunciam que “altos níveis de obesidade e dívidas pessoais, menos tempo livre e meio ambiente danificado são sinais de que o consumo excessivo está diminuindo a qualidade de vida de muitas pessoas”.
Aos espíritas que mantém uma atitude comodista diante do cenário descrito nessas breves linhas, escorados talvez na premissa determinista de que tudo se resolverá quando se completar a transição da Terra ( de mundo de expiações e de provas para mundo de regeneração) é bom lembrar do que disse Santo Agostinho no capítulo III do Evangelho Segundo o Espiritismo. Ao descrever o mundo de regeneração, Santo Agostinho diz que mesmo livre das paixões desordenadas, num clima de calma e repouso, a humanidade ainda estará sujeita “às vicissitudes de que não estão isentos senão os seres completamente desmaterializados; há ainda provas a suportar (…) e que “nesses mundos, o homem ainda é falível, e o Espírito do mal não perdeu , ali, completamente o seu império. Não avançar é recuar , e se não está firme no caminho do bem, pode voltar a cair nos mundos de expiação, onde o esperam novas e terríveis provas”. Ou seja, não há mágica no processo evolutivo: nós já somos os construtores do mundo de regeneração, e , se não corrigirmos o rumo na direção do desenvolvimento sustentável, prorrogaremos situações de desconforto já amplamente diagnosticadas.
Não é possível, portanto, esperar a chegada do mundo de regeneração de braços cruzados. Até porque, sem os devidos méritos evolutivos, boa parte de nós deverá retornar à esse mundo pelas portas da reencarnação. Se ainda quisermos encontrar aqui estoques razoáveis de água doce, ar puro, terra fértil, menos lixo e um clima estável – sem os flagelos previstos pela queima crescente de petróleo, gás e carvão que agravam o efeito estufa – deveremos agir agora, sem perda de tempo.
Depois que a ONU decretou que 2003 seria o ano internacional da água doce, os católicos não hesitaram em, pela primeira vez em 40 anos de Campanha da fraternidade, eleger um tema ecológico: “Água: fonte de vida”. Mais de 10 mil paróquias em todo o Brasil foram estimuladas a refletir sobre o desperdício, a poluição e o aspecto sagrado desse recurso fundamental à vida. E nós espíritas? O que fizemos, ou o que pretendemos fazer? O grande Mahatma Gandhi – que afirmou certa vez que toda bela mensagem do cristianismo poderia ser resumida no sermão da montanha – nos serve de exemplo, quando diz “sejamos nós a mudança que nós queremos ver no mundo”.
Fonte
André Trigueiro (autor deste artigo)
Escritor, Jornalista da TV Globo e
autor do livro ‘Mundo Sustentável’

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