HUMILDADE E CARIDADE PSICOGRAFIA DE CHICO XAVIER

Amor e humildade

“Nós viveremos, universo afora, Trazendo dentro d’alma a vida acesa No ritmo da luz da natureza, Que é a eterna vibração da eterna aurora. A dor, somente a dor nos aprimora, Nos caminhos da prova e da aspereza, elevando a nossa alma na grandeza da grande claridade redentora. Somos os lutadores peregrinos, sonhando pela estrada dos destinos, um castelo de paz, ventura e glórias. Sabemos do passado envolto em ruínas que a luz do amor e as rudes disciplinas, são as chaves das últimas vitórias.”
(Raul de Leoni, soneto psicografado por Chico Xavier em 1936)

Caridade é a salvação

“Caridade é, sobretudo, amizade. Para o faminto é o prato de sopa. Para o triste é a palavra consoladora. Para o mau é a paciência com que nos compete auxiliá-lo. Para o desesperado é o auxílio do coração. Para o ignorante é o ensino despretensioso. Para o ingrato é o esquecimento. Para o enfermo é a visita pessoal. Para o estudante é o concurso no aprendizado. Para a criança é a proteção construtiva. Para o velho é o braço irmão. Para o inimigo é o silêncio. Para o amigo é o estímulo. Para o transviado é o entendimento. Para o orgulhoso é a humildade. Para o colérico é a calma. Para o preguiçoso é o trabalho. Para o impulsivo é a serenidade. Para o leviano é a tolerância. Para o deserdado da Terra é a expressão de carinho. Caridade é amor em manifestação incessante e crescente. É o sol de mil faces brilhando para todos e o gênio de mil mãos, amparando, indistintamente, na obra do bem, onde quer que se encontre, entre justos e injustos, bons e maus, felizes e infelizes, por que, onde estiver o espírito do Senhor aí se derrama a claridade constante dela, a benefício do mundo inteiro.”
(Emmanuel, psicografado por Chico Xavier na obra Viajor)

O perdão

“Use o tostão que sobra e que em nada te aproveita. Dar sempre é exemplificar a caridade perfeita! Caridade é, muitas vezes, fazer-se sempre o menor. Está na luz da humildade a caridade melhor. Caridade é perdoar a quem te causa uma dor. É converter todo o espinho numa braçada de flor. Caridade, enfim, na Terra é buscar a perfeição, A perfeição de si mesmo no templo do coração.”
(Casimiro Cunha, psicografado por Chico Xavier em 1938)

Sem mágoas no coração

“A humildade não está na pobreza, não está na indigência, na penúria, na necessidade, na nudez e nem na fome. A humildade está na pessoa que tendo o direito de reclamar, julgar, reprovar e tomar qualquer atitude compreensível no brio pessoal, apenas abençoa.”
(Emmanuel, psicografado por Chico Xavier)

Renovação e fé

“Alguém hoje ainda, talvez te procure pedindo auxílio. Alguém que provavelmente não fale, mas que trará nos olhos ou nos próprios atos a súplica de amparo que a palavra nem sempre diz. Alguém que terá errado a rogar-te um gesto de simpatia, a fim de retificar-se; Que se vê sob o frio da angústia, esmolando segurança; Que haverá perdido afeições inesquecíveis no nevoeiro da morte, a implorar-te reconforto; Que padecerá solidão, mendigando momentos de companhia. Não te afirmes incapaz, nem te digas inútil. Auxilia como puderes. O Céu saberá usar-te. Organiza as tuas prateleiras de bondade e serve esperança e coragem aos que te busquem apoio. Oferece-te para o trabalho do bem, como te encontras e tal qual és, fazendo o melhor de ti. Não temas. Se desejas renovação e se tens fé, podes claramente entrar no serviço ao próximo, a colaborar no supermercado da luz, entregando as bênçãos de Deus.”
(Meimei, psicografado por Chico Xavier)

Chico Xavier:

pequenas histórias, grandes ensinamentos
cansaço, morte, hora da morte
I- CANSAÇO
Outro dia me perguntaram por que eu continuo trabalhando, apesar da enfermidade, das limitações.
Respondi:
– Estou doente, mas ainda não cheguei à inutilidade. Ou fazemos ou fica por fazer. Ninguém pode fazer o que temos que fazer. A gente tem que aguentar.
A desistência do dever gera um complexo de culpa muito grande.
II- MORTE
Amo a vida. Aceito, mas não favoreço a morte. Tomo os remédios que os médicos me receitam com disciplina e fé. De maneira que, quando eu morrer, você pode mandar escrever no meu túmulo: ” Aqui jaz Chico Xavier, muito a contragosto.”
III- HORA DA MORTE
Um dia estava me sentindo muito mal e comecei a pensar:
– Meu Deus! Estou sem poder andar, quase sem poder escrever aos amigos, quase sem poder psicografar, quase sem poder ouvir, minha voz está um sopro…
Perguntei ao Espírito de Emmanuel:
– Quando é que eu vou?
E ele me respondeu:
– Nem fale nisso. Enquanto você estiver podendo fazer uma prece por alguém, estará sendo útil.
livro: Momentos com Chico Xavier
autor: Adelino da Silveira

A vida simples de Chico Xavier é um exemplo a ser seguido por todos. Aprenda a viver melhor com o exemplo de humildade de Chico Xavier

Antônio reclamava:

“A vida está passando muito rápido. Não tenho tempo para fazer metade das coisas que eu quero.”
Antônio já leu vários livros do Chico Xavier e conhece um pouco sobre a vida dele.
Adora o médium e sempre o elogia.
Ele é um homem ético, assim como o Chico foi.
Os dois possuem interesses pelo mundo espiritual e na reforma íntima.
Todavia, ele esqueceu a maior lição deixada pelo médium:
a forma como Chico Xavier organizou sua vida.
O médium morava em uma pequena casa, com poucos pertences.
Um lar simples, fácil de organizar, limpar e cuidar.
Pouquíssimo tempo era gasto nestas tarefas.
Ele gastava mais tempo orando.
A oração era muito importante em sua vida.
O foco era ter tempo para orar.

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COERÊNCIA 

A oração é muito importante, por isto é neste ponto que o médium colocava suas atenções e intenções.
Antes de escrever este texto fiz uma pequena pesquisa com alguns conhecidos espíritas.
Perguntei: o que é mais importante, ir às compras ou orar?
Todos, sem exceção, disseram que era orar.
Nenhum gastava mais tempo com a oração do que com as compras.
Pois bem, o Chico Xavier foi coerente com seus valores.
E organizou sua vida para que primeiramente pudesse orar.
Enquanto teve saúde, ele cuidou dos detalhes rotineiros de sua vida.
Mas, a simplicidade de sua vida permitia com que ele priorizasse o que era realmente importante.
O Chico vivia tão bem que se permitiu doar os direitos autorais de seus livros.
São milhões de reais em direitos autorais.
Ele usaria este dinheiro para quê?
Para tornar sua vida com mais “qualidade de vida”, ou seja, mais cara, complicada e que tomaria seu tempo?
Ele não quis viver assim. Ele queria ter tempo para orar, ler, dialogar, aprender e servir.
O bem mais precioso do ser humano é seu tempo.
A simplicidade do Chico Xavier permitiu que ele usasse seu tempo para o que ele considerava mais importante.
Ele só conseguiu viver desta forma tão bela porque NÃO ACREDITOU no senso comum de que precisava de muito para ter melhor qualidade de vida.
Você sabe que não precisa de muito para ser feliz.
Mas, você não consegue colocar em prática a vida simples.
Você é prisioneiro de dezenas de necessidades imprescindíveis.
Cada uma delas te prende e você sai à busca de supri-las.
O Chico sabia ORGANIZAR SUA VIDA.
Ele trabalhou até aposentar e criou seu filho.
Cuidou de seus interesses, como qualquer pessoa.
O segredo para produzir uma obra tão magnífica foi abrir mão do que lhe desviava de seu caminho.
Quando digo sim para alguma coisa, imediatamente estou dizendo não para várias outras.
Ou, como Jesus disse: “porque, onde estiver vosso tesouro, ali estará também o vosso coração” (Lucas 12:34)
O tesouro do Chico Xavier foi sua dedicação ao próprio desenvolvimento espiritual.
Ele disse não para várias atividades que ocupariam seu tempo e desviariam sua atenção.
Atualmente, o que mais desgasta as pessoas é o excesso de desejos e interesses.
O tempo acaba sendo desperdiçado com o que é menos importante.
O excesso e a dispersão devem ser combatidos com a PRIVAÇÃO VOLUNTÁRIA.
A reflexão sobre a privação voluntária deve ser o centro para as pessoas conseguirem manter o coração sereno; e assim se dedicarem à pratica caridosa e à própria evolução espiritual.
Quando o Chico disse que aprendeu a jamais criticar alguém, ele estava descrevendo seu coração sereno, que não se permitia ser tumultuado pela ação do outro.
Um coração sereno, uma Mente Neutra e clara.
Esta grande sabedoria foi construída com paciência e boas escolhas no dia-a-dia.
Boa parte destas boas escolhas aconteceram porque ele manteve a coerência, o foco e praticou a privação voluntária.
Um candidato a presidente foi até Uberaba (minha cidade) e chegou na casa do Chico Xavier. Já foi entrando e encontrou o médium orando, ajoelhado ao lado da cama.
Dias após o evento uma pessoa comentou:
– o pobrezinho estava rezando e o (candidato) sem educação invadiu seu quarto…
O outro retrucou:
– pobrezinho? O Chico Xavier é riquíssimo de amor. É a vida mais rica que conheço. Ele faz o que gosta, vive a vida que sempre quis ter, ama ajudar ao próximo. Ele escolheu viver e vive intensamente sua espiritualidade. Ele vive a vida que planejou para si.
E continuou:
– pobrezinho é quem deixa para trás o que acredita, quem mata seus sonhos e se distancia de quem é realmente importante.
– pobrezinho é quem se engana ao valorizar uma coisa e gastar seu tempo e sua dedicação buscando outras. O Chico é corajoso o bastante para se dedicar ao que considera mais importante em sua vida.
Chico Xavier não era coitadinho, nem pobrezinho. Ele escolheu um caminho e foi fundo neste caminho. Ele viveu a verdade e é por isto que as suas palavras possuem força e poder de auxílio.
É um exemplo, um ótimo exemplo.
Este texto tem a intenção de te ajudar a mudar sua vida.
Sua atenção não pode continuar direcionada para longe de onde seu coração sabe que você deveria estar.
Primeiro o que é mais importante para seu espírito, para seu trabalho e para sua família.
Tudo o mais, deve existir com muita frugalidade e parcimônia.
Você criará uma vida mais coerente e mais rica de satisfação.
Como ter tempo, todos os dias, para meditar/orar, ler a Bíblia e mentalizar?
Uma pessoa tomou a decisão: “orar, ler a Bíblia e mentalizar são minhas prioridades e nunca mais serão desprezadas”.
Ele abriu mão de outras atividades, passou a ter um consumo mais simples e reorganizou sua rotina.
Sua rotina é hoje exatamente o que seu coração indica como realmente importante.
Ele abriu mão de várias atividades e necessidades que a sociedade moderna incentiva.
A vida dele melhorou. Melhorou muito.
Quando você segue o que é realmente importante e coloca força e dedicação nesta decisão, uma NOVA FONTE DE ENERGIA E SABEDORIA se abre para te ajudar a seguir este caminho tão belo.
Esta pessoa todos os dias agradece pela sábia decisão que tomou há algumas décadas e que o mantém firme para superar os desafios da vida e evoluir.
Afinal, todos nascem para evoluir e se abrir para as vivências espirituais.
Autor: Regis Mesquita

Chico e Bezerra

Dr.Bezerra vindo ao encontro do amigo Chico aproximou-se
e deu-lhe afetuoso e reluzente abraço; e foi logo dizendo:
— Como vai Chico?
Muito trabalho?
— Ah! Sim Dr.Bezerra, o trabalho é uma bênção!
Espero continuar trabalhando…
— Então vamos Chico?
A reunião está prestes a começar e Jesus já está a caminho.
Embargados pela emoção permaneceram calados por alguns instantes, e Chico na sua simplicidade, pondo-se de pé, fitou aquele belo par de olhos azuis, que mais pareciam dois diamantes faiscando.
Pronto a obedecer àquele convite, o Chico ajeitou o paletó, passou as mãos no rosto, deixando transparecer sua disciplina de verdadeiro apóstolo do Mestre.
Dr.Bezerra, observando os pormenores, não pode deixar de fazer uma brincadeira para quebrar a emoção do momento.
— Chico — falou o Dr.Bezerra —, deixa o paletó; você não precisa mais dele, suas vestes agora são outras.
Chico, como que meio envergonhado, sorrindo, respondeu ao amigo com a humildade que lhe é peculiar:
— Dr.Bezerra, se o senhor me permite, irei de paletó, tenho receio que os participantes da reunião não me reconheçam; ainda me sinto um cisco de paletó, ele irá dar-me uma presença melhor diante dos amigos.
O senhor não acha?
Dr.Bezerra, já com os olhos molhados pelas lágrimas, pensava consigo mesmo em silêncio:
– Meu Deus!
Como pode um Espírito da envergadura espiritual do Chico esconder tanta luz detrás de um paletó velho e amarrotado?
Chico, sentindo a emoção e ouvindo os pensamentos do amigo, falou-lhe:
— Oh! Dr.Bezerra!…
Foi neste paletó que eu aprendi a amar o meu próximo,
a respeitar o sofrimento alheio.
Quantos bilhetes de mães em lágrimas foram colocados nos bolsos do meu paletó?
Pedidos de preces, rogativas por uma mensagem de consolo, pela perda de um ente querido…
Bilhetes simples… mas eu não deixei de ler nenhum deles,
e chorava beijando aqueles pedaços de papeis, sentindo-me um cisco.
Era uma alegria muito grande levar as mãos aos bolsos e encontrar aqueles pedacinhos de papéis que nada mais eram que bênçãos vindas dos céus para o meu coração.
Confesso ao senhor, que eram um elixir revigorando o meu Espírito.
O senhor imagina que o meu paletó vivia perfumado de rosas que colocavam no meu bolso.
Chegaram a dizer que o perfume era meu, mas na verdade eram deles, que me amavam muito.
Portanto, se o senhor não se importar, estou pronto, mas irei mesmo é de paletó.
Nosso Senhor Jesus Cristo irá sentir o perfume dos irmãos que sofrem na Terra.
Ainda tenho alguns bilhetes no bolso, colocá-los-ei à disposição de Jesus, nosso mestre.
Eu ainda me considero um verme rastejante vestido de paletó. Risos…
Dr.Bezerra — falou o Chico com alegria —, agradeço sua presença e companhia; a paciência que sempre dispensou em minha caminhada pela Terra.
Sou-lhe muito grato!
O senhor ajudou-me a concluir as tarefas com a Doutrina Espírita.
Por este motivo eu nunca desisti de trabalhar… Obrigado!
Naquele momento Dr.Bezerra viu que realmente estava diante de um apóstolo do Mestre Jesus.
Levou as mãos iluminadas ao ombro do amigo e, abraçando-o, saíram, deixando para trás dois rastros de luz em direção ao infinito.
Espírito Odilon Fernandes
Médium Raulina Pontes
Este encontro foi narrado pelo Espírito do Dr.Odilon à médium Raulina Pontes, da Casa do Cinza, Uberaba, na madrugada do dia 17/08/2008
 

CHICO XAVIER – Mais de 20 histórias!

Chico Xavier será sempre uma luz para a humanidade. A sua vida e as suas obras continuam a ser fontes vivas e ativas de inspiração e apoio. Motivados pela vontade de conhecer melhor a pessoa de Chico Xavier, e pela sede de nos instruirmos através do testemunho das suas vivências, reunimos mais de 20 histórias marcantes, narradas pelos seus amigos, admiradores e em certos casos, ele mesmo.
Esperamos que goste!

UM MINUTO COM CHICO XAVIER

Ensina-nos Allan Kardec, num estudo sobre o Magnetismo, registrado em “O Livro dos Médiuns”, que existem três tipos de maneiras de recolhermos o benefício do passe magnético (que ele chama de mediunidade de cura).
A primeira é através do magnetismo humano, ou animal, onde o magnetizador doa de seu próprio fluido, sem a interferência da espiritualidade; o segundo é o magnetismo espiritual, onde um Espírito pode agir, sem o concurso de um médium, diretamente sobre alguém; e o terceiro, e mais comum, é o misto, onde um Espírito utiliza-se de alguém encarnado para fazer essa transferência magnética.
A história que vamos ler, narrada por Ubiratan Machado e registrada no livro “Chico Xavier por ele mesmo”, editado pela Ed. Martin Claret, de São Paulo, nos mostra Chico recebendo um auxílio dessa natureza, doado diretamente por um benfeitor, durante um desdobramento espiritual, enquanto seu corpo físico estava adormecido. Vejamos a narrativa:
“Em 1946, Chico adoeceu de novo. O caso era grave. O corpo achava-se debilitado pelos constantes trabalhos. Sentia-se fraco, sem ânimo para nada. O diagnóstico era tuberculose.
Conta Ramiro Gama que, em certa manhã de sol, ao ver o médium tão triste, sentado à porta de casa, Emmanuel pôs-lhe a mão no ombro e disse: “Procure reagir. Sua enfermidade é tanto do corpo como do espírito. Não desanime. Se Deus quiser, vai ficar bom. Ao dormir, lembre-se de mim. Vou levar seu Espírito a um lugar muito lindo. Lá, ele será medicado”.
Ao deitar-se, Chico não se esqueceu do compromisso com o amigo. Adormecendo, viu-se passeando em Espírito por um jardim maravilhoso, com flores, como nunca vira na Terra. Lá no fim, sentado num banco e envolto numa luz alaranjada, estava um menino delicado. Emmanuel fez a apresentação. E, para surpresa do médium, o garoto segurou-o no colo com extrema facilidade. Passou as pequenas mãos luminosas pelo corpo de Chico, acariciou-o, apertou-o de encontro ao peito, e depois lhe disse sorrindo: “Pronto, está medicado”.
No regresso para casa, ainda no espaço, Emmanuel explicou-lhe: “Você recebeu um remédio de que estava muito necessitado: transmissão de fluidos. Pela manhã, vai acordar bem melhor, mais forte, sem cansaço e sem febre”.
A partir daí, o médium começou a melhorar, sarando rapidamente.

O Consolador

RECEITA PARA MELHORAR

Em julho de 1948, o nosso confrade Jacques Aboad, de passagem por Pedro Leopoldo, conversava, ao lado de outros confrades, em companhia do Chico, sobre os trabalhos os trabalhos de aperfeiçoamento da alma. A conversação deu lugar à prece em conjunto. E, manifestando-se, pelo médium, José Grosso, dedicado e alegre companheiro desencarnado, dedicou aos presentes os seguintes apontamentos:
Receita para melhorar
Dez gramas de juízo na cabeça.
Serenidade na mente.
Equilíbrio nos raciocínios.
Elevação nos sentimentos.
Pureza nos olhos.
Vigilância nos ouvidos.
Lubrificante na cerviz.
Interruptor na língua.
Amor no coração.
Serviço útil e incessante nos braços,
Simplicidade no estômago.
Boa direção nos pés.
Uso diário em temperatura de boa ­vontade.
José Grosso

A CRUZ DE OURO E A CRUZ DE PALHA

Alguns membros da Juventude Espírita do Distrito Federal e de Belo Horizonte visitavam o Chico.
Antes de começar a Sessão do LUIZ GONZAGA, palestravam animadamente sobre assunto de Doutrina e a tarefa destinada aos moços espíritas.
Uma jovem inteligente, desejando orientação e estímulo, colocou o Chico a par das dificuldades encontradas para vencerem o pessimismo de uns, a quietude e a incompreensão de muitos.
Poucos queriam trabalho sacrificial, testemunhador do Roteiro evangélico, que estava a exigir dos jovens uma vida limpa, correta, vestida de abnegação e renúncia.
Desejavam colher sem semear.
O Chico ouviu e considerou:
— O trabalho das Juventudes, com Jesus, tem que ser mesmo diferente.
Sua missão será muito difícil e por isso gloriosa. E recebe de Emmanuel esta elucidação envolvida na roupagem pobre de nosso pensamento:
— Há a cruz de ouro e a cruz de palha, simbolizando nossas Tarefas.
A de ouro, a mais procurada, pertence aos que querem brilhar, ver seus nomes nos jornais, citados, apontados, elogiados, como beneméritos.
Querem simpatia e bom conceito. Se tomam parte em alguma Instituição, desejam, nela, os lugares de mando e de evidência. Querem cargos e não encargos.
A de palha, a menos procurada, no entanto, pertence aos que trabalham como as abelhas, escondidamente e em silêncio.
Lutam e caminham, com humildade, na certeza de que por muito que façam, mais poderiam fazer. Não se ensoberbecem dos triunfos, antes se estimulam e se defendem com oração e vigilância, sentindo a responsabilidade que assumiram como chamados, por Jesus, à Tarefa Diferente.
Entendem a serventia das mãos e dos pés, dos olhos e da mente, do coração, enfim, colocando amor e humildade em seus atos, nos serviços que realizam.
Por carregarem a cruz de palha, toleram o vômito de um, o insulto de mais outro, a incompreensão de muitos, testemunhando a caridade desconhecida, oferecendo, com o sofrimento e a renúncia, com o silêncio e o bom exemplo, remédios salvadores aos companheiros que os adversam, os ferem e desconhecem a vitória da “segunda milha”.
Os jovens presentes estavam satisfeitos. De seus olhos, órgãos musicais da alma, saíam notas gratulatórias exornando o ambiente feliz que viviam.
De mais não precisavam.
Entenderam o Trabalho que lhes cabia realizar nas Terras do Brasil, o Coração do Mundo e a Pátria do Evangelho.
Linda lição com vista também aos velhos, a todos que conseguem ouvir Jesus na hora em que poucos O ouvem.

A PELE DO RINOCERONTE

Nas noites de segunda e sexta-feira, ele colocava o Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, embaixo do braço e ia para o Centro Luiz Gonzaga. Seguia à risca uma instrução ditada por Emmanuel: fidelidade irrestrita a Jesus Cristo e a Kardec, o codificador da doutrina espírita. O guia do outro mundo levava tão a sério este mandamento que um dia chegou a determinar a Chico:
– Se alguma vez eu lhe der um conselho que não esteja de acordo com Jesus e Kardec, fique do lado deles e procure me esquecer.
Chico demorava na cartilha espírita, praticava as lições de caridade, promovia sessões de desobsessão às quartas-feiras, mas o centro ficava cada dia mais vazio. José Hermínio Perácio e a mulher, Carmem, se mudaram para Belo Horizonte – precisavam ficar mais perto da família. José Xavier teve que trabalhar à noite numa oficina de arreios para pagar uma dívida. De repente, o rapaz se viu sozinho no barracão. Quando pensou em sair de fininho, ouviu a voz de Emmanuel.
– Você não pode se afastar.
– Como? Não temos frequentadores.
– E nós? Nós também precisamos ouvir o Evangelho. Além disso, temos aqui vários “desencarnados” que precisam de ajuda. Abra a reunião na hora marcada e não encerre a sessão antes de duas horas de trabalho.
Chico seguiu as instruções. Às oito horas iniciava a reza de abertura da sessão. Em seguida, abria o Evangelho Segundo o Espiritismo ao acaso e comentava o capítulo em voz alta. Nessa época, começou a ver mortos e ouvir vozes com maior frequência e nitidez. Os seres invisíveis ocupavam os bancos vazios.
Do lado de fora, vizinhos e parentes acompanhavam aquele espetáculo absurdo: o rapaz falava sozinho, gesticulava, rezava, duas horas seguidas. Uma das irmãs, uma noite, se pendurou na janela para ouvir o monólogo:
– Tenhamos fé em Jesus, minha irmã.
– ….
– Com paciência alcançaremos a paz.
– …
– Sem calma, tudo piora.
– …
A espectadora interrompeu a cena insólita:
– Com quem está conversando?
– Com a dona Chiquinha de Paula.
– Ela já morreu, Chico.
– Você é que pensa. Ela está bem viva.
A família ainda pensava em levar o rapaz a um bom hospício.
O padre Júlio Maria, da cidade mineira de Manhumirim, estava disposto a providenciar uma camisa- de- força para o espírita de Pedro Leopoldo. Todo mês, ele escrevia artigos para o jornal local, O Lutador, e fazia o favor de enviar suas opiniões pelo correio ao autor do Parnaso de Além Túmulo. Em nome de Jesus Cristo, os textos excomungavam o espiritismo, reduziam a pó a reencarnação e à piada o porta-voz dos mortos no Brasil. “Francisco Cândido Xavier deve ter a pele de um rinoceronte para suportar tantos espíritos”, escreveu num dos seus manifestos.
Chico ficou engasgado e precisou da ajuda de Emmanuel para engolir o comentário.
e você não tem a pele de rinoceronte, precisa ter, porque, se cultivar uma pele muito frágil, cairá sempre alfinetada.
O padre Júlio Maria espetou Chico Xavier durante treze anos. Só parou quando morreu. E, nesse dia, Chico ouviu um vozeirão de seu guia:
Vamos orar pelo nosso irmão Júlio Maria. Com ele sempre tivemos um cooperador maravilhoso. Dava-nos coragem na luta e concitava-nos a trabalhar.
A cada ataque dos céticos, Chico escutava Emmanuel bater sempre na mesma tecla:
– Não te aflijas com os que te atacam. O martelo que atormenta o prego com pancadas o faz mais seguro e mais firme.
O conselheiro invisível esquecia que martelos também entortam pregos.
Chico sentia os golpes e andava pela cidade arqueado, sob o peso da desconfiança alheia.
Em dezembro de 1932, o rapaz fechou os olhos e fincou o lápis no papel. As frases apareceram velozes e nada evangélicas. Eram endereçadas a ele mesmo.
Meu amigo,
Há um decênio que não me preocupo com as parvoíces da Terra. Nem presumia a possibilidade de enviar novamente para aí a minha futilíssima correspondência, quando alguém me insinuou a ideia de vir ditar-te minhas sandices.
Acometeu-me o desejo incoercível de atirar um dos meus petardos de troça no gênero bípede e estalar uma boa gargalhada, sonora e sã.
Foi o que fiz. Tentei a prova.
Focalizei no meu pensamento a ideia de vir ter contigo e bastou isso para que as minhas raras faculdades de fantasma me conduzisse a esse maravilhoso recanto sertanejo em que vives, esplendor de canto agreste, quase selvagem…Busquei aproximar-me da sua individualidade.
Vi-te finalmente. Lá surgias ao fim de uma rua bem cuidada, onde se alinhavam casas brancas e arejadas, brasileiríssimas, abarrotadas de ar, de saúde, de sol; vinhas com o passo cansado, pele suarenta a derrete-se dentro de roupas quase ensebadas, como os pés metidos em legítimos socos do Porto, obrigando-me a evocar o cais de Lisboa.
Sem que pudesses observar-me, submeti-te a demorado exame.
Procurei a tua bagagem de pensamento, encontrando tua mocidade tudo quanto a tristeza criou de mais sombrio; em tua alma amargurada, vi apenas porções de sofrimentos, pedaços de angústia esterilizadora, recordações tristonhas, lágrimas cristalizadas…Vi-te e ri-me. Ri-me da estultice do cérebro desequilibrado do asno humano, com o volumoso e pesado arquivo de baboseiras.
Cansado das lamúrias de Chico Xavier, o remetente da carta recomendava o bom humor como arma:
Convence-te de que se comete um ato desarrazoado, uma inqualificável imprudência, em chorar totalmente, em derreter-se inutilmente. Abandona essa exótica preocupação aos mais parvos do que tu. Ri-se o mundo de nós? Riamo-nos dele. Achincalhemos os seus arremedos aos gorilas, ridicularizemos as suas instituições, onde predominam a bandalheira, os seus pulos de cabra-cega; traduzamos a admiração que tudo isso nos desperta com o riso bom, que sempre apavorou os tímidos e insuficientes.
O recado tinha a assinatura de Eça de Queiroz. O escritor português, autor de “pecados” como O Crime do Padre Amaro, dava mostras não só de sarcasmo como também de boas doses de informação sobre a polêmica em torno de Parnaso do Além-Túmulo.
Após listar a série de teorias usadas pelos críticos para decifrar o enigma Chico Xavier- consciência, mediunidade, psicopatia, loucura, anormalidade, fenômeno, estupidez, espiritomania – o autor invisível não resistiu e levou à boa e velha ironia: ” Vai continuando até que te receitem a enxovia ou o manicômio. No cárcere ou no sanatório, alcançaras um período de repouso. Não te apavores.”
Semana depois, o rapaz colocou no papel um alerta sobre os riscos da vaidade e da ambição. Desta vez, quem assinava o texto era Maria João de Deus, sua mãe. Chico decorou cada palavra. Muitas delas eram golpes secos contra sua auto-estima. Para começo de conversa, ele não deveria encarar a mediunidade como uma dádiva, porque, imperfeito que era, não merecia favores de Deus. Uma metáfora barroca marcou sua história: “Seja tua mediunidade uma harpa melodiosa; porém, no dia em que receberes os favores do mundo como se estivesses vendendo, os seus acordes, ela se enferrujará para sempre”.
Chico ficou atento às lições e passou a exercitar tanto o bom humor com a humildade ao longo dos anos.
Extraídos das páginas n° 53 a 57 do livro As Vidas de Chico Xavier, SOUTO Maior Marcel, Editora Pensamento, 2ª Edição revisada e comentada.

O JOVEM OBSTINADO

Um irmão, residente em Pedro Leopoldo, encontrava­se com o Chico, à beira do caminho da Fazenda Modelo, vez por outra. Era um obstinado. Como que procurava o Médium para lhe experimentar a paciência. Não acreditava na reencarnação. E apresentava seus argumentos ilógicos. E atrás deste, outros assuntos vinham à tona, obstinanado­s e o nosso irmão nos seus pontos de vista incoerentes… O Chico, humildemente, lhe explicava o erro em que insistia e, principalmente, o de não querer esquecer mágoas e perdoar seus adversários, que ele mesmo os arranjava com sua teimosia irreverente… Os conselhos, a paciência entremostrada, nada convencia o inveterado birrento, que tinha lá seu modo diferente de ver as coisas e assim ficava e com isto experimentava os nervos de seus irmãos de trabalho. Um dia, já cansado de ser tentado e, entrevendo no encontro provocado, um abuso, disse­-lhe o Chico, séria e amorosamente:
— Sabe de uma coisa, vim pelo caminho pensando em você e desejando­-lhe um bom remédio, isto é: uma reencarnação na qual tenha uma progenitora bem brava para lhe dar, de quando em quando, umas boas chineladas, a fim de deixar de ser tão teimoso com as coisas santas. O desejo correcional fez sorrir o irmão obstinado, que acabou sentindo­-lhe a sinceridade e deixando de ser teimoso e estorvo no caminho do querido médium. Este caso contou-nos o Irmão Manoel Diniz.

DUPLO JEJUM

e faz jejum espiritual constantemente, refreando a língua, cuidando do pensamento, vigiando os olhos e demais sentidos, para não perder a assistência de seus Mentores, o Chico também faz o jejum material abstendo­-se de comer o que gosta e lhe faz mal.
Há tempos, foi vítima de uma cólica hepática que lhe amargou a existência por dois meses e fê­-lo rolar de dor, no quintal de sua casa. José Xavier, que foi seu irmão na Terra e que, hoje, no além, o ajuda na missão mediúnica, recomendou-­lhe que se alimentasse uma só vez por dia e mesmo assim de chuchus, batatas, pouquíssima carne e cozida em água e sal, e, à tarde, que tomasse, tão somente, uma chávena de chá com uma bolacha apenas. Sofreu o Chico bastante com a dieta recomendada. Uma de suas irmãs, às vezes, tentava­-o com lhe oferecer um pastel delicioso. Ele aceitava-­o, esfregava­-o nos lábios e, depois, arrependido, jogava-o às galinhas. Hoje, graças ao seu poder de vontade e à ajuda de seus Amigos da Espiritualidade, está curado. Venceu a dolorosa prova da alimentação. De 99 quilos passou para 74. Sente-se mais leve, com melhor saúde e sem a repetição das cólicas. Deus ajuda quem faz por onde. Belo exemplo, para todos nós, que nos achamos apegados a tantas coisas inúteis e nem sempre damos o primeiro passo para delas nos libertarmos como um preparo à vida espiritual, que nos espera e onde tudo é espiritualidade.

ÁGUA DA PAZ

Uma das histórias mais conhecidas a respeito de Chico é a da Água da Paz. Dizem que era muito comum, antes de se iniciarem as sessões no centro espírita Luiz Gonzaga, ocorrerem algumas discussões a respeito de mediunidade, especialmente provocadas por pessoas pouco esclarecidas sobre o assunto. Essa situação começou a provocar certa irritação em Chico, que tentava explicar o que acontecia, mas nem sempre era compreendido.
Num dos momentos de irritação, sua mãe apareceu a ele mais uma vez e ensinou-lhe uma forma simples para acabar com essa situação. “Para terminar suas inquietações”, ela falou, “use a Água da Paz”. Chico ficou contente com a solução e começou a procurar o medicamento nas farmácias de Pedro Leopoldo – sem sucesso. Procurou em Belo Horizonte, e nada. Duas semanas depois, ele contou à mãe que não estava encontrando a Água da Paz, ao que ela lhe disse: “Não precisa viajar para procurar. Você pode conseguir o remédio em casa mesmo. “Quando alguém lhe provocar irritações, pegue um copo de água do pote, beba um pouco e conserve o resto na boca. Não jogue fora nem engula. Enquanto durar a tentação de responder, deixe-a banhando a língua. Esta é a água da paz”. Chico entendeu o conselho, percebendo que havia recebido mais uma lição de humildade e silêncio.

A CARIDADE E A ORAÇÃO

“O Centro Espírita Luiz Gonzaga” ia seguindo para a frente… Certa feita, alguns populares chegaram à reunião pedindo socorro para um cego acidentado.
O pobre mendigo, mal guiado por um companheiro ébrio, caíra sob o viaduto da Central do Brasil, na saída de Pedro Leopoldo para Matozinhos, precipitando-se ao solo, de uma altura de quatro metros. O guia desaparecera e o cego vertia sangue pela boca. Sozinho, sem ninguém…
Chico alugou pequeno pardieiro, onde o enfermo foi asilado para tratamento médico. Curioso facultativo receitou, graciosamente. Mas o velhinho precisava de enfermagem.
O médium velava junto dele à noite, mas durante o dia precisava atender às próprias obrigações na condição de caixeiro do Sr. José Felizardo.
Havia, por essa época, 1928, uma pequena folha semanal, em Pedro Leopoldo. E Chico providenciou para que fosse publicada uma solicitação, rogando o concurso de alguém que pudesse prestar serviços ao cego Cecílio, durante o dia, porque à noite, ele próprio se responsabilizaria pelo doente. Alguém que pudesse ajudar. Não importava que o auxílio viesse de espíritas, católicos ou ateus.
Seis dias se passaram sem que ninguém se oferecesse.
Ao fim da semana, porém, duas meretrizes muito conhecidas na cidade se apresentaram e disseram-lhe:
— Chico, lemos o pedido e aqui estamos. Se pudermos servir…
— Ah! Como não? — replicou o médium — Entrem, irmãs! Jesus há de abençoar-lhes a caridade.
Todas as noites, antes de sair, as mulheres oravam com o Chico, ao pé do enfermo. Decorrido um mês, quando o cego se restabeleceu, reuniram-se pela derradeira vez, em prece, com o velhinho feliz. Quando o Chico terminou a oração de agradecimento a Jesus, os quatro choravam. Então, uma delas disse ao médium:
— Chico, a prece modificou a nossa vida. Estamos a despedir-nos. Mudamo-nos para Belo Horizonte, a fim de trabalhar.
E uma passou a servir numa tinturaria, desencarnando anos depois e a outra conquistou o título de enfermeira, vivendo, ainda hoje, respeitada e feliz.
Fonte: Lindos casos de Chico Xavier por Ramiro Gama

O RECEIO DA PRISÃO

Os sustos e apreensões de Chico, no decorrer do processo Humberto de Campos, foram enormes, acrescidos pela pouca experiência no que tange à justiça terrena.
Ao receber no Rio de Janeiro, uma carta precatória convocando-o a depor, os falatórios dos moradores da sua pequena cidade a respeito de sua iminente prisão, deixam-no apavorado. Nesta hora, esqueceu-se de tudo. Pensou mesmo em “dar um jeitinho”de salvar a pele.
Não tendo a quem apelar, para maior esclarecimento sobre o assunto, só lhe restava, muito a contragosto, orar e acalmar-se e implorar a Deus, aguardando o que viesse. Quem sabe a cadeia, humilhações, desprezos, chacotas. Nossa imaginação é sempre muito fértil numa hora desta!
Terminada a prece, Emmanuel vem em seu auxílio. Ele não lhe deu sequer tempo de pronunciar uma só palavra. Foi logo apelando:
– Meu Pai! Será que serei preso aqui, em Belo Horizonte, ou no Rio de Janeiro? Estou receoso e apreensivo. Se for aqui, talvez sofra menos, porque sou conhecido e todos os irmãos são piedosos e compreensivos, mas se for no Rio?
– Meu filho, você é uma planta muito fraca para suportar a força das ventanias…Tem ainda muito que lutar para um dia merecer ser preso e morrer pelo Cristo.
Ouvindo esta pequena, mas objetiva lição, ele caiu em prantos, disposto a aceitar corajosamente qualquer provação; sua fé aumentou, tornou-se inexpugnável. Na verdade, ninguém podia criticá-lo. Ser humano, como qualquer um de nós, era natural que se sentisse apavorado e perdido frente a tal inquérito. Não sabemos se cabe a lembrança mas Cristo, na cruz, teve também seu momento de angústia ao exclamar: “Pai, porque me abandonaste?”

GRATIDÃO

Chico levantara-se cedo e, ao sair de charrete para a fazenda, encontra-se no caminho com o Flaviano que lhe diz: – Sabe quem morreu?
– Não!…
– O Juca, seu ex-patrão. Morreu na miséria, Chico, sem ter nem o que comer…
– Coitado! E Chico tira do bolso o lenço e enxuga os olhos.
– A que horas é o enterro?
– Creio que vão enterrá-lo a qualquer hora, como indigente, no caixão da Prefeitura, isto é, no rabecão…
Chico medita, emocionado, e pede: – Flaviano, faça-me um favor: vá a casa onde ele desencarnou e peça para esperarem um pouco. Vou ver se lhe arranjo um caixão, mesmo barato.
Flaviano despede-se e parte.
Chico desce da charrete. Manda um recado para seu chefe.
Recorda seu ex-patrão, figura humilde de bom servidor, que tanto bem lhe fizera. E ali mesmo, no caminho, envia uma prece a Jesus:
“Senhor, trata-se do meu ex-patrão, a quem tanto devo; que me socorreu nos momentos mais angustiosos, que me deu emprego com o qual socorri minha família; que tanto sofreu por minha causa. Que eu lhe pague, em parte, a gratidão que lhe devo. Ajude-me, Senhor”.
E, tirando o chapéu da cabeça e virando-o de copa para baixo, à guisa de sacola, foi bater de porta em porta, pedindo uma esmola para comprar um caixão para enterrar o extinto amigo.
Daí a pouco, toda Pedro Leopoldo sabia do sucedido e estava perplexa, senão comovida com o ato do Chico.
Seu pai soube e veio ao seu encontro, tentando demovê-lo daquele peditório…
– Não, meu pai, não posso deixar de pagar tão grande dívida a quem tanto colaborou conosco.
Um pobre cego, muito conhecido em Pedro Leopoldo, é inteirado da nobre ação do Chico, a quem estima. Esbarra com ele:
– Por que tanta pressa, Chico?
– Meu Nego, estou pedindo esmolas para enterrar meu ex-patrão.
– Seu Juca!? Já soube. Coitado, tão bom! Espere aí, Chico. Tenho aqui algum dinheiro que me deram de esmolas ontem e hoje.E despejou no chapéu do Chico tudo o que havia arrecadado…
Chico olhou-lhe os olhos mortos e sem luz. Viu-os cheios de lágrimas. Comoveu-se mais.
– Obrigado, meu Nego! Que Jesus lhe pague o sacrifício.
Comprou, com o dinheiro esmolado, o caixão. Providenciou o enterro. Acompanhou-o até o cemitério.
E, já tarde, regressou à casa. Tinha vivido um grande dia.
Sentou-se à entrada da porta. Lá dentro, os irmãos e o pai observam-no comovidos.
Em prece muda, agradeceu a Jesus.
Emmanuel lhe aparece e lhe sorri. O sorriso do seu bondoso guia lhe diz tudo. Chico o entende.
Ganhara o dia, pagara uma dívida e dera de si um testemunho de humildade, de gratidão e de amor ao Divino Mestre.
Ramiro Gama in “Lindos Casos de Chico Xavier”

O MÉDIUM PODEROSO

Na noite de 11 de setembro de 1948, Chico Xavier e um amigo Isaltino Silveira, admiravam Pedro Leopoldo do alto de um morro, na beira de um riacho. Sentado numa pedra, sob a luz de um poste, Chico lançava sobre o papel um poema assinado por Cruz e Sousa. Isaltino substituia as páginas preenchidas por outras em branco. Os dois estavam às voltas com o poeta do além quando escutaram um barulho no mato. Eram passos. O amigo de Chico olhou para trás e levou um susto: um homem enorme, com olhos injetados, avançava na direção deles com um pedaço de pau na mão.
Isaltino levantou-se rápido e se preparou para enfrentar o agressor. Chico, já escaldado, continuou sentado. Sugeriu arma mais contundente: uma boa reza para emitir vibrações positivas. A poucos metros, o agressor parou e começou a balbuciar com a língua enrolada e os olhos fixos em Chico:
– Esta luz nas suas pernas…esta luz nas suas pernas.
Chico aconselhou:
– Vá para casa e fique na paz de Deus, meu filho.
Isaltino, já refeito do susto, viu o homem dar meia-volta e ficou perplexo diante de um fato insólito. O mato, em um raio de cinco metros ao redor do agressor, ficou todo amassado enquanto ele caminhava. Chico Xavier tentou explicar a história toda: o homem era médium poderoso, embora descuidado, e tinha sido arrancado da cama por espíritos obsessores, interessados em assassinar os dois e jogar seus corpos no rio. O plano daria certo se os benfeitores espirituais não tivessem envolvido a dupla com um cinturão de luz.
Isaltino ainda estava perplexo. Por que o agressor se referiu à luz nas pernas de chico?
A resposta veio rápida, como se fosse óbvia.
– Ele percebeu o foco que os espíritos projetavam sobre o papel durante a psicografia.
Por que o capim em torno dele se amassava?
– As tais entidades eram tão ruins que se utilizaram dos fluidos do médium e conseguiram peso específico para provocar os fenomeno físico. Eram aproximadamente duzentos espíritos.
Isaltino suou frio.
Livro: As vidas de Chico Xavier, Marcel Souto Maior
A SIMPLICIDADE E A PUREZA DE CHICO XAVIER: UM FATO MARCANTE
Jornalista — Poderia nos contar um fato ou uma passagem de sua vida que lhe traz melhores recordações e que mais lhe tocou o coração?
Resposta Chico—Peço permissão para contar um caso que para mim foi um dos mais expressivos, que mais parece uma história infantil. Eu estava em Uberaba, há uns dois anos, esperando um ônibus para ir ao cartório. Da nossa residência até lá tem uns três quilômetros. Nós, com o horário marcado, não podíamos perder o ônibus. Mas, quando o ônibus estava quase parando, uma criança, de uns cinco aups, apresentando bastante penúria, grita para mim, de longe. Chamava por Tio Chico, mas com muita ansiedade.
O ônibus parou e eu pedi, então, ao motorista: “Pode tocar o ônibus, porque aquela criança vem correndo em minha direção e estou supondo que este menino esteja em grande necessidade de alguma providência.” O ônibus seguiu, eu perdi, naturalmente, o horário.
A criança chegou ao meu lado, arfando, respirando com muita dificuldade. Eu perguntei: “O que aconteceu, meu filho?” Ele respondeu: “Tio Chico, eu queria pedir ao senhor para me dar um beijo.
Esse eu acho que foi um dos acontecimentos mais importantes de minha vida”.
Fonte: Jornal Estado de Minas –entrevistas publicadas em julho de 1980

PROCISSÕES DE DESAGRAVO

Ouçamos um caso relatado pelo jornal “A Flama Espírita”, de Uberaba, do mês de agosto do ano 2000 (retirado da internet – estante literária da Espírita Vox):
– Contou-nos o prof. Lauro Pastor, residente em Campinas, amigo de Chico Xavier desde Pedro Leopoldo, que certa vez, ao visitá-lo, caminhando em sua companhia pelas ruas da cidade, se depararam com uma procissão… A Igreja matriz de Pedro Leopoldo ficava, como fica, na mesma rua onde se ergueu o Centro Espírita Luiz Gonzaga; à época, os católicos organizavam algumas procissões ditas de desagravo contra os espíritas.
Observando que a procissão, com diversos acompanhantes e andores, se aproximava, o prof. Lauro sugeriu a Chico que apressassem o passo, pois, caso contrário, não poderiam depois atravessar a rua, a menos que cortassem a procissão pelo meio, o que seria uma afronta.
Pedindo ao amigo que não se preocupasse, Chico parou na esquina e, enquanto a procissão seguia o seu roteiro, manteve-se o tempo todo em atitude de respeito e de oração, ainda convidando o amigo para que ambos se descobrissem, ou seja, tirassem o chapéu – sim, porquanto, naqueles idos de 1950, Chico também usava chapéu.
O prof. Lauro, que mantém ao lado da esposa, D. Daisy, um belíssimo trabalho de formação profissional para crianças carentes – tem uma escola de torneiros mecânicos –, disse-nos que nunca mais pôde esquecer aquela lição de tolerância religiosa que lhe foi dada por Chico, enfatizando ainda que foi dessa maneira que, aos poucos, o médium venceu a resistência de seus opositores da Doutrina.

por José Antônio Vieira de Paula, O Consolador – Um Minuto com Chico Xavier

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