BASTA NÃO PISAR – UM CONTO

FÉ SINCERA

Basta não pisar

– Avô, porque é que és tão velhinho?
Assim mesmo, sem roupagem, sem artifícios, sem ironia ou maldade, apenas a pergunta, a curiosidade.
A interrogação, pelo inesperado e brusco que continha, subsistia no ar que envolvia os dois antípodas do tempo e no ar curioso que vestia o rosto infantil do fedelho.
– Porque é que sou tão velho?… bem… – depois daquele início inesperado de “conversa”, o avô recuperava a pose de adulto que tudo sabe e, acima de tudo, ganhava algum tempo, o tempo suficiente, esperava ele, para responder alguma coisa de jeito.
– Sou velho porque já vivi muitos dias, muitos meses, muitos anos. – a sua resposta tentava adequar-se ao nível simples da linguagem informal e pouco profunda do neto, enquanto olhava “raposamente”, de soslaio, por entre pestanas semicerradas, através das muitas dioptrias das lentes de uns óculos que aparentavam ter quase tantos anos como ele próprio.
– Então, e o que é que acontece aos velhinhos como tu? – aqui, o avô não deixou de notar na reiterada meiguice do “inho” já utilizado em ambas as perguntas e achou que devia explicar algo melhor a sua ideia. Afinal de contas, já havia muito tempo que não falava com alguém que se mostrasse minimamente interessado naquilo que ele pensava, fosse de si mesmo ou de outra coisa qualquer.
– Sabes, as pessoas como eu, aquelas que já vivem há imenso tempo, são como as folhas das árvores. Primeiro, são fortes, frescas e vistosas; mais tarde, começam a faltar-lhes a memória e a força e amarelecem, por dentro e por fora; por fim, caem das árvores, que as seguravam e onde tinham nascido e vivido, para o chão. Umas vezes, são as forças da natureza que as empurram mas, outras vezes, até parece que são elas próprias que se deixam cair, suavemente embaladas como um berço de bebé.
– Mas, no chão, elas ainda são folhas, não é!? – desta vez, o avô não conseguiu perceber se o neto estava afirmando, se pretendia fazer outra pergunta ou se estava apenas a concluir e fez-se silêncio.
Como sentisse que estava a ser observado, como um mamute pré-histórico é observado por um geólogo, o idoso e paciente homem decidiu entender as últimas palavras do neto como mais uma questão a desenvolver e continuou.
– Uma vez no chão, as folhas são levadas pelo vento, para longe da árvore onde sempre estivera, para um canto qualquer onde já outras folhas bafientas, sem préstimo algum, se encontram e outras continuam a chegar, num ritmo triste e desesperançado, esquecidas pelos outros e mesmo delas próprias… – o avô agora divagava, ao sabor da imagem amarga que acabara de criar e assim continuou.
– Depois de juntas as folhas, pelo vento ou pela vassoura de alguém, secam, definham e quebram-se em pedacinhos, queimam-se ou são, de novo, pisadas pelas pessoas que, distraídas, nem se apercebem da sua existência…
Dito isto, o velhote acordou da sua história e apercebeu-se da existência do ar atipicamente austero e compenetrado na face do neto que, de imediato, ali lhe prometeu veementemente:
– Nunca mais vou pisar as folhas das árvores! – parecia que o rapaz se tinha comprometido para a vida, cedo demais, para uma viagem que achava que tinha compreendido. Não é isto mesmo que se espera de uma criança?…
Assim, ao ver o aspecto demasiado sério que a conversa tomara, o avô tomou a mão do circunspecto neto, como se cumprimentasse honradamente a mão de outro homem, e disse-lhe:
– Não é necessário não pisares as folhas, basta que nunca pises as pessoas!
Apertando a mão do avô, com a honradez própria de um homem sério e digno, sentiu-se algo confuso mas recompôs-se, limpando o sobrolho ligeiramente vincado pelo turbilhão de coisas que não sabia se entendia ou não, o neto rematou a conversa:
– Vou jogar à bola, queres vir? – e correu para o pequeno jardim da casa, pontapeando uma bola contra o muro e gritando entusiasmado com amigos e público imaginários, pisando a relva e as folhas amarelecidas pelo Outono prematuro, que tinham já tombado das árvores que antes as seguravam.
– Já vou, já vou… – murmurou o avô, falando mais com um amigo imaginário, que já o acompanhava há muito, do que com o neto, que já nem o ouvia – devagarinho mas ainda vou. Este jardim precisa ser limpo. As árvores, este ano, perderam mais folhas e, ainda, mais cedo do que habitualmente.
CONTOS (Vitor).
mal e bem

PRECE PARA OS ENFERMOS

Senhor dos Mundos, Excelso Criador de todas as coisas.
Venho à Tua soberana presença neste momento, para suplicar ajuda aos que estão sofrendo por doenças do corpo ou da mente.
Sabemos que as enfermidades nos favorecem momentos de reflexão, e de uma aproximação maior de Ti, pelos caminhos da dor e do silêncio.
Mas apelamos para tua misericórdia e pedimos:
Estende Tua luminosa mão sobre os que se encontram doentes, sofrendo limitações, dores e incertezas.
Faz a fé e a confiança brotarem fortes em seus corações.
Alivia suas dores e dá-lhes calma e paz.
Cura suas almas para que os corpos também se restabeleçam.
Dá-lhes alívio, consolação e acende a luz da esperança em seus corações, para que, amparados pela fé e a esperança, possam desenvolver o amor universal, porque esse é o caminho da felicidade e do bem-estar…
é o caminho que nos leva a Ti.
Que a Tua paz esteja com todos nós.

Que assim seja.

EXALTAÇÃO DO AMOR

A folha ressequida que cai, anônima, do pedúnculo em que nasceu, é bem o símbolo do poder oculto de Deus na Natureza.
Poder que é força, vida e amor…
Quem a recolheu?
O Sol? Não.
O Vento? Não.
O Homem? Não.
A folha desceu por si mesma, segundo os ditames preestabelecidos pelas leis gerais do Universo, para o seio fecundante da Terra que a transforma em novo elemento no laboratório da incessante renovação.
Assim também se movem as criaturas e os destinos.
A folha cai… Os mundos caminham… O homem evolve…
Brilha o Sol, naturalmente, mantendo a Família planetária nos domínios da Casa Cósmica. Avança o Vento, sem esforço, nutrindo a euforia das plantas.
Em princípios de soberana espontaneidade, constrói o Homem a própria existência.
Saber não é tudo.
Só o amor consegue totalizar a glória da vida.
Quem vive respira.
Quem trabalha progride.
Quem sabe percebe.
Quem ama respira, progride, percebe, compreende, serve e sublima, espalhando a felicidade.
Siga, pois, seu roteiro, louvando o bem, esquecendo o mal e edificando sem repouso.
Se o caminho é áspero e sombrio, prossiga com destemor.
Lembre-se que na vanguarda há mais amplo local para a sua esperança.
Busque ouvir a mensagem do amor, onde passe.
Estude amando.
Responda aos imperativos da evolução, amando onde esteja.
Atenda ao semelhante, amando com alegria.
Satisfará, em tudo, à você mesmo, amando sempre.
Na marcha ascendente para o Reino Divino, o Amor é a Estrada Real. As outras vias chamam-se experiências que a Eterna Sabedoria, ainda por amor, traçou à grande viagem das almas para que o espírito humano não se perca.
Antes de você, o amor já era.
Depois de você, o amor será.
Isso, porque o Amor é Deus em tudo.
Viva, assim, a vida, amando-a para entendê-la.
Viver e amar…
Amar e compreender…
Compreender e viver abundantemente…
Ângulos de uma verdade só – A Vida Eterna.
No entanto, viver sem amar é respirar sem trabalho digno; querer com exclusivismo entontecente é contemplar situações e circunstâncias com apriorismos que geram a enfermidade e a morte.
Se você sabe, portanto, o que é viver, por que não vive?
Só vive realmente quem ama.
Só ama efetivamente quem age para o bem de todos.
Só age, sem dúvida, para o bem de todos, quem compreende que o amor é a base da própria vida.
Fora dessa verdade, há também movimento e ação de sombra que tornará fatalmente à luz em ciclos determinados de choro, aprovação e martírio.
Nada novo, sempre a Lei, que funciona compassiva, mas inexorável, restituindo a cada sementeira a colheita certa.
Comande a embarcação de seu destino e não atribua a outrem os erros que as suas mãos venham a cometer.
De você mesmo depende a própria viagem.
Instrua a você, sem procurar encobrir, ante a própria consciência, as faltas que lhe arrojam a alma ao desencanto ou ao agravo das próprias necessidades do espírito.
Ainda que a noite lhe envolva o passo, alente, no imo do ser, o dia eterno da fé.
Não se confie ao sabor da invigilância, para que a invigilância não lhe arraste a existência ao sabor do sofrimento.
Antes de nós, o Universo era o Santuário da Glória Divina.
Lembremo-nos, pois, de que Deus nos criou para acrescentar-Lhe a grandeza.
Não Lhe diminuamos o esplendor, cultivando a treva…
Enganaremos a forma.
Jamais enganaremos a vida que palpita, triunfante, em nós mesmos.
Aprenda a buscar aquilo de que você carece no próprio aperfeiçoamento, antes que alguém lhe ensine a preço de aflição.
Busque o roteiro exato, antes que outros se lhe ofereçam, no dia de sua perturbação, para guias de sua dor.
Força é poder. Idéia é força.
Mas só o amor condiciona o poder para a vitória da luz.
Ame o caminho. Caminhe e vença.
Anote hoje os seus movimentos, no ritmo do trabalho e da oração, e o amanhã surgirá com brilho sempre novo.
Sorria para os lances mais difíceis da estrada e os panoramas próximos e remotos descerrar-se-ão sorrindo à sua alma.
Não pare senão para refazer o fôlego atormentado.
Mais além, é a estrada .
Não escute o murmúrio das sombras senão para socorrer as vítimas do mal, a fim de que os gemidos enganadores do nevoeiro não lhe anestesiem o impulso de elevação.
A fraternidade ser-lhe-á anjo sentinela entre os pântanos da amargura.
Cante o poema da caridade, seja onde for, e as criaturas irmãs, ainda mesmo quando algemadas ao crime, responder-lhe-ão com estribilhos de amor.
Guarde compaixão e a paz ser-lhe-á doce prêmio.
Exemplifique a fé que lhe honra a inteligência e o mundo abençoar-lhe-á todas as palavras.
Amanheça todo dia no serviço que lhe compete e o dever retamente cumprido manterá você, invariavelmente, na manhã luminosa da vida. Antes de amparar a você, ampare aqueles que, desde muito, suspiram pela migalha de seu amparo.
Antes de nossa vontade, a vontade do Senhor.
Antes do bem para nós, o bem necessário aos outros.
Seja para você a justiça que observa e corrige e seja para o irmão de jornada a bondade que ajuda e absolve sempre.
Sobretudo, guarde a certeza de que o amor se emoldura na humildade que nunca fere.
Coloque você em último lugar e a vida encarregar-se-á de sua própria defesa em qualquer parte.
Ainda mesmo com sacrifício, sob chuvas de fel e gritos de calúnia, renda diariamente seu culto ao amor e o amor na própria vida brilhará em sua alma, convertendo-a em estrela para a Glória Sem-Fim.
ANDRE LUIZ

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