DESENCARNES COLETIVOS NA VISÃO ESPÍRITA

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O que dizem os espíritos, sobre desencarnes coletivos?

Ao longo da história do homem já ocorreram incontáveis situações de desencarne coletivos. Ações da natureza como terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas levaram incontáveis pessoas ao desencarne. E na história recente temos presenciado situações de desencarne por outras razões, como naufrágios, acidentes aéreos, acidentes automobilísticos, incêndios, desabamentos, ocupação inadequada de áreas de risco como áreas costeiras sujeitas a tsunamis, encostas de morros, e outras.
O desencarne é um assunto importante em nossas vidas, pois significa o final desta oportunidade reencarnatória, e a interrupção das relações familiares e de amizade, dentro dos padrões que conhecemos e estamos acostumados aqui na Terra. Logo é natural que o desencarne de muitas pessoas simultaneamente nos chame ainda mais a atenção. É consequência da característica do ser pensante, refletir sobre sua vida e sobre sua interrupção. E por isso temos nos perguntado: por que ocorrem estas situações onde muitas pessoas desencarnam ao mesmo tempo?
Em mensagens recentes através do Médium Maury Rodrigues da Cruz, os espíritos Leocádio José Correia e Marina Fidélis nos alertam para o fato de que os desencarnes coletivos não representam resgate de erros em vidas passadas, ou qualquer tipo de castigo ou punição. Também não são resultado da influência de espíritos desencarnados. A reflexão que os espíritos orientadores nos trazem está em torno do uso mais construtivo do nosso livre arbítrio, o que nos leva a pensar mais criticamente sobre os fatos que causam os desencarnes coletivos, ao invés de nos apegarmos a explicações que retiram de nós a responsabilidade sobre os fatos que ocorrem em nossa sociedade.
Com a evolução do conhecimento científico o Homem passou conhecer mais a fundo os detalhes do ambiente onde vive, o planeta Terra. Passou a conhecer e a entender os vulcões, os terremotos, os tsunamis, as ações dos ventos, das chuvas, do fogo, do frio e do calor. Assim,hoje já sabemos que o planeta nos traz situações de risco à vida do corpo, e passamos a evitá-las quando possível. Evitamos ocupar encostas de morros, evitamos ocupar áreas sujeitas a terremotos, não ocupamos áreas de risco próximas a vulcões com possibilidade de erupção. Ao mesmo tempo a evolução da tecnologia nos trouxe sistemas de alerta para tempestades, tsunamis e erupções vulcânicas, reduzindo o risco de exposição das pessoas a tais eventos naturais. Desta forma, com base no conhecimento, na mudança de comportamento e na prevenção, certamente temos evitado mais situações de desencarnes coletivos em função de eventos naturais.
Por outro lado, a evolução do conhecimento humano gerou mudanças importantes na sociedade global. Intensificamos as relações entre países e continentes. Desenvolvemos aeronaves com capacidade de transportar centenas de passageiros, grandes navios com capacidade para mais de 6 mil pessoas, automóveis, ônibus, edifícios. Mas, nem sempre o conhecimento aplicado consegue prever todas as situações, e o desenvolvimento da cultura, da mesma forma, nem sempre acompanha o avanço da tecnologia. Assim temos situações diversas que podem levar a acidentes: por um lado podem ocorrer falhas nos aviões, navios, automóveis, trens; por outro lado muitas vezes fazemos uso inadequado desses meios de transporte, nos colocando em situações não previstas e causando acidentes.
Antes de termos inventado aviões, automóveis e edifícios não ocorriam desencarnes envolvendo estes recursos. Nós os inventamos, nós os usamos, nós os mantemos, nós cuidamos ou não do seu aprimoramento e das condições para seu uso. Estradas com manutenção precária; aeroportos situados dentro das cidades e com restrições para ampliações; pressão por resultados financeiros crescentes que acabam reduzindo a atenção e os investimentos em segurança; todas essas situações são escolhas humanas, escolhas feitas por nós espíritos encarnados, e que muitas vezes levam a situações que provocam o desencarne de várias pessoas.
E como temos a população em constante crescimento, temos cada vez mais locais onde ocorre a aglomeração de pessoas, como por exemplo em aeroportos, rodoviárias, supermercados, shopping centers, grandes eventos, casas noturnas, escolas, hospitais. Quais são os riscos que estes ambientes podem oferecer à vida daqueles que lá estão? Temos pensado a respeito? Temos atuado em sua prevenção? Como espíritos encarnados todos fazemos parte do grupo responsável pelo padrão de vida estabelecido na Terra no momento.
Na visão espírita não há destino. Há justiça, o que significa efeitos coerentes com as causas que lhes deram origem. Se atuarmos no sentido da prevenção, do ajuste de comportamento, da manutenção da vida, teremos menos situações de desencarne, independentemente de quantas pessoas estejam envolvidas. Entretanto, se adotarmos as explicações religiosas que eximem a sociedade de sua responsabilidade sobre tais fatos, justificando os desencarnes em supostos processos ditos cármicos, estaremos aceitando postergar aprendizados importantes e repetir sofrimentos evitáveis.
Tendo essas reflexões como base, como podemos avaliar os desencarnes ocorridos recentemente na Boate Kiss, em Santa Maria, RS?
Os espíritos desencarnados tem alguma influência nos desencarnes coletivos? As equipes espirituais podem ser chamadas a intervir construtivamente no sentido da prevenção de algum evento humano de grande significado para a civilização, desde que isso não limite o livre-arbítrio das pessoas. No caso de desencarnes coletivos a influência das equipes espirituais é semelhante ao das equipes encarnadas, ou seja, é de apoio e ocorre após o evento.
Os jovens que desencarnaram na boate Kiss em Santa Maria eram espíritos responsáveis pelas mortes de pessoas nas câmaras de gás na Alemanha? Não passaria de coincidência se entre aqueles jovens houvesse ao menos um dos participantes daquelas atrocidades. Apesar das semelhanças entre o método usado nos campos de concentração e o acidente de Santa Maria, os espíritos orientadores afirmam que não se trata de resgate, pois a intenção da Lei Maior é o aprendizado e não a punição. O conceito humano de justiça, por meio do método conhecido como “olho por olho”, é uma criação humana atribuída ao rei Babilônio Hamurabi, aproximadamente 1800 anos antes de Cristo. Percebendo a injusta desproporção em crime e castigo vigente em seu reino, ele promulgou leis que previam que as penas não deveriam ser maiores que os crimes. Jesus trouxe a evolução do conceito de retaliação ao propor o perdão aos inimigos como forma de não perpetuar a dor. Mahatma Gandhi em 1948 argumentou sobre o acerto do perdão explicando que se formos buscar a justiça por meio do olho por olho, acabaremos todos cegos.
Mas, e onde ficaria a justiça se os algozes das atrocidades humanas não receberem sua justa punição? O desejo de vingança é uma imperfeição do caráter humano. Assim como aprendemos a imaginar Deus como um homem forte, acabamos imaginando características humanas também para sua justiça. Jesus foi bastante claro ao questionar o mérito de perdoar quem amamos e ao insistir que devemos perdoar setenta vezes sete vezes aqueles que nos fizeram mal. Devido a essas mesmas imperfeições, há inúmeras maneiras pelas quais nós, os espíritos encarnados, aprenderemos sobre a importância da proteção da vida durante nossos estágios encarnatórios. Dentro do princípio de amor e perdão, não faz sentido pressupor equipes espirituais encarregadas de aplicar “penas de morte” a encarnados que erraram no passado.
Como avaliar as mensagens de espíritos que confirmam os resgates coletivos? Consta que uma vez Emmanuel disse o seguinte ao médium Chico Xavier “Se algum dia, eu disser algo diferente do que disse Jesus e Kardec, fique com Eles e abandone-me.” Evidentemente, não há como abandonar o inestimável tesouro de princípios, ideias, exemplos e interpretações de Chico Xavier, como pessoa e como médium; bem como os conteúdos trazidos pelos espíritos que o orientaram. Ocorre que deixar de refletir sobre o conhecimento a fim de atualizá-lo é tornar a evolução mais lenta. Devemos lembrar que o Espiritismo é o estudo, o entendimento e a prática dos princípios fundamentais da Doutrina. Portanto deve estar em constante movimento evolutivo através da sua própria revisão.

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Desencarnes Coletivos

Às 12:30h* (* hora local) do último dia 17 de julho decolava da cidade de Amsterdã, na Holanda, para Kuala Lampur, na Malásia, o voo MH17 da Malaysia Airlines. Além dos 15 tripulantes, embarcaram na aeronave 283 passageiros de diversas nacionalidades, dentre as quais se encontravam holandeses, australianos, malaios, indonésios e filipinos. Pelo portão de embarque cruzaram passaportes com as fotos de médicos, pesquisadores, jovens, crianças, todos levando na bagagem memórias e expectativas comuns em uma ponte aérea.
Era previsto que o Boeing 777-200 seguisse seu plano de voo, cruzando cerca de 10.248 Km em 11 horas e 20 minutos, e pousasse no Aeroporto de destino às 05:59h*. No entanto, por volta de 12:40h*, a aeronave perdeu contato com os radares enquanto sobrevoava o leste da Ucrânia, na região de Donetsk, área de atuação de grupos separatistas pró-Rússia. Embora muitos detalhes ainda não estejam claros, os fatos indicam, até então, que possivelmente o avião teria sido abatido por mísseis terra-ar disparados pelos respectivos grupos.
Indubitavelmente, uma fatalidade, uma calamidade, um desencarne coletivo! Duzentos e noventa e oito almas subitamente retornam para a espiritualidade sem um prévio aviso natural, como a enfermidade ou o esgotamento irremediável dos órgãos físicos.
Desencarnes deste tipo fazem parte de nossa história desde os tempos mais remotos. Quando ocorrem, levam para o âmago de nossos corações a dor, a saudade, a ausência permanente de entes queridos que nos deixam o convívio de forma abrupta. E por envolverem geralmente uma quantidade significativa de pessoas, tais flagelos sensibilizam não só os sentimentos pessoais, mas também, podem abalar o moral de instituições, nações e seus governos.
No capítulo VI do Livro dos Espíritos, Allan Kardec nos apresenta artigos sobre a Lei da Destruição, os quais se destacam as perguntas de número 737 e 738. Na primeira, o notável pedagogo questiona sobre a finalidade de tais flagelos. E com natural objetividade, os espíritos respondem que o objetivo é fazer a humanidade “progredir mais depressa”. Na segunda, Kardec pergunta se Deus não poderia empregar “outros meios que não os flagelos”. E novamente a resposta surpreende: “Pode e os emprega todos os dias…o homem, porém, não se aproveita desses meios…”. Nesta breve passagem podemos perceber que tais provas servem para despertar a nossa inteligência, paciência e resignação ante a vontade de Deus, além termos a oportunidade de “manifestar nossos sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo” (pergunta 740). Ferramentas estas que estão sempre em nossas mãos, em favor da caridade, mas nem sempre as empregamos adequadamente. Logo, tal como uma criança que necessita de uma chamada mais enérgica dos pais em momentos de desatenção, somos conclamados a rever tais virtudes por meio de eventos mais sensibilizadores.
Na Revista Espírita nº 3, de março de 1858, no item “A Fatalidade e os Pressentimentos”, Kardec apresenta ao Espírito São Luís perguntas de um correspondente que narra já ter sobrevivido a um perigo iminente por, pelo menos, sete vezes, ressaltando o fato de não se sentir digno de tal merecimento. Segundo o correspondente, pessoas teoricamente mais “importantes” ao mundo, como irmãs em missão eclesiásticas, haviam sucumbido enquanto que ele permanecera ileso.
Em face aos diversos questionamentos pautados pelo correspondente, o Espírito São Luís ressalta que tais eventos são “fatalidades dos acontecimentos materiais”. Eles ocorrem seguindo as leis naturais da natureza, das quais o homem se insere, ou ainda, como eventos já previstos antes mesmo da encarnação. Como exemplo, ele responde à uma pergunta onde supostamente um homem passaria por uma ponte que iria cair. Para o homem, o que o guia até o local é a “voz do instinto”, definida como sendo uma “impressão em foro íntimo” dos “conhecimentos de todas as fases de sua existência” obtidas antes da reencarnação. Ao se aproximar do momento, esta “voz” torna-se um “pressentimento” que sempre se apresenta de forma vaga, e não direta. Para a ponte, o que a leva à queda são as circunstâncias naturais (ferrugem, desgaste, etc.).
No caso de provas e expiações, estas fases da existência citadas pelo Espírito São Luís são programadas de acordo com os débitos que precisamos resgatar de outras encarnações. Boa parte de nossas falhas advém de nossas ações individuais que foram de encontro às Leis Divinas. Contudo, podem elas ser decorrentes de erros cometidos em grupo, levando a providência Divina a encontrar um momento adequado para reunir todos aqueles que outrora juntos cometeram determinadas falhas.
Tomemos como exemplo o grande incêndio ocorrido no Gran Circus, na cidade de Niterói, Rio de Janeiro, no dia 17 de dezembro de 1961, considerada a maior tragédia circense da história. O circo era considerado o maior e mais completo da América Latina e, desde a sua estreia dois dias antes, a tenda se encontrava lotada.
Naquela tarde do dia 17 o público somava cerca de 2500 pessoas ansiosas para ver o espetáculo. Faltando cerca de vinte minutos para o encerramento um trapezista percebeu o incêndio. Em menos de cinco minutos, a lona parafinada que cobria o picadeiro pegou fogo de forma criminosa e derreteu sobre todos, gerando um pânico generalizado. Dezenas de pessoas foram queimadas e pisoteadas pela multidão e por uma elefanta do circo. Ao todo, 372 morreram subitamente e outras 131 foram depois contabilizadas, totalizando 503 pessoas, sendo a maior parte crianças.
Anos depois, no Livro Cartas e Crônicas, psicografado por Francisco Cândido Xavier, o Espírito Irmão X relata que no ano 177 o Imperador Marco Aurélio reinava na Roma antiga. Em seu governo, nenhuma lei que levasse a um prejuízo maior dos cristãos foi lavrada. No entanto, não impedia que fossem aplicadas na cidade, “com o máximo rigor”, todas as leis que existiam contra eles. Desta forma, milhares de homens e mulheres, crianças e idosos eram assassinados sem piedade, na cidade e no interior das arenas.
Em uma determinada noite foi anunciada a chegada do famoso guerreiro Lúcio Galo, o qual desfrutava da atenção do Imperador e demandava comemorações especiais em sua homenagem. Assim, os preparativos começaram a serem organizados com a preparação das saudações, dançarinas, dentre outros.
O maior do festejos, no entanto, começou a ser organizado na noite anterior. Mais de mil mulheres e crianças cristãs foram aprisionadas para serem lançadas na noite seguinte em uma arena cercada de farpas embebidas em óleo flamejante. O circo estava pronto. Enquanto que as labaredas queimavam a todos, cavalos eram soltos no meio da multidão de sofredores que eram despedaçados pela correria dos animais.
Estas cenas terríveis ficaram registradas nos débitos dos organizadores daquele evento. E assim, quase dezoito séculos depois, as Leis Divinas reúnem todos em um mesmo local pelos processos da reencarnação para resgatarem a dolorosa expiação em outra arena coletiva.
Por fim, no portão de desembarque do voo MH17, ainda se encontram os corações de familiares e amigos que esperavam o abraço da chegada. Cabe a todos nós a prece e a oração pelos que partiram, como também, pelos que ficaram, independente da região onde ocorra o acidente.
Outros eventos, dignos de amor e acolhimento fraternal, como o do voo GOL 1907 em 29 de setembro de 2006, ou ainda, o incêndio na Boate Kiss, em 29 de janeiro de 2013, poderiam ser citados. Mas para todos eles resta-nos a esperança de saber que todos continuam vivos em outra dimensão. Suas histórias, suas vidas não foram apagadas e podem continuar a receber as maravilhosas vibrações de prece de nosso plano material. O desencarne coletivo, mais que uma expiação para o espírito que parte, também o é para quem fica. Logo, que em nossos instantes de prece solidarizemos nossos corações encarnados e desencarnados aos que vivenciaram a experiência de desencarnes coletivos.
Márcio Martins da Silva Costa

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DESENCARNE COLETIVO
O Livro dos Espíritos

É o desencarne que ocorre em acidentes e catástrofes de toda sorte, que vitimam pequeno ou grande número de criaturas. Ocorre porque um grupo ou grupos de espíritos comprometidos com um mesmo débito ou com débitos semelhantes, em reencarnações pregressas, se associam, ainda na espiritualidade, antes do renascimento, com a finalidade de realizar “trabalho redentor em resgates coletivos”.
Por estar relacionado a experiências evolutivas, o desencarne coletivo é previsto por entidades Benfeitoras Espirituais, que acolhem os desencarnantes imediatamente, muitas vezes em postos de socorro por eles montados através da vontade/pensamento, na própria região da catástrofe ou desastre.
O resgate de nossas ações contrárias à Lei Divina, ao bem e ao amor pode ocorrer de várias formas, inclusive coletivamente. O objetivo, segundo “O Livro dos Espíritos”, questão 737, é “fazê-lo avançar mais depressa” e as calamidades “são freqüentemente necessárias para fazerem com que as coisas cheguem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos”. Além disso (questão 740), “são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar a inteligência, de mostrar sua paciência e sua resignação ante a vontade de Deus, ao mesmo tempo em que lhe permitem desenvolver os sentimentos de abnegação, de desinteresse próprio e de amor ao próximo”.
E assim, entendemos o sentimento de solidariedade que essas calamidades despertam, auxiliando todos a desenvolver o amor. O importante para os mais diretamente envolvidos, para que tenham o progresso devido, como está dito em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo 14, item 9, é “não falir pela murmuração”, pois “as grandes provas são quase sempre um indício de um fim de sofrimento e de aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus”.
Nesta frase selecionada no “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, está uma informação de cabal importância: indício de aperfeiçoamento do espírito. E qual seria o objetivo prático de tudo isso e como esses fatos atuam em nosso progresso, com que finalidade?
A resposta está na Lei do Progresso, que determina ao homem o progresso incessante, sem retrocesso, no campo intelectual e moral; cada um há seu tempo, seguindo seu ritmo próprio, sendo que “se um povo não avança bastante rápido, Deus lhe provoca, de tempo em tempos, um abalo físico ou moral que o transforma” (“O Livro dos Espíritos”, questão 783).
Como vemos, o progresso se faz, sempre, e quando estamos atravancando-o, Deus, em sua infinita bondade e justiça, lança mão de instrumentos que nos impulsionem à frente. O objetivo é nos levar a cumprir a escala evolutiva, saindo de nossa condição de Espíritos imperfeitos moralmente para a de espíritos regenerados, até atingirmos a condição de Espíritos puros.
Essa transposição de imperfeito moralmente para regenerado marca a atual fase de transição que vivenciamos, plena de flagelos destruidores, de calamidades, de acidentes com grande número de mortos.
Nos evangelhos segundo Mateus, Marcos e João, há várias referências aos sinais precursores de uma transformação no estado moral do Planeta, caracterizada pelo anúncio de calamidades diversas que atingirão a humanidade e dizimarão grande número de pessoas, para que, na seqüência, ocorra o reinado do bem, sejam instituídas a paz e a fraternidade universal, confirmando a predição de que após os dias de aflição virão os dias de alegria.
O que é anunciado nessas passagens evangélicas não é o fim do mundo de forma absoluta e real, mas o fim deste mundo que conhecemos, em que o mal aparentemente se sobrepõem ao bem, e, como afirma Allan Kardec em “A Gênese”, capítulo 17, item 58, “o fim do velho mundo, do mundo governado pela incredulidade, pela cupidez e por todas as más paixões a que o Cristo alude”.
Para que esse novo mundo se instale (“A Gênese”, capítulo 18), é fundamental que a população seja preparada para habitá-lo. Para tanto, teremos, todos nós, de equacionar alguns problemas de nosso passado, construindo nosso progresso moral.
Não há transformação sem crise, e catástrofes e cataclismos são crises que agitam a humanidade, despertando-a para a solidariedade, a fraternidade, o bem.
Temos, então, de ver a humanidade como “um ser coletivo no qual se operam as mesmas revoluções morais que em cada ser individual” (“A Gênese”, capítulo 18 item 12).
Nesse contexto, a fraternidade será a pedra angular da nova ordem social, com o progresso moral, secundado pelo progresso da inteligência assegurando a felicidade dos homens sobre a Terra.
Para que possamos habitar esse novo mundo, não temos de nos renovar integralmente. Segundo Kardec (“A Gênese”, capítulo 18 item 33), “basta uma modificação nas disposições morais”, e, para isso, temos de equacionar débitos do passado e nos conscientizarmos de nossa condição de espíritos imortais perfectíveis, em fase de desenvolvimento de nossas potencialidades.
Como forma de acelerar esse processo de modificação da disposição moral, a presente fase é marcada pela multiplicidade das causas de destruição, até como forma de estimular em nós o desenvolvimento de nossas potencialidades no bem, pois “o mal de hoje há de ser o bem de amanhã. Somente a educação do Espírito poderá libertá-lo do mal, dando-lhe condições de alçar os mais altos vôos no plano infinito da vida. O importante em tudo isso é mantermos a serenidade, olharmos para frente, divisarmos o futuro, pois “a marcha do Espírito é sempre crescente e ascendente”. É preciso descobrir quanto bem se é capaz de fazer agora para que o próprio crescimento não se detenha” (Portásio).
Em todo ser humano, como ressalta o Espírito Clelie Duplantier, em “Obras Póstumas”, “há três caracteres: o do indivíduo ou do ente em si mesmo, o do membro da família e o do cidadão. Sob cada uma dessas três fases, pode ele ser criminoso ou virtuoso; isto é, pode ser virtuoso como pai de família e criminoso como cidadão, e vice-versa”.
Além disso, pode-se admitir como regra geral que todos os que se ligam numa existência por empenhos comuns, já viveram juntos, trabalhando para o mesmo fim e se encontrarão no futuro, até expiarem o passado ou cumprirem a missão que aceitaram.
Essas calamidades – se olharmos para elas sob o ponto de vista espiritual, fundamentando nossa reflexão nos princípios da Doutrina Espírita – têm, portanto, objetivos saneadores que, conforme Joanna de Ângelis, removem as pesadas cargas psíquicas existentes na atmosfera e significam a realização da justiça integral, pois a Justiça Divina, para nosso reequilíbrio, recorre a métodos purificadores e liberativos, de que não nos podemos furtar.
Assim, tocados pelas dores gerais, ajudemo-nos e oremos, formando a corrente da fraternidade e estaremos construindo a coletividade harmônica, sempre lembrando a advertência do Espírito Hammed: “a função da dor é ampliar horizontes para realmente vislumbrarmos os concretos caminhos amorosos do equilíbrio. Como o golpe ao objeto pode ser modificado, repensa e muda também tuas ações, diminuindo intensidades e frequências e recriando novos roteiros em sua existência”. Desse modo, estaremos utilizando nossos problemas como ferramenta evolutiva, não nos perdendo em murmurações, mas utilizando nosso livre-arbítrio como patrimônio.
O progresso de todos os seres da criação é o objetivo de tudo que acontece tenhamos a consciência desperta e procuremos entender o mundo à nossa volta, cientes de que a solidariedade é o verdadeiro laço social, não só para o presente, mas, como está em “Obras Póstumas”, “estende-se ao passado e ao futuro, pois que os mesmos indivíduos se encontram e se encontrarão para juntos seguirem as vias do progresso, prestando mútuo concurso. Eis o que faz compreender o Espiritismo pela equitativa lei da reencarnação e da continuidade das relações entre os mesmos seres”.
E mais: Graças ao Espiritismo, compreende-se hoje a justiça das provações desde que as consideremos uma amortização de débitos do passado. As faltas coletivas devem ser expiadas coletivamente pelos que juntos as praticaram, e os mentores estão sempre trabalhando, ajudando a todos nós, reunindo-nos em grupos de forma a favorecer a correção de rumo, amparando-nos e nos fortalecendo para darmos conta daquilo a que nos propomos, além de nos equilibrarem para podermos auxiliar o outro com nossos pensamentos positivos, nossos.
Fonte:Yahoo groups

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PARTE TERCEIRA DO LIVRO DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO VI *DA LEI DE DESTRUIÇÃO**Flagelos destruidores*

737. Com que fim fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores?

“Para fazê-la progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição ma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados.
Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são frequentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.” (744)

738. Para conseguir a melhora da Humanidade, não podia Deus empregar outros meios que não os flagelos destruidores?

“Pode e os emprega todos os dias, pois que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém, não se aproveita desses meios. Necessário, portanto, se torna que seja castigado no seu orgulho e que se lhe faça sentir a sua fraqueza.”
a) – Mas, nesses flagelos, tanto sucumbe o homem de bem como o perverso. Será justo isso?
“Durante a vida, o homem tudo refere ao seu corpo; entretanto, de maneira diversa pensa depois da morte. Ora, conforme temos dito, a vida do corpo bem pouca coisa é. Um século no vosso mundo não passa de um relâmpago na eternidade. Logo, nada são os sofrimentos de alguns dias ou de alguns meses, de que tanto vos queixais. Representam um ensino que se vos dá e que vos servirá no futuro. Os Espíritos, que preexistem e sobrevivem a tudo, formam o mundo real (85). Esses os filhos de Deus e o objeto de toda a Sua solicitude. Os corpos são meros disfarces com que eles aparecem no mundo. Por ocasião das grandes calamidades que dizimam os homens, o espetáculo é semelhante ao de um exército cujos soldados, durante a guerra, ficassem com seus uniformes estragados, rotos, ou perdidos. O general se preocupa mais com seus soldados do que com os uniformes deles.”
b) – Mas, nem por isso as vítimas desses flagelos deixam de o ser.
“Se considerásseis a vida qual ela é e quão pouca coisa representa com relação ao infinito, menos importância lhe daríeis. Em outra vida, essas vítimas acharão ampla compensação aos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar.
” Venha por um flagelo a morte, ou por uma causa comum, ninguém deixa por isso de morrer, desde que haja soado a hora da partida. A única diferença, em caso de flagelo, é que maior número parte ao mesmo tempo.
Se, pelo pensamento, pudéssemos elevar-nos de maneira a dominar a Humanidade e abrangê-la em seu conjunto, esses tão terríveis flagelos não nos pareceriam mais do que passageiras tempestades no destino do mundo.

739. Têm os flagelos destruidores utilidade, do ponto de vista físico, não obstante os males que ocasionam?

“Têm. Muitas vezes mudam as condições de uma região. Mas, o bem que deles resulta só as gerações vindouras o experimentam.”

740. Não serão os flagelos, igualmente, provas morais para o homem, pondo-o a braços com as mais aflitivas necessidades?

“Os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo.”

741. Dado é ao homem conjurar os flagelos que o afligem?

“Em parte, é; não, porém, como geralmente o entendem. Muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. À medida que adquire conhecimentos e experiência, ele os vai podendo conjurar, isto é, prevenir, se lhes sabe pesquisar as causas. Contudo, entre os males que afligem a Humanidade, alguns há de carácter geral, que estão nos decretos da Providência e dos quais cada indivíduo recebe, mais ou menos, o contragolpe. A esses nada pode o homem opor, a não ser sua submissão à vontade de Deus. Esses mesmos males, entretanto, ele muitas vezes os agrava pela sua negligência.”
Na primeira linha dos flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, devem ser colocados a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais às produções da terra. Não tem, porém, o homem encontrado na Ciência, nas obras de arte, no aperfeiçoamento da agricultura, nos afolhamentos e nas irrigações, no estudo das condições higiênicas, meios de impedir, ou, quando menos, de atenuar muitos desastres? Certas regiões, outrora assoladas por terríveis flagelos, não estão hoje preservadas deles? Que não fará, portanto, o homem pelo seu bem-estar material, quando souber aproveitar-se de todos os recursos da sua inteligência e quando aos cuidados da sua conservação pessoal, souber aliar o sentimento de verdadeira caridade para com os seus semelhantes? (707)
Oremos pelos nossos irmãos que vivem o desespero das enchentes.
O Livro dos Espíritos /Allan Kardec

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Sobre os Desencarnes Coletivos

COMO SE PROCESSA A PROVAÇÃO COLETIVA?

A resposta a esta pergunta foi dada por Emmanuel, através da psicografia de Chico Xavier, no livro O CONSOLADOR:
“Na provação coletiva, verifica-se a convocação dos Espíritos encarnados, participantes do mesmo débito, com referência ao passado delituoso e obscuro.
O mecanismo da justiça, na lei das compensações, funciona então espontaneamente, através dos prepostos do Cristo, que convocam os comparsas na dívida do pretérito para os resgates em comum, razão por que, muitas vezes, intitulais “doloroso acaso” às circunstâncias que reúnem as criaturas mais díspares no mesmo acidente, que lhes ocasiona a morte do corpo físico, ou as mais variadas mutilações, no quadro de seus compromissos individuais.”
Emmanuel, sob a psicografia de Chico Xavier, em O Consolador, pergunta 250.
Meus comentários:
Para o leitor não habituado com a terminologia espírita, expressões fora de contexto, tais como “passado delituoso e obscuro” podem chocar, e levar a falsas interpretações.
Uma mãe amorosa não concebe a possibilidade de seu pequeno anjo ter tido um “passado delituoso e obscuro” – o que é perfeitamente compreensível.
Mas, analisando a questão sob a ótica da reencarnação, veremos que somos espíritos imortais – nossa jornada não começa, e nem termina aqui.
Somos todos espíritos em evolução, encarnados na terra para aprender e progredir.
Não existem, entre nós, espíritos isentos de faltas no passado, de erros a serem reparados. A possibilidade de retornar a vida corpórea, e resgatar esses erros, não é um castigo, mas uma prova do amor de Deus, que nos oferece infinitas possibilidades de redenção.
Mas Deus não seria perfeito, se não fosse justo. Ele nos permite recomeçar do início, e nos concede o benefício do esquecimento temporário do passado (nos esquecemos do passado enquanto estamos encarnados – depois de retornar à Pátria Espiritual, recobramos a lembrança de nossas vidas pregressas).
Assim sendo, temos a oportunidade de nos encontrar com antigos desafetos, e vivenciar experiências dolorosas que possamos ter ocasionado aos outros, em existências passadas. Analisando sob esta ótica, começamos a entender que o que muitas vezes chamamos de “castigo” é, na verdade, “possibilidade de redenção”, ou seja, uma segunda chance.
Muitos de nós escolhemos o gênero de provas que iremos passar pela vida. Essas provas estão de acordo com a nossa evolução espiritual, e contamos sempre com a ajuda de Espíritos Protetores, que nos inspiram, para que não falhemos, e nos dão força e coragem, quando acontecimentos que fogem ao nosso controle, se descortinam diante de nós.
Emmanuel nos diz, através da psicografia de Chico Xavier, no livro intitulado “Emmanuel“, cap. XXXII, Dos Destinos:
“Não poucas vezes vos preocupais, nas lides planetárias, com as provações necessárias, que julgais excessivas para as vossas forças.
Crede! O fardo que faz vergar os vossos ombros não é demasiado para as vossas possibilidades.
Deus tudo prevê e, sobretudo, a escolha de semelhantes provações é uma questão de preferência individual…”
Mais adiante, no item “A Escolha das Provas”, Emmanuel ensina:
“Muito antes da encarnação, o Espírito faz o cômputo de suas possibilidades, estuda o caminho que melhor se lhe afigura na luta da perfectibilidade e, de acordo com suas vocações e segundo o grau de evolução já alcançado, escolhe, em plena posse de sua consciência, a estrada que se lhe desenha no porvir, fecunda de progressos espirituais.”
por Liz Bittar

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 O desencarne coletivo em Santa Maria perante as Leis Divinas e as leis humanas

Entre as inúmeras manifestações de amigos espíritas sobre o incêndio na Boate Kiss em Santa Maria/RS, culminando com mais um triste episódio de desencarne coletivo, desta feita de mais de duas centenas de jovens, duas mensagens que reputamos como extremamente equilibradas e coerentes foram veiculadas por Dora Incontri e Richard Simonetti (ambas seguem escritas no final deste post).
Em síntese, conclamam-nos à fé raciocinada, à oração e à caridade com os familiares das vitimas, alertando-nos para o fato de que casos da espécie não são tão simples e não basta que sejam enquadrados como resgate coletivo.
Toda e qualquer tragédia ocorre por força da lei de ação e reação, mas nem sempre a ação ocasionadora da reação tem causa em encarnação passada, nem é sempre também que as vítimas fazem parte de um resgate coletivo, a exemplo daquele que nos noticiou Humberto de Campos sobre o incêndio do circo de Niterói, no início da segunda metade do século passado.
Muitas vezes a lei de causa e efeito é desencadeada na própria encarnação presente, em decorrência de atos irresponsáveis, o que não é difícil de se pensar que tenha ocorrido com a infeliz decisão de particulares e autoridades públicas quanto ao funcionamento de um prédio, para aglomeração de mais de mil pessoas, sem estrutura de combate a incêndio e saídas de emergência, colocando a vida de centenas de pessoas em risco e, nesse caso específico, tendo culminado com o desencarne coletivo sob enfoque. A própria sociedade brasileira é conivente e despreocupada com a segurança, pois frequenta esses locais totalmente desprovidos de estrutura e segurança sem pensar nas consequências para a própria vida e integridade física.
Dessa forma, é até temerário se atribuir a causa do ocorrido a um desencarne coletivo, sem que se tenham premissas seguras para se fazer essa afirmação. Provações e resgates coletivos existem e isso é ponto pacífico na Doutrina Espírita e não serão incomuns na transição do Mundo para a Nova Era de Regeneração. Mas isso não autoriza a se concluir que qualquer tragédia coletiva assim se explica.
No caso específico de Santa Maria, o que pensar dos considerados suspeitos de terem responsabilidade mais direta pelo acidente que, segundo a imprensa, seriam aqueles que adquiririram um artefato pirotécnico impróprio para locais fechados, os empreendedores da boate e as autoridades públicas? Será que dá para crer que a Sabedoria Divina se valeria dessa imperfeição, em tese, de alguns Espíritos, para propiciar o resgate coletivo de outros? Se assim fosse, será que não entraríamos em um círculo vicioso, uma vez que, para resgatar o débito do passado de alguns, outras pessoas teriam que se endividar perante as leis de Deus?
O propósito desse blog, como todos os nossos leitores sabem, é discutir assuntos espíritas sob a óptica jurídica e vice-versa. E, sendo assim, a que parece, a triste e dolorosa temática em questão parece se enquadrar perfeitamente em nossa pauta. Isso na medida em que o sofrimento das vítimas precocemente desencarnadas, das suas famílias, dos sobreviventes que sofrem as consequências físicas e psicológicas do acidente, dos sobreviventes que sofrem as consequências físicas e psicológicas do acidente, da sociedade brasileira em geral, sempre muito solidária nesses momentos, e das próprias organizações e pessoas suspeitas de terem responsabilidade pela tragédia, fazem nossas atenções se voltarem para aspectos tais como: as consequências danosas das leis humanas imperfeitas, no caso em matéria de segurança, a cultura de falta de compromisso da sociedade em exigir o cumprimento das leis que são para o seu bem e segurança, e a omissão das autoridades públicas de desempenharem o papel de fiscalizar o cumprimento dessas leis e adotarem as medidas para impedir que sejam burladas em detrimento da segurança das pessoas.
Deus nos dotou de livre-arbítrio e, seres imperfeitos que somos, cometemos erros graves, cujas consequências não se restringem a desencadear os efeitos da lei de causa e efeito, mas também provocam sofrimentos, angústias, remorsos e outros sentimentos. Mas ao contrário da nossa imperfeição, as Leis Divinas são tão perfeitas a ponto de propiciarem que os erros da humanidade sirvam de ensinamento para o aperfeiçoamento das leis humanas e das condutas dos indivíduos, ainda que seja um remédio amargo para nossas imperfeições.

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Reflexões espíritas sobre a Tragédia de Santa Maria

A tragédia de Santa Maria me leva a algumas reflexões que considero importantes para o movimento espírita.
Recentemente participei de uma banca de doutorado na Universidade Metodista, em que o pesquisador José Carlos Rodrigues, examinou em ampla investigação de campo quais os principais motivos de “conversão”, eu diria, “migração” para o espiritismo, no Brasil. Ganhou disparado a “resposta racional” que a doutrina oferece para os problemas existenciais.
De fato, essa é grande novidade do espiritismo no domínio da espiritualidade: introduzir um parâmetro de racionalidade e distanciar-se dos mistérios insondáveis, que as religiões sempre mantiveram intactos e impenetráveis, sobretudo o mistério da morte.
Entretanto, essa racionalidade, que era realmente a proposta de Kardec, tem sido barateada em nosso meio, como tudo o mais, para tornar-se uma cartilha de respostinhas simples, fechadas e dogmáticas, que os adeptos retiram das mangas sempre que necessário, de maneira triunfante e apressada, muitas vezes, sem respeito pela dor do próximo e sem respeito pelas convicções do outro. Explico-me.
Por exemplo: existe na Filosofia espírita uma leitura de mundo de “causa e efeito”, que traduziram como “lei do karma”, conceito que vem do hinduísmo. Essa ideia é de que nossas ações presentes geram resultados, que colheremos mais adiante ou que nossas dores presentes podem ser explicadas à luz de nossas ações passadas. Mas há muitas variáveis nesse processo: por exemplo, estamos sempre agindo e portanto, sempre temos o poder de modificar efeitos do passado; as dores nem sempre são efeitos do passado, mas sempre são motivos de aprendizado. O sofrimento no mundo resulta das mais variadas causas: má organização social, egoísmo humano, imprevidência… Estamos num mundo de precário grau evolutivo, onde a dor é nossa mestra, companheira e o que muitas vezes entendemos como “punição” é aprendizado de evolução.
O assunto é complexo e pretendo escrever mais profundamente sobre isso. Aqui, apenas gostaria de afirmar que nós espíritas, temos sim algumas respostas racionais, mas elas são genéricas e não podem servir como camisas de força para toda a realidade. Que respostas baseadas em evidências e pesquisas temos, por exemplo, para essas famílias enlutadas com a tragédia de Santa Maria?
• que a morte não existe e que esses jovens continuam a viver e que poderão mais dia, menos dia, dar notícias de suas condições;
• que a morte traumática deixa marcas para quem fica e para quem foi e que todos precisam de amparo e oração;
• que o sofrimento deve ter algum significado existencial, que cada um precisa descobrir e transformá-lo em motivo de ascensão…
• que a fé, o contato com a Espiritualidade, seja ela qual for, dá forças ao indivíduo, para superar um trauma dessa magnitude.
Não podemos afirmar por que esses jovens morreram. Não devemos oferecer uma explicação pronta, acabada, porque não temos esses dados. Os espíritas devem se conformar com essa impotência momentânea: não alcançamos todas as variáveis de um fato como esse, para podermos oferecer uma explicação definitiva. Havia processos da lei de causa e efeito? Provavelmente sim. Houve falha humana, na segurança? Certamente sim. Qual o significado que essa tragédia terá? Cada pai, cada mãe, cada familiar, cada pessoa envolvida deverá achar o seu significado. Alguns talvez terão notícias de algum evento passado que terá desembocado nesse drama; outros extrairão dessa dor, um motivo de luta para mais segurança em locais de lazer; outros acharão novos valores e farão de seu sofrimento uma bandeira para ajudar outros que estejam no mesmo sofrimento e assim por diante.
Oremos por essas pessoas, ofereçamos nossas melhores vibrações para os que foram e para os que ficaram e ainda para os que se fizeram de alguma forma responsáveis por esse evento trágico. Mas tenhamos delicadeza ao tratar da dor do próximo! Não ofereçamos respostas fechadas, apressadas, categóricas, deterministas. Ofereçamos amor, respeito e àqueles que quiserem, um estudo aberto e não dogmático, da filosofia espírita.
Por Dora Incontri

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Morte na Boate

Tragédias como a de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que vitimou 231 pessoas sempre suscitam a dúvida crucial: Maktub? Estava escrito?
A meu ver está escrito apenas que morreremos um dia, mas sem definição do dia e hora, já que estes pertencem às contingências humanas, subordinadas ao livre-arbítrio. Raros vivem integralmente o tempo concedido por Deus para as experiências humanas. Multidões retornam antes do tempo à espiritualidade por cuidarem mal do corpo, por se comprometerem no vício, no desregramento, na indisciplina, no crime…
Há quem diga que débitos cármicos, nascidos de desvios cometidos em passadas existência teriam originado uma espécie de resgate coletivo na funesta madrugada.
Além de logisticamente complicado juntar pessoas que queimam e sufocam seus semelhantes para morte igual, tal resgate lembra a pena de talião defendida por Moisés, o olho por olho, à distância do amor que cobre a multidão dos pecados, ensinado por Jesus.
Há sempre a ideia supostamente consoladora, de que tudo vem de Deus. Assim pensando, seria, porventura, mais razoável imaginar que Deus estimula a negligência, a indisciplina, os vícios, os assassinatos, as bebedeiras, a agressividade, a maldade, a violência, as guerras, que diziam milhões de pessoas para que as pessoas paguem suas dívidas?
Seria razoável imaginar que Deus inspirou os americanos a soltar duas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, para que 200 mil japoneses quitassem seus débitos?
Essas mortes são de inspiração humana, jamais divina.
O verdadeiro consolo está em considerar que o Espírito, a individualidade pensante, não morrerá jamais.
Nascer e morrer são apenas duas faces da mesma moeda: a vida imortal, que se estende ao infinito, no desdobrar de experiências que nos conduzem à perfeição. Então, como diz Jesus, não mais experimentaremos a experiência da morte, em planos de matéria densa como a Terra. Nessa concepção está o verdadeiro consolo.
Quanto aos nossos amados, que nos antecedem no retorno à Espiritualidade, estão ausentes apenas aos nossos olhos.
Se pudéssemos ver saberíamos que eles nos procuram, sofrem com nossa angústia, perturbam-se com nosso desconsolo, fortalecem-se com nossa coragem, vibram com nossas esperanças, torcem para que sejamos firmes e fortes no enfrentar os embates da existência a fim de que o reencontro mais tarde se dê em bases de vitória sobre as provações humanas, ensejando-nos luminoso porvir.
Por Richard Simonetti

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